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O seriado “Mothern”, exibido pelo canal GNT, é um bom exemplo de que a TV brasileira pode um dia exibir sitcoms. Apesar do tema um tanto específico – a maternidade e todos os pepinos que advêm dela –, é interessante mesmo para quem nem tem filhos ou é casado.
O programa ficou entre os finalistas ao Emmy Internacional deste ano na categoria “série dramática”, mas não levou. Apesar de bem feito, ainda é um lactente se comparado às séries da BBC ou mesmo americanas (temos de ter noção disso, do contrário ficamos com a velha expectativa que se repete em todo evento do Oscar: sempre achando que o boneco de melhor filme estrangeiro será nosso).
Falo de “Mothern” porque hoje entrevistei uma das mães do seriado, a atriz Juliana Araripe. E pude entender melhor porque a série tem emplacado. Além de louca, ela contou que as quatro atrizes também colaboram com o roteiro, improvisam muito e acrescentam experiências pessoais às histórias. Fora das telas, Juliana é mãe de Calu, de 3 anos.
Nosso assunto inicial era, obviamente, a série, mas o assunto descambou. Mesmo. Jornalista, já foi apresentadora de um jornal de esportes na Band e de alguns institucionais da Sky, mas fala besteira que só. Confessou, por exemplo, ser fascinada por cocôs. Utiliza-se de dois fatos – ter intestino preso e adorar fazer terapia – para testar de tudo. No momento está fazendo hidrocolonterapia. Está disposta a eliminar “cocôs velhos”. Percebendo o interesse dela pelo tema, fiz a indicação do restaurante “Banheiro Moderno”, na China, assunto deste blog no domingo.
Até o processo de seleção para apresentar o telejornal na Band virou uma história cômica. Vinda do Rio especialmente para o teste, ficou horas parada no trânsito paulistano. Diante da iminência de perder a hora, não teve dúvidas: agarrou o primeiro motoboy que encontrou ao abandonar o táxi e ordenou que a levasse à emissora. Apesar de ter conseguido chegar a tempo, estava o próprio Bozo. Enfiou a cabeça na torneira e fez o teste com o cabelo molhado. Foi aprovada pela naturalidade.
A atriz relembrou ainda os tempos em que teve de apresentar um outro telejornal às sete da manhã. Da cintura para cima, tudo lindo. Para baixo, a calça de flanela do pijama e um chinelo de dedo.
Mas Juliana já era da pá virada – e pilantra – desde pequena. Aos 9, 10 anos, ganhou muito dinheiro pedindo esmolas na rua. Ela e suas amiguinhas faziam ponto nos faróis da Faria Lima ou da Juscelino Kubitschek e depois torravam a grana com pizzas. Tudo ia bem até Juliana ser reconhecida e dedurada por uma das amigas de sua mãe.
Depois do flagra, teve de se virar de outras formas. Armou uma mesinha na feira e começou a vender objetos de sua própria casa, como cinzeiros e o que mais pudesse levar sem chamar muito a atenção. Também fazia bazares para as empregadas do prédio em que morava com suas roupas usadas e vendia jornais velhos.
Apesar de tanta experiência surreal, Juliana não se considera humorista. Criou personagens como a Branca de Neve crespa ou a Mulher-bafo (que todos achavam que era enfermeira por causa do protetor que usava na boca), mas não teve muito sucesso no espetáculo que fazia com uma amiga. “Dava tudo de si”, mas a platéia era só traço.
Pois eu acho que ela deveria insistir no talento para o humor. Porque se não for humorista, Juliana é um caso clássico de mentirosa compulsiva.
P.S.: a coluna volta sábado ou domingo. Nos próximos dias estarei em Feliz Natal (MT). Até!

