28.12.07

Rio e São Paulo são cidades-irmãs. Ambas têm o espírito da metrópole que não pode parar - de corre-corre e trânsito - e que se assemelham no pior dos males: o da violência urbana.
Apesar de um bairrismo aqui e ali, as duas maiores cidades do país são, no fundo, gêmeas. Não siamesas, mas fraternas. Têm o mesmo fator sanguíneo, mas não são tão semelhantes assim.
Além da evidente discrepância na paisagem, no sotaque e em alguns aspectos do estilo de vida, há diferenças mais sutis. Enquanto em São Paulo os motoboys fazem de tudo (tudo mesmo) para agilizar as entregas, no Rio as encomendas ainda são distribuídas de bicicleta. Há as pragas motorizadas, mas bares, supermercados e pequenos estabelecimentos economizam e ainda por cima zelam pela boa forma física dos funcionários responsáveis pelo delivery utilizando duas rodas mais silenciosas.
No Rio ainda se mantém o antigo costume daquela espécie de comércio que já foi chamada de armazém. Há inúmeras mercearias onde se pode encontrar de alcatra a Havaianas. Isso porque os hipermercados não estão localizados no centro ou em bairros chiques, mas onde o povo está.
Os cariocas são ainda os brasileiros que menos precisam se preocupar no caso de um exagero durante a ceia natalina. Há mais drogarias e farmácias do que qualquer outro lugar do país. Drogasmil, Descontão, Max e a maior delas: Pacheco. Além de prestar auxílio aos enfermos e/ou desesperados, elas vendem de tudo. Se bobear, ao lado de esmaltes e acetona, é possível achar um corte de alcatra.
Não sei se por educação ou falta de muros, mas o fato é que o Rio tem pouquíssimas pixações. No máximo grafites em algumas pontes ou pilastras de viadutos.
Na área gastronômica, os paulistanos amam pastel com caldo de cana ou o tradicional sanduíche de mortadela do Mercado Municipal. Já os cariocas gostam de algo não tão apropriado para uma cidade cujas temperaturas não são sopa: caldinho de feijão.
Assim como as drogarias, as casas de empada proliferam no Rio. Há tantos "reis da empada" que sobra pouco espaço para as "rainhas da cocada". Estas reinam só no Carnaval.
Como disse outro dia, tenho minhas dúvidas sobre se o Carnaval é o maior espetáculo da Terra, mas uma coisa posso afirmar: os quadros formados pela Lagoa Rodrigo de Freitas e o Cristo Redentor ou o da Baía de Guanabara e o Morro da Urca são um espetáculo. Não sei se uma das sete do mundo - isto é assunto para um outro post - mas uma maravilha.
P.S.: estarei ausente nos próximos dias. Retorno dia 02 com a coluna. Aproveito para desejar a todos vocês um ótimo 2008, com muita sorte e paciência. Beijos!
22.12.07

Não sei que fim levaram as obras do Masp, quem é o culpado pelo aquecimento global ou se o bispo Luiz Flavio Cappio fez certo ao suspender a greve de fome. A única coisa de que tenho certeza é de que estamos vivendo a era das bad girls.
Bad boys já tivemos vários e em todas as épocas: James Dean, Kurt Cobain, George Harrison e até o nosso Alexandre Frota.
Pois já perdi a conta das bad girls do momento. Courtney Love, viúva de Cobain, foi a pioneira, mas a atual, Amy Winehouse, deixa qualquer uma no chinelo. Voz incrível, repertório idem, mas não sei se ela vai presenciar o derretimento das calotas polares. Amy é Ryan Gracie de saias.
Diariamente são publicadas novidades sobre as estripulias da cantora. Fotos em que ela aparece com o nariz entupido de cocaína ou num estado de quase anorexia, notícias de que ela vaga pela noite de sutiã e calça jeans, de que está sem um dente por causa de uma briga numa boate, de que o marido está preso pela décima vez ou de que a mãe dela está pedindo ajuda a Deus e ao mundo. Amy está vivendo sua vida louca intensamente. A canção que a tornou conhecida, aliás, trata justamente do assunto, “Rehab” - “Reabilitação”.
Britney Spears também está longe de ser uma Sandy. Chegou ao topo das paradas musicais em todo o globo, mostrou sua barriga delineada à custa de milhões de abdominais diárias, casou, descasou, casou de novo, descasou de novo, teve filhos, pirou, foi internada, apareceu no MTV Awards fora de forma e de compasso e agora está no clipe “Gimme More” dando sua contribuição para a divulgação da dança preferida dos brasileiros atualmente: a pole dance - ou a dança do poste. A irmã dela, que não tem nem 18 anos, trilha o mesmo caminho. Acaba de ficar grávida.
A irmã de Britney deve dar à luz junto com outra bad girl: Lilly Allen. A cantora, que já acorda bêbada, está esperando um filho de um dos músicos do Chemical Brothers. Recentemente Lilly decepcionou quem a aguardava num show no sul do Brasil. Estava tão travada que um playback teria sido a melhor opção.
A atriz Lindsay Lohan é outra que vai se estragando como pode. Já esteve internada várias vezes para se desintoxicar do vício em álcool e drogas e quase todo mês é presa por dirigir embriagada ou por porte de entorpecentes.
Perto destes seres tão angelicais, Paris Hilton é uma mera patricinha.
P.S 1.: Gente, ontem não teve post porque a página de edição de blog estava fora do ar - e não porque enfiei o pé na jaca
P.S.: Nos próximos três dias estarei offline. Aproveito para desejar a todos vocês um ótimo Natal e muitas felicidades. Nos falamos antes de 2008. Confiram a última matéria da série de cidades exóticas, em Ferros (MG). Beijos!

