4.2.08

O Carnaval está onde menos se imagina. Até nas asas de uma borboleta que pode estar aí na sua janela.
A idéia é do fotógrafo norueguês Kjell Sandved que em 1996 publicou o livro “O Alfabeto das Borboletas”.
Tudo começou por acaso. Há 25 anos, trabalhando como voluntário do Instituto Smithsoniano de Washington – o museu nacional dos Estados Unidos –, percebeu um maço de cigarro com uma borboleta dentro. Na asa, o desenho perfeito da letra “F”. Pensou que se havia uma letra na natureza, todas as outras também deveriam estar.
Durante mais de 40 anos fotografou em florestas, pântanos, ilhas e mergulhou em barreiras de corais em todos os continentes. Encontrou letras de A a Z e números de 1 a 9.
Kjell costuma fotografar no fim do dia ou bem de manhãzinha. Diz que o truque é aproximar-se lentamente e não fazer movimentos laterais.
Após clicar em todos os ângulos, escolhe 1 dos cerca de 200. Letras simétricas como "O" foram mais fáceis de serem achadas. Entre as mais complicadas, o“R”.
Quando começou, nem fotógrafo Kjell era. Passou a ler sobre o assunto, frequentar aulas e acabou criando até seu próprio kit de macrofotografia. E apesar de todas as mudanças tecnológicas, nunca trocou de câmera.
Confiram AQUI algumas imagens
3.2.08

Fico encafifada com um monte de coisa. Situações, frases, fotos, notícias e sobretudo o comportamento do ser humano me deixam com o grilo na cuca por vários dias. Além de tentar entender o que leva dois machos a trocarem safanões como galos de briga, não compreendo uma série de outros enigmas.
Grilo na cuca 1: por que o quilo do pão francês é tão caro? Um quilo de pãozinho custa entre R$ 6 e R$ 7, quase o mesmo valor do quilo da alcatra, por exemplo. Por mais inflacionado que esteja o saco do trigo, nada justifica o preço. Fazer pão é praticamente misturar trigo, água e fermento.
Jesus precisa voltar à Terra urgentemente. Não só para dar um jeito em Brasília como para nos ensinar o milagre da multiplicação dos pães.
Grilo na cuca 2: por que os proprietários de concessionárias de automóveis contratam meninas para ficarem empunhando bandeiras ao som de axé e com calças de elanca sob o sol do meio-dia?
Concordo que é uma mão-de-obra barata – essas coitadas não devem ganhar nem R$ 30 por dia –, mas será que há de fato algum reflexo positivo nas vendas? Ou o olhar de desespero das garotas afasta os possíveis compradores?
Grilo na cuca 3: por que quando o assunto é vinho há tanta seriedade envolvida? Parece que estão discutindo as possibilidades econômicas da exploração do aço na Malásia ou a queda da bolsa de valores de Nova York. Ou o levar-se a sério é parte do plano para dissipar qualquer dúvida de que algum deles esteja bêbado?
Grilo na cuca 4: por que a prefeitura gosta de recapear asfalto nas principais avenidas da cidade no sábado à tarde? Não seria mais prudente deixar o trabalho para uma madrugada qualquer? Ou domingo de manhã, que seja?
Sábado é dia de resolver vários pepinos. Ir a lugares que não conseguimos durante a semana, cortar cabelo, comprar ração, ir ao supermercado. De repente também a idéia é essa. Causar bastante tumulto para promover mais uma obra da prefeitura.
Grilo na cuca 5: por que tem gente que por mais incompetente que seja nunca é dispensada? Está no mesmo posto há anos. Se olharmos bem detalhadamente a nuca do sujeito é capaz até de encontrarmos uma plaquinha de “Patrimônio” seguida do número. Que aura poderosa é essa que a afasta das intempéries? Logicamente demitir-se é algo que passa longe da cabeça de um ser humano assim, mas qual é a mágica?
Grilo na cuca 6: qual é a graça de desfilar em 14 escolas de samba? “Merchan”? Ou uma ótima estratégia para perder peso em pouco tempo? Vou lançar o plano “spa da avenida”. Acho que essa idéia dá samba…
Enfim, quanto mais eu tento entender, mais confusa eu fico. Nem vamos falar do segredo de Tostines ou se quem veio primeiro foi o ovo ou a galinha. É Carnaval, vamos colar num trio elétrico que a gente ganha mais.
Por falar nisso, só não vai atrás do trio elétrico quem já morreu?
2.2.08

