21.7.07

JANELA INDISCRETA

 Não há o que discutir nº 1: a imagem mais chocante da semana foi a do incêndio causado pela queda do avião da TAM. Não há o que discutir nº 2: a imagem mais engraçada – ou constrangedora, depende do ponto de vista – foi a do assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia, e de seu assessor de imprensa fazendo gestos obscenos.
Alguns familiares das vítimas se sentiram ofendidos com a reação de Marco Aurélio – o que considero compreensível, mas fora de propósito. Sabemos que ele comemorava o fato de o governo não ter sido o culpado pela tragédia.
Inocente até a página dois. Apesar de leiga, acredito que não foi apenas o problema no reversor que descontrolou a aeronave, e sim uma conjunção de trapalhadas, como a chuva, a pista curta e a falta do tal “grooving”.
No quesito trapalhadas, soube de uma hoje que realmente é campeã: a caixa preta enviada aos Estados Unidos para análise não era a caixa preta, mas sim um pedaço do avião.
Escrevi acima que sou leiga, mas acho que não estou sozinha na minha ignorância. Que tipo de perito manda para estudo um pedaço carbonizado de fuselagem achando que é uma caixa preta?
Voltando à dupla das mímicas, além do gesto de Marco Aurélio, gostei muito do entusiasmo do assessor de imprensa. Logo após a imagem ter sido divulgada, Marco Aurélio deu uma entrevista ao “Jornal da Globo” e negou que estivesse comemorando o conteúdo da reportagem. Só resta, portanto, uma hipótese: eles estavam vendo uma partida de vôlei – Brasil x Cuba – pelos Jogos Panamericanos exatamente no mesmo horário. Tentar explicar o inexplicável é pior. Fica feio.
Algum tempo atrás a mania era vasculhar lixo de gente famosa para conhecer o “estilo de vida”. Já imaginou se essa moda de espionagem pela janela pega? Políticos que grampeiam telefones alheios não vão mais precisar deste artifício. Vão sim contratar um cinegrafista ou fotógrafo. Alguns gestos valem mais que mil palavras…

tatinha13    15:33 — Arquivado em: Sem categoria


20.7.07

AMANHÃ É DIA DE FEIJOADA

 Dia desses escrevi sobre a mais nova modinha entre os paulistanos: o café e as mirabolantes idéias que surgiram em torno de um hábito simples e tão antigo. Mesmo os mais distraídos já devem ter notado que a gastronomia também anda em alta.
A verdade é que bem antes de os chefs estrelados ganharem programas de TV e seus pratos com espuminhas serem a bola da vez, eu já adorava esquentar a barriga no fogão. Quando pequena, além de anotar receitas do programa "A Cozinha Maravilhosa de Ofélia", fazia meus bolinhos, tortas e biscoitinhos com tudo o que tinha direito, como cortadores de massas que eram estrelas, luas e árvores e até fôrmas de bolo com formato de coração. Modéstia à parte, não era só firula. Meus quitutes eram (e ainda são) elogiados.
Pois foi justamente meu interesse pelo assunto que me levou a assistir "Ratatouille", em cartaz nos cinemas de todo o Brasil. O passeio inicial pela cozinha do chef Gusteau é uma delícia, graças ao ótimo trabalho de pesquisa realizado pelos produtores. Sabem aquela tábua de madeira que de tanto ser usada para cortar legumes ou carne fica com a marca dos cortes? No filme há uma bancada assim, toda riscada. Interessante o detalhe. Cozinha é isso aí e não apenas roupas brancas limpinhas.
Didático, é durante um diálogo entre os dois personagens principais que conceitos como chef, sub-chef e cumim são apresentados às crianças. Apesar de ser uma animação infantil, não restam dúvidas de que o objetivo é atrair os pais que estão pegando jacaré nesta onda gastronômica.
O cenário é Paris e o protagonista, o rato Remy. Antes de iniciar sua carreira como chef ele já dava sinais de ter um olfato apurado - motivo que o transformou no "identificador de veneno" das comidas de sua turma.
Após perder-se da família, Remy passa a frequentar o restaurante do chef Gusteau, onde acaba sendo uma espécie de "ghost cooker" de Linguini, um adolescente atrapalhado cuja identidade não será difícil decifrar. Mas é quando começam os conflitos sobre a permanência de Remy na cozinha que o filme dá uma talhada. Poderia ter insistido mais na alquimia dos sabores ou nos desafios culinários do ratinho - as cenas mais criativas.
A tese de que o alvo são os adultos se confirma mais para o final, quando surge o crítico gastronômico, o terror dos cozinheiros e donos de restaurantes.
O mérito do filme está no fato de abordar um tema não muito familiar ao universo infantil. De quebra, ajudar a diminuir a aversão que certos pequenos têm a frutas, verduras e legumes.
O lema do chef Gusteau - que é também o título de seu livro - é "qualquer um pode cozinhar". Tenho minhas dúvidas.

