26.2.08

UM ANTES, OUTRO DEPOIS

 Nazca é o assunto de hoje na jornada peruana. Localizada a cerca de duas horas de Paracas, é conhecida pelas linhas que surgem no meio do nada e ninguém sabe dizer como, quando e por quê apareceram.
A maioria das pessoas talvez já tenha ouvido falar dos desenhos por causa do livro “Eram os Deuses Astronautas?”. Nele, o suíço Erich von Däniken especula a possibilidade das antigas civilizações terem surgido por obra de extraterrestes.
Não sou partidária da idéia. Acredito que foram realmente os incas ou uma cultura anterior os responsáveis pelas linhas em pleno deserto.
Os desenhos – basicamente de bichos estilizados, como cachorro, macaco e aranha – foram declarados patrimônio da humanidade em 1994 e apareceram para o mundo em 1927 graças a um norte-americano. Mas foi uma alemã chamada Maria Reiche quem mais se dedicou ao estudo das linhas. Algumas delas chegam a ter três quilômetros de extensão, daí a necessidade de um sobrevôo.
A aventura é de tirar o fôlego. Não tanto pela beleza, mas pela radicalidade. No embarque o piloto dá todas as orientações: diz que o vôo terá duração de meia hora e ele irá mostrar os 12 desenhos com a ponta da asa primeiro para os passageiros da direita e depois para os da esquerda. E só. Não pode passar mais do que duas vezes porque há vários outros aviões atrás. Se ele atrasa é problema na certa. Devidamente amarrados, lá vamos nós. Para o alto e avante!
As duas primeiras linhas são só alegria. Cai para a direita, para a esquerda e segue para o próximo. Na quarta, quinta linha já estamos querendo matar quem quer que tenha feito os desenhos. Pra quê tanta criatividade? Que tal vermos só umas seis?
Com o sacolejo não é preciso ser a mais sensível das criaturas para a pressão ir por terra. É quando nos damos conta de que o piloto nos avisou de quase tudo – esqueceu de recomendar um Dramin no café da manhã ou um carregamento de sachê de sal na bolsa. Além do mal-estar causado pela queda da pressão, a barriga dá sinais de que está trabalhando.
Com muito esforço consegui fotografar as 12 linhas e mais uma de brinde que o piloto arranjou – não me lembro qual era – e não usar o saquinho de emergência. A melhor parte é mesmo a aterrissagem e a conseqüente ida ao banheiro.
Os sobreviventes podem tentar mais um passeio – geralmente o sobrevôo é feito bem cedo.
Foi o que fiz. Visitei os aquedutos de Cantayoc, erguidos por antigas civilizações e que ainda hoje são a única fonte de água da cidade. Há 36 espalhados por toda Nazca, mas água é artigo de luxo. Só fica disponível duas horas por dia.
Os aquedutos mostram o grau de desenvolvimento de quem os construiu: são bem profundos, mas o acesso se torna uma brincadeira porque foram edificados em forma de espiral.
Após um dia tão turbulento a dica é descer em alguns deles para tomar uma água fresca e ajudar nosso labirinto a se localizar após as emoções do sobrevôo.

Vejam algumas fotos AQUI

tatinha13    16:27 — Arquivado em: Sem categoria
2 Comentários
  1. Tati, não abriu as fotos. Mas o que mais gostei desse passeio foi a aterrisagem. Bv foi uma heroina. Bjs.

    Comentário por Elizbeth — 27.2.08 @ 2:01

  2. A natureza e seus mistérios…….fotos mt interessantes.

    Comentário por Juventino — 28.2.08 @ 1:57

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