Cansada de ouvir que o blog de Carolina Dieckman é, dentre o das celebridades, o mais acessado, resolvi conferir. O resultado é que acabei navegando por blogs e sites de outros “famosos” e concluí que o dela está no topo da lista porque é um dos pouquísimos atualizados diariamente.
Alguns deles, como o da apresentadora Eliana no UOL, estão velhíssimos. Este ainda trata do programa dela no SBT. Quantas décadas tem isso? No mais, foi um passeio bem divertido.
O da ex-BBB Irisleine Stefanelli, no IG, impressiona pela quantidade de comentários gerados em cada post, mais de 3 mil. Nem todos elogiosos. Íris escreve: “Li também algumas mensagens que não foram muito legais comigo. A estes quero dizer que sou apenas uma menina que está tentando aprender uma nova profissão, que trabalha honestamente e vive a vida de forma digna e honrada, sem jamais ter a intenção de prejudicar alguém”.
No site de Alexandre Frota, no UOL, susto para quem estiver com os alto-falantes ligados. A voz dele aparece num incrível carioquês: “oi, eu sou o Alexandre Frota, carioca, rubro-negro e amante da juventude e do esporte”. Na parte “carreira”, preciosidades como: “Responsável pelo sucesso de Casa dos Artistas 1, onde ficou 58 dias”. Quanta modéstia. “Atualmente trabalha como ator da Praça é Nossa no quadro Batman e Robin, sendo ele o Robin”. Podia passar sem esse mico. Pelo que sei ele está na Record.
O blog do ator e diretor teatral Gerald Thomas, no UOL, é mais uma comprovação de que o cara é mesmo chato. “Pois é. Última coluna do ano. O humor esta péssimo. Digo, eu estou de péssimo humor. É que antes de escrever a coluna, recebi uma notícia péssima. Aliás, as notícias têm sido péssimas. Então serei curto, mas não grosso, isso jamais: desejo aos leitores um ótimo final de ano e um Feliz 2008 (se bem que não acredito em felicidade, isso é papo pra vender um deus qualquer ou uma mercadoria qualquer, além do mais, dessa vez a minha crença no ser humano foi pro beleléu mesmo!). Mas seja lá o que eu escrevi na frase anterior, esse é um problema meu e somente meu”.
Uma missão para os que entrarem no blog do cantor Oswaldo Montenegro, na Globo.com. Tentem contar quantas vezes ele escreve a palavra “colega”. O desafio está lançado.
Mas nenhum deles se compara ao blog de Carla Perez, no UOL. Um pop-up dá as boas-vindas: “Bem-vindo ao meu blog, Jesus te ama”. Na lista de ping-pong: Vícios: drenagem linfática e dormir. Leitura preferida: livros.
Pelo menos ela tirou o clássico “Hobby: azul”.
21.12.07