P.S.: um minuto de silêncio pela morte do Painho!

tatinha13    15:12 — Arquivado em: Sem categoria


19.7.07

UMA SALVA DE PALMAS

 Assistindo parte das performances de Diego Hypólito, Daniele, Laís Souza e Jade Barbosa nas competições de ginástica artística no Pan é inevitável não se fazer duas perguntas. 1) Por que tanto esforço? 2) Vale a pena?
Deixemos de lado a parte financeira e as cobranças da torcida e vamos pensar somente no esporte. O que temos são horas e horas e treinos diários que levam o corpo ao limite, contusões, dores, sessões de fisioterapia na esperança de resolver algum problema antes do dia da prova, alimentação vigiada - bem como a vida noturna.
Diego Hypólito, por exemplo, chega a treinar oito horas por dia, seis vezes por semana - segundo o locutor que narrava o evento. Já a nadadora Rebeca Gusmão, que levou o ouro nos 50 metros livre, tem o apelido de "Gigante". Não por acaso. Faz musculação de segunda a sábado. A cada dia, três sessões, num total de três horas. Levanta 160 kg no supino (que reforça a musculatura peitoral). No Pan da República Dominicana, ela pesava 66 kg. Hoje, 82 kg. Disse que abriu mão da vaidade para ter resultados. Realmente a vida é feita de escolhas…
Esse tipo de tortura também é recorrente na vida de bailarinos. Há pouco tempo entrevistei o primeiro bailarino do Teatro Municipal do Rio, Vitor Luiz. Deu para perceber que a vida de um profissional da dança não é bolinho.
São ensaios exaustivos, muito treino muscular, horários apertados e até maluquices. Vitor contou que os bailarinos consideram bonito um pé com uma curvatura bem marcada. Para tanto, alguns se arriscam até a ficar com os pés embaixo de um piano para acentuar a curva. E nem vamos falar das bolhas e da briga com a balança. Alguém já viu bailarino gordo? Pois é.
Ainda no campo da dança, vejo que a disputa por uma vaga na montagem brasileira de "West Side Story" é mais cruel que a de um vestibular para Medicina. A relação no musical é de 56 candidatos por vaga. Na Medicina da USP, no ano passado, era de 32.
Em quatro dias de testes, quem souber cantar, dançar, sapatear e sair vivo poderá ser um dos selecionados.
Algo parecido aconteceu com os profissionais de outro musical, "Miss Saygon", que estreou recentemente em São Paulo. Após os testes, a rotina estafante dos ensaios - que duram o dia todo durante alguns meses. Podem estar com a bolha no pé gritando, mas devem manter o sorriso. Falha na coreografia? Nada de cara de "xi, errei". Sorriso no rosto, sempre.
Quanto tempo esse pessoal aguenta o tranco? Será que é por isso que começam a carreira tão cedo? Vale a pena ficar com o corpo deformado em troca do lugar mais alto do pódio? Infiltrações nos joelhos pelo ouro? Dores na coluna por uma quebra de recorde? Pé torto por uma citação no Guiness?
Estes heróis - que até poderiam trabalhar no Circo Imperial da China - passam por torturas de todos os tipos para, cada um a seu modo, emocionar ou contar histórias para a platéia. E ainda correm o risco de levarem vaias. Ops, alguém aí já ficou triste por ter sido vaiado?