criado por Tati
16:06:38
Saiu hoje a notícia de que Lula precisava: o Brasil entrou para o grupo de países de “alto desenvolvimento humano” no ranking elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Agora só não sai terceiro mandato se as forças ocultas entrarem em ação.
Apesar de seguir negando o plano de permanecer no poder, Lula continua alimentando o povo com a idéia de que é o presidente-Midas. Há poucos dias, após divulgar a descoberta de uma grande reserva petrolífera em Santos, disse que o Brasil vai se tornar autosuficiente na produção de gás e que entraremos para a Opep. Também ficou feliz como criança em loja de doce ao ouvir de seu colega Hugo Chávez que é o magnata do petróleo. Tudo lindamente divulgado, mas feiosamente explicado.
Trata-se da metade de todo o petróleo descoberto pelo país nos últimos 50 anos? Sim. Temos como retirá-lo de lá? Não. O povo sabe? Claro que não. Aliás, grande parte do eleitorado de nosso Midas, acostumado aos desenhos do Pica-Pau no SBT, acha que é só furar o chão que o petróleo jorra.
O presidente da Petrobrás disse que os campos estão abaixo de uma espessa camada de sal. A camada de pré-sal tem cerca de 800 quilômetros de extensão. Mas o povo sabe lá quem é o presidente da Petrobrás? Ou o que é Petrobrás?
O fato é que Lula segue a cartilha de Rubens Ricupero e só divulga o que é bom. Vai martelar durante semanas que o país entrou para o grupo de países de “alto desenvolvimento humano”, mas não vai falar que somos também o país com maior desigualdade entre ricos e pobres. No Brasil, os 10% mais ricos da população têm renda 51,3 vezes maior do que os 10% pobres.
Moral da história: Lula é que nem aquelas linhas bem miudinhas de regulamento de promoções e concursos. Tem de ser lido nas minúcias, senão corremos o risco de levarmos gato por lebre.
P.S.: vejam hoje, no “Programa do Jô”, a matéria feita em Coité do Nóia (AL)

criado por Tati
13:51:19
Há dias em que inexplicavelmente nada é capaz de abalar nosso lado zen. Seria tão bom se isso se repetisse diariamente! Não perderíamos o apetite ou o sono com as picuinhas do cotidiano e ainda seríamos vistos como seres bem-humorados e felizes.
Enfrentar um tiozinho pé do breque no trânsito quando a gente está indo tirar o pai da forca, por exemplo. Não é sempre que temos a paciência de esperar até ele se lembrar de olhar para o retrovisor ou simplesmente sair da frente. Nossa vontade é meter a mão na buzina, piscar o farol e, em alguns casos, desejar coisas horrorosas para até a quinta geração da figura.
E quando vamos ao supermercado e nosso incrível cartão com chip – feito para nos dar mais segurança e agilidade – cisma de “não passar”? “Não tá passando, você pode ir até o atendimento ao cliente e usar a máquina de lá?” diz a menina do caixa. Nesses dias em que Buda toma conta de nosso ser vamos tranquilamente ao local indicado, pegamos uma filinha e aguardamos nossa vez sem grandes dramas.
No banco há também o caso clássico: o do office-boy que encosta no guichê com um calhamaço de tudo o que se possa imaginar, como contas, carnê de não-sei-o-quê, Telesena, rifa, bilhete único e se bobear até bilhete de jogo do bicho para pagar. O normal é lançarmos um olhar cúmplice para quem está atrás de nós e darmos uma bufada para demonstrarmos nosso descontentamento. Sem remédio, invocamos o santo protetor dos pegadores de fila em banco e ficamos quietos. Não há nada que se possa fazer.
Existem também os que no afã de darem suas explicações só nos causam aflição. Mesmo com uma pergunta que só admite um “sim” ou um “não” como resposta, os seres deste tipo dão um jeito de transformar as três letrinhas num discurso infindável. Começam contando desde a hora em que saíram da cama até o momento de nossa abordagem. É preciso estar muito zen num dia desses – sob pena de sair vestido numa camisa-de-força.
Enfim, o esperado seria termos TPM uns cinco, seis dias por mês, mas não é o que ocorre. Passamos o mês inteiro irritadas e em apenas um dia – e olhe lá – somos coroadas com a paciência de um monge. E paciência, ao contrário do que diz Lenine, não dá pra fingir.

criado por Tati
15:21:52
Quem se espanta com o fato de os chineses apreciarem petiscos como ganhafoto ou tanajura frita pode continuar espantado. Pois eles conseguiram se superar. A novidade é um restaurante em que tudo remete ao banheiro – até a comida.
Novidade para nós, já que o local foi inaugurado há mais de três anos e é praticamente o Mc Donalds deles. Chama-se “Banheiro Moderno” e funciona em Taipei. Segundo o dono, a inspiração veio de um desenho animado japonês.
Por incrível que pareça, achei o ambiente deliciosamente agradável e bem decorado. Há lugares muito mais nojentos por aqui. Alguém já passou em frente ao setor de carga e descarga de um restaurante de luxo? Não deixa nada a dever aos bares pé-de-porco que existem no centro de toda cidade.
Já estou morta de vontade de ir para a China para usar esse banheiro. Privadas – com as tampas devidamente fechadas – funcionam como cadeiras, as refeições são servidas em potinhos de plástico em formato de privadas ou banheiras e os guardanapos são rolos de papel higiênico que ficam em cima das mesas. Há também mictórios que fazem as vezes de pia.
Os pratos e as sobremesas também vêm com influências sanitárias. O mais criativo é o sorvete de chocolate – que vocês já devem imaginar em que formato sugestivo ele aparece à mesa.
Encararia numa boa uma refeição no “Banheiro Moderno”. Só faço ressalvas ao guardanapo, que não pode ser um “Primavera” da vida. Como será o banheiro do restaurante? Não sendo na cozinha, tudo bem.
Vejam algumas fotos AQUI

