1.7.07

A MAGIA VIROU MAGIA NEGRA

 Mickey Mouse é o ídolo de diversas crianças mundo afora. Apesar de assistir aos desenhos animados do personagem, foi só mais grandinha que comecei a reparar melhor na figura. Talvez pelo meu sonho de consumo na época: o chapéu com as inconfundíveis orelhas pretas.
O responsável pela minha cobiça juvenil foi o programa “Clube do Mickey”, que era exibido pelo SBT. Os atores-dançarinos à la Rebelde usavam os chapéus enquanto faziam dancinhas coreografadas antes de entrarem num trem - mais tarde viria a notícia de que um dos bailarinos era a Britney Spears!
Tenho de admitir que adorei e adoro esse mundo da fantasia chamado Disney. Conhecer o castelo da Cinderela, a casa da Minnie, ficar hospedado num dos hotéis dentro do complexo, comer waffle com a cara do Mickey no café da manhã, passar um medinho nas montanhas-russas é um passeio para ser feito pelo menos uma vez na vida – e sem crianças.
Pois não é que fizeram uso do santo ratinho em vão? Uma TV palestina criou o personagem Farfur, protagonista do programa “Pioneiros do Amanhã”. De acordo com as notícias, Farfur é “muito semelhante” ao personagem de Walt Disney. Eu diria que é idêntico, só que muito mais bizarro – não apenas na aparência, mas em seu objetivo. Farfur não é um rato, mas uma ratazana.
Além de fazer resistência aos israelenses, o personagem tecia comentários sobre os Estados Unidos e ensinava às crianças o respeito aos preceitos do Islã. Tecia e ensinava porque acabaram de matar o rato!
No último episódio – aliás bem educativo – Farfur é assassinado por um militar israelense. O militar, que tentava comprar as terras de Farfur, foi xingado de “terrorista” e não teve dó: metralhou a ratazana.
Dia desses soube da existência de um jogo de videogame adorado pelas crianças brasileiras. Não sei o nome, mas o objetivo é roubar o maior número de carros possível. E vale de tudo: matar pessoas e até levar os corpos no porta-malas. Achei um absurdo.
Não tenho informações sobre a vida da gurizada palestina e israelense, mas acredito que videogame seja objeto para os mais abastados. Não importa. O videogame deles é a vida real. E, além dela, contavam com a colaboração de Farfur.
Ok, a situação no Brasil não é muito diferente. Os pequenos daqui, além de não terem nem comida e nem videogame, vêem cenas terríveis tanto na TV quanto nas ruas – quando não são personagens da própria tragédia.
A verdade é que chego a achar Mickey Mouse inocente. O que pretendia (e pretende) a Disney é fazer com que as crianças consumam. Só.

P.S.: sim, este aí é o Farfur, não um Mickey fajuto de semáforo

O post de hoje foi sugestão do leitor Ricardo Rezende. Valeu!

tatinha13    12:59 — Arquivado em: Sem categoria


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