tatinha13    16:06 — Arquivado em: Sem categoria


18.7.07

EU JÁ SABIA

 Mais um acidente para deixar em pânico quem viaja de avião. Aparentemente, desta vez, os controladores de vôo não são os responsáveis pela tragédia que ocorreu em Congonhas. A liberação precipitada da pista recém-reformada pode ter causado a derrapagem da aeronave. A conferir.
Tenho alguns bons motivos para ficar assustada. Além de já ter sido passageira do vôo 3054, havia passado pela avenida Washington Luís 24 horas antes do acidente.
Não sei se sou favorável à mudança do aeroporto para um local mais afastado. Concordo que é perigoso - e o acidente de ontem só reforça isso -, mas infelizmente não somos Londres, que conta com um ótimo sistema de trens para o aeroporto. A viagem até Cumbica é um martírio. Em dias de trânsito intenso chega-se a gastar duas horas até o local.
Não há como não achar incrível a aproximação para pouso em Congonhas. A paisagem formada pelo amontoado de prédios, extensas avenidas e o tráfego de automóveis é de tirar o fôlego. Não recomendável, portanto, para quem tem medo de voar.
Durante a experiência, a pergunta que martela em nossa mente é "onde ele vai encontrar um pedaço de chão livre no meio dessa bagunça?". E ele acha.
O milagre, realmente, foi a aeronave não ter atingido carros que passavam pela avenida. Quem conhece, sabe que a Washington Luís é movimentada a qualquer hora do dia e da noite. Congestionamentos de fim de tarde são rotina para quem trafega pela região.
Depois da tragédia, além de decretar luto oficial de três dias, Lula resolve montar um "minigabinete" de crise para descobrir as causas do acidente. Ora, se nem a CPI do Apagão Aéreo (criada justamente para encontrar culpados pelo caos da aviação brasileira) conseguiu chegar a algum lugar, o que dizer de um minigabinete? E quanto à demora em autorizar a punição dos controladores de vôo?
Como escrevi ontem, ele não conseguiu tirar sua casquinha durante a cerimônia de abertura do Pan. Agora vai querer posar de herói num momento de tragédia. Esse é o Lula.
A verdade é uma só e todos já a repetiram em algum lugar hoje. O que aconteceu em Congonhas foi uma tragédia anunciada. Estava aí para quem quisesse ver. O lamentável é que 200 pessoas tiveram de pagar com a vida. É o pagar para ver mais triste (e caro) que já vi.

 

tatinha13    10:03 — Arquivado em: Sem categoria


17.7.07

O BÊBADO E OS EQUILIBRISTAS

 Quando comecei a escrever neste blog, meu maior receio era não encontrar assuntos para comentar diariamente. Imaginei que fosse muito complicado ter uma coluna diária num jornal e em alguns dias chegava a sentir pena do Clovis Rossi. O tempo foi passando, fui escrevendo, encontrando meus leitores e me surpreendi. Temas nunca faltaram.
Hoje, por exemplo, mesmo com a galerinha em Brasília em "recesso" e a overdose do Panamericano, temos um acontecimento que rendeu durante o fim-de-semana: as maravilhosas vaias para o Lula.
O protesto não foi obra de um grupinho contratado por César Maia - suspeita levantada por alguns membros do governo. A vaia foi generalizada, um Maracanã inteiro em uníssono. Não sei se a decisão de desistir de abrir a cerimônia foi coisa do Nosso Guia (perdão, Elio Gaspari), mas foi uma atitude sábia. Se ele insistisse em iniciar mais um discurso cheio de referências futebolísticas ou citasse a mãe pela milésima vez, as vaias poderiam virar uma chuva de tomates. Ainda bem que tinha um Nuzman ali por perto.
Para justificar a "hipótese César Maia" ouvi gente se perguntando: como pode um presidente com a popularidade de Lula enfrentar vaias deste tipo? Ora, o público presente no Maracanã não era o que está acostumado a assistir Fla-Flu, ir à gravação do DVD Ivete Sangalo ao vivo ou mesmo saltitar ao som de "Erguei as Mãos". A audiência era bem outra. Era a classe média, esmagada pelas idéias mirabolantes de Lula e sua equipe. A mesma que espera horas nos aeroportos, lê jornal e a "Veja" e que teve de economizar um bocado para conseguir comprar os ingressos para o tal do Pan Rio 2007. Povo mesmo, só fora do estádio, vendendo filé miau. Pela fúria que estamos sentindo, até que Lula teve sorte. Faltou aquele "ih, fora" das torcidas ou ainda as frases que os juízes escutam ali mesmo no Maracanã.
Lula "magoou". Disse que não volta mais ao Rio. Mas calma, cariocas. Só durante o Pan. Como ele deu um terço de toda a grana do evento, achou que ia ser bem recebido. Que ingenuidade. Além de não conseguir tirar sua casquinha, ele não pôde nem se defender com a frase "vaia de bêbado não vale". Afinal, sabemos muito bem quem é o bêbado.

