28.3.07
ESCRAVA ISAURA

A declaração da ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial, merece um troféu abacaxi. É tão absurda que faço questão de repeti-la neste blog: “a reação de um negro de não querer conviver com um branco, eu acho uma reação natural. Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou”.
Se não me engano a abolição da escravatura foi em 1888, século XIX, portanto. É mais do que descabida uma afirmação como essa em pleno século XXI. Quanta mágoa no coraçãozinho dessa ministra. Ela está pior que a Igreja, que só agora resolveu pedir desculpas por erros como a Inquisição. Sei que a frase é muito batida – e um imenso lugar-comum – mas quem vive de passado é museu.
Há preconceito contra negros? Sim, não há como negar. Eles foram escravos e sofreram nas mãos dos senhores de engenho? Foram para o tronco? Viajavam nos navios negreiros em péssimas condições? Muitos morriam no caminho? Eram vendidos como animais? Nada disso podemos contestar. Está nos livros de história.
Na posição de ministra (e negra) o melhor a fazer seria pôr panos quentes e dizer, no máximo, que a condição dos negros no Brasil tem melhorado com o passar dos anos (o que é verdade). O problema está no fato de ela ter levado para o lado pessoal uma questão histórica.
Sobre as cotas raciais nas universidades ninguém fala, mas isso é puro racismo. Olha, nós somos negros (ou descendentes), somos secularmente discriminados e por isso temos o direito de entrar na faculdade.
Então está mais do que na hora de termos cotas para as mulheres também, afinal, se um homem e uma mulher têm o mesmo cargo, na mesma empresa, o salário dela é menor. Há diversas reportagens sobre o assunto.
Até onde eu sei a Ciência ainda não fez nenhum estudo provando a inferioridade intelectual da raça negra. Então, mãos à obra!
Artur Xexéo, na CBN, definiu muito bem a situação. Disse que a frase serviu para mostrar o quanto a ministra está despreparada para o cargo. Como pode uma pessoa que dirige uma secretaria que busca a igualdade social promover exatamente o contrário?
P.S.: Ser a "Laíse Bombom" do príncipe William todo mundo quer, né?
tatinha13
17:48 — Arquivado em: 

a reação de um negro de não querer conviver com um branco, eu acho uma reação natural. Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.
Pergunto: A esposa e a ex-esposa do Pelé por acaso são negras? Quantas foram as namoradas negras do Ronaldo? Eu poderia fazer um rosário de questionamentos, mas vou ficar somente nestes dois por serem mundialmente conhecidos.
A secretária foi muito infeliz na sua declaração. Como diz na minha terra: Ela está procurando chifre na cabeça de cavalo.
Comentário por Jose Rezende — 29.3.07 @ 16:08
Além de ter repercutido muito mal, até quando vamos ter que pagar por erros do passado? Eu não fiz nada. Nunca bati em nenhum negro.
Comentário por taussa — 29.3.07 @ 16:08
[parte 1]
Bom, deixo aqui a minha opinião quanto às Cotas… Assim como você bem descreveu, esse sistema de cotas cria uma grande divergência racial, sendo que o nosso maior problema de acesso às Faculdades seja, no meu ponto de vista, SOCIAL. O que poderia ser feito é uma análise, uma reavaliação do que realmente seria necessário para que uma pessoa possa ter acesso à Faculdade. Quero dizer, conheço muitas pessoas, com infinitas condições intelectuais para que possa acessar uma Faculdade, porém, [como diria o "Notícias Populares"] a vida é uma caixinha de surpresas, e essas pessoas não têm condição financeira suficiente de ter a sua Graduação iniciada… Por razões sociais essas pessoas tiveram que sair de casa mais cedo para trabalharem, colocarem dinheiro dentro de casa… Faculdade Pública!?!?!? Piada… Vivemos num sistema invertido de valores… Quem não tem condição de estudar numa Universidade Pública se mata durante o dia e morre pela segunda vez a noite dentro de uma Escola Particular de Ensino Superior…
Comentário por Alessandro Martins — 29.3.07 @ 16:08
[parte 2]
Enquanto, não desmerecendo aqueles que assim tiveram a oportunidade, mas pessoas que sim podem pagar uma Escola Particular de Ensino Superior entram na Categórica e privilegiada situação de estudar numa Escola Pública, a qual passaram a vida toda pré-julgando a qualidade… Que inversão é essa!?!?!? Defendo sim um sistema de cotas, baseado na igualdade, independente de cor, e sim numa avaliação sócio-economica, sendo estudado todo o histórico escolar do candidato e suas qualificações… E outra situação pior, conforme estudos, a outra inversão está no quanto o Governo gasta com as Universidades e deixa de olhar para o Ensino Básico, que pobreza de espírito… Sem investimento no Ensino Básico não conseguiremos nada mesmo, e sim, um país de ignorantes… Precisamos abrir os olhos… E cobrar sempre!!! E pra concluir: quanto do PIB investimos em Educação!?!? Se compararem veremos a vergonha que é viver num país cheio de oportunidades de crescer pelos seus próprios méritos cair num triste e melancólico poço sem fundo… Educação é a Base!!! Sem isso podemos esquecer…
Desculpas por ter exagerado, mas esse tipo de assunto revolta tudo o que acredito que seja feito para o bem do nosso país…
Saudações…
Alessandro Martins.
Comentário por Alessandro Martins — 29.3.07 @ 16:09
Tinha que ser uma secretária do governo petista, totalmente despreparada, assim como outros secretários e mininstros do mesmo.Êta Brasilzinho sô!!!!
Comentário por dalmo — 29.3.07 @ 19:24
Também sou a favor do sistema de cotas. É aquela a história de “tratar de maneira desigual os desiguais”. Assim como há em alguns cinemas e ônibus assentos exclusivos para deficientes e até mesmo obesos, vejo a política pública de cotas algo eficaz como meio de inserção dos menos favorecidos na sociedade, entendendo como “menos favorecidos” aqueles com menores condições sócio-econômicas, como bem disse (e eu concordo plenamente) o Alessandro Martins.
Joubert.
PS: Tô de volta, Tati!
Comentário por Joubert — 29.3.07 @ 21:13
A ministra NÃO foi feliz no seu pronunciamento…..
Comentário por Juventino — 30.3.07 @ 1:05
Concordo com o Alessandro Martins e o Joubert. Mas o X da questão, para mim, é a falta de vagas (e de professores) nas universidades públicas. Apesar de haver no Brasil uma quantidade enorme de doutores desempregados formados, em sua maioria nas próprias universidades públicas, não há contratação de número expressivo de profissionais e, conseqüentemente, não são abertas vagas suficientes para alunos do ensino superior. Vai chegar um tempo em que terá que haver cotas para alunos brancos, riquinhos, porque esses serão os discriminados (algo semelhante aconteceu na Universidade da Califórnia, EUA).
Comentário por Vânia — 30.3.07 @ 10:46
Cotas? Minha cota de paciência com esse governo é que está se esgotando…
Comentário por Ricardo Rezende — 2.4.07 @ 23:43