31.1.08

GORDINHO SABICHÃO - PARTE 2

 Após uma separação forçada – e um livro de Fernanda Young no meio do caminho – me agarrei novamente com “Buda ou Desapego – Viagens pelo mundo em busca da verdade, do significado da felicidade e do homem que encontrou tudo isso”, do jornalista americano Perry Garfinkel.
Ao contrário do livro de Fernanda, o de Perry precisa ser lido lentamente, com tempo para eurecas e perguntas do tipo “como eu não pensei nisso antes?”.
Pode ser viagem minha, mas acabei enxergando em obras atuais – que achamos serem sacadas inéditas de seus compositores – ensinamentos, pensamentos ou frases budistas.
Na canção “Acima do Sol”, do Skank, há um trecho que diz: “(..) mas o caminho só existe quando você passa”.
Pois bem. Perry escolheu a seguinte frase de Siddhartha Gautama, vulgo Buda, para iniciar um dos capítulos: “Você não pode andar pelo caminho sem se transformar no próprio caminho”.
Qualquer semelhança é mera coincidência? Não sei se foi proposital, se Samuel Rosa tem formação budista ou tinha ouvido a frase em algum lugar antes, mas não há como não achá-las sósias.
Também encontrei um quê de budismo em “Meu Nome Não É Johnny”. No fim do filme Johnny recebe um cartão de Natal da juíza que o condenou com os dizeres: "O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos” – a afirmação não é do roteirista nem tampouco da juíza, mas de uma escritora belga chamada Marguerite Yourcenar.
Quando Johnny sai do manicômio para passar o Natal em família lembra-se do cartão. Pára na pedra do Arpoador e, de tão absorto em pensamentos, não percebe as horas passarem. Fica ali até o dia amanhecer.
De volta ao livro. O objetivo de Perry com sua pesquisa-viagem foi buscar uma explicação para a febre budista. A fim de entender a alta popularidade de uma filosofia que sequer era vista como religião, ele viajou a locais que Buda percorreu e que hoje se tornaram pontos de peregrinação.
Siddhartha Gautama disse para seus seguidores mais íntimos sobre quatro lugares que o homem deve visitar com sentimentos de reverência e admiração. O lugar em que ele nasceu, onde se tornou iluminado, onde deu sua primeira aula e onde morreu.
Estes pontos que atraem gente de tudo que é canto tiveram um significado para Buda – assim como a pedra do Arpoador para Johnny ou o canto da Bélgica que serviu de inspiração para Marguerite.
Todos nós temos este lugar de (re) nascimento. O meu não é exatamente um lugar, mas uma sensação. O cheiro de café de manhã me faz pensar não no início de mais um dia, mas no de uma nova chance.
Desta forma, esses peregrinos poderiam encontrar mais respostas se em vez de visitarem lugares sagrados para Buda fossem atrás de seu próprio templo. Ou estou falando besteira?
Encerro com mais uma frase ótima, cheia de verdade, citada no livro. “Para onde estamos realmente indo? Sempre para casa” (Novalis, um poeta alemão do século 18).
Fui.

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tatinha13    9:28 — Arquivado em: Sem categoria


