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Terra Blog

20.08.08

TIMBERLAKE DAS ARÁBIAS

 Por mais malucas que sejam as fãs brasileiras não há notícias de que Bruno Gagliasso ou Cauã Reymond tenham causado a separação de alguém. Também nunca se ouviu falar de um galã seqüestrado por uma fanática.
O máximo que as brasileiras se permitem são cartas de amor quilométricas, calcinhas no palco e coleções sobre a vida do ídolo. Ao contrário de muitos episódios no Brasil, tudo bem civilizado.
Não esperem o mesmo bom comportamento de fãs mundo afora. Na Arábia Saudita o bicho está pegando. Duas telenovelas turcas – “Nour” (“Luz”) e “ Sanawat Ad-Dayaa” (“Anos de Perdas”) – estão causando divórcios.
O responsável pela desunião familiar é Nour, vivido pelo galã turco Kivanç Tatlitu. Na ficção ele é um marido dedicado e romântico, tudo o que as mulheres sauditas não têm em casa. Prova disso é que estão pedindo o fim de seus casamentos.
Mais interessante do que a inevitável comparação feminina é a reação dos maridos. Eles também estão entrando com pedidos de divórcio após encontrarem fotos do ator nos celulares e nos pertences das esposas. Argumentam ainda que as mulheres não cumprem mais com as obrigações domésticas para assistir à novela.
Eu, como habitante do país das novelas – “Vale a Pena Ver de Novo”, “Malhação”, das seis, das sete, das oito, dos Mutantes, as mexicanas, as colombianas... –, já enxergo um bom folhetim nas reações das partes envolvidas. Ódio, ciúme, dinheiro e, claro, um bom mocinho.
Não sei o que o cantor Phil Collins acharia da minha idéia, até porque já está vivendo seus dias de novela da vida real. O cantor – que está se separando pela terceira vez – já gastou um terço de sua fortuna em divórcios.
A ex-mulher de Collins acaba de receber 46,7 milhões de dólares (R$ 76,8 milhões). Segundo a revista “People”, é o divórcio de celebridade mais caro da história do Reino Unido.
Gagliasso e Cauã não são pivôs da separação das fãs – só agem em malefício próprio. Gostam mesmo de causar dores de cabeça nos pares das atrizes com as quais contracenam. E é só. Ou vocês preferem que eu cite Guilherme de Pádua?

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  • Postado em 14:29:26

19.08.08

SALTO COM CASCO

 A seleção olímpica de futebol masculino não merece nem uma linha. Não há mais o que esperar ou lamentar simplesmente porque a derrota nos gramados há muito não é novidade. O “futebol-arte” – odeio essa expressão – anda a passos de tartaruga.
Viremos a página. Entre ontem e hoje os brasileiros se mobilizaram em torno de outro assunto: o sumiço da vara da atleta Fabiana Murer.
Curiosamente observei que não houve pesar pela eliminação de Fabiana ou pela perda de uma possível medalha de ouro. O que queimou os neurônios brasileiros foram as piadas.
É impressionante a nossa capacidade de fazer graça com um ocorrido em menos de 24 horas.
Ouvi de tudo. A primeira foi que Diego Hypólito era o principal suspeito. Depois vieram as perguntas do tipo “como se faz para esconder uma vara de quase quatro metros?”; “é coincidência Diego Hypólito cair sentado e a vara da Fabiana sumir?”. E, por fim, de José Simão, a afirmação de “que não existe vara perdida, mas sim mal amada”.
Por que nosso senso de humor surge apenas nas situações-limite? Na ocasião da morte de Ayrton Senna diversas piadas começaram a circular poucas horas após o acidente. O mesmo ocorre em tragédias como a do avião da TAM.
Faria um bem danado para a nossa auto-estima se fôssemos criativos no dia-a-dia. Ou, quem sabe, se o brasileiro usasse parte de sua perspicácia para ganhar dinheiro. Atenção: não confundir agudeza de espírito com malandragem.
Que nada. Esse espírito olímpico vai desaparecer junto com os Jogos de Pequim, quando voltaremos aos passos de tartaruga de costume.
Sabem o que estamos parecendo? Umas tartarugas recém-nascidas que perderam o rumo do mar e foram parar dentro de um restaurante na região da Calábria, na Itália, hoje. Elas se confundiram com as luzes do estabelecimento e tomaram caminho inverso.
Aliás, nem a elas nos assemelhamos. As pobrezinhas ainda foram atrás da luz. Nós enxergamos a luz e preferimos colocar a cabeça para dentro do casco. Vez ou outra fazemos umas piadinhas.