Que esse é o país do vale tudo nós já sabemos. Mas, acostumados que estamos ao uso da expressão para nos referirmos a Matildes e outras figuras do governo, nos esquecemos de que vale-tudo é também um “esporte”.
Coloco entre aspas porque por mais espírito esportivo que eu tenha não consigo classificar como atividade esportiva um atracamento entre dois homens musculosos e com orelhas deformadas que mais lembra a prática do kama-sutra.
Mas, fazer o quê, está lá no dicionário: “modalidade de luta livre em que são válidos golpes de cunho extremamente brutal”.
Vi algumas imagens de uma luta dessas durante a semana. Nem o Bin Laden, o Saddam Hussein, o Ultraman, o Jaspion e o Capitão Nascimento juntos seriam páreo para tanta selvageria. Tive medo (mais ainda) do ser humano.
As cenas foram gravadas num galpão em Osasco (SP) onde aconteciam partidas de vale-tudo patrocinadas por uma empresa de Miami. Transmitidas ao vivo pela Internet, geravam até apostas.
Tudo muito violento e dramático. O toque de comédia ficou por conta de um cidadão que disse o seguinte: "Eu sou o juiz. Na verdade mais do que o juiz. Sou um animador. É uma rinha de briga”. Será que o Duda estava na platéia e eu não vi?
O local foi fechado pela prefeitura porque deveria abrigar uma concessionária de veículos. Alegou-se ainda que qualquer coleta de apostas não-regulamentadas pelo governo é contravenção penal.
Se o ringue foi lacrado por causa das irregularidades, tudo bem. Mas se tivesse sido uma medida tomada para atender ao apelo de alguma associação de Direitos Humanos, o Paulo Coelho em mim entraria em ação.
Afinal, todos os envolvidos são bem grandinhos, estão nessa por vontade própria e têm consciência de que quem sai na chuva é pra se molhar. Sem contar que, como as lutas são transmitidas para os Estados Unidos, alguns devem sonhar com uma carreira internacional. Além de exibir a plumagem, há o amor ao “esporte”.
E se morrer um? Dois? A equipe brasileira inteira? Ossos do ofício. A regra é clara: “são válidos golpes de cunho extremamente brutal”. Errou o juiz.
Se fatalidades acontecerem não é motivo para enchermos de cruzes as areias de Copacabana. Eles que se matem pra lá. Além do mais, melhor gastarem a testosterona num ringue em vez de a usarem como aditivo para metralhar uma sala de cinema.
P.S. 1: Comentário de Dorival Caymmi sobre os blocos pré-carnavalescos em Copacabana: "Tsc, tsc… É uma música tão estranha, nem brasileira, nem africana. Eu não sei, não."
Eu também não, Caymmi.
P.S. 2: Já que o assunto é pancadaria, leiam também "Passa Gelol que Passa"
1.2.08

Esta semana veio a público uma saia justa envolvendo o escritor Paulo Coelho. Ele reagiu a um comentário feito pelo regente da Filarmônica de Boston, Benjamin Zander, durante um jantar com personalidades do mundo todo no Kongress Hotel, na Suíça.
O regente disse que depois de um concerto no Brasil mulheres levantaram a roupa e mostraram tudo. E concluiu: "você sabe como são as mulheres brasileiras quando querem demonstrar alegria…’". Foi a deixa para que Paulo Coelho se levantasse no meio da platéia de prestígio – que gargalhava – e gritasse: "Eu sou brasileiro, estou ofendido com o seu comentário". Faltou pouco para mandá-los todos para o Beto Carrero World.
Uma salva de palmas para Coelho. Os mais de 100 milhões de livros vendidos não fizeram com que ele se esquecesse das origens. Tanto, que o regente pediu desculpas e falou que o escritor reagiu como um macho para defender a honra das brasileiras.
Claro. Chega dessa história de que toda brasileira é “mulher da vida”. Garanto que os tais ilustres presentes ficaram constrangidos em continuar com as risadas.
Apesar do ato heróico de Coelho, precisamos lutar contra nosso maior inimigo: nós mesmos.
Ontem na novela das oito um diálogo tratava de reforçar ainda mais o estereótipo. Duas negras (ou afrodescendentes) conversavam e uma delas falou: “lá deve estar cheio de gringo bonitão. Você acha que eles vão resistir a esse gingado aqui?”. Pelo menos na ficção a caçada pelo marido importado continua. Um detalhe relevante é que nossas novelas são vendidas para o mundo inteiro.
Outro bom exemplo acontece em eventos esportivos. Na Copa do Mundo é comum a TV local mostrar torcedoras brasileiras em trajes sumários sambando e se insinuando para a câmera. Mais uma vez os olhos do mundo estão ligados.
A “love story” de Daniela Cicarelli em mares espanhóis é outro capítulo. Com o agravante de ela, além de brasileira, ser a ex de Ronaldinho Fenômeno. Caímos na boca do povo novamente.
O Carnaval taí. É a chance que muitas encontram de tentar decolar de alguma maneira, nem que seja indo sem calcinha a um camarote na companhia de um presidente.
Vai ficar difícil Paulo Coelho continuar nos defendendo se cenas como essas continuarem se repetindo.