25.2.08
MOSTRA TUA CARA

Hoje vou pular um capítulo da saga sobre o Peru para contar parte da minha expedição por Brasília. Como escrevi no post anterior, aproveitei a ida à capital federal para pesquisar possíveis pontos de recolhimento de fezes.
Para quem não acompanha o blog, a idéia surgiu após a passagem por Paracas, onde há diversos locais para retirada de excrementos de aves, que são exportados a preço de ouro.
Por motivos óbvios, não há melhor lugar no Brasil para recolher este tipo de produto do que Brasília. Posso fazer fortuna exportando as sujeirinhas malcheirosas de nossos políticos – com a diferença de que não preciso esperar sete anos para o acúmulo do material.
Pela primeira vez desde que vou a Brasília fiz uma visita guiada pelo Congresso Nacional. Finalmente pus fim à confusão que sempre me vinha à mente no momento de identificar se a cúpula para cima é o prédio da Câmara ou do Senado.
Além de acabar com esse vergonhoso drama, o passeio – que é gratuito e dura cerca de uma hora – confirmou que todo o complexo é um perfeito retrato do país. A começar pelo banheiro, cujas fechaduras não funcionam. Além do mais, o ar é carregado. Não digo isso apenas pela quantidade de tapetes que forram chão e paredes – sabemos que há mais do que ácaros no ambiente – mas tudo é escuro e sóbrio. Um submundo em todos os sentidos.
Mas há outras curiosidades. A mais interessante é uma bandeira do Brasil gravada no carpete de uma das paredes abaixo da tribuna do plenário do Senado. Apareceu por acaso, por iniciativa de um faxineiro que a desenhou com o aspirador de pó. O funcionário pensou que ia levar um pito no dia seguinte, mas gostaram tanto da idéia que a bandeira está lá até hoje. Será que o provisório que vira permanente tem aí suas raízes?
Só não digo que tudo é sombrio por causa das obras do artista plástico mineiro Athos Bulcão – pinturas e algumas esculturas – que enfeitam várias partes do conjunto.
Entrei tanto no plenário do Senado quanto no da Câmara. No do Senado ainda repousa um buquê de flores sobre a mesa do recém-falecido senador Jonas Pinheiro.
O acesso às bancadas dos senadores não é permitido, mas na Câmara me diverti bastante. Sentei-me numa delas e, apesar de saber que não estava no local certo, brinquei de Heloísa Helena e votei contra a cassação de Luís Estevão. Também fiz a dancinha da pizza e tive meus momentos de Tatiana Guadagnin – graças a Deus, com uns quilinhos a menos.
O passeio valeu a pena. Recomendo. Só fiquei triste por dois motivos: não descobri onde se localiza o sofá azul de Mônica Veloso e nem achei o guichê para pegar a senha para receber o Mensalão.
P.S. 1: A propósito, a cúpula virada para cima é o prédio da Câmara dos Deputados
P.S. 2: Vejam algumas fotos AQUI
P.S. 3: Não disse que Marion Cotillard merecia o Oscar?
tatinha13
17:36 — Arquivado em: 

Também tive oportunidade de fazer uma visita semelhante ao Congresso Nacional. Mas, ao contrário da Tati, minha visita não foi guiada. Fiquei perambulando principalmente pela Câmara dos Deputados até achar um segurança que me barrasse. O acesso (deve ter mudado) era incrivelmente fácil. Apenas um detector de metais na entrada principal e nada mais. Devo dizer que só não entrei no Plenário porque era dia de votação. Então corri para a arquibancada para ver os discursos e, principalmente, as discussões dos “nobres” deputados. Por incrível que pareça, a casa estava lotada. Devo ter ficado umas 5 horas lá dentro. Saí exausto. Não por andar corredores intermináveis, nem por percorrer salões imensos. Mas, sim, por respirar aquele ar sensivelmente carregado. Carregado de falcatruas, lobbys, conspirações e maracutaias.
Comentário por Joubert — 25.2.08 @ 21:44
Tati, da próxima vez que vierem a Brasília, recomendo irem ao Palácio da Alvorada. Todas as vezes que fui lá presenciei troca de guarda e achei uma solenidade muito bonita. Além disso, diz a lenda que se jogar uma moedinha num laguinho que tem lá, dá sorte (superstições….) Tem também visita guiada pelo Palácio do Planalto, mas essa acontece em dias específicos, pré-agendados. Aí, veremos o clima, principalmente daquela “saleta” onde recentemente houve comemorações com direito a gestos obscenos.
Comentário por Vaninha — 26.2.08 @ 8:05
… e o melhor de tudo foi ver o funcionário e nobre “guia turístico” defender os nossos destemidos senadores, que segundo ele “fazem muitas coisas boas pelo Brasil… muitos projetos importantes… e para estes não recebem elogios”. Ora pois, caro servidor público, se não recebem elogios, é porque não fazem nada mais que a obrigação!!
Parabéns Tati pelo fiel relato!
Comentário por Rafael — 27.2.08 @ 22:04