18.11.07

ASSALTARAM A GRAMÁTICA

 Sempre que um motorista de ônibus joga seu veículo para cima do meu sem dar seta, acende o farol à toa, acelera colado na minha traseira com o trânsito parado ou solta aquele barulho de compressor para assustar pedestres penso: esse cara só podia ser motorista de ônibus. É tão ignorante que não deve ser capaz de fazer nada melhor. O dó que eu poderia ter pelo fato de ele ficar o dia inteiro no sol ou enfrentar congestionamentos cruéis dá lugar a um sentimento de vingança.
Assim como os motoristas de ônibus, imagino que a maioria dos ladrões não deva ter tido grandes oportunidades na vida. Começaram a roubar porque não tinham nada melhor – e mais rentável – para fazer. A diferença entre as duas categorias é que enquanto os motoristas se acham os tais, alguns ladrões são tão patéticos que nem me despertam tanta raiva. Dou risada – como se eles fossem “Os Trapalhões”.
Em menos de duas semanas duas quadrilhas foram pegas porque o feitiço virou-se contra o feiticeiro. E nos dois casos, por erros de ortografia.
O primeiro foi em São Paulo. Os homens pretendiam se passar por entregadores de cestas de Natal para invadir um prédio de luxo. Para isso, clonaram um Fiat Doblò de um estabelecimento comercial de alta gastronomia. Só que os manés escreveram “impório”, em vez de “empório”. Os policiais desconfiaram e prenderam o grupo.
Ontem, em Campinas, uma mala tinha a seguinte mensagem de alerta: “Não mexer. Risco de isplosão”. Os responsáveis não foram encontrados, mas com uma mensagem dessas não foi difícil para a polícia descobrir que algo estava errado. Já imaginaram se o garoto Riquelme visse essa mala? Além de tentar detonar a bomba corrigiria o erro de português. Mesmo com 5 anos de idade.
Acho que até os ladrões de galinha têm técnicas mais apuradas que as dos exemplos anteriores. Eles precisam mesmo ir para a cadeia. Para divertir o povo que está lá dentro.

tatinha13    8:59 — Arquivado em: Sem categoria


17.11.07

PSIU!

 Quem nunca teve o comichão de dar uma de rei da Espanha e mandar o outro calar a boca? A política da boa vizinhança e os bons costumes nos impedem de cometer o ato grosseiro, mas se até o detentor de um título de nobreza desce do salto de vez em quando, por que nós, plebeus, não podemos ter essa atitude real pelo menos uma vez na vida?
Em alguns casos nada seria mais eficaz do que encher nossos pulmões de ar e tascar um “por que não se cala?” ou ainda um “por que você não vai a m…?”. Sim, porque há pessoas que não conseguem ficar com a boca fechada. Têm a necessidade de comentar tudo. Pode ser a vida do outro, a política brasileira, a manchete do jornal ou o filme. O importante é mostrar que têm opinião.
A melhor maneira de agir nesse caso é dar corda. O orador acaba se enforcando sozinho. O estrangulamento se anuncia em poucos minutos de conversa – é rápido perceber os que têm mais cara que conteúdo. Fazer perguntas e argumentar contrariamente é jogar a corda. Em menos de meia hora temos um Tiradentes.
Há ainda os que produzem espuma no canto da boca de tanto falar da própria vida – por carência, necessidade de se autoafirmar ou até para se convencerem de algo que não está claro até para elas. Estes falam de suas vitórias mais do que dos fracassos. “Monologam” tanto e com uma riqueza de detalhes tão impressionante que chegamos a duvidar de que a história seja verdadeira. O difícil é encontrar tempo para ouvir. Não é todo dia que nosso consultório sentimental está atendendo.
Mas o que merece o troféu puxão de orelha do rei é o que resolve chamar para si a autoria de algo que saiu de nossa cabeça. Quem nunca teve um colega de trabalho com esse perfil? Tendo o principal, se vira como pode na defesa de “sua” idéia. E sem passar óleo de peroba.
Até quem não tem nem uma gota de sangue italiano ou espanhol sente a adrenalina circulando pelo corpo. A vontade de chamar o Hugo ou o Juca pode ser agora substituída: é só invocar o Juan.
Mas tenho minha teoria para tanta verborragia. Estes contumazes conversadores tentam de tudo para preencher os vazios porque temem o silêncio. Ou os fantasmas que advêm dele…