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  • Postado em 17:28:44

18.08.08

NA PASSARELA DA AMIZADE

 O que têm em comum Fernando Lugo – recém-eleito presidente do Paraguai –, Carlos Minc e Fidel Castro? Esqueçam-se de que eles são de esquerda. Concentrem-se em algo menos importante que a política e terão a resposta: o visual exótico.
Um descuido seria perfeitamente compreensível. A aparência descurada desempenha até uma função histórica. Faz parte do folclore esquerdista o visual rústico, meio sujo, cabelo comprido, barba idem. E em alguns casos, de quebra, uma lingüinha presa (Lula, Vicentinho, Palocci...).
No caso de Lugo, Minc e Fidel, entretanto, não é exatamente desleixo. O que se vê é uma quase provocação.
Minc, nosso ministro do Meio Ambiente, tenta marcar posição com sua coleção de coletes, itens de vestuário do tempo da vovó. Ainda me esforço para tentar captar alguma mensagem subliminar.
Fidel, por sua vez, nas poucas vezes em que aparecia sem seu uniforme militar, posava de garoto-propaganda da Adidas.
A justificativa poderia ser o fato de ele estar moribundo, mas bem antes de adoecer o ditador cubano já desfilava com seu abrigo Adidas. Ok, a Adidas é uma empresa alemã, mas se transformou no símbolo de tudo o que Fidel mais odeia: o “american way of life”. Ao lado do segredo de Tostines, este é um mistério que tento decifrar.
Na semana passada, Fernando Lugo usou em sua posse camisa branca, calças cinzas e sandálias. A novidade é que cortou a barba que cultivou por anos. Se seguirmos a tendência apontada por Fidel, o próximo passo será trocar as sandálias franciscanas por um belo par de Manolo Blahnik.
Não sei bem ao certo o que esses comportamentos querem nos dizer. Talvez um “usem o que eu visto mas não levem muito a sério o que eu prego?”.
Se for, os sacoleiros de Ciudad del Este vão encher os bolsos. Atravessarão a ponte inúmeras vezes para dar conta dos pedidos dos fregueses latino-americanos. Para melhorar ainda mais, Lugo bem que poderia dar uma mãozinha e reduzir os impostos. Liberou geral.

