
Como alguns de vocês já sabem, em janeiro fui conhecer Cuba. Sempre tive curiosidade de visitar a ilha antes da morte de Fidel e, como ele quase abotoou o paletó no fim do ano passado, achei que era o momento.
Hoje o tema é a cidade de Santa Clara. Quando o assunto é turismo em Cuba é muito difícil não traçar um roteiro para conhecer os principais símbolos da ilha: charuto, rum e lugares como o La Bodeguita del Medio – onde foi inventado o mojito – e o La Floridita, berço de outro drinque famoso, o daiquiri. Para os amantes da fotografia, registros de prédios e carros antigos são praticamente obrigatórios.
Quem deseja incrementar a visita padrão, entretanto, pode dar uma passada em Santa Clara. A cidade, capital da província de Vila Clara, fica na região central da ilha, a cerca de três horas de carro de Havana.
Terceira localidade mais importante do país (só ficando atrás de Havana e Santiago), Santa Clara guarda os restos mortais do revolucionário Ernesto Che Guevara. O mito está imortalizado em dois pontos: na praça homônima e no mausoléu.
Além de extensa, a praça conta com uma estátua de Che com cerca de 20 metros de altura. Nas pedras do monumento, a carta de despedida que Che escreveu a Fidel antes de sua partida para a Bolívia.
Em um dos trechos, Che diz sentir que cumpriu parte de seu dever e registra: “me despeço de você, dos camaradas, do seu povo, que agora é meu. Renuncio formalmente a meus cargos no partido, a meu posto de ministro, à minha patente de comandante e à minha cidadania cubana”. E mais adiante: “Recordando minha vida pregressa, acho que trabalhei com suficiente integridade e dedicação para consolidar o triunfo revolucionário. Minha única deficiência grave foi não ter tido mais confiança em você desde os primeiros momentos na Sierra Maestra e não ter percebido com devida rapidez suas qualidades de líder revolucionário”.
Fidel, aliás, viveu uma situação inusitada na praça de Santa Clara, em 2004. Durante um ato com estudantes, o presidente escorregou enquanto descia a escada da tribuna e caiu. Após pedir perdão pelo tombo, contabilizou os estragos: uma fissura no braço e uma fratura no joelho esquerdo.
Antes ou depois da visita ao memorial, não deixe de apreciar o lindo pôr-do-sol que se tem na praça. E um detalhe importante: aproveite a paisagem para tirar fotos externas, já que as máquinas não são permitidas lá dentro.
Ainda na praça e com um pouco de sorte, torça para encontrar algum tocororo, o pássaro nacional. A ave se tornou o símbolo do país pois, além de suas cores serem as da bandeira cubana, não pode viver em cativeiro porque morreria em pouco tempo. Melhor símbolo de liberdade, impossível.
O museu traz, além de alguns objetos pessoais de Che Guevara, imagens da preparação dos revolucionários para o combate final contra a ditadura de Fulgêncio Batista, que ocorreria justamente em Santa Clara. Para as mulheres, o passeio pelo lugar tem um atrativo extra: fotos de Che ainda jovem.
O mausoléu, apesar de pequeno, impõe respeito. Pé direito baixo, é todo feito em cedro e pedras. A iluminação aconchegante, algumas plantas e a pira ininterruptamente acesa completam o cenário de descanso de Che e dos combatentes bolivianos que também repousam no local.
A morte de Che ocorreu em 1967, mas seus restos mortais e de seus companheiros foram encontrados somente há 30 anos, em julho de 1997. Na ocasião, o jornal “Granma” publicou reportagem sobre o assunto em que falava da exumação de sete corpos encontrados em uma vala comum na localidade de Vallegrande, Bolívia.
Assassinado aos 39 anos, Ernesto Guevara recebeu o “Che” por conta de sua nacionalidade argentina. Nascido na cidade de Rosário, participou, ao lado de Fidel e de seu irmão Raúl Castro, de todo o processo revolucionário cubano, como a ida para Sierra Maestra e o combate final, em Santa Clara, que resultaria na fuga de Fulgêncio Batista para outra ilha, a da Madeira.
P.S.: obrigada, Vaninha! Graças a você o mistério foi desvendado: Puffy AmiYumi são uma dupla de cantoras japonesas cujo desenho animado passa no Cartoon Network!