21.11.07
E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE

Vejo hoje a seguinte pergunta num site para jovens: “Qual tipo de filme é a sua vida?”. Fiz o teste só de bobeira, só para comprovar que a Internet tanto pode ser a salvação quanto nos levar à mais completa alienação.
Na verdade, ninguém precisa responder ao questionário para saber. Os mais precipitados vão dizer que é um filme de terror, mas a vida de qualquer um de nós é um dos muitos filmes de Almodóvar. Aparentemente a história não faz o menor sentido, ninguém sabe de onde veio, qual o seu papel na trama e para onde (e quando) vai. Quando o enredo já está rocambolesco o bastante, começam as reviravoltas e os absurdos.
Muitas destas mudanças fogem ao nosso controle. É apenas o destino agindo. Em outros casos tudo sai do prumo por causa de algum personagem – como nos romances de Agatha Christie, geralmente dos que menos desconfiamos. Tanto faz se são mocinhos ou vilões declarados. O autor os insere não para subir a audiência ou para imprimir mais emoção à história, mas por algo maior e que foge à nossa compreensão.
Não é assim? Vivemos situações tão surreais que quando as contamos ficamos com fama de Pinóquios. Há algumas cenas tão peculiares que sozinhas já renderiam um filme ou no mínimo um curta-metragem – a história do cocô no meu cabelo, já relatada aqui, daria um bom curta.
Todo mundo tem uma história ou uma cena marcante que gosta de repetir – até para tentar entender como tudo aconteceu. É como a reconstituição de um crime. Se o final foi feliz, melhor ainda. Acrescentamos uns toques de aventura para prender a atenção de nosso espectador e fazemos um pouco de suspense até revelar o desfecho. Mas se o fim foi muito triste… Repetimos do mesmo jeito. Por que às vezes gostamos de nos fazer de vítimas? Para nós e para os outros? Para mostrar nosso talento e recebermos uma nova sinopse? Ou para conquistarmos a simpatia dos telespectadores?
Garanto que ninguém tem as respostas, só o autor. O problema é que o roteirista dessa nossa novela é meio Rubem Fonseca. Não concede entrevistas.
tatinha13
14:37 — Arquivado em: 

Vê como a vida é engraçasa: Muito antes de Almadóvar, Titão já se perguntava: “de onde vem? pra onde vai?
Comentário por Taussa — 21.11.07 @ 15:58
Já disse (citando alguém que disse) isso aqui, mas volto a repetir por gostar da frase e por achá-la apropriada ao tema: “A vida suplanta qualquer obra de ficção”
Comentário por Joubert — 21.11.07 @ 17:35
Se fosse possível ler o roteiro da “novela da vida” antes de nascer, será que todos topariam o papel?
Comentário por Ricardo Rezende — 21.11.07 @ 23:43
Coitada da cegonha que so iria ter entrega na casa de ricos e afortunados
Comentário por Juventino — 22.11.07 @ 1:07