23.6.07
XÔ SATANÁS

Dia desses, durante o almoço, cheguei à conclusão de que tenho alma de macumbeira. Devo ter sido uma “mãe Tatianinha” em alguma outra encarnação. Todos os apetrechos usados nesses despachos depositados em encruzilhadas muito me interessam – seja pelo lado gastronômico ou visual.
Adoro farofa. Sou como um de meus colegas de trabalho, que tempera tudo com molho rosé: a salada, o ovo, o feijão, o macarrão, a lingüiça… O meu molho rosé é a farofa. Pode ser de ovo, de banana, com frutas, com farinha de milho ou mandioca.
Sou tão farofeira que consigo pronunciar “o Salsi- Fufu fumou fumo e fez fumaça” sem deixar espirrar nem um graõzinho.
Também sou chegada num feijão branco – sem bacon, de preferência. Não tenho nada contra carne vermelha, mas sou adepta do frango. Galinha preta na tigela de barro, portanto, pode virar um banquete para mim. Nunca havia parado para pensar nesta hipótese, mas será que o fato de a ave ser preta influencia no gosto?
E os colares dos pretos velhos? Um mais lindo que o outro. Coloridos, com miçangas. Alguns compridos, que podem ser usados dando-se várias voltas no pescoço.
As velas também. Gosto bastante. São objetos-coringa em toda decoração que se preze. Além de deixarem os ambientes muito mais bonitos, ainda podem perfumá-los. Há essências de baunilha, canela e até chocolate. Uma delícia.
Fui ou não uma “mãe Tatianinha”? Só deixo de lado o charuto e a cachaça. Passo. O charuto deixo para o Bill Clinton e a aguardente para o nosso querido Lula.
Hoje publico mais um texto interessante do leitor Paulo Val. O título é “Planeta Saliva”. Espero que gostem.
A Bíblia diz que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. Esses dias, na verdade, seriam os períodos, as eras geológicas cumpridas num determinado espaço de tempo até o aparecimento do homem. Dá para compreender que uma palavra ou expressão dita na Antigüidade possa ter, hoje, mais de um significado. Dia, período, era… enfim, o que interessa mesmo é o sétimo dia (ou era).
A Terra até que é um belo planeta, se comparada com a vizinhança. Saturno tem aqueles anéis bonitos, vistos de longe, mas a Terra ganha. Só não dá para acreditar é que Deus, o Tao, tenha se cansado tanto a ponto de descansar um dia inteiro (ou era), na maior inércia, só porque criou um mundo novo. Claro que no sétimo dia Ele saiu para vistoriar a obra.
Em cada recanto bonito, Ele parava e, num átimo, enxergava ali o futuro do lugar. Foi onde se situa hoje Florianópolis que Ele salivou. E, salivando, virou-se para um canto vazio do zimbório e cuspiu. E assim se fez outro planeta: Saliva.
Saliva foi criado em apenas um dia (ou era). Portanto, na escala evolutiva dos mundos, tem praticamente a mesma idade da Terra, só que com habitantes um pouco mais evoluídos. E tem uma característica interessante: sem riquezas minerais, o produto mais valorizado é justamente a saliva que, desidratada, vira um pó que contém substâncias que aqui poderíamos comparar com ouro ou diamante. Lá eles chamam a criação de Cuspo Divino e não é à toa.
E como não poderia deixar de ser, lá também tem reencarnação. Então, uns nascem com mais capacidade de produzir saliva do que outros, ou seja, em Saliva também há divisão de classes.
Lá, existe um dito muito popular, usado até em campanhas políticas: “Com cuspe e com jeito fica tudo perfeito”, dito corrompido aqui pelos soteropolitanos que mudaram o final para “se chega ao fiofó do sujeito”.
Lá, cuspir na rua é rasgar dinheiro. Mas não pensem que é só ir a uma padaria, dar uma cusparada na mão do Manoel e levar pão e leite para casa. Assim ninguém ia querer troco… Cada um tem o seu equipamento para desidratar, separar e solidificar a sua saliva. E ninguém mostra os bolsos vazios para dizer que está duro, mostra a garganta seca. Lá, perdigoto é muito bem-vindo e os mais abastados dão gorjeta com ele. Gente que fala cuspindo é tida como esbanjadora e tem um séqüito de gargantas secas à sua volta. Lá, mulher gosta é de saliva e não de dinheiro. Já imaginaram que maravilha?
Os exilados de Saliva
Mas nem tudo era belo e fácil em Saliva. Havia, como aqui, gente não muito proba nos governos das ilhas. Ilhas, sim, pois Deus, que lá também era o Tao, fez surgir no novo orbe várias ilhas iguais a Florianópolis… E o mau exemplo desses governantes acabou produzindo uma série de pequenas e grandes desobediências civis. Num assalto, por exemplo, o cidadão era obrigado a cuspir várias vezes na maquininha portátil do ladrão. Isso quando o larápio não ficava perambulando de carro durante várias horas com a vítima, utilizando o golpe de chupar limão para provocar mais saliva no refém.
O álcool e as drogas também ajudaram a aumentar a estatística do crime, pois, como deixam a boca completamente seca, os usuários ficavam sem dinheiro para o consumo e roubavam.
tatinha13
9:21 — Arquivado em: 

Tatiana, parabéns pelo texto. Eu ainda não tinha percebido esta sua tendência. Mas lendo a matéria tudo ficou claro para mim. Sarava zi fia
Paulo Val, com os últimos acontecimentos políticos em Brasília, eu estava pensando seriamente em mudar para Pasárgada. Depois do seu texto, mudei de idéia, estou preferindo ir para Saliva. Na minha idade se saliva muito, às vezes chego até a babar. Sendo assim serei bem sucedido por lá. Por favor, passe-me os horários das naves que voam para tal destino.
Comentário por José Rezende — 23.6.07 @ 10:27
E o Preto Véio Babão seria o maior corrupto deste planeta
Comentário por juventino — 23.6.07 @ 19:24
Concordo que você é mesmo a “mãe Tatianinha”. Além de tudo que você citou, lembro que você gostava de catar conchinhas na praia… Seriam para jogar búzios?
Paulo, se Deus salivou com Floripa, será que Ele vomitou quando enxergou o futuro do Planalto Central?
Comentário por Ricardo Rezende — 24.6.07 @ 22:30
2 respostas e uma pergunta:
Caro José, somos exilados de Saliva; ainda não podemos voltar pra lá… mas com cuspe e com jeito… rsrsrs
Caro Ricardo, você acabou de criar a história do asteróide vomitão… mas duvido que Deus tenha olhado pra Brasília… Ele teria parado a Criação.
Uma pergunta: é só no meu computador, ou o texto não seguiu até o fim? Será que tem limitação de caracteres?
Comentário por Paulo Val — 25.6.07 @ 0:44