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  • Postado em 14:56:53

17.08.08

GRITOS E SUSSURROS

 Hoje vou mexer num vespeiro. No post passado comentei sobre a rabujice de João Gilberto. Foi apenas uma pincelada. Comportamento tão peculiar merece um texto inteiro.
João Gilberto não me sai da garganta. É o próprio pato da MPB.
Após cinco anos sem se apresentar em São Paulo apareceu esta semana para um show no auditório Ibirapuera.
“Apareceu” é a palavra correta, porque seu João chegou quase duas horas atrasado. Às 21h15, quando a apresentação já deveria ter começado, ele ainda estava num hotel na região central da cidade comendo uma “saladinha”.
Isso porque desde uma da tarde um jatinho estava à disposição do cantor. Quando um funcionário da empresa de táxi aéreo lhe pediu o RG, ele respondeu que não andava com documentos e foi andando para a saída do aeroporto. Se a pontualidade não é o forte de seu João, o que dizer da educação?
Enquanto ele destilava seu veneno, milhares o aguardavam na platéia do Ibirapuera. Na chegada, pediu uma desculpa-padrão e foi todo sorrisos. Tascou um “São Paulo, I love you” e começou com seus sussurros.
Além do comportamento megalomaníaco do cantor, outro fato me chamou a atenção: a omissão da platéia. Por que não relembrar da última apresentação de seu João, na inauguração do Credicard Hall?
Após reclamar da acústica do lugar, ele recebeu uma vaia gostosa de mais de quatro mil pessoas – é provável que este povo não estivesse no Ibirapuera na sexta-feira.
Para meu espanto, Danuza Leão, sempre tão sóbria e correta em seus textos, disse que quando o cantor chegou “foi um alívio, pois com ele há sempre um suspense: será que vem?”.
Já o jornalista Carlos Calado escreveu que seu João “manteve empatia total com a platéia, convidando-a até a acompanhá-lo em algumas canções, além de provocar risadas com seus comentários inusitados... Estava com um bom humor radiante”. Não tenho dúvidas disso. Havia feito uma viagem bem confortável, tinha acabado de jantar e não estava nem aí para os patos que o aguardavam.
Vi e ouvi uma série de comentários sobre o bom humor de seu João. Desta vez ele não reclamara de nada – nem do barulho bem alto de computador sendo desligado logo na primeira música.
Ainda bem que eu não estava lá – senão esse pato ia sair manco.

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  • Postado em 10:19:29

16.08.08

O QUE É QUE O NORDESTINO TEM?

 Dorival Caymmi era o nordestino típico. Tranqüilo, se tornou conhecido pelo seu lento processo criativo – às vezes uma canção levava anos para ficar pronta. Reza a lenda que ele demorou nove anos para concluir uma das estrofes de “João Valentão”.
Aos 94, nunca se deixou levar pela pressão alheia ou teve arroubos megalomaníacos – como o seu colega João Gilberto, que faz inúmeras exigências antes, durante e depois dos shows. Reclama de tudo, até de uma mosca voando.
Não só os baianos, mas todos os nordestinos precisam aprender a lidar com as piadinhas sobre sua aclamada simplicidade e preguiça.
Talvez para se livrarem destas alcunhas eles criem situações espetaculares que paradoxalmente mostram que eles também têm mania de grandeza.
Hoje, na cidade de Belmonte (BA), foi preparada a maior moqueca do mundo. A iguaria tinha cerca de 130 quilos de peixe e foi feita numa panela de barro que precisou da força de cinco homens para ser carregada.
Durante os festejos juninos deste ano Caruaru (PE) mostrou seu pé-de-moleque gigante. Na receita, 600 quilos de mandioca, 180 quilos de margarina, 300 quilos de açúcar, 45 quilos de castanha, 50 quilos de coco ralado, um quilo de fermento, 50 quilos de doce de goiaba, 1,8 mil ovos, 20 quilos de cravo, 20 quilos de canela e 20 quilos de erva-doce.
Ainda durante as comemorações a São João, Caruaru serviu um cuscuz gigante – que alimentou 10 mil pessoas – e um curau com 35 metros de comprimento que levou nada menos do que 4,5 mil espigas de milho. Foram necessários seis fogões e 32 formas para assar o doce.
Há duas semanas Fortaleza (CE) apresentou a maior rede do mundo, com capacidade para 300 pessoas. A idéia, entretanto, não foi de nenhum cearense ou baiano, mas de dois irmãos alemães radicados no Brasil há 30 anos.
A estas horas a rede deve estar na Alemanha participando de uma feira mundial de móveis, onde será avaliada por peritos do “Guiness Book”.
Caymmi ficaria satisfeitíssimo com um presente como este, tipicamente nordestino. A rede abrigaria confortavelmente toda sua família. Lugar ideal para descansar, pensar na vida e, claro, compor. Nem Caymmi era de ferro.

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  • Postado em 13:49:18