28.10.07

SOBRE ALHOS BUGALHOS E BACALHAU

 Além de nossa primeira-dama ter tirado do armário seu traje de Noelete para o aniversário de Lula, outra saia justa merece comentário: a entrevista que o governador carioca Sergio Cabral concedeu ao portal G1. Nela, afirma que o aborto é a solução para a violência.
Lendo a exclusiva, até entendo parte do que ele quis dizer, mas o fato é que ele se perdeu feio em seu discurso. Se ainda tivesse feito a declaração por escrito, através de um artigo, teria a chance de falar que foi mal interpretado ou tascar um “esqueçam o que eu escrevi”, mas quando se declara algo precipitadamente fica mais difícil voltar atrás.
Para justificar seu ponto-de-vista citou um livro americano em que os autores mostram que a redução da violência nos Estados Unidos na década de 90 está ligada à legalização do aborto em 1975 pela Suprema Corte. Minha humilde opinião é a de que isso foi apenas uma coincidência.
Mas o soco no estômago vem com a seguinte frase: “Tem tudo a ver com violência. Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Tijuca, no Méier ou em Copacabana ou no Leblon. É padrão sueco. Agora pega na Rocinha, pega no Vidigal, pega no Alemão, é padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal”. Nesta hora a gente volta no começo da entrevista para checar se não estamos lendo um pingue-pongue com o capitão Nascimento.
Escorregou feio na banana. Generalizar dizendo que no morro só tem marginal foi assinar um atestado para ser perseguido pela imprensa e por várias associações de direitos humanos e contra o aborto. Ingenuidade dele – para não dizer má-fé – pensar que menos gente signifique menos violência.
Fácil jogar para as mães a responsabilidade por algo que ele já deveria estar se coçando para resolver. Mandou a batata quente para as mães, mas agora é a dele que está assando.
É certo que se as famílias tivessem menos filhos e mais condições para criá-los com educação e dignidade não teríamos tanta violência, mas daí a sugerir essa profilaxia nas favelas há algumas léguas.
Assim como a questão das drogas, já passou da hora de discutirmos a legalização do aborto. Se ninguém no Senado, no Congresso ou no Planalto tem coragem para tocar no tema, que algo seja feito por meio de um plebiscito. Pronto. A população decide – sendo um país que se diz católico, não é tão difícil adivinhar o resultado.
A minha opinião é a de que a mulher, mais do que ninguém, é a única que pode decidir sobre algo que lhe diz respeito intrinsecamente. A vida é dela, assim como a que está dentro de seu corpo.
O xará de Cabral descobriu o Brasil. Agora o governador precisa descobrir uma boa maneira de se safar dessa.

tatinha13    11:33 — Arquivado em: Sem categoria
2 Comentários
  1. Se o Cabral tivesse feito essa declaração num meio de comunicação com maior penetração e não no portal G1, ele certamente estaria enrolado.
    Me considero uma pessoa relativamente antenada, mas não sabia dessa entrevista. Acabo de entrar no G1 e não vi nenhuma menção a isso na página principal, só achando depois de efetuar uma busca (a entrevista foi concedida no dia 24).
    Lendo os comentários dos internautas, um deles (Luis) foi perfeito em sua colocação:
    “Se considerarmos, em aspectos gerais e amplos, e, em função do mal decorrente dos atos, eliminaríamos os políticos e não os favelados. Se, descobrirem os gens que possam, já no útero, identificar futuros políticos, sou a favor do aborto para esses”.

    Comentário por Ricardo Rezende — 28.10.07 @ 18:30

  2. Ele quis dizer que no morro não tem tv a cabo

    Comentário por Juventino — 28.10.07 @ 19:09

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