18.6.07

LAMBUZANDO OS BEIÇOS

 Como já é do conhecimento de vocês, tenho visitado semanalmente cidades com nomes curiosos ou que dêem margem a brincadeiras de duplo sentido. Surpreendida por uma notícia publicada na “Folha de S. Paulo” de hoje, sugiro que o município de Murici, em Alagoas, troque o nome para Calheirópolis.
É justamente em Murici que a família do grande fazendeiro Renan Calheiros (presidente do Senado nas horas vagas) deita e rola.
Na Câmara, sete dos nove vereadores são aliados ao prefeito Renan Calheiros Filho, o Renanzinho. Até 2005, o município foi governado por Remi Calheiros, irmão do nosso Renanzão, por dois mandatos consecutivos. Na prefeitura, quem domina é Olavo Calheiros Filho, que já é prefeito há três mandatos.
E, claro, quando o assunto é a liberação de verbas para o favorecimento da família, não há grandes transtornos. Um Calheiros pede, o outro Calheiros libera e o Calheiros beneficiário se beneficia. Isso não é nem nepotismo é a própria Nepotislândia!
Como acontece nas favelas do Rio de Janeiro, ninguém sabe, ninguém viu. Afinal, se o chefão achar ruim, adeus emprego – no mínimo.
Segundo a matéria da Folha, o pai do veterinário Guálter Peixoto, citado por Renan como o responsável pelas negociações dos animais que teria vendido a peso de ouro, disse que não sabia o endereço ou o telefone do filho. Falou ao repórter que ele havia batido em endereço errado e que “a coisa” era muito maior que ele.
Declarações como esta só reforçam a importância do trabalho da imprensa. Se mexermos mais um pouquinho e em fogo brando, achamos o ponto certo deste doce chamado Poder.

 

FRASE DO DIA: Cada Renan tem a Mônica que merece

tatinha13    17:42 — Arquivado em: Sem categoria


17.6.07

BARBIE GIRL

 Estou cansada de falar do Renan, do Vavá, da Marta e do Lula. As informações continuam as mesmas – desencontradas – e não é preciso consultar os oráculos para saber que tudo vai culminar num churrasco na Granja do Torto.
Vamos abordar um tema mais interessante. Na semana retrasada uma mulher morreu em Juiz de Fora (MG) após aplicar silicone no corpo. De saída, a manchete não chega a assustar. Pensamos em mais um caso de descuido do cirurgião ou de mais uma história de ousadia da própria paciente, que muitas vezes acaba num consultório de um açougueiro por desinformação.
Uma passada de olho pela matéria e aos poucos a revelação. O silicone não foi aplicado no seio e nem é o comumente utilizado em cirurgias estéticas. O produto em questão é o silicone industrial ou líquido, geralmente usado para impermeabilizar azulejos, limpar peças de avião, pneus e lustrar painéis de carro. Inacreditável. Pensei que esta história de silicone líquido era coisa de travesti dos anos 80. Mas a moda é cíclica…
A promessa do médico à coitada deve ter sido: “você vai ficar um avião”. Literalmente. E tascou-lhe um silicone de limpeza de peças.
Segundo os médicos, no melhor dos casos o produto se espalha pelo corpo e pode causar infecções, necroses de pele e músculo e obstruir vasos sanguíneos. No pior, leva à morte. Além disso, o processo de cicatrização é demorado e dependendo da área pode ser feita uma lipoaspiração. Às vezes, só uma cirurgia muito séria resolve.
Fazer uma máscara de abacate para o rosto já acho um desperdício de tempo – e da própria fruta. Por que não comprar um bom hidratante em vez de fazer sujeira na cozinha e ficar com aquele cheiro horrível na pele depois?
Há pessoas que preferem os caminhos mais tortuosos. Sei de gente que já usou shampoo de cavalo no cabelo. Deu certo, mas poderia ter virado uma mula-sem-cabeça. Por que correr o risco? Há ainda quem goste de passar uma Coca-Cola para pegar sol. Dizem que o efeito é ótimo, mas prefiro risco Zero.
Uma dica para quem quer ficar um avião ou digna de parar o trânsito: Grand Prix no lugar dos cremes e, em vez de botox, Super Bonder. Aí sim, virarão todas umas Barbies.