30.1.08

TÔ NERVOSA. VOU PESCAR

 Não são necessários nem dois dias de chuva para o paulistano ficar ilhado. Bastam algumas horas para nos sentirmos como os 13 parlamentares que estão na Antártida desde sexta-feira de castigo.
São Pedro que me perdoe, mas ele errou o alvo. Os moradores da capital paulista não temos de aturar a fúria dos céus. Tem gente por aí precisando urgentemente de uma visitinha à Antártida – ou ao inferno – só com passagem de ida.
Por isso estou organizando uma lista de passageiros para um fretamento da Lusitana ainda com destino indefinido.
A ministra Matilde, da Igualdade Racial, já garantiu seu lugar. Minha vontade é usar uns bons palavrões para me referir a essa senhora, mas minha educação não permite.
Estou inconformada com os mimos que ela tem se dado usando o cartão de crédito do governo – cuja conta é paga por vocês sabem quem.
Alguém está lembrado de uma atriz dos anos 80 chamada Matilde Mastrangi? Pois vou chamar essa senhora ministra de Matilde Constrange.
Ela é a recordista nos gastos com o cartão em toda a Esplanada dos Ministérios. Torrou mais de R$ 170 mil com pagamentos de aluguel de carros, hospedagem em hotéis e resorts, padarias, bares, restaurantes de luxo e até em free shop.
Em março do ano passado eu já tinha sacado o naipe da Constrange quando ela disse que negro se insurgir contra branco não é racismo. Na saída ainda completou: “Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou”.
Patética essa Constrange. “Luta” pela igualdade racial, mas está se lixando para outros tipos de igualdade, como a econômica e a social.
Dilma Roussef já mandou investigá-la, bem como o Ministro da Pesca – que anda fisgando mais do que seu bolso pode.
A situação de Constrange é mais complicada do que a da turma do Mensalão. Ela não pode dizer que não sabia ou que só passou pelo free shop para comprar umas vodcas para o Lula ou uns cremes da “Victoria’s Secret” para o Zé Dirceu. Está tudo bem especificado na fatura, com datas e nomes dos estabelecimentos.
Outro que já está com lugar garantido no fretamento da Lusitana é o ministro da Imprudência (ops, Previdência), Luiz Marinho. Ele defende que invasores de terra que trabalham em áreas invadidas possam usar o tempo de atividade rural para se aposentar. E desde quando invasão de terra é “atividade rural”? Sem comentários.
Mais um com assento reservado: o deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli. Numa viagem pelo Paraná passou por três pedágios e não pagou nenhum. E o pior: ainda ensina como cometer a infração. “É simples. É só você chegar muito próximo do veículo da frente. Quando chega na cabine de pedágio, você arranca junto com o veículo da frente. A cancela tem um sensor eletrônico que vai impedir que a cancela baixe, e você passa com o veículo da frente sem nenhum problema".
Portanto, posso garantir aos meus passageiros que pelo menos pedágio esse fretamento da Lusitana não vai pagar. Sugestões de destinos para essa turma?

tatinha13    8:02 — Arquivado em: Sem categoria


29.1.08

LOBOS, OVELHAS E PATOS MANCOS

 Este ano temos eleições. No Brasil e nos Estados Unidos. As nossas, municipais. As deles, presidenciais. Por aqui o clima é de apatia, apesar de o pleito estar marcado para o início de outubro. Lá não há Carnaval. E o bicho está pegando.
O que me chamou a atenção para esse tema foi o apoio de dois Kennedy a um dos pré-candidatos dos Democratas, Barack Obama. Primeiro foi Caroline, única filha viva do presidente americano assassinado. Declarou que pela primeira vez crê ter encontrado o homem que possa ser o presidente, não só para ela como para toda uma geração de americanos. O outro Kennedy com simpatias por Obama é Ted, último irmão vivo do ex-presidente.
Posso estar bem longe de ser analista política, mas meu palpite é que a colher de chá dada por esses dois elimina não apenas a necessidade de primárias, como também define a eleição. Essa é de Obama e ninguém tasca.
A briga americana, por enquanto, é sobre quem será o representante de cada partido. São dez pré-candidatos – o que se tratando de um país tão grande como os Estados Unidos é nada. No Brasil temos muito mais do que isso em qualquer eleição para síndico.
Entre os Democratas, Hillary Clinton, John Edwards, Barack Obama e Mike Gravel. Os Republicanos têm de decidir entre Rudolf Giuliani (ex-prefeito de Nova York), Duncan Hunter, John McCain, Ron Paul, Mitt Romney e Mike Huckabee.
Pela lógica brasileira o candidato com maiores chances ao cargo seria o ex-prefeito da maior cidade do país. Rudolf Giuliani, portanto. Mas a lógica americana é americana e tudo está bem indefinido. Um vence num Estado, outro ganha no outro.
Os únicos dois nomes que me são familiares na disputa são os de Hillary Clinton e Rudy Giuliani – não tinha ouvido falar de Barack Obama até o início do ano passado. Por conta disso acabei me surpreendendo com os perfis dos presidenciáveis.
O mais inacreditável é John Edwards. Ex-senador, diz ser o candidato dos pobres, mas é meio que um Zé Dirceu: trabalha como consultor de um fundo de investimento que atende milionários e gasta os tubos com cortes de cabelo – um deles custou US$ 1.250, o equivalente a R$ 2.300.
Joguei no Youtube o nome dele e veio o que faltava para poder chamá-lo tranquilamente de almofadinha. Para não acabar com a surpresa, vejam com seus próprios olhos AQUI.
Em oposição a Edwards está John McCain, que passou por maus bocados durante a Guerra do Vietnã. Sobreviveu à queda de um avião num lago em Hanói, mas acabou preso e torturado. Ficou mais de cinco anos atrás das grades, sendo três deles na solitária. Tentou se suicidar duas vezes.
John McCain teve sorte, mas o abençoado é Barack Obama (Barack quer dizer “abençoado” em árabe). Sob a bênção dos Kennedy, o filho de um pastor de cabras africano tem tudo para esquecer de vez qualquer complexo de ovelha negra.

