30.5.07

SUPERNANNY

 Participo de uma comunidade no Orkut chamada “Amo conversar com Crianças”. Um papo, inúmeras questões. Delas – porque querem conhecer mais o “mundo dos adultos” – e nossas, que além de reaprendermos a pensar de modo mais fácil, começamos a prestar atenção em atitudes, frases, lugares, coisas e pessoas que cotidianamente olhamos, mas não vemos.
É um exercício interessante porque requer prática e habilidade. A calma é necessária para ouvir e para criar explicações convincentes para perguntas que parecem óbvias. Parecem. É na tentativa de encontrar uma boa resposta que nos pegamos pensando na morte da bezerra.
Qualquer pessoa que já tenha tido um contato mais estreito com crianças sabe que elas não se convencem fácil. Usar palavras que não são familiares a elas têm efeito contrário. Em vez de se contentarem, insistem no ponto. Apelar para o lado criativo delas é uma boa saída. Matamos dois coelhos com uma cajadada: estimulamos a imaginação e fazemos com que cheguem sozinhas às respostas. Quando isso não funciona, cabe a nós dar asas ao nosso poder criativo.
Sempre fui muito observadora. Acredito que esta característica ajude no processo de explicar o que, para elas, são enigmas. Crianças prendem-se nos detalhes. São capazes de lembrarem-se mais do burro do Shrek do que do próprio personagem. Querem o brinquedinho do hambúrguer, e não o lanche. Preferem a pipoca ao filme.
Como seria bom se essas técnicas de aproximação e abordagem se aplicassem também ao “mundo dos adultos”. Nós, tolinhos, quando ouvimos fulano usando palavras que não fazem parte de nosso vocabulário temos a tendência de respeitá-lo, julgá-lo e tratá-lo como “senhor” – quando não “doutor”.
E não podemos nem apelar para a criatividade. A maioria dos habitantes do “mundo dos adultos” não assiste ao “Fantástico Mundo de Bob”. Só vêem o outro Fantástico, “O Show da Vida”. Interpretam todas as questões ao pé da letra e não têm senso de humor – exceto para frases e piadas que envolvam sexo.
Nosso show da vida está mais para teatro amador…

P.S.: hoje à noite embarco para Paudalho e Buenos Aires (PE). Volto no sábado com a coluna. Até!

tatinha13    14:11 — Arquivado em: Sem categoria
4 Comentários
  1. Uau! Bem observado, objetivo, idéias claras e interessantess….! Observemos o obvio ululante, senhores!!rs… Bjs e boa viagem!

    Comentário por Rogério Vieira — 30.5.07 @ 16:00

  2. Realmente as crianças vêem a vida da forma que deveria ser: simples. Será que a educação não é o processo de complicar as coisas?

    Comentário por Ricardo Rezende — 30.5.07 @ 22:20

  3. Até a criança aceitar a sua criatividade é de uma fantastica vida ,porem depois que ela entra na fase de ABORRECENTE torna-se um pouco dificil ela ouvir o que nós chamamos de conselhos.

    Comentário por juventino — 31.5.07 @ 0:27

  4. Olá, cheguei até aqui por um link nos comentários do blog do zeca camargo´e já está nos meus favoritos, gostei muito da “pauta” e de seu estilo de escrever. abç

    Comentário por Teté — 2.6.07 @ 3:03

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