tatinha13    7:41 — Arquivado em: Sem categoria


16.11.07

PENSAR É PRECISO

 O mundo está carente de idéias. Das boas, claro. Idéias por idéias, temos das mais mirabolantes, para todos os tipos de loucura e loucos. Mas as melhores, as que merecem o grito de eureca! não aparecem numa ida à padaria. Sou das que acredita que um bom trabalho é 10% inspiração e 90% transpiração.
E é justamente por formular algo inédito que uma pessoa vira gênio da noite para o dia – o que, aliás, deveria ser o certo. Ter destaque por mérito.
Só para nos restringirmos à área cultural, alguns compositores, poetas e escritores são tão geniais que só poderiam mesmo alcançar a imortalidade. Eles são autores. Souberam expressar em palavras sentimentos que por mais simples e conhecidos que pareçam são difíceis de serem traduzidos. Assim como nos filmes, o que mais importa é o enredo. Pode-se ter uma trilha sonora linda e uma fotografia idem, mas se não contar uma boa história vai faltar o algo mais que todos procuramos.
Confesso que nunca tive muita paciência com poemas, mas fui assistir ao novo espetáculo do Jô sobre Fernando Pessoa e começo a rever meus conceitos – um bom texto é capaz até disso.
E Pessoa realmente entende da coisa. Ele é tão bom que teve de criar três personalidades para dar conta da variedade de suas idéias. Ou quatro: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro, além do próprio Pessoa.
Num trecho de “Não sei quantas almas tenho” ele diz: “Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma”. Podemos gastar o dia inteiro pensando apenas na frase “quem tem alma não tem calma”. As boas idéias também têm essa função: de nos alertar para suas infinitas possibilidades.
Sob o pseudônimo de Alberto Caeiro escreveu em “Poemas Inconjuntos”, entre 1913 e 1915: “Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus”. Reparem no poder do criativo. É algo geralmente muito simples, mas que nos leva à pergunta: “por que não pensei nisso antes?”.
As inquietações e indagações não páram por aí, há inúmeras obras maravilhosas de Pessoa e de outros gênios das palavras. Mas eu fico por aqui. Deixo vocês pensando nas probabilidades da mais célebre frase do poeta: “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

P.S.: Não percam hoje, no "Programa do Jô", a matéria feita em Sossego (PB)

tatinha13    10:16 — Arquivado em: Sem categoria


15.11.07

VACA AMARELA

 Vamos acrescentar mais um episódio à nossa lista de gafes do ano: a ordem do rei espanhol Juan Carlos para que Chávez calasse a boca durante a reunião da cúpula ibero-americana no Chile.
Não é a primeira vez que Chávez apronta das suas. No ano passado, num discurso na assembléia da ONU em Nova York, o presidente venezuelano chamou Bush de diabo e disse que a tribuna na qual fazia seu pronunciamento ainda cheirava a enxofre. Mas o rei espanhol não é Bush. Agindo como um pai que precisa impor limites ao filho, deu seu recado.
O presidente americano não é anjo e nem santo e acaba de ser eleito a pessoa mais fria de Hollywood em 2007, mas Chávez precisa se comportar como chefe de Estado se quiser ir adiante com seus planos de terceiro mandato.
Lula continua na defesa – até porque seu telhado é de vidro. Misturou água e óleo na mesma caneca ao dizer que ninguém se queixou de Margareth Thatcher, Felipe González, Miterrand ou Helmut Kohl – que também permaneceram muitos anos no poder. Como bem observou Arnaldo Jabor hoje na CBN, Lula tratou Chávez como democrata.
Quando não sai de zagueiro, Lula se omite. No caso da nacionalização do gás e do petróleo na Bolívia preferiu dizer que o problema era dos bolivianos e não ia meter sua colher na briga.
Que estranho fascínio é esse que Chávez e Evo Morales exercem sobre Lula? Saudades da época em que era um “revolucionário”, comandava greves no ABC e era contra o regime vigente. Admira figuras como as dos dois presidentes latino-americanos porque sente falta de um pouco de esquerda em sua vida.
A questão é que a cada dia que passa, mais ele se distancia física e “intelectualmente” de suas raízes.