tatinha13    8:47 — Arquivado em: Sem categoria


28.1.08

ESPELHO, ESPELHO MEU

 Semana passada Zé Dirceu saiu da trincheira. Durante interrogatório no processo penal do Mensalão, ficou frente a frente com uma juíza e mais uma vez negou tudo. A exemplo do nosso Lula-Babá, disse que nunca ouviu falar de Mensalão e definiu a denúncia contra ele como “peça de ficção”.
O aparecimento do ex-deputado coincidiu com a publicação de seu perfil na revista “Piauí”. Para ler degustando cada uma das seis páginas.
A repórter Daniela Pinheiro o acompanhou nas viagens que ele fez a Lisboa, Madri e Santo Domingo. Depois de cassado, Zé abriu um escritório de consultoria – atualmente com 15 clientes – e sai do Brasil a cada 45 dias para atender bilionários como os mexicanos Carlos Slim e Ricardo Salinas.
A parte mais comentada da matéria – e que já foi publicada em alguns jornais – é a que descreve o ataque de um cidadão a Dirceu na churrascaria Prazeres da Carne, em São Paulo. O manifestante repousa calmamente a mão sobre o ombro do ex-deputado e fala: “Safado! Safado! Sa-fa-do!”. Zé não move um músculo do rosto.
Comportamento semelhante o ex-deputado enfrenta nas filas de embarque e saguões de aeroportos. Por isso, é sempre o último a entrar na aeronave – atitude que quase já o fez perder um vôo.
Bem ao seu estilo, Zé deixou escapar pouca coisa. Disse que Heloísa Helena realmente votou contra a cassação de Luís Estevão e que os motivos que a levaram a isso são “impublicáveis”. Sobra também para Garibaldi Alves. Diz que o senador é um “gaiato”. “Já trocou o guarda-roupa, deve estar arrumando os dentes, isso vai dar um trabalho danado” (sobre a candidatura de Garibaldi à presidência do Senado).
Zé critica a vaidade alheia mas parece se esquecer da própria. Nos tempos de movimento estudantil ele era chamado de “Alain Delon dos pobres”. E pelo jeito está fazendo de tudo para manter o apelido.
A repórter descreve o cuidado que ele tem com o corpo frequentando as academias dos hotéis onde se hospeda, as roupas que usa e os cuidados quase obssessivos com a pele. Ele diz que “morre sem um hidratante”. Há alguns anos usa um creme à base de placenta que traz toda vez que vem de Cuba.
Na quinta-feira passada, quando reapareceu, Zé tinha acabado de sair do hospital. Alguns dias antes havia feito implante de cabelo no Recife. Em mais de cinco horas de cirurgia teve exatos 6.710 fios retirados da nuca.
Mas foi o médico que o operou que involuntariamente passou a informação de que precisávamos para mapear a personalidade de Zé Dirceu. Disse que o ex-deputado expressou a vontade de corrigir uma cicatriz de 2,5 centímetros no couro cabeludo.
Com esse nível de vaidade imaginem o quanto Zé deve sofrer com as manifestações de pessoas nas churrascarias e nos aeroportos. Aqui se faz, aqui se paga.

