2.6.07
VANDA UMA SEREIA EM MINHA VIDA

A Vanda do título é essa senhora de 88 anos aí em cima. Dona Vanda foi a cereja do bolo em minha visita à cidade de Paudalho, que fica a 44 km de Recife.
Aos 88 anos, ao contrário de se queixar de dores no corpo ou da solidão, dona Vanda tem alegria de sobra e uma gargalhada que contagia. Conhecida como “vó”, não há quem passe em frente à sua casa sem ouvir um gracejo. Ela diz que apesar da idade, tudo funciona. Seus dois únicos problemas são a feiúra e o “vizeu” (falta de dinheiro). É a figura mais interessante da cidade. Rápida, entende com facilidade e malícia as perguntas que lhe são feitas quando o assunto é o nome do município onde mora.
Dona Vanda mora praticamente embaixo da Ponte de Itaíba, região onde a cidade nasceu – às margens do rio Capibaribe – e onde existia grande quantidade de árvores de pau d´alho. Das originais, sobraram apenas quatro, a maior delas no cemitério. Segundo um dos coveiros, o cheiro de alho domina o ambiente em dias de sol forte ou após a chuva.
Entre o início do povoamento e hoje, as árvores de pau d´alho quase se extingüiram. Após seis anos de pesquisas, foram desenvolvidas novas mudas da planta, que estão sendo usadas no reflorestamento da cidade.
Paudalho tem 128 anos e 50 mil habitantes. A maioria vive do plantio da cana-de-açúcar. Segundo o prefeito, José Pereira de Araújo, é o terceiro maior ponto de romaria do Brasil, só perdendo para Aparecida do Norte e Juazeiro do Norte. O local da peregrinação é o distrito vizinho, São Severino do Ramos.
Manoel Babão é outro paudalhense interessante. Dono de uma pousada-restaurante, espalhou pelo bar uma série de placas curiosas, todas escritas com “k”, como “Kôko a R$ 1” ou “Sexta e sábado xark com feijão”. A mania surgiu após visitar a cidade de Cabrobó, extremo oeste de Pernambuco. O apelido babão surgiu na infância porque, segundo o pai, babava muito. O prato mais famoso do lugar é a quiabada, ou “kiabada” como quer o vocabulário babonês.
Assim como em grande parte do Nordeste, o motivo de maior orgulho dentre os moradores é o frevo. Eles se vangloriam de terem na cidade o “Clube dos Lenhadores” que, apesar do nome, não é um local para reuniões de madeireiros, e sim um grupo carnavalesco que existe há cem anos. Usam roupas coloridas – predominantemente o vermelho e preto, cores da escola –, muita maquiagem e fazem barulho para espantar rivais como os clubes Estrela e Cruzeiro do Sul.
O resultado da visita e as gargalhadas de dona Vanda vocês conferem nesta terça-feira, à meia-noite, no “Programa do Jô”.
Vejam AQUI mais fotos de Paudalho
tatinha13
16:48 — Arquivado em: 