tatinha13    13:53 — Arquivado em: Sem categoria


14.11.07

MOVIDA PELO ESPÍRITO DA ÁFRICA

 Difícil passar incólume por Paris Hilton. Primeiro pelo nome. Pergunta 1: o que esperar de uma pessoa chamada Paris? Exatamente o mesmo que o assunto que ela sugere nas colunas sociais: nada – exceto alguns escândalos e outras frivolidades. Pergunta 2: o que esperar de uma pessoa que ficou famosa depois que um vídeo em que fazia sexo com um namorado vazou na Internet?
Dia desses, vendo um programa no estilo “por trás da fama”, jornalistas americanos e ingleses que cobrem esta área ingrata analisavam o fenômeno Paris. Apesar de nunca ter produzido nada que mereça destaque, Paris é uma celebridade. Simplesmente porque é Paris – e não por ser herdeira de uma rede de hotéis ou por ter a cara da Barbie.
Paris vende. O público que segue de perto os passos das celebridades quer saber que lugares Paris freqüenta, com quem namora – milionários gregos que invariavelmente dão umas pancadas nela –, que roupas usa, onde passa suas férias e, se bobear, quantas vezes vai ao banheiro por dia. Não querem saber o que Paris pensa.
Após participar do programa “The Simple Life” – que ganhou uma versão bem pobrinha por aqui com duas jecas que conseguem ser ainda piores que a original –, Paris ganhou a mídia e começou a atirar para todos os lados.
De saída, atuou em dois filmes (“Nove Vidas” e “Casa de Cera”). Também lançou CD e, surpreendentemente, sua primeira música de trabalho foi uma das mais tocadas nas pistas de dança dos Estados Unidos e ficou em primeiro lugar no U.S. Billboard Hot Dance Singles Sales.
Os especialistas na vida de Paris concluem ainda que apesar de toda a grana da família, ela está fazendo seu dinheiro render – mesmo sem querer, já que seu objetivo sempre foi ser famosa. Talvez por isso seja bem-sucedida em seus negócios.
Paris também já foi presa por dirigir sem habilitação e se envolve em campanhas absurdas – como a que suscitou este comentário hoje. Atualmente ela presta sua solidariedade aos elefantes bêbados na Índia.
Os animais, que ficam alcoolizados por causa dos estoques de cerveja de arroz nas fazendas, têm morrido eletrocutados. Paris diz: “Está ficando realmente perigoso. Precisamos parar de disponibilizar álcool para eles”. Será que ela acha que os indianos estão embebedando os elefantes de propósito? Pobre Paris.
Paris por Paris, continuo sendo mais a cidade.

