28.1.08

ESPELHO, ESPELHO MEU

 Semana passada Zé Dirceu saiu da trincheira. Durante interrogatório no processo penal do Mensalão, ficou frente a frente com uma juíza e mais uma vez negou tudo. A exemplo do nosso Lula-Babá, disse que nunca ouviu falar de Mensalão e definiu a denúncia contra ele como “peça de ficção”.
O aparecimento do ex-deputado coincidiu com a publicação de seu perfil na revista “Piauí”. Para ler degustando cada uma das seis páginas.
A repórter Daniela Pinheiro o acompanhou nas viagens que ele fez a Lisboa, Madri e Santo Domingo. Depois de cassado, Zé abriu um escritório de consultoria – atualmente com 15 clientes – e sai do Brasil a cada 45 dias para atender bilionários como os mexicanos Carlos Slim e Ricardo Salinas.
A parte mais comentada da matéria – e que já foi publicada em alguns jornais – é a que descreve o ataque de um cidadão a Dirceu na churrascaria Prazeres da Carne, em São Paulo. O manifestante repousa calmamente a mão sobre o ombro do ex-deputado e fala: “Safado! Safado! Sa-fa-do!”. Zé não move um músculo do rosto.
Comportamento semelhante o ex-deputado enfrenta nas filas de embarque e saguões de aeroportos. Por isso, é sempre o último a entrar na aeronave – atitude que quase já o fez perder um vôo.
Bem ao seu estilo, Zé deixou escapar pouca coisa. Disse que Heloísa Helena realmente votou contra a cassação de Luís Estevão e que os motivos que a levaram a isso são “impublicáveis”. Sobra também para Garibaldi Alves. Diz que o senador é um “gaiato”. “Já trocou o guarda-roupa, deve estar arrumando os dentes, isso vai dar um trabalho danado” (sobre a candidatura de Garibaldi à presidência do Senado).
Zé critica a vaidade alheia mas parece se esquecer da própria. Nos tempos de movimento estudantil ele era chamado de “Alain Delon dos pobres”. E pelo jeito está fazendo de tudo para manter o apelido.
A repórter descreve o cuidado que ele tem com o corpo frequentando as academias dos hotéis onde se hospeda, as roupas que usa e os cuidados quase obssessivos com a pele. Ele diz que “morre sem um hidratante”. Há alguns anos usa um creme à base de placenta que traz toda vez que vem de Cuba.
Na quinta-feira passada, quando reapareceu, Zé tinha acabado de sair do hospital. Alguns dias antes havia feito implante de cabelo no Recife. Em mais de cinco horas de cirurgia teve exatos 6.710 fios retirados da nuca.
Mas foi o médico que o operou que involuntariamente passou a informação de que precisávamos para mapear a personalidade de Zé Dirceu. Disse que o ex-deputado expressou a vontade de corrigir uma cicatriz de 2,5 centímetros no couro cabeludo.
Com esse nível de vaidade imaginem o quanto Zé deve sofrer com as manifestações de pessoas nas churrascarias e nos aeroportos. Aqui se faz, aqui se paga.

tatinha13    9:33 — Arquivado em: Sem categoria


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