19.9.07
ZUZO BEM

Ela é conhecida como Monja Coen, tem coluna em jornal, dá palestras cujos temas podem ser “Vamos fazer de nossa empresa a melhor de todas” e é facilmente encontrada em programas de TV falando sobre budismo, meditação e temas afins.
Esta exposição excessiva e o fato de vê-la sempre vendendo a idéia da auto-ajuda me fizeram encará-la com certas restrições. Pois esta semana me surpreendi com a mulher maluca por trás do manto.
Claudia Dias Batista de Souza virou monja Coen após seus estudos no Japão, onde morou por 12 anos – sendo oito dentro de um mosteiro feminino. Até chegar neste “caminho de luz”, entretanto, ela viveu poucas e boas.
Para começar, se casou aos 14 anos de idade com o italiano Antônio Carlos Scavone que, segundo ela, trouxe a Fórmula Um para o Brasil. Teve uma filha e acabou se separando logo depois.
De repente, decidiu ir para Londres estudar inglês e tomar LSD. Disse assim, na lata. Contou que um amigo dizia que tomava ácido porque tinha de parar a guerra no Vietnã. Coincidentemente a guerra acabou e ela, após mais de um ano em Londres, viajou com um namorado para Estocolmo. Na chegada, pega com um carregamento de LSD na bagagem, diz aos policiais: “isso vai ser bom porque vai ajudar a salvar a Suécia do suicídio e do alcoolismo”.
De volta ao Brasil, começa a andar com os primos, os mutantes Arnaldo Batista e Sérgio Dias. Durante um show de Alice Cooper se apaixona pelo iluminador e resolve se mudar com ele para os Estados Unidos. Na Califórnia, casam-se na praia de Coco Beach – união que duraria cerca de sete anos.
Em Los Angeles, sempre que saía para passear com o cachorro, um vizinho a presenteava com livros. Um deles, sobre ondas mentais alfa, muda definitivamente sua vida. Começa a freqüentar uma comunidade de meditação, larga o emprego de funcionária do Banco do Brasil em Nova York, vende carro, doa roupas, raspa o cabelo, se converte ao budismo e vai para o Japão – onde fica por 12 anos.
Isto é o que chamo de vocação. Não posso avaliar o trabalho dela como monja, mas acho que é das boas. Desconsiderando os anos que passou estudando, o que me leva a acreditar nisso é o fato de ela ter feito uma opção. Ao que parece, acertada, já que seu “caminho de luz” dura mais de 30 anos.
Quem a vê assim hoje, toda Kojac e zen, não é capaz de imaginar que ela tem essas histórias cabeludas pra contar.
tatinha13
15:49 — Arquivado em: 

Tem um comentário do Chico Anysio que eu acho sensacional. Algo do tipo não sei por que as pessoas vão consultar um padre quando resolvem se casar. Deviam consultar a mim, que casei 8 vezes. Tenho ojeriza a autores/palestrantes de auto-ajuda, mas penso que monja Coen, pelo seu histórico de vida, deve ter algo bem mais interessante a falar do que qualquer escritor da estirpe de um Roberto Shinyashiki, por exemplo.
Comentário por Joubert — 19.9.07 @ 16:13
O mundo da muitas voltas e será que ela ja se encontrou?
Comentário por Juventino — 20.9.07 @ 1:09
Só espero que tenha sobrado uma quantidade razoável de neurônios depois do LSD…
Comentário por Ricardo Rezende — 20.9.07 @ 8:08
Erramos: Chico Anysio casou apenas 6 vezes e não 8 conforme noticiado no meu comentário abaixo.
Comentário por Joubert — 20.9.07 @ 12:37