tatinha13    14:10 — Arquivado em: Sem categoria


13.11.07

PELOS PODERES DE GREYSKULL

 A notícia mais fofa dos últimos tempos aconteceu na sexta-feira passada. Riquelme Wesley dos Santos, que mora na cidade de Palmeira, em Santa Catarina, salvou de um incêndio um bebê de 1 ano e 10 meses. Até aí, mais um fato curioso, mas não tão fofo.
O que torna o caso gracioso é que Riquelme tem 5 anos e estava vestido de Homem-Aranha! Se o sonho dele era se tornar um super-herói de verdade, conseguiu. E de forma brilhante. Só faltava uma boa oportunidade.
A atitude do garoto realiza o desejo de vários que já são marmanjos hoje. Qual o menino que nunca quis ser um super-herói? Meu irmão, por exemplo, achou que fosse o Super-Homem durante algumas semanas. Com uma capa confeccionada pela minha mãe, chegava à escola “voando”. O vôo era um momento só dele, mas um de meus primos quase passa às vias de fato. Mesmo sem estar fantasiado, sempre que se aproximava da janela da casa de minha avó, questionava o fato de o homem voar. Ficávamos atentos todas as vezes em que ele estava na janela.
Imaginem a alegria de Riquelme ao voltar para a escola no dia seguinte após ter aparecido em tudo que é jornal. Os outros garotos devem achar que estão diante de um genuíno Homem-Aranha.
Avaliando o caso com uma cabeça materna, entretanto, não chega a ser tão heróico assim. É provável que a mãe de Riquelme tenha ficado bem apreensiva. Desta vez o final foi feliz, mas o menino pode começar a testar os poderes de outros super-heróis e sair por aí tentando voar, escalar paredes ou achar que é invisível – dizem os psicólogos que é normal uma criança ter amigos imaginários, mas agir como se fosse invisível é outra história.
Entre salvos e feridos, encontro uma reportagem nonsense sobre um cientista italiano da Politécnica de Turim que fez um estudo sobre a roupa do herói da Marvel. Segundo ele, dentro de alguns anos os fãs do Homem-Aranha poderão ter uma roupa igual à dele, que permita escalar prédios e ficar suspenso no teto. Como vêem, alguns ainda lutam para superar Riquelme…

P.S.: hoje, excepcionalmente, não será exibida a matéria de cidades exóticas. Teremos um programa pré-gravado. Na quinta ou sexta-feira, assistam à reportagem feita em Sossego (PB). 

tatinha13    14:09 — Arquivado em: Sem categoria


12.11.07

MAMONA ASSASSINA

 Ainda estou à procura de uma boa explicação para a relação de Lula com os combustíveis. A fixação de nosso presidente pelo assunto indica que ele teve algum problema com combustíveis na infância.
Não sei muito bem especificar o que veio primeiro: o etanol ou o gás, mas já sabemos
que a menina dos olhos de Lula no momento é o petróleo. Está satisfeitíssimo com a descoberta de uma grande reserva na Bacia de Santos. Já diz que o Brasil entrará para a Opep e fica estufado quando dizem que ele é o “xeque” ou o “magnata” do petróleo.
Antes disso se apaixonou pelo etanol. Fez diversas viagens para exaltar a capacidade produtiva do Brasil, o segundo maior produtor mundial. Quase intoxicou o governador do Paraná, Roberto Requião, com sementes de mamona. Na Jamaica, fez propaganda da cachaça brasileira ao dizer que quando o mundo prová-la, o uísque vai perder mercado. Enfim, falou, falou, falou dos biocombustíveis. Até cansar.
E o gás? Nem com a nacionalização do gás e do petróleo na Bolívia Lula se mostrou indignado. O que gostava de dizer, até para não comprar briga com o vizinho, era que o Brasil ia ser autosuficiente na produção de gás. A palavra “gasoduto” dançou para lá e para cá nas manchetes por algum tempo.
Com a descoberta do campo petrolífero de Tupi, o assunto voltou à tona. Agora sim ele pode dizer com a boca cheia que seremos sim independentes na produção do combustível.
Entretanto, o problema com outro tipo de álcool ainda não está superado. Disse que a última vez que tomou um porre foi em 1974, mas mesmo assim fica ofendido e quer expulsar do país jornalista que ousa dizer que ele gosta de uns golinhos.
Ele tem ou não uma obsessão pelo tema? Como surgiu o interesse de Lula pelo assunto? O carro do pai dele ficou na estrada e alguém passou rindo e gritando “pois é!”? A mãe guardava querosene numa garrafa de refrigerante e o pequeno Lula virou o líquido pensando que era Guaraná? Façam suas apostas.

