16.4.07
PINGA NI MIM

Na quarta-feira passada um anúncio da cerveja Brahma na capa da Folha de S. Paulo anunciava a criação da “Zeca-feira”. Porque, segundo Pagodinho, “uma sexta só é pouco”. No dia seguinte, manchete do mesmo jornal: “Anvisa vai limitar publicidade de cerveja”.
A restrição aos anúncios de bebidas começou em 1996, quando passaram a ser proibidos na TV entre as 6h e as 21h. Não estou muito certa, mas acho que a de cigarros também. O mundo de Malboro ficou só para depois da novela das oito.
A nova regulamentação apertou um pouco mais o cerco. Propagandas de bebidas com mais de 0,5 grau de teor alcoólico serão impedidas no rádio e na TV entre as 8h e as 20h. Em jornais, revistas e Internet, serão acompanhadas de alertas.
É certo que o “beba com moderação” que aparecia no canto da tela durante os comercias era bem tímido. Para alguém que bebe (ou mesmo para o alcoólatra) o aviso soava como um conselho de mamãe. Da mesma forma, acredito que as novas regras impostas pela Anvisa vão ter eficácia quase zero. É um avanço? Sem dúvida, mas ainda insuficiente.
Pegue um fumante que consome dois, três maços por dia e pergunte se ele pensa em parar quando vê uma das terríveis fotos escolhidas pelo Ministério da Saúde para alertá-lo de que fumar é um veneno. Até pensa, mas não tem mais forças para isso.
Paulo Autran é um ótimo exemplo. Em 2003 ficou em coma e quase faleceu por causa de suas tragadas. Viu a cara da morte e largou a piteira? Não. Na semana passada voltou ao hospital.
Não devemos ser radicais ao ponto de proibir a veiculação de qualquer anúncio de bebida alcoólica, bem como de tabaco. Qualquer criança sabe que fazem mal à saúde. O que incita alguém a começar a fumar e a beber não são apenas os anúncios, mas o nosso dia-a-dia. No cinema e na TV tanto a nicotina quanto a bebida são associadas à idéia de bem-estar, poder e luxo, quando não de aventura.
Estou convencida de que as mensagens subliminares são piores que o “Zeca-feira” ou o “venha para onde está o sabor”, mas aplaudo qualquer iniciativa de combate ao problema. Afinal, como vamos competir com os milhões e milhões de dólares que as companhias de bebida e tabaco injetam em Hollywood? Ou no punhado de reais envolvidos nos patrocínios da Copa e da Fórmula 1?
Esse mundo é só pra gente grande. Pegue seu cobertor Parahyba e já pra cama!
O tema de hoje foi sugestão do leitor Rodolfo. Valeu!
tatinha13
12:46 — Arquivado em: 

Como uma fumante em recuperação, (4 anos sem cigarro)acho que nenhuma campanha contra nada é eficaz se não for acompanhada de ações que realmente façam diferença Dizer que fumar faz mal a saúde e que mata aos poucos, não funciona, pois os fumantes não tem pressa em morrer.
Quanto a campanha do “Zeca-Feira”, qua aliás. não gostei, acho que não não adianta proibir, pois já existem pesquisas que comprovam que 80% das pessoas que bebem, começaram em casa e de brincadeira. E aí?
Comentário por Taussa — 16.4.07 @ 14:27
O Ministério da saúde ADVERTE, mas não tem coragem de atacar o problema para valer. Claro que o lobby dos fabricantes é muito forte, mas sem dúvida o governo é o maior parceiro das indústrias do fumo e de bebidas, arrecadando através delas milhões e milhões de reais em impostos. O governo pode ser burro, mas não é bobo.
Comentário por José Rezende — 16.4.07 @ 15:18
Com a criação de campanhas para estimular o consumo de pedidas alcoólicas como o da Zeca- feira (uma 6a. feira só é pouco?), os marqueteiros mostram não ter um mínimo de respeito à inteligência das pessoas. É de um mal gosto e de uma apelação gritantes. É a força da grana para fazer a cabeça dos incautos. Se estamos precisando encher a cara para aguentar a vida, tamos mal né seu Zé?
Comentário por Rodolfo — 16.4.07 @ 15:44
Que essa onda do “politicamente correto” não cerceie a liberdade de irrecuperáveis como eu.
Comentário por Joubert — 16.4.07 @ 18:51
O assunto FUMO E BEBIDA é velho e conhecido vilão. Porém, o poderio economico está sempre `a frente para vender mais e mais. Pelas estatísticas, fico mais preocupado que o consumo comece cada vez mais cedo.Tanto para bebida como tabaco. Quanto maior acessibilidade ao produto maior o consumo. Frequentemente leio reportagens sobre festas “embaladas ” na Cerveja e Tabaco. O final INFELIZ é sempre o mesmo : acidente de trânsito.
Comentário por DIB — 18.4.07 @ 13:24
Não seria uma boa idéia se uma certa porcentagem da quantia gasta com propaganda de cigarros e bebidas fosse destinada a entidades (sérias) que se dedicam ao tratamento de dependentes químicos, hospitais do câncer ou fundos para indenizações às famílias de vítimas de acidentes de trânsito causados por motoristas alcoolizados?
Comentário por Ricardo Rezende — 23.4.07 @ 23:25