29.7.07

DE PERTO NINGUÉM É NORMAL

 Enquanto nos esforçamos para tentar achar o culpado pelo acidente da TAM, os Estados Unidos empenham-se numa discussão que é no mínimo sem pé nem cabeça.
Um artigo publicado pela crítica de moda do jornal “Washington Post” vem esquentando os ânimos americanos desde o dia 20 de julho. Tudo porque a Mônica Martelli deles criticou o decote da pré-candidata à presidência Hillary Clinton durante um debate no Senado.
O trecho da discórdia: “Pode-se dizer que o decote causa o mesmo incômodo que sentiríamos se a camisa de Rudy Giuliani (candidato republicano) estivesse em parte desabotoada. Ninguém quer ver isso. Na realidade, seria como surpreender alguma braguilha aberta. Prefere-se olhar para outro lado!”.
Hillary, coitada, usava um tailleur rosa e preto com um decote V. Mais vestida impossível.
Não sei como classificar a atitude dos americanos. Se são moralistas, gostaria de entender o motivo. Se esse moralismo for falso, gostaria de compreender também.
Em 2004, durante o show de Janet Jackson e Justin Timberlake no intervalo da final do Superbowl – o campeonato de futebol americano que rende a maior audiência televisiva nos Estados Unidos – um dos seios da cantora pulou para fora do bustiê. Resultado: além dos anunciantes, milhares de famílias sentiram-se ofendidas com a pornografia mostrada na TV. Ficaram semanas discutindo o assunto.
Informações que colhi na Internet dão conta de que alguns serviços de busca bateram recorde de acessos para um único tema. O peito de Janet teve maior procura que o ataque de 11 de Setembro.
Não me lembro de o charuto compartilhado por Bill Clinton e a estagiária Mônica Lewinski ter causado escândalo semelhante. Houve sim algumas discussões, mas que não chegaram a pôr em risco os bons costumes americanos.
A mesma reação percebo toda vez que Britney Spears ou Paris Hilton aparecem sem calcinha. Dá um buxixo, mas nada que seja digno de ser comentado pelas críticas de moda de jornais importantes.
No Brasil, cada vez que alguém resolve mostrar suas partes íntimas logo é convidado para posar na “Playboy” ou participar de algum debate sobre um tema qualquer.
Esta semana, por exemplo, na estréia de Mikhail Baryshnikov no Teatro Municipal de São Paulo, Adriane Galisteu teve seu momento Janet Jackson. Deu uma respirada mais forte e o vestido tomara-que-caia… caiu.
E quem se lembra do dia Lílian Ramos que Luana Piovani teve na entrega do Prêmio Austragésilo de Athayde, na Academia Brasileira de Letras no Rio? Luana estava sem calcinha não porque havia esquecido, mas porque não queria ter o vestido de cetim marcado pela peça íntima.
O que os brasileiros acharam? Normal. Estamos certos? Errados? Somos sem-vergonha? Só a Cicarelli e o namorado, Tato Malzoni, podem avaliar.

tatinha13    14:07 — Arquivado em: Sem categoria
2 Comentários
  1. A sociedade americana é mesmo hipócrita.
    Mostrar os peitos na TV causa muita polêmica, bem como falar “sh*t”, “f*ck” ou palavrinhas do gênero. Por outro lado, é possível assistir a uma caçada às 6 ou 7 da noite, com todos os requintes de crueldade e ainda por cima com uma menina de 7 anos manuseando o rifle.
    Bem, não sei o que é mais chocante: uma cena dessas ou um concurso de mini-dançarinas do Tchan, com meninas descendo na boquinha da garrafa…

    Comentário por Ricardo Rezende — 29.7.07 @ 17:59

  2. Nós somos sem-vergonha, queremos ver a bandeirinha fora das quatro linhas e sim na banca de jornal.

    Comentário por Juventino — 29.7.07 @ 19:34

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