tatinha13    14:43 — Arquivado em: Sem categoria


16.6.07

FRANCA E ATIRADORA

 Parece brincadeira, mas existem dois municípios no Brasil que se completam: Tiros e Quartel Geral. Apesar de não muito próximos, ambos ficam no interior de Minas Gerais, nas imediações de Patos de Minas.
Quem não marcha direito em Tiros pode ter de prestar contas a 80 km dali, em Quartel Geral. Ambas são cidades pequenas, pobres e pacatas cuja população vive da agricultura.
Engana-se quem pensa que Brasília foi a primeira cidade brasileira planejada. Muito antes do avião desgovernado de Niemeyer e Lucio Costa, em 1922 um engenheiro projetou Tiros (sem trocadilhos).
A cidade não tem a forma de um revólver nem mesmo de uma espingarda, mas foi bem traçada. Além de os terrenos do “cano-piloto” terem todos o mesmo tamanho, a praça central da cidade chama a atenção com seus 14 mil metros quadrados de verde. Um verdadeiro Central Park no meio do nada.
Por falar em Central Park, mais uma curiosidade: segundo o prefeito, João Antônio de Almeida, cerca de 40% dos moradores migraram para os Estados Unidos. E até um dos pontos de lazer preferidos pelos tirenses foi batizado de Manhattan.
O nome do município – que já foi Tirópolis – surgiu porque realmente houve um tiroteio no lugar. Na época em que ainda eram garimpados diamantes nos rios da região houve um confronto no já citado Central Park.
Tiros ainda conta com outros nomes curiosos, como a Gruta da Goela, o Morro do Espia, os distritos de Espinha de Peixe e Canastrão e a Cachoeira do Jacu.
Quartel Geral não tem tantos pontos turísticos, mas uma ampla e reluzente lagoa dá as boas-vindas ao visitante. Habitada por dois jacarés e (dizem) uma sucuri, a lagoa é o único local de lazer dos quartelenses. Já a igreja do padroeiro Divino Espírito Santo, que passa por reformas, quase consegue abrigar todos os três mil habitantes.
Quartel realmente já foi um quartel. E geral. Subordinado a ele estava o de Santo Antonio, atualmente nome de um dos distritos. O pesquisador Valter Magalhães Pinto, que prepara um livro sobre a cidade, explica que há ainda alguns mitos ligados à história do município e trata de desmenti-los.
Um deles é sobre Tiradentes. A cabeça do mártir estaria enterrada às margens da lagoa. A cuca do herói teria sido trazida pela amante, que habitou Quartel com o filho do casal.
Pergunta: quem é o soldado cabeça de papel da cantiga infantil? Tiradentes ou o filho?
Confiram a primeira parte do tiroteio nesta terça, à meia-noite, no "Programa do Jô"

Vejam AQUI algumas fotos das cidades

tatinha13    16:28 — Arquivado em: Sem categoria


13.6.07

SUPLÍCIO

 Hoje a ministra do Turismo Marta Suplicy deu uma declaração digna de Lula, ou seja, de humor bem duvidoso. Durante o lançamento do Plano Nacional de Turismo 2007-2010 disse sobre os freqüentes atrasos nos aeroportos: “Relaxa e goza porque você esquece todos os transtornos depois”. E ainda fez uma comparação muito infeliz: “Isso é igual a parto. Depois esquece tudo”. É mole? Peraí que vou pegar meu nariz de palhaça e contratar alguns figurantes para a claque.
Sobre relaxar e gozar, o comentário é no mínimo grosseiro – e muito infeliz para uma ministra de estado. Já sobre ser um parto, pode-se até esquecer, mas como fica a cicatriz? Quem depende dos aviões para trabalhar vai ficar não só com a marca na pele mas com uma ferida exposta. Até quando?
Já é difícil encontrar um lugar para um encosto num aeroporto cheio. Sentar então… nem pensar. Relaxar durante o vôo é algo que também não é possível.
Além de as poltronas só reclinarem uns 10 graus, o espaço entre as fileiras está cada vez mais diminuto. Parece caminhão de pau-de-arara – só faltam as galinhas nos maleiros.
A que Marta se refere, então? Provavelmente a algo que talvez só ela como sexóloga entenda.
O acidente com o avião da Gol e a subseqüente bagunça causada pelos controladores de vôo foram o suficiente para justificar o caos aéreo. Algumas semanas depois, tudo de novo. Desta vez, sem um bom álibi. Do início do mês para cá a situação só vem piorando. Os atrasos também têm sido freqüentes, mas agora há a desculpa da névoa. O curioso é que sempre tivemos neblina, névoa, cerração e até chuva pesada, mas nunca os vôos atrasaram tanto. Será o ar muito pesado?
Se a situação persistir, pesado vai ficar é o clima no governo. Alguém precisa explicar o que ocorre nos céus do Brasil.