O que mais chama a atenção no caso dos quadros roubados no Masp não é a rapidez dos ladrões – que levaram menos de cinco minutos para realizar a ação –, mas a displicência do museu. Se as obras são tão valiosas, o local deveria contar com um esquema de segurança mais eficiente.
Além de as obras não terem seguro, eram vigiadas por quatro seguranças desarmados e estavam em salas que não contavam sequer com sensores. Havia, praticamente, uma faixa na frente do museu com os dizeres “me assaltem que eu tô facinho”.
Furtos de obras de arte acontecem em todo o mundo e com bastante frequência, mas em qualquer outro lugar elas teriam, no mínimo, seguro. Seria aceitável dispensar uma equipe de seguranças ou reforçar a vigilância através de câmeras com infravermelhos – que tornam as imagens mais nítidas – desde que os quadros estivessem segurados. Demorou… Este é o primeiro roubo do museu em 60 anos.
Mais dia, menos dia os quadros serão encontrados, bem como os ladrões. Vamos descobrir que eles agiram em nome de algum marchand latino-americano que já tinha compradores franceses para as obras.
Apesar do valor dos trabalhos – "O Lavrador de Café" está avaliado em até R$ 90 milhões e "Retrato de Suzanne Bloch" em R$ 10 milhões – e da indiscutível genialidade de seus autores, sou uma débil na área artística. Falta-me background para entender a representatividade e o valor de cada criação.
No quadro "Retrato de Suzanne Bloch", de Picasso, a retratada tem um olhar tão estranho que parece outra Suzane, a Richthofen. “O Lavrador de Café” lembra aqueles quadros de restaurante mineiro chique- rústico.
Estou ciente de que cometo um sacrilégio ao descrever tão porcamente trabalhos de mestres da pintura, mas é inevitável para uma ignorante como eu. Por isso compreendo quando visito uma exposição e ouço um comentário como “ah, isso eu também fazia”. Não chego a este ponto, mas entendo a lógica binária do observador.
Temos uma certa tendência a sermos solidários nas tragédias e nas ignorâncias. Acho que é pelo mesmo motivo que o povo compreende Lula tão bem.
20.12.07

O aquecimento global agora é alvo de discórdia entre cientistas. A maioria afirma que o problema está sendo causado pelo Homem, mas há algumas vozes roucas que garantem que este é apenas um processo natural da Terra. Se até os estudiosos estão em conflito, o que dizer de nós, que somos comunicados de certas efemérides pela mídia? Como já escrevi neste blog, de vez em quando somos agraciados com conselhos do tipo “compre acerola”, “coma bastante soja” ou “invista seu dinheiro na Bolsa” – há até um comercial ótimo que mostra bem isso.
Em muitos casos nossa ignorância não nos permite questionar a veracidade da informação. Engolimos tudo sem digerir e bola para frente. Essa do aquecimento é uma. Dizem até que os gases repugnantes que nós e as vacas exalamos podem acabar com a camada de ozônio. Meu lado cientista fica maluco com informações como esta. Poderia algo que circula em nosso organismo ter este nível de periculosidade? Ser mais nocivo que a chuva ácida? Destruir algo tão perfeito, projetado por Deus? O Todo-Poderoso cometeria um erro tão primário, capaz de desregular a harmonia que ele criou e quer manter entre os três reinos?
Ainda se tivéssemos algo em que nos apoiar, sei lá, uma foto do rombo na epiderme terrestre, um depoimento de um ET, o testemunho de um anjo sobre o inferno que está lá em cima, enfim, uma prova…
Ao mesmo tempo em que me questiono sobre este tipo de notícia, consigo enxergar aí uma ponta de verdade, afinal, o ser humano é capaz de tanta monstruosidade que um simples gás pode não ser apenas um gás.
Psiquiatras e padres estupram garotinhos, meninas são presas na mesma cela em que trocentos marginais, mães abandonam bebês em lagos e banheiros públicos, políticos desviam fortunas enquanto milhares passam necessidades, traficantes queimam jornalistas ou atiram até em Papai Noel.
Todos os acontecimentos acima foram divulgados pela mídia e nem precisaríamos de imagens e depoimentos que os comprovassem. Sabemos – até instintivamente – que o ser humano é capaz de muito mais.
Deus cometeu um ato falho? As mazelas que assistimos são resultado de um desgaste natural do Homem? Meu lado cientista está completamente maluco.
P.S.: assistam hoje, no “Programa do Jô”, a matéria de Feliz Natal (MT) e Xuxa
19.12.07

