30.6.07
ANJA E DEMÔNIA

Desta vez deixei de lado cidades profanas como Braço do Trombudo, Pintópolis, Brochier e Paudalho e fui atrás de algo mais sagrado. Ou melhor: fiquei literalmente entre a cruz e a caldeirinha.
As visitas desta semana foram às cidades de Jesúpolis e Nerópolis, ambas em Goiás.
Jesúpolis tem pouco mais de 2 mil habitantes e está localizada a 100 km de Goiânia. O nome não se refere ao fundador do município. Foi idéia de um padre da região. Sugestão feita, sugestão aceita.
“Seu Simeão”, filho do pioneiro, explica que após iniciar o projeto de construção da cidade o pai ficou muito doente e passou uma procuração para que ele desse continuidade ao sonho. Sem prática no assunto, fez um curso por correspondência no Instituto Universal Brasileiro. Em 1956 fica pronta a primeira planta do local, cujas ruas homenageiam alguns estados brasileiros.
"Seu Simeão" cuidou também do lado espiritual: abriu na cidade uma filial do centro do Racionalismo Cristão que, segundo a placa em frente ao lugar, faz “sessões públicas de limpeza psíquica”.
Além de abrigar integrantes adeptos do “descarrego”, Jesúpolis conta com quatro igrejas evangélicas e apenas uma católica. O ecumenismo permite ainda que o único monumento do lugar seja uma estátua colorida dos Três Reis Magos. E mais: a principal festa do município é a de Santos Reis, que se inicia dia 29 de dezembro e vai até 6 de janeiro, Dia de Reis.
Em tempo: quem nasce em Jesúpolis não é santo, jesuíta ou padre, mas sim jesupolino.
No dia seguinte foi a vez de Nerópolis, a cerca de 40 km de Goiânia. Dos entrevistados, cerca de 20% tinham conhecimento da história do famoso imperador que pôs fogo em Roma.
O Nero deles é Nero Macedo, que prometeu uma estrada de ferro para a região. Apesar de o plano não ter ido adiante, o nome já havia sido escolhido. A profissão de Nero Macedo? Político!
Nerópolis tem 26 mil moradores e já foi a capital do alho. Hoje é mais conhecida pela produção de doces. Além das quatro fábricas de gostosuras, a cidade tem ainda quatro indústrias de blocos e telhas cerâmicas. São justamente as altíssimas chaminés que dão o tom romano à Nerópolis.
Pela primeira vez na vida tive as costas quentes. E posso dizer que não é fácil. Na olaria agüentei um calor de 800 graus para entrevistar um dos funcionários. Lindomar contou que trabalha 12 horas por dia e já se acostumou a ser Nero. Toma de cinco a seis litros de água por dia e fica bem longe de outra água: a que passarinho não bebe. Se ficar de fogo (perdão pelo trocadilho) não agüenta o serviço no dia seguinte.
Nerópolis tem um prefeito que é um misto de Beto Carrero com Álvaro Dias. Vaidoso, anda a cavalo fantasiado de caubói. Corre à boca pequena que faz aplicações de botox.
Antônio Poteiro é mais um dos personagens da visita. Artista plástico, pintor e artesão, está com 86 anos. É, ao lado de Siron Franco, o nome das artes em Goiás. Foi em Nerópolis que o apelido surgiu. Começou a esculpir peças em argila aos 18 anos, por influência do pai, mas somente aos 40 descobriu que queria mesmo era ser pintor. Já morou em Portugal, fez exposições pelo mundo e hoje mora em Goiânia.
A matéria sobre Jesúpolis vai ao ar nesta terça-feira, no “Programa do Jô”. A de Nerópolis ainda vai ficar em fogo brando…
P.S.: esta linda árvore aí em cima encontrei na rodovia entre Goiânia e Nerópolis. Vejam AQUI mais fotos das cidades
tatinha13
12:44 — Arquivado em: 
Não estou afim de falar novamente sobre Renan, Sibá, Wellington Salgado e toda a fauna do Senado. Também não quero tocar no tema Joaquim Roriz, aquele que ia tirar “só” R$ 300 mil de R$ 2 milhões e devolver o restante. O grupo de adolescentes cariocas que espancou uma empregada doméstica no ponto do ônibus e ainda levou o guarda-chuva da coitada também não é assunto. Mas o fato de o consumo de drogas no Brasil ter aumentado enquanto em todos os outros lugares do mundo tem diminuído talvez seja. 
Se Renan Calheiros vai sair ou não da presidência do Senado ainda é um mistério. Ele havia jurado que não ia arredar pé, mas o cerco se aperta a cada dia. 
Abro o UOL hoje e está lá a manchete: “Jogador quer assumir que é gay no Fantástico”. Desesperada, entro no link, crente que vou saber de quem se trata. Ledo engano… Claro, ele só vai falar para o “Fantástico”. 
Leio hoje uma entrevista com o pivô do escândalo Renan Calheiros, a jornalista Mônica Velloso. Entre as revelações, seu erro em ter amado demais, a idéia de sair da “seara” política, o não-estranhamento em receber a pensão em dinheiro vivo através de terceiros, o fato de o relacionamento com Renan em Brasília não ser segredo para ninguém, a constatação de que está “queimada” na profissão e, claro, a declaração de que não descarta posar nua. 
Dia desses, durante o almoço, cheguei à conclusão de que tenho alma de macumbeira. Devo ter sido uma “mãe Tatianinha” em alguma outra encarnação. Todos os apetrechos usados nesses despachos depositados em encruzilhadas muito me interessam – seja pelo lado gastronômico ou visual. 
Gravidez não é doença, mas para uma distraída de Ribeirão Preto é. Após ter ido ao hospital queixando-se de inchaço e problemas de pressão, deu à luz uma menina no banheiro de casa. 
Existem situações que achamos que nunca vão acontecer conosco. Amargar a noite e a madrugada no aeroporto e ter o vôo cancelado é uma delas. Já cheguei a esperar cinco horas e embarcar, assim como já fiquei dentro do avião uma hora aguardando autorização para a decolagem. 
Qualquer dia a Igreja ainda vai falar que ir ao banheiro é pecado. Com tanta gente passando fome vai considerar um absurdo jogarmos fora proteínas e sais minerais que não usamos em nossa morada do Senhor, nosso corpo. 
Gente, a situação está mesmo crítica. Neste final de semana, em Salvador, uma estátua de bronze do Pelé segurando uma réplica da taça Jules Rimet foi barbarizada. Arrancaram os braços do nosso ídolo. Ficou ou não a própria Vênus de Milo? 
