20.11.07
TV COLOSSO

Foi com espanto que li a notícia de que a carreira mais concorrida da Fuvest este ano é Jornalismo. São 41,63 candidatos por vaga. Depois vêm os cursos de Publicidade e Propaganda, Relações Internacionais, Curso Superior do Audiovisual (?) e Medicina e Ciências Médicas.
As vagas de Jornalismo sempre foram muito disputadas, mas não me lembro de ter ocorrido nada de tão marcante na área este ano. Tentei puxar pela memória algum personagem de novela que era bonito e jornalista bem-sucedido, correspondente morto em guerra ou algum âncora de TV que tenha ficado milionário. Nada, nada.
O único grande acontecimento de 2007 foi a inauguração da Record News, que se autointitula o primeiro canal de notícias da TV aberta (mais ou menos… Por acaso alguém consegue sintonizar algum canal UHF?).
Propagandas enganosas à parte, notei a ausência do curso de Direito, mas não foi difícil decifrar porquê ele não está entre os preferidos. Os recentes acontecimentos em nossa política estão aí para provar que a carreira jurídica não anda com muito moral.
Mesmo sem entender o repentino interesse pela carreira jornalística, algo consigo concluir: teremos ainda mais concorrência numa área em que raramente os funcionários são selecionados pelo currículo. E ainda: por mais caídas que estejam as Torres Gêmeas ou por mais incêndio que tenha causado a queda do avião do TAM é necessário ter o máximo de concentração para o trabalho ir adiante. E, convenhamos, manter a calma em situações-limite não é para qualquer um.
Abro um parêntese para discordar do que disse Luis Fernando Veríssimo esta semana no I Salão Nacional do Jornalista Escritor, no Memorial da América Latina. Ao comentar seu método de trabalho e o uso do computador, falou que antigamente as redações tinham máquinas de escrever. Era um barulho infernal. Hoje, com os computadores, as redações parecem bancos. Limpas e silenciosas.
Que me desculpe o Veríssimo, mas a redação deveria ser muito mais silenciosa do que é – o que nem sempre é possível. Apesar de termos nos livrado das máquinas de escrever, temos de conviver com as TVs, que ficam ligadas 24 horas. Cada ofício tem seu osso, não é mesmo? Espero que os aspirantes a jornalista saibam roer os seus.
P.S.: confiram hoje, no " Programa do Jô", a matéria feita em Muitos Capões (RS)
tatinha13
15:00 — Arquivado em: 

O Brasil precisa de mais pessoas informadas e com senso crítico aguçado, que são características dos bons jornalistas. Não podemos esquecer que o jornalismo investigativo sempre presta bons serviços à nação.
Comentário por Ricardo Rezende — 21.11.07 @ 23:34
Final dos anos 70,prestei vestibular para jornalismo na USP, peguei Letras,segunda opçao. Grande amiga do Tramontina,acompanhei sua fase de vestibular,estágio, e início na Globo.
Meu enteado é formado em La Plata em jornalismo.Continuo achando depois de tudo o que observei é que jornalista é vocação e talento pra coisa. Quase nasce pronto. A faculdade aprimora. Se não tem talento pra coisa,não há diploma que dê jeito. Voce seria tudo isso, com faculdade ou sem.Concorda comigo?
Comentário por picida ribeiro — 25.11.07 @ 0:30