20.1.08

FOI SEM QUERER QUERENDO

 “Desejo e Reparação” ganhou o Globo de Ouro de melhor filme? E lá vamos nós para o cinema conferir o longa com a maior probabilidade de sair vencedor do Oscar deste ano.
Nenhum dos outros seis indicados estrearam no Brasil, o que torna difícil qualquer comparação ou mesmo averiguar a imparcialidade dos jurados. Mas “Desejo e Reparação” é um bom filme – à parte se estender demais nos acontecimentos da Segunda Guerra.
Merece ser visto por vários motivos, seja pela fotografia, pela direção de arte, pela garotinha que interpreta a protagonista na infância – ou por Vanessa Redgrave na velhice –, pela história de amor aos moldes de Romeu e Julieta e finalmente pela saída criativa do roteiro ao criar um final meio feliz.
É improvável estar meio grávida ou ser um ex-viado, mas é possível existir um filme com um desfecho semi-feliz.
Tudo se desenrola a partir de um julgamento equivocado de Briony, uma menina de 12 anos que é a testemunha decisiva na condenação de um jovem à prisão. Ela passa o resto de seus dias tentando corrigir o erro do passado. A atitude de Briony separa os dois protagonistas, faz com que ela se martirize e use toda sua imaginação para amenizar o estrago.
O título original é mais adequado, “Atonement” (“Reparação”), mas os responsáveis pela escolha do equivalente em português sempre escolhem o nome levando em consideração o que pode atrair mais comedores de pipoca com manteiga aos “multiplex”.
Esta semana compartilhei com vocês minha dúvida quanto às características que fazem um livro bom ou ruim. A mesma questão não me faço em relação ao cinema. Já tenho a resposta na ponta da língua: se a história é boa e me leva a fazer relações para algo além do tema abordado ou até sugerir um mote para este blog, já são motivos mais do que suficientes para o meu bonequinho se levantar e bater palmas.
Em “Desejo e Reparação” fiquei pensando num negócio que todo mundo já tentou um dia: consertar uma burrada. A frase clássica é “se eu pudesse voltar atrás…”. Às vezes somos meio Briony e temos muita imaginação (o que é ótimo), mas na maioria dos casos viajar apenas adia nossa volta à realidade.
Qual a utilidade de se pedir perdão a alguém depois que o mal já foi causado? Era melhor ter pensado duas, três, cem, mil vezes antes de agir. Depois que fez, vale a pena pedir desculpas? Um pedido de perdão é garantia de que o erro não vai mais se repetir? Claro que não. O lesado volta a ser o que era quando percebe que o outro reconheceu a vacilada? E quando o saldo não pode mais ser revertido?
Esses humanos…

P.S.: Pensamento do dia em frente à agência de publicidade por onde passo diariamente: o amor é igual à guerra. Depois de declarado acabou-se o sossego.

tatinha13    10:20 — Arquivado em: Sem categoria


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