P.S.: Assistam hoje, no "Programa do Jô", a matéria feita em Travesseiro (RS)

tatinha13    16:25 — Arquivado em: Sem categoria


13.7.07

AINDA NÃO SEI ONDE FICA VEVEY SUÍÇA

 Leio que a Nestlé vai elevar preços, eliminar produtos não-lucrativos, fechar algumas fábricas e racionalizar sua capacidade produtiva. O objetivo é “se preparar para um duradouro período de altas dos preços das commodities e da energia”. Essa história de commodities me cheira a uma boa desculpa para se tornar mais competitiva e tentar retomar a fatia de mercado que já perdeu.
Como apreciadora de chocolates que sou, posso dizer sem sombra de dúvidas que a Nestlé não é mais a mesma. Foi-se o tempo em que nos deliciávamos com o Suflair, o primeiro dentre os aerados. Tenho achado os chocolates da Nestlé horríveis. Doces demais, sem sabor… Minha preferência hoje é Lacta.
Ao voltar um pouco no tempo, entretanto, percebo que sempre gostei mais dos produtos da Kraft mesmo. Quando era pequena, praticamente toda semana comprava ou ganhava um “Galakinho”, como costumava chamar o chocolate branco da Lacta. Ele ainda era vendido em pequenos tabletes e embalado com aquele incrível papel alumínio (rosado por dentro). Recordo-me até hoje da alegria de abrir aquele tesouro e sentir subir o aroma do cacau. Fazia parte do ritual até mesmo morder o alumínio sem querer e levar um leve choque no dente.
Além disso, as embalagens dos “Galakinhos” eram lindas. O papel ainda era papel – e não esse plástico mascarado de hoje que só de olhar rasga. O prazer estava também em escolher qual dos personagens eu iria comer. Cada um trazia um ursinho diferente do outro – uma coisa meio Muppet Babies, meio pelúcia, acho.
O Confeti (Lacta de novo) era outro que entrava na minha lista dos dez mais. Também era diferente. Muito mais macio. Atualmente quase ficamos sem obturações quando mastigamos os confetes. Em caso de emergência, serve até como arma.
Por falar em arma, acabo de dar risada sozinha. Lembrei-me das balas Soft! Aquilo era um perigo quando escorregava goela abaixo. A sensação de estar entalada era terrível. Não doía a garganta, doía o peito. Achava que a bala tinha descido para o pulmão, sei lá.
O Sonho de Valsa era uma coisa, digamos, mundo dos adultos. Difícil explicar, mas algo não combinava. Hoje é um dos meus preferidos (será que já faço parte do mundo dos adultos?).
Tenho de admitir que de vez em quando tragava um cigarrinho Pan, mas não gostava muito do chocolate. Gordura pura. A diversão era mesmo fingir que fumava – aliás, belo incentivo para a criançada.
Portanto, se a Nestlé quiser, pode tirar toda a linha de circulação, não apenas os “não-lucrativos”. Até o Alpino, que era delicioso, está mais para pepino que para Alpino.