Leiam também Prisão de Ventre e Carona só na Cauda do Cometa

Amanhã de madrugada parto para Tiros e Quartel Geral (MG). Sábado estamos de volta. Até!

tatinha13    16:26 — Arquivado em: Sem categoria


12.6.07

60 DE CINTURA E 90 DE QUADRIL

 O término de mais uma edição do Fashion Rio, a aproximação do SP Fashion Week e a brancura das manecas me ajudaram a solucionar uma questão que vem me intrigando há algum tempo: por que os concursos de miss voltaram à moda.
Abandonado pelo Silvio – que transmitia até o de miss São Paulo – este evento torna a nos rondar. Reflexo da sem-gracice dos desfiles, das roupas e das modelos? Creio que sim.
Falar que as meninas fazem cara de nada é cair no lugar-comum. Dizer que passam fome também. Arriscaria dizer que estas semanas de moda são muito mais bregas que os concursos de misses do Silvio. Acho ridículo aquele monte de gente “in” com ar “cool” olhando os “styles” de Herchcowitch ou Fause Haten. E o pior: brigando para sentar na primeira fila e se acotovelando para conseguir uma Havaiana de brinde.
Tudo isso é muito pior que a cena da miss vencedora chorando, recebendo a coroa, o cetro e sendo abraçada pelas suas iguais – todas de maiôs Catalina. Até aquele desfile de roupas típicas do concurso de Miss Brasil era muito mais divertido – e inédito. Era legal brincar de adivinhar qual a fantasia típica da miss Bahia. Viria ela de vendedora de acarajé ou de cocada?
Não sei como foi este último Miss Universo, só sei que a japa venceu por pouco da brasileira. Será que a nossa representante também foi vítima das mesmas polegadas que eliminaram a Marta Rocha? Não agüento mais ouvir essa história… E milagre: não foi uma venezuelana que levou.
O fato é que o destaque dado ao evento foi grande. E em vários tipos de mídia. A “Caras” deve ter deitado e rolado. Pena a polêmica não ter ido adiante. A brasileira colocou panos quentes e disse que o título dado à oriental foi merecido.
Para a mídia, entretanto, nada melhor que a “denúncia” de que uma miss era casada. Quem se lembra? Além de ter marido, era uma das integrantes do “Big Brother”. Resultado: teve de sair do programa e perdeu o cetro e a coroa para a segunda colocada – que recentemente foi dada como desaparecida em Londres! Que mundo cão…

O post de hoje foi sugestão da leitora Angélica Sakurada

P.S. 1: a foto acima é do filme "Pequena Miss Sunshine". Recomendo!

P.S. 2: assistam hoje, no "Programa do Jô, a matéria feita em Sério (RS)

tatinha13    15:57 — Arquivado em: Sem categoria


11.6.07

CAPARAM O CAPPIO?