criado por Tati
09:37:38
Figura maravilhosa esse Paulinho da Viola. Há muito tempo fui a um show dele – e devo confessar que não foi uma experiência marcante. Mas depois de assistir ao documentário “Paulinho da Viola – Meu Tempo É Hoje”, se ainda não virei fã das músicas, posso dizer que me apaixonei pela personagem.
Talvez por conhecer apenas algumas de suas canções e principalmente por não ter idéia do maluco que se esconde por trás daquele rosto sereno o show não tenha sido inesquecível. Hoje uma apresentação de Paulinho teria outros significados.
A minha descoberta vai na mesma linha do que ocorre quando nos deparamos com os livros que constam da lista do vestibular. Somos obrigados a lê-los, mas não temos interesse pelo tema, não conhecemos o autor e principalmente não estamos “etariamente” preparados para entendê-los e, consequentemente, apreciá-los. Naquela época do show não estava apta para gostar de Paulinho.
Continuo não sendo fã de samba e menos ainda de pagode. Isso posso dizer tranquilamente – em certos trechos do documentário temos de aturar Zeca Pagodinho e sua voz de bêbado ou a Velha Guarda da Portela, mas o sacrifício vale a pena porque depois tem mais Paulinho.
O melhor do documentário são as intervenções familiares e os momentos em que o músico fala sobre si mesmo.
Se não fosse músico, teríamos um brilhante marceneiro. Em casa, mostrando a pequena oficina bem equipada com várias ferramentas e bancadas, Paulinho diz que é ali que gosta de passar grande parte de seu tempo. É para lá que se dirige quando precisa aliviar as tensões. Sim, diz ele, música não é só a glória dos aplausos no palco. Também é preciso lidar com muito estresse.
Outra paixão do músico são as velharias automotivas. Ele tem o hábito de comprar carros antigos destruídos para recuperá-los. Quando digo destruídos estou sendo boazinha. Alguns automóveis estão tão detonados que quem olha se arrisca a dizer que nem a carcaça será aproveitável.
Um dos filhos entrega que há mais de 20 anos ele está trabalhando no mesmo carro, um Karman Guia. Corta para a mulher de Paulinho indo visitar o barracão onde estão amontoadas as carangas. “Benhê, qual era aquele que vi há muitos anos, que estava prontinho, com farolzinho e tudo?”. E ele: “É esse mesmo” – e emenda uma desculpa esfarrapada para explicar porque o automóvel está sem faróis, sem vidros e empoeirado.
Ganhamos um músico, mas perdemos um excelente profissional para serviços gerais. Um dos momentos mais engraçados é quando a esposa conta que até quando estão hospedados em hotéis Paulinho quer fazer pequenos reparos. Já chegou ao cúmulo de ligar para a recepção e pedir um alicate emprestado. Quando não parte para a ação, fica resmungando coisas do tipo “aquilo ainda não deu problema, mas vai cair a qualquer hora”.
O filho tira ainda mais o sarro ao dizer que ele fica feliz até quando o couro de uma poltrona se descola. “Ele reclama e faz cara de quem não gostou, mas no fundo está feliz porque vai ter de arrumar”.
O tempo de Paulinho realmente é outro, como fica bem claro na explicação da esposa de como é um telefonema dele para o 102. Mesmo precisando apenas do número do telefone de uma oficina, engata num papo com a atendente enumerando tudo o que já tentou para resolver o problema. Explica que já checou a parte elétrica e que tem certeza de que não foi pane seca. É ou não um maluco maravilhoso?
Não restam dúvidas de que a escolha do tempo como fio condutor e subtítulo do filme foi correta. Arranjem um tempinho para assistir ao documentário e pensarem na frase que Paulinho diz no final: “eu não vivo no passado, é o passado que vive em mim”.

criado por Tati
11:24:41