P.S. 1: Legenda da foto acima: "Porque chocolate não te deixa grávida"

P.S. 2: nos próximos três dias não estarei em São Paulo. Aproveitarei parte da minha folga no Rio. A coluna volta na terça-feira. Até!

tatinha13    13:23 — Arquivado em: Sem categoria


12.7.07

DEUS É BRASILEIRO

 Fiquei espantada com a eleição que escolheu o Cristo Redentor como uma das novas Sete Maravilhas do mundo. É a prova de que brasileiro ama Internet e celular e que o concurso foi uma grande bobagem.
Além de infestar o Orkut, a população brasileira elegeu o celular como símbolo de status. Temos hoje 102 milhões de aparelhos. Ou seja: quase metade do país tem seu telefoninho.
Questões cibernéticas à parte, a eleição das novas maravilhas é no mínimo um equívoco. Que crédito pode ter um concurso que elege o Cristo e deixa para trás as pirâmides do Egito e o conjunto do Kremlin e da Praça Vermelha, na Rússia?
Apesar de a China ter sido a grande vencedora, com sua famosa Muralha, deixar o Taj Mahal, na Índia, em sétimo lugar é sacanagem. E o que dizer do Coliseu, na Itália, que ficou em sexto, atrás até de Macchu Pichu, no Peru?
Ficaram de fora maravilhas que ainda não conheço, mas com certeza são mais notórias que o Cristo, como a Estátua da Liberdade, nos Estados Unidos, e a Torre Eiffel, na França.
Não restam dúvidas de que a eleição foi positiva para nós. O número de turistas desavisados que deixarão seus dólares (voluntária e involuntariamente) no Rio vai crescer. Parafraseando o comercial do Banco Real, “é bom para você e para Iuri”.
Os brasileiros – principalmente cariocas – devem estar com o ego nas nuvens. Apesar de reconhecerem que a estátua do Cristo vê coisas que até o pai dele duvida, podem usar à vontade o “Deus é brasileiro”. Até porque agora é oficial.

tatinha13    10:06 — Arquivado em: Sem categoria


11.7.07

BONS DE PAPO

 O vencedor da promoção “Papo Aranha” foi o leitor Cristiano Hehr Garcia, da cidade de Castelo, Espírito Santo. Apesar de não ter justificado a resposta, lembrou de algo bem interessante: “Acho que essa todos irão lembrar. Na Era Collor, na época do Escândalo dos Anões do Orçamento, o deputado João Alves, quando indagado em CPI, sobre a fortuna proveniente de sucessivas premiações na Loto: ´Deus me ajudou e eu ganhei dinheiro´”.
A propósito da promoção, o leitor Joubert enviou uma série de frases que ele considera “verdadeiras pérolas da politicagem nacional”. Por conta da brilhante participação, também vai levar um brinde: uma camiseta do filme “Treze Homens e Outro Segredo”.
Confiram a relação enviada por Joubert:

Era Collor
“Eu tenho aquilo roxo!” (Collor)
“Duela a quien duela” (idem)
“Não me deixem só” (idem)
“A cachorra é um ser humano” (Ministro do Trabalho do Governo Collor, Antônio Rogério Magri, quando explicou o uso de carro oficial para levar sua cachorra ao veterinário)

FHC
“Sou mulatinho, tenho um pé na cozinha” (FHC)
“Masturbação sociológica” (expressão utilizada pelo Ministro das Comunicações
no Governo FHC, o falecido Sérgio Motta, ao criticar o Instituto Comunidade
Solitária, presidido pela ex-primeira dama Ruth Cardoso)
“São dois pretos admirados por todo o Brasil” (Ministro Eliseu Padilha, dos
Transportes no Governo FHC, comparando Pelé ao asfalto)
“O que é bom a gente mostra e o que é ruim a gente esconde” (Rubens Ricupero, ex-Ministro da Fazenda)

LULA
“Quando as pessoas vêm para o hospital e morrem na mão do Adib Jatene, mesmo que ele tenha feito um erro, todo mundo morre satisfeito, morreu na mão do melhor” (Lula, o melhor)
“Estou convencido de que nunca antes na história deste país…” (Lula, o
convencido)
“Deixa o homem descansar” (Lula, o estafado)
“São recursos não contabilizados” (Delúbio Soares, tucanando o “caixa 2”)