tatinha13    9:33 — Arquivado em: Sem categoria


27.1.08

QUERIDO STING

 Duas dicas para quem não tem o que fazer ou está afim de uma abstraída do mundo real. O “Future me” e o “Bottle Mail”. Já ouviram falar?
O “Future Me” é um site em que o usuário escreve um email para ele mesmo e escolhe a data de envio para quando quiser – por enquanto há a opção até 2037. Após o registro, o autor define ainda se a mensagem será privada ou pública (mas anônima).
Percorrendo alguns destes emails públicos e anônimos encontrei mensagens curiosas, como: “O president é GW Bush e sua expressão preferida (e única?) é a guerra ao terror. Ela continua no Iraque, nem Bin Laden nem Saddam Hussein foram pegos. Você não anda direito, mas ainda pode andar e não está tomando nenhum remédio para esta pavorosa doença. A gasolina está a $ 1.95 o galão. O leite por volta de $ 3”. Escrita por alguém com 41 anos em setembro de 2003 e entregue no mesmo mês em 2005.
Há também recados mais curtos: “De que tamanho está seu cabelo agora, mulher?”.
O serviço é gratuito. É possível escrever para outra pessoa, desde que ela seja cadastrada.
Depois do Tamagotchi os japoneses vêm com esta: fazer renascer a mensagem na garrafa. Mas a virtual. E inventaram o “Bottle Mail”.
O criador, Yoshihito Nagai, é bem sincero. Diz que a idéia é para desocupados como ele que gostam de passar o tempo fazendo nada de frente para o mar.
Segundo ele, as pessoas muitas vezes não sabem o que querem. “Às vezes perambulando por uma livraria encontramos algo interessante. Quis fazer algo parecido”.
Funciona da seguinte forma: depois de fazerem o download por US$ 2,60, os usuários criam mensagens usando as ferramentas disponíveis. Enviam suas criações para o servidor que, a esmo, as manda para os assinantes do serviço. Então garrafinhas aparecem na tela de um receptor – inclusive com o barulhinho das ondas do mar.
Para fazer com que os assinantes realmente participem, existe até punição. Se a pessoa não desarrolhar suas garrafas a “praia” fica suja. “Nós precisamos cuidar para não poluirmos nossos oceanos reais também”, diz Nagai.
O programa foi lançado em junho de 2006 e desde então mais de 5 mil mensagens são enviadas por dia.
“Se você quer dizer alguma coisa totalmente inapropriada, deixe voar”, diz Nagai. Ou navegar, no caso.
Pelo jeito vale tudo. Será que até uma garrafada de catuaba com ovo?

