26.11.07

MENS INSANA IN CORPORE INSANO

 Há dias em que inexplicavelmente nada é capaz de abalar nosso lado zen. Seria tão bom se isso se repetisse diariamente! Não perderíamos o apetite ou o sono com as picuinhas do cotidiano e ainda seríamos vistos como seres bem-humorados e felizes.
Enfrentar um tiozinho pé do breque no trânsito quando a gente está indo tirar o pai da forca, por exemplo. Não é sempre que temos a paciência de esperar até ele se lembrar de olhar para o retrovisor ou simplesmente sair da frente. Nossa vontade é meter a mão na buzina, piscar o farol e, em alguns casos, desejar coisas horrorosas para até a quinta geração da figura.
E quando vamos ao supermercado e nosso incrível cartão com chip – feito para nos dar mais segurança e agilidade – cisma de “não passar”? “Não tá passando, você pode ir até o atendimento ao cliente e usar a máquina de lá?” diz a menina do caixa. Nesses dias em que Buda toma conta de nosso ser vamos tranquilamente ao local indicado, pegamos uma filinha e aguardamos nossa vez sem grandes dramas.
No banco há também o caso clássico: o do office-boy que encosta no guichê com um calhamaço de tudo o que se possa imaginar, como contas, carnê de não-sei-o-quê, Telesena, rifa, bilhete único e se bobear até bilhete de jogo do bicho para pagar. O normal é lançarmos um olhar cúmplice para quem está atrás de nós e darmos uma bufada para demonstrarmos nosso descontentamento. Sem remédio, invocamos o santo protetor dos pegadores de fila em banco e ficamos quietos. Não há nada que se possa fazer.
Existem também os que no afã de darem suas explicações só nos causam aflição. Mesmo com uma pergunta que só admite um “sim” ou um “não” como resposta, os seres deste tipo dão um jeito de transformar as três letrinhas num discurso infindável. Começam contando desde a hora em que saíram da cama até o momento de nossa abordagem. É preciso estar muito zen num dia desses – sob pena de sair vestido numa camisa-de-força.
Enfim, o esperado seria termos TPM uns cinco, seis dias por mês, mas não é o que ocorre. Passamos o mês inteiro irritadas e em apenas um dia – e olhe lá – somos coroadas com a paciência de um monge. E paciência, ao contrário do que diz Lenine, não dá pra fingir.

tatinha13    15:21 — Arquivado em: Sem categoria
3 Comentários
  1. Tirar o pai da forca? não sei. Talvez do telhado.
    beijos

    Comentário por taussa — 26.11.07 @ 16:46

  2. ha ha ha brasileiro ta acostumado a fila de cinema,show,danceteria,restaurante,aeroporto e até da pipoca

    Comentário por Juventino — 27.11.07 @ 0:12

  3. Tem horas que dá vontade de encarnar aquele personagem “tolerância zero” (do Franciso Millani), mas paciência e tolerância são algumas das qualidades que temos que desenvolver para conviver em sociedade.

    Comentário por Ricardo Rezende — 28.11.07 @ 0:51

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