 Onde está o frei Luiz Flávio Cappio, que fez greve de fome contra a transposição das águas do rio São Francisco? Morreu de fome? Conseguiu o benefício do Bolsa Família e resolveu parar de armar barraco? Ou simplesmente ficou contente com seus 15 minutos de fama?
Esse é o momento de perguntar por onde anda o bispo de Barra, no sertão da Bahia. Afinal, com ou sem o protesto dele, as obras para a transposição do rio já começaram. Serão gastos mais de R$ 5 bilhões (sem contar os desvios para as caixinhas dos Vavás).
Já imagino que no próximo governo – se tanto – teremos a CPI do Velho Chico ou a Operação Mata o Velho, na qual a Polícia Federal vai descobrir mais uma quadrilha envolvida no superfaturamento da empreitada.
Teremos uma nova obra da Transamazônica? Provavelmente. Imensos esqueletos perdidos no meio do deserto. Mas consigo ver alguns pontos positivos. Por exemplo, os sertanejos, cansados da aridez e do trabalho na lavoura, contarão com uma boa sombra.
O marco da obra foi feito em Cabrobó (PE), coincidentemente o estado de Lula. Do trecho onde o rio faz uma curva, sairá um dos dois canais de concreto que vai desviar parte das águas do São Francisco para os estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Olha aí mais um ponto positivo: estes canais servirão como ótimos toboáguas para as crianças da região – o difícil vai ser arranjar a água, mas fica a sugestão.
Nem preciso dizer que sou contra a construção deste Beach Park. É certo que o rio tem suas épocas de cheia. Durante minha viagem a Pintópolis (MG) pude presenciar até que ponto o nível da água pode chegar, mas isso ocorre em ocasiões muito específicas. O normal é o curso estar mais para vazio.
Além da seca, que já é um problema hoje, é melhor nem citar o valor da obra, os interesses envolvidos e, claro, as milionárias licitações. Vai ter muita gente morrendo de fome. E pelo andar da carruagem, não vai ser o frei Luiz Flávio Cappio que vai dar a extrema-unção.

tatinha13    16:37 — Arquivado em: Sem categoria


10.6.07

VAMOS CONTAR CARNEIRINHOS?

 Colocar a cabeça no travesseiro e dormir de imediato é, sem trocadilhos, o sonho de várias pessoas. E grande parte dos travesseirenses consegue. Quando perguntados sobre no que pensam quando põem a cabeça no travesseiro, dizem que não se lembram de nada, apenas dormem. Talvez esteja aí o segredo do bom humor dos moradores de Travesseiro, lugar pacato e feliz no Rio Grande do Sul.
A colonização alemã explica o por quê do nome do município. Pode ser, na verdade, um equívoco. Como o rio Arroio do Meio atravessava a cidade, os alemães queriam dizer “travessão”. Um tradutor desavisado teria entendido travesseirão e depois acabou virando travesseiro.
Mas há uma outra versão. O prefeito, Genésio Hofstetter, diz que quando os tropeiros passavam pela região, procuravam um angico para o repouso. A árvore, segundo ele, forma raízes emaranhadas que se assemelham a um travesseiro.
Assim como em Sério, a economia gira em torno da suinocultura, da avicultura e da agricultura. O diferencial aqui é uma criação de avestruzes. De início, encará-los dá um certo receio. A sensação é de que eles vão esticar o pescoço e aplicar uma bicada daquelas. O criador, seu Juvino, explica que a probabilidade de isso acontecer é remota, já que quando se sentem acuados, levantam a pata e levam o possível agressor ao nocaute.
Tranqüila com a informação, até me arrisco ficar bem perto para apreciá-los melhor e consigo identificar parte do capim ingerido descendo goela abaixo – o que dá uma certa aflição. É mais ou menos presenciar uma cobra engolindo um rato.
E ovo de avestruz é comestível? Sim, se você conseguir quebrar a casca. Seu Juvino diz já ter experimentado do ovo – consumido na forma de uma grande omelete. Para tanto, usou uma furadeira elétrica.
Até 1 ano de idade os avestruzes não têm sexo. Depois dividem-se em pretos (machos) e cinzas (fêmeas). E eles são bem gays mesmo. A cada corridinha, abrem as asas como pavões. Da série informação inútil: vocês sabiam que o avestruz é a única ave que faz pipi?
Dentre os personagens travesseirenses, Seu Olívio é o mais ilustre. Há cerca de um ano começou a se locomover somente de charrete, devidamente equipada de estepe e capota para os dias de chuva. Seu Olívio está sempre alinhado, com bota, chapéu, bombacha, camisa branca e lenço. Sorridente, se orgulha ao dizer que é muito conhecido na região.
A esposa, dona Irene, aprova o novo meio de transporte, mas diz ter um pouco de medo. A culpa é dos pulos do cavalo, Chico.