Para quem se interessar: http://www.futureme.org e http://www.bottlemail.com

tatinha13    9:44 — Arquivado em: Sem categoria


26.1.08

BANDEIRA BRANCA

 Os vendedores e gerentes de livrarias devem me odiar. Eu sou daquele tipo de cliente que folheia várias revistas e não leva nenhuma. Para não dizer que saio de mãos abanando, às vezes levo uma Coquetel “Superdesafio Difícil”, companheira de todas as horas.
O fato é que gosto de dar uma sapeada nas novidades, porque “Veja” e “Época” lê-se em qualquer lugar.
Durante esta minha prática marginal encontrei imagens criativas e muito impactantes numa revista de design chamada “Zupi”. Trata-se de alguns trabalhos do artista plástico Yossi Lemel. Algo no estilo de Oliviero Toscani para a Benetton.
Fiquei intrigada para descobrir mais sobre o cara. Ele é israelense, nascido em Jerusalém, filho de um prisioneiro sobrevivente de Auschwitz e tem por volta dos 50 anos de idade.
Alguns dos trabalhos dele fazem parte da coleção permanente de importantes museus pelo mundo, como o Victoria and Albert Museum, de Londres, e o Museu de Arte Contemporânea da Carolina do Norte. Também já ganhou prêmios internacionais pelos seu polêmicos pôsteres. Atualmente é sócio de uma agência de publicidade, mas faz exposições periodicamente.
O trabalho que detonou meu interesse foi "Fronteira Israelense-Palestina", uma peça de carne costurada. Não chega a ser nojento, mas causa um estranhamento e prova que o interessante geralmente é simples. Uma boa idéia na cabeça faz com que objetos cotidianos se transformem em pérolas.
Numa entrevista o artista explica que é mesmo uma obra para causar desconforto nos espectadores. Para realizá-la, foi até um açougue, comprou dois pedaços de carne e pediu para costurarem os dois nacos com uma corda. O objetivo era mostrar que as culturas árabe e judaica são muito parecidas, partes do mesmo corpo.
Outros trabalhos que merecem destaque são os cartazes das próprias exposições de Yossi. Além de temas-bomba, como o conflito entre palestinos e israelenses, ele já fez pôsteres para a Anistia Internacional, para uma campanha a favor da utilização de preservativos e tudo o que envolva altas doses de comprometimento.
Se a meta de anúncios do tipo é atrair visitantes, Yossi pode dormir tranquilo. Missão cumprida.

Conheçam AQUI algumas imagens by Yossi Lemel

tatinha13    6:10 — Arquivado em: Sem categoria


25.1.08

AMIGOS PARA SEMPRE

 O 11 de Setembro semeou mais do que pânico entre os americanos. Pelo menos em Hollywood, a impressão é que todos querem expiar seus pecados antes que Bin Laden se canse de brincar de esconde-esconde e parta para o pega-pega novamente.
Em menos de uma semana assisti a dois filmes que têm como protagonista a busca do perdão: “Desejo e Reparação” e agora “O Caçador de Pipas”.
Baseado no best-seller do escritor afegão Khaled Hosseini, o livro foi publicado em 32 países, ficou mais de um ano na lista dos mais vendidos do “The New York Times” e é “O Pequeno Príncipe” do momento no Brasil.
Não o li o livro, mas fiquei frustrada com o filme. Um livro é um livro e um filme é um filme. Não tem jeito. Por melhor que seja a adaptação é inevitável comparar as duas obras.
Em “O Código da Vinci” meu desgosto não veio porque já estava preparada para o pior – talvez até por isso ela não tenha aparecido. Falando francamente, se fosse cineasta jamais me arriscaria a levar para as telas um best-seller ou algum clássico da Literatura.
Pois Marc Foster (dos ótimos “Mais Estranho que a Ficção” e “A Última Ceia”) topou o desafio. Azar o dele. Porque o filme não diz a que veio.
Histórias com crianças são sempre tocantes. Essa narra uma bonita amizade entre dois amigos numa Cabul ainda possível, mas é principalmente uma história sobre a covardia. Pipa é algo traiçoeiro. Atrai pela beleza das cores e da rabiola, mas pode cortar pelo cerol. É entre esses dois extremos que a amizade entre os garotos flutua.
Não sei de que forma a relação deles é tratado no livro, mas valeria ter sido mais explorada no cinema.
A cena mais deliciosa é quando um deles – que será escritor no futuro – conta ao outro sobre uma história que havia criado sobre um homem que descobre uma caneca mágica. O objeto teria o poder de transformar lágrimas em pérolas. Certo dia o homem é encontrado com a mulher morta em seus braços. Achou que se matasse a esposa teria lágrimas suficientes para ficar rico. O outro responde: “e por que ele não cortou uma cebola?”.
O filme tem o mérito de não tratar as duas crianças como coitadinhas – o que seria o esperado num filme que se passa no Afeganistão. Elas são apenas crianças e nada mais.
“O Caçador de Pipas” foi vetado no Afeganistão. Segundo a agência estatal de filmes, a proibição ocorreu "porque algumas de suas cenas são questionáveis e inaceitáveis para algumas pessoas e poderiam causar problemas para o governo e a população". Creio que essas cenas sejam um estupro e um apedrejamento de uma adúltera.
Fiquei curiosa para conferir o best-seller.

