20.10.07

UMA PEDRA NO NOSSO CAMINHO

 Não satisfeito em comandar sua “revolução” na Venezuela, Hugo Chávez tenta colocar suas asinhas sobre nós – mais especificamente dentro de nossas cabeças. Pretende distribuir nas escolas do Distrito Federal e nas que são vizinhas ao consulado venezuelano em todo o país o livro “Simón Bolívar, o Libertador”, com textos da principal referência de Chávez.
Livro é sempre bom. Ainda mais no Brasil, onde retiram os óculos e cegam estátuas como a de Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana. Mas é necessário um mínimo de critério.
Meu conhecimento histórico é demasiadamente deficiente. Cursei colégio técnico e História foi disciplina apenas no primeiro ano. Para piorar, neste único período não me recordo de ter tido aulas sobre América Latina. Portanto, além das informações de orelha, o que sei sobre Simón Bolívar colhi na Internet.
As fontes mais confiáveis dizem que Bolívar é o “personagem histórico mais complexo e de maior influência no imaginário político continental”. Seus seguidores têm um espectro ideológico que varia de A a Z, o que torna difícil saber até que ponto as apropriações do legado dele são fiéis ao pensamento original.
Aí é que mora o problema. Papel aceita tudo, o que muda é a interpretação que fazemos da leitura. Não sei se Chávez está mais para A ou para Z, mas a distribuição dos livros pode ser o primeiro passo do que vou chamar de “interferência intelectual” do venezuelano por aqui.
O Ministério da Educação não foi avisado oficialmente e disse que não tem que se pronunciar. As escolas é que devem decidir.
Guardadas as devidas proporções, mas em outros tempos, se Hitler quisesse distribuir umas cartilhas também não teria problemas com o governo brasileiro?
Deveríamos iniciar uma campanha no mesmos moldes que a do blog “Lanna Action for Burma”, que criou o protesto “Calcinhas pela Paz”. O grupo pede que mulheres de todo o mundo enviem suas peças íntimas para a embaixada de Mianmar mais próxima. O objetivo é afastar do poder os generais birmaneses que estão causando aquele fuá em Mianmar.
Diz a tradição que dentro da cultura birmanesa e da do sudeste asiático em geral esta história de calcinha é uma mensagem forte. Os generais são supersticiosos e acreditam que o contato com as roupas íntimas femininas pode derrubá-los do poder.
Além de nos juntarmos a esta campanha, poderíamos mandar nossas calcinhas para o Chávez. Ele não é birmanês, mas quem sabe não surte algum efeito?
Precisamos abrir o olho com este papo de livros bolivarianos. Tanto o nosso quanto o de Lula. Ao que tudo indica, entretanto, nosso presidente está como Drummond hoje: cego.

tatinha13    12:10 — Arquivado em: Sem categoria
6 Comentários
  1. Quando li essa notícia da distribuição das cartilhas ontem, nos jornais, aumentou o temor que já tenho de algum tempo: O louco do chaves (sempre escrevo nomes de figuras menores em minúsculo) está estendendo cada vez mais suas patas malignas pelo continente. Onde consegue influência direta através de coincidências ideológicas e dinheiro (Bolívia, Equador…) já atua igual do mesmo modo que está impondo aos venezuelenos uma verdadeira lavagem cerebral. Onde não consegue chegar, por ser o brasileiro um consciente das maluquices do cara, mesmo apoiando o energumeno do lula, começa na formação das crianças na escola. Alguem de sã connsciência tem que dar um basta nisso. Se depender do “mula”, não vamos chegar lá….

    Comentário por Agostionho Lopes — 20.10.07 @ 12:53

  2. Credo! Onde é que nós vamos parar?
    Será que estou me tornando uma Regina Duarte? Tenho medo…muito medo…

    Comentário por lucy in the sky — 20.10.07 @ 15:04

  3. Chaves é um dos melhores amigo do companheiro!!!!!!!!!!
    Dormindo com o inimigo

    Comentário por Juventino — 20.10.07 @ 19:39

  4. Esse negócio de distribuição de livros tendenciosos é algo perigoso.
    Há algumas semanas um jornalista do “O Globo” denunciou a adoção de livros didáticos de História com forte influência ideológica de extrema esquerda. Depois, a revista “Época” fez uma reportagem a esse respeito, destacando trechos sobre a Revolução Chinesa, Fidel Castro e queda do comunismo, por exemplo.
    O pior é que o Ministério da Educação e o Governo Federal são coniventes com essa doutrinação, e ao que tudo indica ninguém considera retirar esse e outros livros de nossas escolas.
    Agora do Chávez quer fazer a parte dele nesse processo de lavagem cerebral. Se continuar assim, daqui a pouco vai querer mudar as cores de nossa bandeira para amarelo, azul e vermelho…

    Comentário por Ricardo Rezende — 20.10.07 @ 20:01

  5. Tati, sou formado em História. meu TCC estudava a apropriação da imagem de Simon Bolivar por Hugo Chaves que usava tal imagem afim de legitimar suas ações, infelizmente por meandros do mundo academico meu trabalho nao pode ter continuidade, what a pitty

    Comentário por Teté — 21.10.07 @ 5:25

  6. “A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunicade latino-americada de nações”. Quem diz isto não sou eu, não é o Lula, nem tão pouco o Chaves e sim o Parágrafo único do Art. 4º da Constituição Federal. Mas não se aflijam. Nunca conseguiremos essa desejada integração latino-americana (o que poderia ser uma boa idéia em tempos de mundo globalizado). Mas já estamos econômica-política-social-e-culturalmente integrados com o nosso “grande irmão do norte”. Nada contra. Também não pensem que estou querendo fazer apologia a favor das idéias de Hugo Chaves. Apenas penso que se gasta uma energia imensa e desnecessária por alguém que todos acham um “louco”.

    Comentário por Joubert — 21.10.07 @ 10:21

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