Vejam AQUI algumas imagens de Travesseiro

tatinha13    14:52 — Arquivado em: Sem categoria


9.6.07

FALANDO SÉRIO

 Trabalhar no feriado, enfrentar o frio ou ter de atravessar uma estrada de terra ruim não foram acontecimentos suficientes para que eu saísse do sério durante minha passagem por Sério (RS). A tranqüilidade do lugar e o belo quadro formado pela paisagem e pelo carros de boi carregados de mato conseguiram apagar a feição sóbria.
Colonizada por italianos, Sério tem moradores alegres que se enrolam ao tentarem explicar o motivo do nome do município. Existem duas versões: uma diz que o primeiro italiano se fixou na área ao lado de um riacho bem tranqüilo que chamou de Sério. A idéia era homenagear um rio italiano homônimo. A segunda fala que o doador das terras que hoje formam a cidade, Antonio Franciosi, sofria com as perseguições da mulher. Onde ele ia, ela dava um jeito de estar junto. Por isso, o sujeito levou o apelido de sério e o local, de Vila do Sério.
Antes disso, por causa de um cemitério conhecido na região, a localidade tinha o nome de Picada Cruzinha.
A cidade é bem pequena – cerca de 2.500 habitantes – e não tem grandes atrativos (principalmente num feriado). Sobrevive da agricultura de fumo e milho, da avicultura e da suinocultura.
Conhecer uma suinocultura é uma experiência chocante. Não só pelo cheiro horroroso, mas pelo tamanho das leitoas – mais de 200 kg, praticamente pôneis.
É dura a vida das porcas. Separadas por baias, ficam imóveis e, ainda por cima, cercadas por ferros para evitar que se deitem em cima das crias. Cada leitoa pode ter até 24 “Babes” por parto. Depois que são mães pela sexta vez, são vendidas.
Depois que as visitei, até me arrisco a explicar por que bacon e pururuca fazem tão mal. É tanto sofrimento que elas devem descarregar toda a energia negativa no corpo. Mais tarde, as gorduras vão entupir as veias de muita gente por aí.
O que foi produzido na cidade vocês vêem nesta terça-feira, no “Programa do Jô”.

Confiram algumas fotos AQUI

tatinha13    16:59 — Arquivado em: Sem categoria


6.6.07

ME DÊ A SUA MÃO E VAMOS JUNTOS AO PLAYCENTER

 Viver neste país é como estar numa eterna montanha-russa. Mas não aquelas de parquinho fajuto com brinquedos que só de olhar já demandam uma antitetânica. Estou falando de uma montanha-russa grande, uma verdadeira “roller coaster”, cujo traçado é feito apenas de descidas que causam enjôo. São tantas as emoções que podemos afirmar sem medo: o Rei escreveu a canção homônima no (e para) o Brasil.
A maioria dos brasileiros, entretanto, já se esqueceu de alguns trechos, como “na fé que me faz otimista demais” ou “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”. O povo já chorou, sorriu, esperneou, fez promessa e foi às urnas, mas parece ainda não ter aprendido a lição. Ou vota nos mesmos ou resolve dar uma chance aos que não desistem nunca, como é o caso do Lula. Deu no que deu.
O que dizer do irmão de nosso presidente, Genival Inácio da Silva, Vavá, para os íntimos? Parênteses para falar dos irmãos do Lula. De onde surgem tantos? Para azar do nosso presidente, o pai dele se casou diversas vezes, então tem de tudo: de pilantra a frei (só não me perguntem em qual destes extremos Lula se encaixa).
Em 2005 Vavá já havia sido acusado de ter aberto um escritório para intermediar encontros entre empresários e o setor público. Agora, além do tráfico de influência, está envolvido com a máfia dos caça-níqueis.
O Lula, claro, acredita na inocência do irmão e deu uma justificativa ótima para isso. Disse que Vavá não "tem cabeça" para fazer lobby. Ele chamou o hermano de burro ou é só impressão?
Cada vez mais a esfera de amigos e agregados do presidente entra no trem da alegria. Depois do tesoureiro Okamotto e do filho Lulinha, agora é o compadre faz-tudo Dario (faz tudo mesmo) e Vavá.
Como Lula nunca sabe de nada só tenho uma pergunta: será que o torno, além do dedo, lhe tirou parte da visão e da audição? 
Querem mais emoção? Encontrar, numa semana, José Serra posando para uma foto com um fuzil da PM e, na outra, ele e Gilberto Kassab com máscaras durante uma inspeção em caminhões que abastecem a Ceagesp. No caso do fuzil, tudo ocorreu por conta de uma homenagem a policiais que resolveram um seqüestro em Campinas. 