Difícil até selecionar a melhor dentre elas, mas acho que fico com “são dois pretos admirados por todo o Brasil”. Essa é de doer…

tatinha13    15:46 — Arquivado em: Sem categoria


10.7.07

CARAVANA NORDESTINA

 Após cinco dias de fortes emoções, cá estou de volta. Como havia adiantado, estive nos municípios de Moita Bonita, no Sergipe, e em Coité do Nóia, Minador do Negrão, Olho D´Água do Casado, Piranhas e Jacaré dos Homens – todos em Alagoas.
Difícil traçar um panorama de Sergipe, já que visitei apenas uma cidade próxima à capital e passei muito rapidamente por Aracaju. Pude notar entretanto que o povo é simpático e que Aracaju é muito menor do que eu imaginava – apenas 500 mil habitantes.
Moita Bonita é uma cidade feminina. Não apenas pelo nome, mas porque é governada por uma prefeita que tem apenas 23 anos. “Juventude com responsabilidade”. Esse é lema de sua administração.
Já Alagoas é a terra onde Renan desperta medo e Collor é rei. Tive sorte de passar por lugares do agreste e do sertão em época de chuva. Encontrei muito verde, açudes cheios, rios intermitentes em seus períodos de perenes e até uma árvore de garças.
Um dos costumes do alagoano me chamou a atenção. Assim como os americanos, que adoram um bacon com ovo no café da manhã, os conterrâneos de Collor almoçam no desjejum. Pude confirmar o hábito em todos os municípios visitados. Não dá nem para dizer que é um café reforçado, já que sem delongas traçam baião-de-dois com carne e mandioca cozida. O copo de café preto é só acompanhamento.
Mas passemos aos destaques da caravana nordestina. Em Coité do Nóia vi uma cena que me deixou igual ao nome da cidade. Um cabrito – que o dono diz ser carneiro – de seis patas. Nojento. Pela lateral, próximo à barriga, sai um quase outro bumbum. O bicho anda e fica com a traseira lateral balançando.
Em Minador do Negrão a atração foi um carroceiro que tem dois seguranças: os cães Ronaldinho e Romário. Na coleira de cada um, uma chupeta. O dono, Zé Peba, explica que a dupla chora e precisa usar o bico. O difícil é convencê-los a chupar o objeto.
A cidade também serviu de locação para o filme “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos. Uma das casas usadas no longa, apesar de antiga, ainda está de pé e com moradores.
Olho D´Água do Casado tem a principal atração turística da região: um passeio de barco pelos cânions do rio São Francisco na parte que eles chamam de Riacho do Talhado. Lindo. É, sem dúvida, a menina dos olhos dos moradores e turistas.
Mas é em Piranhas que eu recomendaria uma viagem de férias. Tombada pelo patrimônio histórico há quatro anos, é uma mistura de Ouro Preto – sem os estudantes barulhentos e sem muvuca – com Paraty. A sensação é a de estarmos numa cidade cenográfica. Cada casa é pintada de uma cor mais vibrante que a outra. Tudo isso sem contar a linda participação do rio São Francisco na paisagem.
Em Jacaré dos Homens, algumas surpresas agradáveis. A melhor foi ter encontrado o Bin Laden do Brega, que se autoproclama o “terrorista do amor”. No hit “Homem Bomba” é acompanhado por duas dançarinas – ou “binladinhas”, como ele mesmo define.
Já o prefeito tem uma coleção de jacarés e pinta alguns veículos que servem à administração com o símbolo da cidade. A van que atende ao programa de saúde bucal tem um jacaré sentado na cadeira de dentista!
As fortes emoções a que me referi no início ficaram por conta de um pequeno incêndio no caminho entre Piranhas e Jacaré dos Homens. O carro em que estávamos teve um problema no eixo, a roda travou e quando o motorista percebeu a roda de trás já estava com uma labareda. Resultado: ficamos das 11 da manhã às 6 da tarde na estrada esperando conserto. E o pior: sem sinal de celular.
Quando estava para pegar uma carona num pau-de-arara para tentar encontrar algo aberto na cidade mais próxima num domingo, eis que surge um moto-táxi salvador com marmitas para a equipe. Encarei sem remorsos um macarrão com farofa, arroz, feijão e alguns filetes de salada vindos sei lá de onde. Idéia do mecânico que, muito espertamente, deu o recado de que as peças iriam demorar a chegar.