tatinha13    8:53 — Arquivado em: Sem categoria


24.1.08

A VELHA GUARDA DA ANTROPOLOGIA

 Como disse outro dia, tenho minhas dúvidas sobre se o Carnaval é o maior espetáculo da Terra. Em compensação tem uma característica inegável: é a festa mais democrática de que se tem notícia. Sabem aquela história de “seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem”? A mesma estrofe serve para o Carnaval. Só mudaria uma coisinha: “seja rico ou seja pobre a ressaca sempre vem”.
Rico, pobre, negro, branco, criança, adulto, cachorra, mauricinho, popozuda, gordo, magro, galo da madrugada, do meio-dia, empresário, anão, gigante, boneco de Olinda, gari, artista de TV, passista. Não é necessário ter atitude ou pulseirinha. Todo mundo é bem-vindo – uma água no feijão resolve tudo.
Ouvi relatos de quem já foi a um ensaio numa quadra de escola de samba. Dizem que é uma experiência única. Além do frio na barriga de se saber ao pé do morro, o ambiente na quadra é tão sortido quanto o de um baleiro. Dá de jujuba a chocolate Lindt.
Lá o nosso Ministro da Cultura não poderia reclamar da ausência de afrodescendentes nem as mulheres da comunidade da invasão de candidatas ao posto de rainha da bateria. Onde o baleiro parar põe a mão.
Pois a democracia do samba foi colocada em xeque na Bahia, ao destronarem um Rei Momo por causa da falta de tecido adiposo. Clarindo Silva, com seus 58 quilos bem distribuídos, foi eleito pela Federação das Entidades Carnavalescas da Bahia no início de janeiro. No começo desta semana surge um antropólogo alegando que a escolha de Clarindo era “o fortalecimento social da estética da magreza”. Algo me diz que esse antropólogo é gordo.
Nas próximas semanas um novo concurso será feito com os sete candidatos gordos inscritos.
Se Clarindo fosse um Rei Momo muito magricela, tipo bichinha pão-com-ovo, ainda aceitaria a tese do antropólogo. Mas olhem aqui embaixo a foto do sem-trono. 58 quilos de pura simpatia.
Ok, tradicionalmente o Rei Momo é um obeso mórbido, mas se houve algum erro foi por parte da organização do evento. Não há regulamento para o concurso? Cláusulas sobre as medidas dos candidatos? Desfile de maiô? E a simpatia, não conta?
Estou com Clarindo e não abro. O corpo mostra que ele pode não ser fã de chocolate, mas já o elegi o Diamante Negro da atualidade.

                                                               

P.S.: Saibam mais sobre as origens do Rei Momo AQUI

tatinha13    9:55 — Arquivado em: Sem categoria


23.1.08

DESCARREGO JÁ!

