
Quanto mais informações tenho do senador Eduardo Suplicy, mais enigmático ele se torna. Aconteceu dia 26 de abril, mas só na semana passada vi o vídeo no site “Vírgula”. Durante uma sessão que examinava a proposta que altera a Constituição reduzindo para 16 anos a idade para a imputabilidade penal, Suplicy fez os presentes caírem na gargalhada.
Até aí, nota dez. Ele consegue ser respeitado e respeitável. Honesto (pelo menos até o momento não há nenhuma suspeita sobre ele), está sempre presente em todas as sessões para discutir o que quer que seja. Só acho que ele está ficando meio gagá.
No vídeo, após recitar versos de Patativa do Assaré, ele encerra sua fala cantando – e latindo – um rap dos Racionais MCs.
Em 2003, num ato pela morte do rapper Sabotage, Suplicy cantou a música “Rap é Compromisso” e “O Homem na Estrada”. Na época, o site vermelho.org.br disse: “O pior foi ele querer imitar sons da música de ambulância, cachorros e tiros” (como fez na reunião da CCJ, do Senado).
Um dos enigmas eu já decifrei: ele é um cantor frustrado. Vira-e-mexe canta algum rap ou manda o seu clássico, “Blowin´ in the Wind”. Bobeou, tá lá o Suplicy com o microfone na mão.
Agora entendo melhor o motivo da separação entre ele e Marta Suplicy. A cada vez que ele soltava a voz, ela devia subir pelas paredes. Já imaginaram acordar de mau humor com um Suplicy ao lado assobiando “Blowin´ in the Wind” ou entoando um rap debaixo do chuveiro?
Isso sem falar em seu principal projeto, o Renda Mínima. Além de ter escrito um livro que é uma bíblia, visita escolas, associações, asilos, reuniões de condomínio ou até do AA para defender sua causa. De quebra, leva o filho Supla.
Para mim, a imagem que melhor define o senador é a de uma gravata torta. Aconteceu comigo, em 2005, na época do Mensalão. Durante três semanas fui a Brasília fazer matérias sobre assuntos relacionados, como conhecer a tal “bat-caverna”, onde eram guardados os documentos sigilosos, ou mostrar o sanduíche “Mensalão” inventado por uma padaria da capital federal.
Suplicy ia entrar num link para conversar com o Jô durante a gravação do programa. Chegou correndo, esbaforido e com a gravata torta. Jô pediu que alguém a arrumasse. Sobrou para mim. A Marta não teria paciência para isso…
Senador, cantor, ex-primeiro-damo de São Paulo que nem chegou a ser ex, rapper e boxeador na juventude. Bingo! Está decifrado o enigma. Ele levou pancadas a vida inteira: dos outros pugilistas e da Marta. Não pode bater bem mesmo. Devia parar de cantar rap e começar com o Pancadão.
Hoje também publico um texto enviado pelo leitor Paulo Val, no qual ele filosofa sobre o estado do Espírito Santo. Bacana. Espero que gostem.
Valei-te, Espírito Santo!
Quem já conheceu o Espírito Santo? Estou falando do Estado, da Unidade Federativa. Alguém aí já esteve lá? Provavelmente não. E a bandeira, vocês sabem como é? Ao menos digam as cores… Não sabem? Não se envergonhem disso porque, tirando os capixabas, ninguém sabe. E pra que times de futebol torcem os capixabas? Aliás, fora o Rei e Rubem Braga, alguém conhece algum capixaba? Já viram algum adesivo em vidro de carro com os dizeres “sou feliz por ser capixaba”? No máximo, já ouviram falar em “nascido do Espírito Santo”, mas não vamos confundir as preposições. E até mesmo na Santíssima Trindade, quem conhece o Espírito Santo? Todos sabem quem é o Pai e o Filho, mas e o Espírito Santo, quem é? O sobrinho? Neto é que não é… E que importância tem o Espírito Santo em nossa História, seja longínqua ou recente?
Desconfio que criaram este Estado só para tirarem a praia dos mineiros: esticaram a Bahia, como se tivessem puxado uma perninha de território a sudeste do Estado e ficou sobrando um istmo até o Rio de Janeiro, que deveria pertencer a Minas Gerais. Porém, após o Tratado de Tordesilhas, um fidalgo português chamado Fernando Henrique, uma espécie de sociólogo visionário da época, sugeriu à Coroa Portuguesa a criação das Capitanias Hereditárias – a primeira tentativa de privatização da coisa pública no Brasil. E como, além de visionário, tinha mágoas políticas, intuiu (assim disse ele) o seguinte a respeito do povo mineiro: “Essa gente será inconfidente e só será solidária no câncer… então, vamos tirar-lhe a praia, só de sacanagem…”
Dessa forma, o donatário Vasco Fernandes Coutinho recebeu aquele minúsculo e insignificante território em maio de 1.535 e ainda ouviu do amigo fidalgo o seguinte: “Temos que pensar em um nome para esta capitania que cause certa impressão no povo, para que ninguém ouse devolver essas terras aos mineiros!” Como os portugueses sempre foram tementes a Deus, sapecaram “Espírito Santo”, e, até hoje, ninguém contestou essa grande injustiça. E tanto isso é verdade que é só dar um pulo em Guarapari e perguntar a qualquer banhista a sua naturalidade; a única resposta que ouvirão irá surpreender-lhes.
Os capixabas, indignados, vociferarão: “Nós demos ao Brasil o seu artista mais famoso!” Sim, mas onde ele mora desde garoto? E ainda mandaram o rapaz para o Rio de Janeiro sem um pé…
Sou mais o Rio Grande, que nos deu Xuxa e Gisele Bündchen. Santa Catarina nos deu Vera Fischer! A Bahia, Caetano, Gil, o Candomblé… se não fosse o Carlinhos Brown, a Bahia estaria no crédito para sempre! O Rio de Janeiro até Capital da República já foi. No Paraná tem café! Acham pouco? É porque não fumam… Até o Maranhão tem dois filhos que já foram Presidentes da República, um deles recentemente. Acham pouco, também? Concordo, mas qual capixaba já foi Presidente, mesmo que muito ruim, como esse último de que falamos?
No Mato Grosso, tem o Pantanal e as piranhas… mas vamos exaltar apenas o primeiro, porque o fornecimento de piranhas para os grandes centros urbanos não é exclusividade matogrossense. E o que falar de Minas Gerais, o Estado usurpado? É o maior exportador de minério (e de mineiros) do país! É o único Estado com um município bilíngüe. E o minério é exportado – olhem que ironia – pelo Porto de Tubarão…
No Amazonas, tem a Zona Franca; no Pará, a castanha! – aposto que acharam pouco, novamente – mas, por acaso, já ouviram falar em castanha do Espírito Santo? Amendoim capixaba? Tremoço do Itapemirim? Neca… No Acre, pelo menos, tem conflito de terra, ambientalistas assassinados, tem emoção! Mas no Espírito Santo, não! É um estado tão sem graça que o nome mais apropriado para a sua capital é Empate e não Vitória. Falando nisso, o time de futebol que leva o nome da Capital do Estado é… da Bahia! É ou não é uma esculhambação?
Temo até que, lendo isso, algum meliante vá para lá se esconder da polícia. Quem se lembraria de procurá-lo por lá? Pensando melhor, ele não iria… bandido gosta de emoção.
Por fim, só resta dizer, pensando com muita raiva naquela moreninha capixaba linda que não quis dar pra mim: Mineiros, uni-vos!
P.S.: Vejam hoje, no "Programa do Jô", a matéria sobre Paudalho (PE)