8.4.07
MOÇO BONITO NÃO PAGA

Depois dos outdoors, o novo alvo do prefeito paulistano Gilberto Kassab são as feiras livres.
Era muito pequena quando o Jânio foi prefeito e uma das poucas lembranças que tenho é que o símbolo do governo dele era uma vassoura. Pelo jeito o Kassab passou a mão na vassoura do Jânio (no bom sentido) e anda fazendo horrores por aí.
Atitudes de bruxo ele já teve. Quem não se recorda dos gritos que ele proferiu contra um cidadão que protestava num posto de saúde quando da visita do prefeito ao local? Ficou tão furioso que o pessoal do deixa-disso teve de entrar em ação. A turma do “Pânico na TV” fez uma reconstituição ótima sobre o episódio.
Feira livre em São Paulo agora é tudo, menos livre. O horário de funcionamento terá de ser entre 7h30 e 13h30 e o período de montagem deve ser entre 6h e 7h30. Os feirantes estão proibidos de usar jornal velho para embalar as mercadorias, bem como gritar para atrair a freguesia. Barracas e uniformes serão padronizados e os vendedores deverão seguir algumas medidas de higiene, como o uso de luvas descartáveis. Além disso, as feiras deverão ser realizadas em locais com estacionamento para clientes e feirantes e acesso a banheiros públicos.
Cadê o charme da feira? Pechinchar pode? Será que é o fim da aventura de se desvencilhar de uma casca de banana no chão? Com as novas regras, o simples ato de provar um pedaço de melancia vai ser chamado de “degustação de fruto vermelho suculento e adocicado” . Xepa sem grito não é xepa!
Se não pode nem gritar e nem colar cartazes, como o feirante vai se comunicar? Por mímica? Fazer gestos para tentar vender banana é fácil, mas como sinalizar um repolho? Um brócolis?
Essa tentativa de transformar feirantes em dândis não vai dar certo. Imagino o quão desagradável é ter uma feira na rua onde se mora, ouvir o barulho dos montadores às quatro da manhã e depois ter de conviver com o cheiro de peixe o resto da tarde. Embalar carnes no jornal também não é das atitudes mais higiênicas. Concordo, em parte, com algumas das decisões do prefeito, mas faltou bom senso ao nosso Harry Potter paulistano.
tatinha13
14:21 — Arquivado em: 
Pra mim, tudo tem vida. O Jô tem uma frase ótima para explicar que é daqueles que acreditam em qualquer coisa. Ele diz que se algum dia ouvir “bom dia, Jô”, ele responde “bom dia, caneca”. Eu também sou assim. Não só creio, como acho que tudo tem vida. 