Vejam AQUI algumas fotos da viagem

P.S. 1: amanhã o resultado da promoção “Papo Aranha”

P.S. 2: vejam hoje, no "Programa do Jô", a matéria feita em Buenos Aires (PE)

tatinha13    17:09 — Arquivado em: Sem categoria


4.7.07

AO MESTRE SEM CARINHO

 Que o futuro depende da educação que se dá aos jovens é fato. A surpresa vem da descoberta que a profissão do futuro é, quem diria, a de professor. De acordo com um relatório da Câmara de Educação Básica estão faltando 245 mil professores no país.
Há chances de termos mais um apagão, desta vez no ensino médio. As áreas mais atingidas devem ser as de química, física, matemática e biologia.
Não é difícil entender o motivo. Além de a profissão ter perdido o status há muito tempo, o salário não colabora. Nas escolas de periferia é preciso ser meio Professor Pardal para dar conta do recado. Graças à falta de carteiras, eles têm de rebolar para acomodar todos os alunos na sala e ainda usar colete à prova de balas. Isso sem falar no sistema – não sei se ainda em vigor – de aprovar o aluno mesmo sem ele ser capaz de fazer “o” com o copo.
Professor que brasileiro conhece é só o Pasquale – e olhe lá. Imaginem o desespero dos mestres ao checarem as notas no Enem: constatar que o trabalho de um ano inteiro foi para o saco e que não há perspectivas de melhora.
Imagino ainda a aflição do professor ao ler textos criptografados como “ele tá aki comigo. Tamo 100 dinheiro e vamo embora já já :)”. Deve dar uma alegria imensa.
Será que os alunos hoje decoram tabuada? Usam compasso? Transferidor? Em um ponto tenho de ser honesta: somos obrigados a aprender muita coisa inútil – como usar compasso e transferidor. Seremos cobrados no vestibular lá na frente e depois nunca mais.
Decorar a tabela periódica é até divertido. Inventei frases para guardar os nomes dos elementos de cada coluna. Mas de que me serve hoje? Só para fazer palavras cruzadas: “o Ru em química”. Daí eu sei. Mas se a pergunta for “símbolo do Escândio” já vou ter problemas.
Por falar em Escândio, quem sabe escandir um poema? Acho que ainda me lembro. Mas por que raios vou querer saber se o poema é alexandrino? Aluno sofre…
Sim, sofrem, mas os professores penam muito mais. Além de o salário ser deste tamaninho, têm de fazer com que o aluno desligue-se de seu telefone celular – e sua incrível função torpedo – e do iPod. Já nas áreas mais pobres, como disse anteriormente, eles também têm de se defender de torpedos. Os reais.

A coluna só volta dia 10 de julho. Hoje à noite embarco para o estado de Sergipe para uma visita à cidade de Moita Bonita. Depois sigo para Alagoas, onde gravarei nos municípios de Coité do Nóia, Minador do Negrão, Olho d´água do Casado e Jacaré dos Homens.
Neste período vocês podem pensar com calma em algo para o concurso “Papo Aranha”. Quem ainda não mandou, envie um email para tatianarezende@hotmail.com com o título “Promoção Papo Aranha” respondendo “Qual o maior absurdo que você já ouviu de um político”?
Servem promessas não cumpridas, frases mal colocadas como as clássicas “relaxa e goza” e “estupra, mas não mata”. Valem ainda histórias sem graça, declarações infelizes, discursos mal escritos ou do tipo “me engana que eu gosto”.
O mais criativo leva um boné e um mousepad do filme “Homem Aranha 3”.
Até a volta!

tatinha13    13:21 — Arquivado em: Sem categoria
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