 
  

              

                                          

Quem precisa de montanha-russa com fotos como essas nos jornais?

Amanhã e sexta estarei no Rio Grande do Sul, nas cidades de Sério e Travesseiro. Sábado estou de volta. Até!

tatinha13    14:32 — Arquivado em: Sem categoria


5.6.07

CHARADA BRASILEIRO

 Quanto mais informações tenho do senador Eduardo Suplicy, mais enigmático ele se torna. Aconteceu dia 26 de abril, mas só na semana passada vi o vídeo no site “Vírgula”. Durante uma sessão que examinava a proposta que altera a Constituição reduzindo para 16 anos a idade para a imputabilidade penal, Suplicy fez os presentes caírem na gargalhada.
Até aí, nota dez. Ele consegue ser respeitado e respeitável. Honesto (pelo menos até o momento não há nenhuma suspeita sobre ele), está sempre presente em todas as sessões para discutir o que quer que seja. Só acho que ele está ficando meio gagá.
No vídeo, após recitar versos de Patativa do Assaré, ele encerra sua fala cantando – e latindo – um rap dos Racionais MCs.
Em 2003, num ato pela morte do rapper Sabotage, Suplicy cantou a música “Rap é Compromisso” e “O Homem na Estrada”. Na época, o site vermelho.org.br disse: “O pior foi ele querer imitar sons da música de ambulância, cachorros e tiros” (como fez na reunião da CCJ, do Senado).
Um dos enigmas eu já decifrei: ele é um cantor frustrado. Vira-e-mexe canta algum rap ou manda o seu clássico, “Blowin´ in the Wind”. Bobeou, tá lá o Suplicy com o microfone na mão.
Agora entendo melhor o motivo da separação entre ele e Marta Suplicy. A cada vez que ele soltava a voz, ela devia subir pelas paredes. Já imaginaram acordar de mau humor com um Suplicy ao lado assobiando “Blowin´ in the Wind” ou entoando um rap debaixo do chuveiro?
Isso sem falar em seu principal projeto, o Renda Mínima. Além de ter escrito um livro que é uma bíblia, visita escolas, associações, asilos, reuniões de condomínio ou até do AA para defender sua causa. De quebra, leva o filho Supla.
Para mim, a imagem que melhor define o senador é a de uma gravata torta. Aconteceu comigo, em 2005, na época do Mensalão. Durante três semanas fui a Brasília fazer matérias sobre assuntos relacionados, como conhecer a tal “bat-caverna”, onde eram guardados os documentos sigilosos, ou mostrar o sanduíche “Mensalão” inventado por uma padaria da capital federal.
Suplicy ia entrar num link para conversar com o Jô durante a gravação do programa. Chegou correndo, esbaforido e com a gravata torta. Jô pediu que alguém a arrumasse. Sobrou para mim. A Marta não teria paciência para isso…
Senador, cantor, ex-primeiro-damo de São Paulo que nem chegou a ser ex, rapper e boxeador na juventude. Bingo! Está decifrado o enigma. Ele levou pancadas a vida inteira: dos outros pugilistas e da Marta. Não pode bater bem mesmo. Devia parar de cantar rap e começar com o Pancadão.

Hoje também publico um texto enviado pelo leitor Paulo Val, no qual ele filosofa sobre o estado do Espírito Santo. Bacana. Espero que gostem.

Valei-te, Espírito Santo!

