29.2.08
OS LOBOS EUROPEUS

No dia seguinte, malas prontas para botar o pé na estrada novamente. Desta vez rumo a Cusco, distante 380 km de Puno. Apesar de curto se comparado ao trecho Nazca-Arequipa, o percurso foi cumprido durante um dia inteiro, pois é marcado por algumas paradas para visitas a sítios arqueológicos, vilas e pontos turísticos que brindam toda a rodovia.
O roteiro é inaugurado por Pucara, local conhecido por seus ceramistas. São eles quem confeccionam o amuleto mais tradicional entre os peruanos: os tourinhos.
Em todas as cidades – exceto em Lima – há o costume de se colocar no telhado das casas uma dupla destes animais. Os “touritos de Pucara” teriam o poder de trazer prosperidade, sorte e proteção para a família.
O povo realmente tem fé, já que em 80% das habitações há um casalzinho chifrudo em cima das telhas.
Pucara também abriga uma igreja colonial do século 18, a de Santa Isabel, que clama por restauração.
Mais 103 km e chega-se a La Raya, divisa entre os municípios de Puno e Cusco e
o ponto mais alto de toda a saga peruana: 4.313 metros de altitude.
Neste local está o que vou chamar de o “Mont Blanc das Américas”: o Monte Chimboya. Basta fazer uma bela pose com o pico nevado ao fundo para que seus amigos acreditem que você esteve nos Alpes.
Do degelo do Chimboya nasce o rio sagrado dos incas, o Vilcanota. O rio perpassa toda a região do Vale Sagrado e segue até Águas Calientes – cidadezinha aos pés de Machu Picchu.
O roteiro turístico segue até Raqchi, onde se localizam as ruínas do Templo de Wiracocha, tido pelos incas como o deus criador do universo. Construído há mais de 600 anos, foi o maior templo erguido por eles e muito provavelmente ruiu por causa de um grande incêndio.
Grandioso, funcionava também como residência para pessoas importantes na época, como sacerdotes e nobres. Originalmente era circundado por um muro de seis quilômetros edificado com blocos artesanais à base de água, pedaços de cacto, lã, barro e palha. Nem a casinha mais engenhosa dos Três Porquinhos contava com material tão resistente.
A última parada antes de Cusco é na Vila de Andahuaylillas, onde está a Igreja São Pedro e São Paulo, vulgarmente conhecida como “Capela Sistina Americana” . A igreja – esta sim em processo de restauração – ganhou o nome porque paredes e teto são recobertos por pinturas do século 17.
Após a chegada em Cusco um sentimento de indignação causado pela constatação de que as ruínas que ficaram para contar história foram obra de um povo criativo e valente que não teve forças para lutar contra uma colonização em nome de Deus.
E a conclusão: nem os “touritos de Pucara” foram capazes de proteger os incas das diabruras dos espanhóis – bem mais cruéis do que o Lobo Mau.
Vejam algumas fotos AQUI
tatinha13
10:00 — Arquivado em: 
E segue a campanha “Veja o Peru você também”, que convida os leitores masculinos a se despirem de seus preconceitos e considerarem a hipótese de estarem frente a frente com o Peru. 
Refeita das emoções de Nazca, parti em direção a Arequipa, terra de Mário Vargas Llosa. São aproximadamente 600 km percorridos em dez horas – tempo suficiente para apreciar a imensidão do deserto e a serenidade do Pacífico. 
Nazca é o assunto de hoje na jornada peruana. Localizada a cerca de duas horas de Paracas, é conhecida pelas linhas que surgem no meio do nada e ninguém sabe dizer como, quando e por quê apareceram. 
Hoje vou pular um capítulo da saga sobre o Peru para contar parte da minha expedição por Brasília. Como escrevi no post anterior, aproveitei a ida à capital federal para pesquisar possíveis pontos de recolhimento de fezes. 
Paracas foi o local mais surpreendente e emocionante da viagem. Foram mais de 300 km a partir de Lima, um almocinho e uma rodada de bingo dentro do ônibus, uma visão nada agradável na passagem pelos escombros de Pisco e Chincha e a chegada à rodoviária. Neste ponto, uma única sensação: a de quem se meteu numa fria. 
Hoje o tema é um dos grandes prazeres da vida: comida. A boa educação e os cuidados com a saúde recomendam que comamos para viver, mas bem que gostaríamos de fazer o contrário – principalmente em viagens. 