Há dias em que nos sentimos mais pesados que o normal. Às vezes até sem motivo aparente. Uma singela vontade de não fazer nada. É um não-cansaço e um não-saco cheio. É um vazio pesado.
Há um único plano para dias assim: ficar na cama até mais tarde. A idéia não é dormir até o meio-dia, mas permanecer no leito. Ficar ali de boa, descansando de um cansaço sem fim, olhando para o teto, observando detalhes que nos são absolutamente novos, como minúsculas rachaduras nas paredes, uma formiguinha, um pernilongo, um fio de cabelo no lençol, um tic-tac de relógio, a respiração.
Pensar coisa nenhuma. Ou o tudo. Um pensamento branco, eu diria. Uma mistura de tudo que acaba sendo o nada. Pensar cansa. Às vezes só queremos paz.
Fazer planos que rapidamente são esquecidos graças ao espasmo de um cochilo que surge de repente, nos tira deste estado mental já quase inconsciente e que em poucos segundos nos faz despertar desta amostra grátis de sono. Acordamos sem noção de lugar ou em que parte do dormir nos encontramos. Meio da noite, dia, minutos após o recolhimento?
Depois deste despertar genuinamente orgânico voltamos a traçar o calendário do dia. Ou da nossa vida. Neste calendário acrescentamos muitos feriados e finais de semana. Mais tempo para este pensar improdutivo e necessário a qualquer ser humano. Primodial para realizarmos pensamentos e vontades pelo menos enquanto o próximo susto gerado por um piscar de olhos não nos invade novamente.
Entre um repouso e outro as horas passam, os sonhos mudam de forma e de tamanho, o pernilongo que parecia acomodado no teto resolve dar seus rasantes, o tic-tac do relógio perde seu caráter de embalar nosso sono e dá lugar à neurose. Surgem os pesadelos. Não os que nos aparecem com os olhos fechados, mas os piores. Os que estão ali, bem diante de nós. Hora de fechar os olhos e torcer para um sono bem profundo. Ou sair da cama. E com o pé direito.
18.12.07
Vamos continuar na área médica hoje. A queda de Tarso Genro – por enquanto só física – coincidiu com uma notícia que vi hoje na Internet. A nova moda das meninas em Tóquio é andar com curativos pelo corpo. Dizem que é para chamar a atenção dos garotos. A novidade tem até nome: “kegadoru” (garotas machucadas).
Os japoneses são seres realmente intrigantes. Tudo o que vem de lá comprova que eles vivem literalmente em outro mundo. Além das invenções tecnológicas que só eles são capazes, lançam modas que soam estranhas para nós, ocidentais.
O fascínio que eles têm por tudo que é fashion é um caso de estudo. As japonesas gastam tanto dinheiro com roupas e acessórios que muitas vezes não têm lugar para guardarem seus mimos em casa. Alugam armários em estações do metrô ou onde mais possam abrigar parte do guarda-roupa.
Cabelos multicoloridos, botas e outros sapatos com plataformas que causam inveja até aos navios de petróleo e agora essa de andar com curativos. Vai entender…
Não sei se eu me adequaria à essa moda múmia, mas uma coisa é certa: Michael Jackson já aderiu. Foi visto ontem fazendo compras em uma livraria em Las Vegas com seus três filhos coberto de ataduras no rosto.
A pergunta que fica é: será que ele fez mais um tratamento para ficar branco ou virou um garoto machucado para atrair a atenção dos meninos?
P.S.: assistam hoje, no “Programa do Jô”, a matéria feita em Lajes Pintadas (RN)

