25.1.08

AMIGOS PARA SEMPRE

 O 11 de Setembro semeou mais do que pânico entre os americanos. Pelo menos em Hollywood, a impressão é que todos querem expiar seus pecados antes que Bin Laden se canse de brincar de esconde-esconde e parta para o pega-pega novamente.
Em menos de uma semana assisti a dois filmes que têm como protagonista a busca do perdão: “Desejo e Reparação” e agora “O Caçador de Pipas”.
Baseado no best-seller do escritor afegão Khaled Hosseini, o livro foi publicado em 32 países, ficou mais de um ano na lista dos mais vendidos do “The New York Times” e é “O Pequeno Príncipe” do momento no Brasil.
Não o li o livro, mas fiquei frustrada com o filme. Um livro é um livro e um filme é um filme. Não tem jeito. Por melhor que seja a adaptação é inevitável comparar as duas obras.
Em “O Código da Vinci” meu desgosto não veio porque já estava preparada para o pior – talvez até por isso ela não tenha aparecido. Falando francamente, se fosse cineasta jamais me arriscaria a levar para as telas um best-seller ou algum clássico da Literatura.
Pois Marc Foster (dos ótimos “Mais Estranho que a Ficção” e “A Última Ceia”) topou o desafio. Azar o dele. Porque o filme não diz a que veio.
Histórias com crianças são sempre tocantes. Essa narra uma bonita amizade entre dois amigos numa Cabul ainda possível, mas é principalmente uma história sobre a covardia. Pipa é algo traiçoeiro. Atrai pela beleza das cores e da rabiola, mas pode cortar pelo cerol. É entre esses dois extremos que a amizade entre os garotos flutua.
Não sei de que forma a relação deles é tratado no livro, mas valeria ter sido mais explorada no cinema.
A cena mais deliciosa é quando um deles – que será escritor no futuro – conta ao outro sobre uma história que havia criado sobre um homem que descobre uma caneca mágica. O objeto teria o poder de transformar lágrimas em pérolas. Certo dia o homem é encontrado com a mulher morta em seus braços. Achou que se matasse a esposa teria lágrimas suficientes para ficar rico. O outro responde: “e por que ele não cortou uma cebola?”.
O filme tem o mérito de não tratar as duas crianças como coitadinhas – o que seria o esperado num filme que se passa no Afeganistão. Elas são apenas crianças e nada mais.
“O Caçador de Pipas” foi vetado no Afeganistão. Segundo a agência estatal de filmes, a proibição ocorreu "porque algumas de suas cenas são questionáveis e inaceitáveis para algumas pessoas e poderiam causar problemas para o governo e a população". Creio que essas cenas sejam um estupro e um apedrejamento de uma adúltera.
Fiquei curiosa para conferir o best-seller.

tatinha13    8:53 — Arquivado em: Sem categoria
1 Comentário
  1. Espero ver o filme neste fim de semana, porém vou ver com a absoluta convicção de que são obras incomparáveis…

    O livro nos tras exercícios de imaginação… O cinema nos “rouba” esse trabalho…

    O livro vale cada página lida. Não deixe de ler.

    Comentário por Agostinho Lopes — 25.1.08 @ 12:44

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