tatinha13    9:04 — Arquivado em: Sem categoria


11.11.07

O FUTURO A DEUS PERTENCE

 Assim como existem pessoas que nascem com o bumbum para a Lua, há quem chegue ao mundo com apenas uma finalidade: sofrer. Não que sejam destinadas ao fracasso, mas à infelicidade. Nada dá certo. Nunca. É o que consigo depreender após assistir à cinebiografia da cantora francesa Edith Piaf, “Piaf – Um Hino ao Amor”.
Ela nasceu em Paris e foi abandonada pela mãe – uma cantora de rua alcoólatra – por volta dos 4, 5 anos de idade. É encaminhada pelo pai – contorcionista de circo – ao prostíbulo comandado por sua avó. Entre moças de reputação tida como duvidosa a cantora passa alguns anos de sua infância. Os melhores – como se conclui ao fim do filme.
Durante este período fica cega por quatro anos e recebe todas as atenções do grupo de tutoras. Após recuperar-se da cegueira, é levada pelo pai, que decide viajar com o circo. Na confusão é arrancada dos braços de uma das prostitutas, Titine, a quem nunca mais encontra.
Apresentando-se na rua com ele, Piaf começa a cantar. Cresce, arranja uma amiga-irmã que a acompanhará pelo resto da vida, e inicia sua carreira como cantora de rua. Vive de uns míseros trocados até ser descoberta por um empresário da noite – Gerard Depardieu –, que lhe dá o codinome Piaf (pardal).
Quando nos preparamos para assistir ao sucesso da cantora, tudo desanda. O dono de cabarés é encontrado morto e ela é acusada de cúmplice dos assassinos. Quase vai presa.
No meio de tudo isso Piaf é mostrada com sua vida desregrada de bebedeiras e suas paixões. A maior delas foi um lutador de boxe casado, Marcel Cerdan, que morre na queda de um avião. Muitos anos antes de conhecer o pugilista a cantora teve uma filha, que faleceu de meningite na infância. Piaf também sofreu um acidente de carro que matou o namorado que estava ao volante e a deixou no hospital toda quebrada por alguns meses.
Após a morte de Cerdan ela dá uma pirada – mesmo se casando novamente. A debilidade física que apresentava desde pequena só se agrava e ela recorre à morfina. Acaba por adquir mais um vício.
Apesar da vida de perdas em série, Piaf é retratada como uma mulher bem-humorada e viva. O olhar, que já é perspicaz, ganha mais enlevo graças às sobrancelhas desenhadas a lápis. Era pequena, curvada, varapau e com um raciocínio rápido. Simples entender por que Bibi Ferreira fez sucesso ao interpretá-la. A semelhança física entre as duas é um caso para a Ciência.
A atriz Marion Cotillard, que dá vida à Piaf, é simplesmente genial. Não sou contemporânea da cantora (até porque ela morreu aos 47 anos), mas pelas fotos e vídeos que localizei no You Tube, Marion está perfeita. Se indicada, já tem meu voto ao Oscar de melhor atriz.
Uma das cenas mais lindas é quando, tricotando na praia, já muito doente, Piaf recebe uma jornalista americana para uma entrevista pingue-pongue – aquelas do tipo “cor preferida?”, “um prato?”. Após algumas questões como essas, a repórter indaga: “Se fosse dar um conselho a uma mulher, qual seria?” Piaf responde: “Ame”. “E a uma jovem?” – “Ame”. “E a uma garota?” – “Ame”.
É chover no molhado dizer que ao final da sessão está uma choradeira coletiva? Principalmente pela música de encerramento, "Non, Je Ne Regrette Rien". Em certo trecho ela canta: "Não, eu não lamento nada. Nem o bem que me fizeram, nem o mal. Isso tudo me é igual. Não, nada de nada… Não, eu não lamento nada. Está pago, varrido, esquecido. Não me importa o passado".