 O ano não começou nada bem para o mundo cinematográfico. Fiquei absolutamente chocada quando abri a Internet ontem no início da noite e me deparei com a notícia de que Heath Ledger foi encontrado morto. É o tipo de informação que lemos duas vezes.
Apesar de não ser meu ator favorito, tinha simpatia por ele. Gostei muito da atuação que rendeu ao ator uma indicação ao Oscar em “O Segredo de Brokeback Mountain” e de “Coração de Cavaleiro”.
As circunstâncias da morte ainda não estão claras, mas segundo a polícia de Nova York ele foi achado nu na cama rodeado de pílulas para dormir. Não foram encontrados outros vestígios de drogas no local. A hipótese de suicídio também não está descartada.
Suicídio ou overdose de medicamentos dá na mesma. Mas lendo algumas notícias sobre o episódio pincei uma informação bem curiosa. O site do jornal “The Boston Globe” fez um pequeno perfil da carreira dele, com fotos, últimos trabalhos e entrevistas.
Minha porção detetive achou muito significativo um trecho de uma entrevista que Heath concedeu ao “The New York Times” em novembro sobre seu último personagem, o Coringa, da continuação de “Batman”.
Ele contou que estava tendo problemas para dormir durante as filmagens. Definiu o personagem como psicopata, um palhaço esquizofrênico com zero de empatia. E concluiu: “Na semana passada talvez eu tenha dormido umas duas horas por noite. Meu corpo estava exausto e minha mente continuava trabalhando”. Ele disse que tomou duas pílulas “Ambien”, cujos efeitos só duraram por uma hora.
Ficamos agora com este enigma: a morte de Heath teria alguma relação com seu papel em “Batman”? Se os dois fatos estão relacionados só ele poderia responder, mas eu que não me arriscaria a assistir a esta versão do “Batman” à noite. Ele está no mínimo macabro como Coringa.
Além da morte de um ator promissor de apenas 28 anos tivemos mais uma péssima notícia: a de que o Brasil não terá representante no Oscar deste ano. “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” ficou fora da disputa.
Cá entre nós, apesar de não conhecer os demais concorrentes às vagas de melhor filme estrangeiro, já imaginava que nossas chances eram escassas. “O Ano…” é um bom trabalho. Bonitinho, bem feitinho, redondinho, mas muito “inho”. Também não chegaríamos longe com “Tropa de Elite”. Muito “ão”.
Sem Heath Ledger, sem Oscar verde-e-amarelo, sem resolução para a greve de roteiristas em Hollywood, sem Globo de Ouro. Definitivamente 2008 será o ano em que o cinema saiu de férias.

P.S.1: Estamos precisando expulsar todos esses demônios. Saibam como com o vereador Cláudio Insaurriaga, o Cururu, que ontem na Câmara de Pelotas (RS) fez uma sessão de exorcismo. Assistam AQUI

P.S. 2: Vejam AQUI algumas fotos do novo "Batman" ("The Dark Knight")

tatinha13    8:55 — Arquivado em: Sem categoria


22.1.08

DORMINDO COM AS GALINHAS

 

 Acordei no meio da noite com a seguinte questão: e se tivéssemos pena? Não de nós mesmos ou dos outros, mas plumagem mesmo. Concordo que não é um assunto que vá mudar os rumos da humanidade ou, por que não dizer, útil, mas me peguei pensando nisso.
Uns já se comportam como galináceos – algumas mulheres e homens-pavão estão aí para não me deixarem mentir. Mas e se todos nós, sem exceção, virássemos uns penosos? Seria uma boa idéia?
Com o corpo recoberto de penas não correríamos o risco de nos queimarmos, mas em compensação pegaríamos fogo facilmente. Não precisaríamos fazer tatuagens. Criaríamos incríveis formas geométricas tirando tufos de lugares estratégicos. Os que quisessem ser ainda mais exóticos poderiam deixar o corpo pelado como um frango da Sadia. Quem desse azar de nascer com o pescoço pelado poderia fazer um implante de penas ou assumir o visual com a ajuda de incríveis colares afro e echarpes.
As mulheres diríamos adeus à depilação e os homens aos Prestobarbas. Os salões de cabeleireiros, entretanto, continuariam a existir. Permaneceria nossa vontade de tingir o que não é do nosso agrado. Por outro lado, seria o fim das limpezas de pele, das escovas progressivas, das chapinhas, dos permanentes e até dos cortes. Pena cresce?
Não seríamos politicamente incorretos se nos referíssimos a um homossexual como “aquela franga” ou a uma mulher mais solta como “aquela galinha”. Teríamos de inventar novas formas de xingamento.
Voaríamos? Não sei. Imaginei que pudéssemos ter penas, não asas. Ou quando Deus faz um ser com penas já coloca asa? Seria a asa um item de série?
Os magos da medicina poderiam ficar tranquilos. Assim como a pele, a pena é um órgão. Em caso de morte – sem ser na panela – poderíamos doar nossa plumagem para os pescoços pelados ou para ONGs que fazem trabalhos com artesanato de penas.
Muita coisa mudaria – para melhor ou pior. Mas a ânsia que muita gente tem de cantar de galo encontraria uma justificativa.

tatinha13    16:01 — Arquivado em: Sem categoria
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