Quem já conheceu o Espírito Santo? Estou falando do Estado, da Unidade Federativa. Alguém aí já esteve lá? Provavelmente não. E a bandeira, vocês sabem como é? Ao menos digam as cores… Não sabem? Não se envergonhem disso porque, tirando os capixabas, ninguém sabe. E pra que times de futebol torcem os capixabas? Aliás, fora o Rei e Rubem Braga, alguém conhece algum capixaba? Já viram algum adesivo em vidro de carro com os dizeres “sou feliz por ser capixaba”? No máximo, já ouviram falar em “nascido do Espírito Santo”, mas não vamos confundir as preposições. E até mesmo na Santíssima Trindade, quem conhece o Espírito Santo? Todos sabem quem é o Pai e o Filho, mas e o Espírito Santo, quem é? O sobrinho? Neto é que não é… E que importância tem o Espírito Santo em nossa História, seja longínqua ou recente?
Desconfio que criaram este Estado só para tirarem a praia dos mineiros: esticaram a Bahia, como se tivessem puxado uma perninha de território a sudeste do Estado e ficou sobrando um istmo até o Rio de Janeiro, que deveria pertencer a Minas Gerais. Porém, após o Tratado de Tordesilhas, um fidalgo português chamado Fernando Henrique, uma espécie de sociólogo visionário da época, sugeriu à Coroa Portuguesa a criação das Capitanias Hereditárias – a primeira tentativa de privatização da coisa pública no Brasil. E como, além de visionário, tinha mágoas políticas, intuiu (assim disse ele) o seguinte a respeito do povo mineiro: “Essa gente será inconfidente e só será solidária no câncer… então, vamos tirar-lhe a praia, só de sacanagem…”
Dessa forma, o donatário Vasco Fernandes Coutinho recebeu aquele minúsculo e insignificante território em maio de 1.535 e ainda ouviu do amigo fidalgo o seguinte: “Temos que pensar em um nome para esta capitania que cause certa impressão no povo, para que ninguém ouse devolver essas terras aos mineiros!” Como os portugueses sempre foram tementes a Deus, sapecaram “Espírito Santo”, e, até hoje, ninguém contestou essa grande injustiça. E tanto isso é verdade que é só dar um pulo em Guarapari e perguntar a qualquer banhista a sua naturalidade; a única resposta que ouvirão irá surpreender-lhes.
Os capixabas, indignados, vociferarão: “Nós demos ao Brasil o seu artista mais famoso!” Sim, mas onde ele mora desde garoto? E ainda mandaram o rapaz para o Rio de Janeiro sem um pé…
Sou mais o Rio Grande, que nos deu Xuxa e Gisele Bündchen. Santa Catarina nos deu Vera Fischer! A Bahia, Caetano, Gil, o Candomblé… se não fosse o Carlinhos Brown, a Bahia estaria no crédito para sempre! O Rio de Janeiro até Capital da República já foi. No Paraná tem café! Acham pouco? É porque não fumam… Até o Maranhão tem dois filhos que já foram Presidentes da República, um deles recentemente. Acham pouco, também? Concordo, mas qual capixaba já foi Presidente, mesmo que muito ruim, como esse último de que falamos?
No Mato Grosso, tem o Pantanal e as piranhas… mas vamos exaltar apenas o primeiro, porque o fornecimento de piranhas para os grandes centros urbanos não é exclusividade matogrossense. E o que falar de Minas Gerais, o Estado usurpado? É o maior exportador de minério (e de mineiros) do país! É o único Estado com um município bilíngüe. E o minério é exportado – olhem que ironia – pelo Porto de Tubarão…
No Amazonas, tem a Zona Franca; no Pará, a castanha! – aposto que acharam pouco, novamente – mas, por acaso, já ouviram falar em castanha do Espírito Santo? Amendoim capixaba? Tremoço do Itapemirim? Neca… No Acre, pelo menos, tem conflito de terra, ambientalistas assassinados, tem emoção! Mas no Espírito Santo, não! É um estado tão sem graça que o nome mais apropriado para a sua capital é Empate e não Vitória. Falando nisso, o time de futebol que leva o nome da Capital do Estado é… da Bahia! É ou não é uma esculhambação?
Temo até que, lendo isso, algum meliante vá para lá se esconder da polícia. Quem se lembraria de procurá-lo por lá? Pensando melhor, ele não iria… bandido gosta de emoção.
Por fim, só resta dizer, pensando com muita raiva naquela moreninha capixaba linda que não quis dar pra mim: Mineiros, uni-vos!

P.S.: Vejam hoje, no "Programa do Jô", a matéria sobre Paudalho (PE)

tatinha13    12:51 — Arquivado em: Sem categoria
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