17.12.07

O governo está mal das pernas. Em todos os sentidos. Além de Lula ter de engolir a não aprovação da CPMF, mais um episódio abalou as estruturas petistas. No caso, do Ministro da Justiça, que desmaiou ontem em La Paz, na Bolívia.
Enquanto Evo Morales fazia seu discurso, Tarso Genro caiu de maduro (tanto quanto o governo do qual faz parte. Maduro ou podre?). Tarso foi atendido no local. Recebeu massagem cardíaca e máscara de ar comprimido e foi levado para o hospital.
La Paz fica a mais de 3 mil metros de altitude e faz seus visitantes sentirem tonturas e outras alucinações. Os índios da região chamam essa sensação de “sorojchi”. E, por incrível que pareça, se tratam mascando folhas de coca.
Ryan Gracie não estava em La Paz, mas também andou se tratando com coca. Não a caseira, in natura, em forma de folha, mas a branquinha, a 51. Preparou um coquetel à base de cocaína, maconha, crack, rabinho de rato, veneno de sapo, asinha de morcego e tudo mais que possam imaginar. E quem a família está culpando pela morte do lutador? O médico!
Acusar o profissional pelo falecimento de Ryan é tão absurdo quanto dizer que o governo não vai inventar outras maneiras de cobrir o rombo de bilhões que não vai mais arrecadar através da CPMF.
O governo está mal das pernas, não da cabeça…
16.12.07
O SBT é o canal que tem a programação mais divertida da TV aberta. À parte os enlatados trash-cult como “Chaves”, a melhor pedida são as cópias de programas que o Sílvio assiste em Miami – ou nas feiras de TV mundo afora – e traz para cá.
Já gargalhei muito com a “Casa dos Artistas”. Os dramas das “celebridades” me faziam ficar grudada à TV durante os meses que durava a atração. Além das ótimas intervenções do “patrão” nos dias em que havia uma eliminação, eu me divertia vendo a Mari Alexandre chorando na cama olhando para a foto do namorado pagodeiro. Ou com o Alexandre Frota conversando com um melão e se achando super genial com a idéia – Frota, aliás, ficou tão conhecido com a “Casa” que foi convidado para participar de programa semelhante em Portugal e foi o vencedor.
A minha dose trash do domingo é o “Você É Mais Esperto que um Aluno da 5ª Série?”. Não é sempre que consigo identificar quando Sílvio não sabe algo ou está se fazendo de tolo, mas ele consegue irritar até uma criança de 11, 12 anos com observações ou perguntas cretinas.
Um dos que mais sofrem com as provocações do “patrão” é um aluno japonês. Um sem-número de vezes já vi o garoto tendo de engolir frases como “abre o olho, fulano”. O mais interessante é que Sílvio se diverte com suas maldades. O seu momento de maior êxtase é quando o participante erra uma das questões. Antes de sair, Sílvio pede sorridentemente que a pessoa olhe para a câmera e diga “eu não sou mais esperto que um aluno da 5ª série”.
Até o comercial do programa é engraçado. Duas crianças muito malas – talvez as mais malas que já vi na TV até hoje – atendem a telefonemas de telespectadores que votam no aluno que consideram que será o vencedor. Entre caras e bocas, se despedem cantando a música-tema do programa.
Mal posso esperar janeiro para a estréia de "Nada Além da Verdade", também apresentado pelo “patrão”. Ele receberá famosos B para testes da verdade. A idéia não chega a ser nova – Gilberto Barros já faz isso – mas com Sílvio a diversão está garantida. Ele já gravou com Rita Cadillac, Alessandra Scatena, Jorge Kajuru, Mara Maravilha, Sérgio Mallandro e Gretchen. Alguma dúvida de que é ligar a TV e rolar de rir?
A curiosidade fica por conta de que na Colômbia o programa saiu do ar após uma entrevistada admitir que pagou para matarem o próprio marido.
O grau de sinceridade de nossas celebridades não vai chegar a tanto, afinal, já crescemos ouvindo e convivendo com tanta mentira que somos especialistas em fazermos cara de paisagem com a mais absurda das perguntas. Bem que Sílvio podia convidar Lula para a estréia. Ao vivo.

15.12.07

Em dois momentos nesta semana me deparei com o luxo. A primeira foi no programa “Saia Justa”. Um dos temas que as quatro discutiam era a diferença entre o preço e o valor das coisas – aliás, um bom assunto para um post. E Monica Walvogel perguntou o que era luxo para elas. Hoje, na seção de bazares do jornal, estava lá uma frase de Coco Chanel: "O luxo é uma necessidade que começa onde as outras terminam".
Para mim, falando em termos materiais, luxo é tudo o que é caro. Financeira ou emocionalmente. Não necessariamente supérfluo, mas algo que a gente sabe que não pode. Ou que não deveria.
Sai caro, mas a gente se dá ao luxo. Comprar um mimo que nem é tão necessário assim, mas “ai, eu preciso”. Ou “eu mereço”. É uma necessidade que só nós sabemos explicar.
Percebo também que quando me entrego a ele nem me arrependo depois – talvez por praticá-lo tão raramente e por ter muito claro na minha cabeça que não é algo para todos os dias. Não apenas no quesito compras. Comer algo bem engordativo ou que faz mal à saúde é outro ponto em que “luxamos” de vez em quando. O hambúrguer escorrendo molho tártaro com onion rigns vai sair muito caro, mas por que não dar-se ao luxo?
Há também um lado barato e “não-consciência pesada” da questão – que é o que eu mais gosto. É quando simplesmente nos damos ao luxo de fazermos algo legal num momento em que todos os outros não podem. Ir ao cinema numa segunda-feira à tarde é um luxo. Ficar quatro horas na academia fazendo todas as aulas disponíveis é um luxo. Poder ir num lugar a pé às seis da tarde enquanto todos estão parados no congestionamento é um luxo.
Tem mais um ponto aí: o que é luxo para um pode não ser para o outro. Depende do que se tem, do que já se teve ou de quão luxuosa é a vida do sujeito.
Mas existem luxos indiscutíveis e que não se podem comprar: família, saúde, boas amizades, inteligência, paz de espírito. São tantos… Alguns milionários dariam todo o seu luxo por um deles. Ou por todos.