tatinha13    16:55 — Arquivado em: Sem categoria


10.11.07

MEU AMIGO BACO

 Além da visita a Muitos Capões para a série de cidades com nomes exóticos, minha viagem ao Rio Grande do Sul esta semana tinha mais um objetivo: conhecer o Hotel e Spa do Vinho, em Bento Gonçalves.
Aberto há quatro meses, o local ainda está com aquele cheirinho de novo e chega para saciar a novíssima sede do brasileiro pelo vinho. Com um olho neste modismo e dinheiro no bolso, os empreendedores fizeram um investimento arriscado de milhões e milhões de dólares em meio ao Vale dos Vinhedos, bem em frente à vinícola Miolo. Coisa de (e para) gente grande. Além do Brasil, mais cinco países têm spa do grupo: Itália, Estados Unidos, França, Espanha e Taiwan.
Quando se ouve falar do lugar, a maioria das pessoas, inclusive eu, já desenha na cabeça a imagem de um ofurô cheio de vinho tinto com umas pétalas de rosas boiando. Entrevistei um senhor que se hospedou com a idéia de ter seus dias de Asterix.
Mas este “ofurô- sonho de bêbado” que está no nosso inconsciente coletivo não existe na vida real. Coisa de matéria de beleza das revistas femininas. Um mergulho numa tina de vinho só é indicado se você quiser ficar com a pela ressecada. Todos os 30 tratamentos oferecidos no spa usam produtos feitos à base do que sobra da uva após o processo de fabricação do vinho. Dizem que é justamente na casca, nas sementes, no talo e em tudo o que foi inutilizado é que estão os polifenóis – substâncias que retardam o envelhecimento de nossas células.
Acreditar ou não no poder rejuvenescedor dos tais polifenóis, entretanto, não é o suficiente. Quem quiser se hospedar no hotel spa precisa de mais um pequeno detalhe: dinheiro. As diárias ficam entre R$ 450 e R$ 1.500.
Por estas módicas quantias o cliente tem direito a hospedagem e a tratamentos como massagens, esfoliações, hidratações, banhos relaxantes e até usar uma sauna meio psicodélica. Apesar do nome, o objetivo não é o emagrecimento, mas sim a desintoxicação do hóspede.
Quem fica com dor no pescoço toda vez que dorme fora de casa tem a opção de fazer um test-drive de travesseiros. O “Menu de Travesseiros” tem cinco tipos de enchimento, um deles é o de penas de papo de ganso.
No próximo ano já deve ser possível avaliar se foi um tiro n’água ou uma tacada certeira. Como tudo tem seu preço, pode ser que há gente disposta a usar seu Mastercard e ainda dizer: “Ficar hospedado no Spa do Vinho: não tem preço”.

Vejam fotos do hotel AQUI

tatinha13    19:19 — Arquivado em: Sem categoria


7.11.07

BELEZA INTERIOR

 Tudo o que é estranho exerce um certo fascínio sobre nós. Só na ficção há inúmeras personagens que fazem sucesso simplesmente por serem feias, fanhas ou terem algum defeito físico que sirva como mote para piadas. Os anões que o digam.
Nem vamos falar da vida real. Bastam a língua venenosa de nossos colegas e a crueldade das crianças, que tiram o sarro de gordinhos, orelhudos, dentuços ou dos que têm língua presa.
A esposa feiosa de Nazareno – personagem de Chico Anysio nos anos 80 – e mais recentemente, a colombiana Betty (A Feia) e Pedro (o Escamoso) fazem a alegria de milhões de pessoas mundo afora.
Uma série de muito sucesso nos Estados Unidos vai começar a ser exibida aqui no Brasil pelo canal Sony. O nome? “Ugly Betty”. Homônima da mexicana, não é muito difícil adivinhar para onde vai a história. Será que uma mulher feia sofre o tempo inteiro porque é apaixonada pelo bonitão e, no fim, após um banho e tosa, vira a rainha da cocada?
Já que o desemprego por aqui só cresce, uma boa pedida é aproveitar que os roteiristas em Nova York e Los Angeles estão em greve e nos mandarmos para lá. Nossa tradição na área de novelas já pode constar no currículo.
“Ugly Betty” estreou nos Estados Unidos em 2006, já está na segunda temporada e recebeu três prêmios Emmy e dois Globos de Ouro. Se o tema já é intrigante para nós, leigos, imaginem a festa que é para psiquiatras e psicólogos… Fica aí mais um enigma para ser decifrado.

P.S.: amanhã estarei em Muitos Capões (RS). A coluna volta no sábado. Até!

tatinha13    15:00 — Arquivado em: Sem categoria
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