31.3.08

HORÁRIO POBRE

 Fala-se muito da qualidade da imagem da TV digital, mas ninguém parou para pensar na qualidade do conteúdo que tem sido veiculado. Bastou uma semana de zapping para concluir que não é por acaso que elegem Lula presidente. Com um padrão televisivo desses o que se pode esperar do resto?
Assisti e admito que o “Big Brother” não soma nada à cultura de ninguém. É um voyerismo sem grandes consequências. É este o propósito do programa.
Há situações muito piores. Na Rede TV!, no programa de Luciana Gimenez, um “poparazzo” tentava vender seu peixe: “Até agora ninguém tem uma imagem em vídeo da barriga da Camila Pitanga. Essa é exclusiva do poparazzo”. A quem interessa a pança da atriz?
Christian Pior e Robaldo Ésperman, do “Pânico na TV”, mais inconvenientes do que nunca, estiveram na semana passada na porta do casamento de Morena Gil, filha do ministro Gilberto Gil. Mostravam-se inconformados com o fato de Gil não ter aberto a boca para responder a nenhuma pergunta da dupla. E ele é obrigado a falar com o “Pânico”?
No “Domingo Espetacular”, da Record, segue a cruzada anti-católica. Uma longa matéria tentava explicar o que a Ciência acha de certos fenômenos como a abertura do mar.
O baixo nível ocorre também nos bastidores. Durante um intervalo do novo “Aqui Agora”, uma briga entre um apresentador e um repórter resultou na demissão do primeiro.
Faustão continua imbatível. Ontem perguntou ao cantor Seal, que tem pai nigeriano e mãe brasileira: “Você não tem medo do público, vai pra galera mesmo. Você acha que o seu diferencial vem do seu sangue, das suas raízes africanas e latinas?”
Mas a pior de todas saiu de uma chamada do programa de Ana Maria Braga. Nos intervalos do “Fantástico” de ontem: “Vocês sabiam que o Luigi Baricelli fez vasectomia? Ele vai contar tudo pra gente”.
Luigi é muito simpático, mas pisou feio na bola. A infertilidade do ator só diz respeito a, no máximo, três pessoas: a ele, à esposa e ao médico.
A imagem digital pode ser uma maravilha, mas ainda não faz milagres.

tatinha13    8:59 — Arquivado em: Sem categoria


30.3.08

SOC! POW! BANG!

 Deve ser trauma de infância. Ou de alguma amante mais exaltada. O fato é que um juiz de Porto Alegre acha que existem tapas e tapas.
Após ação movida por uma ONG, ele decidiu que a música "Tapinha" – aquela do refrão "um tapinha não dói" – é ofensiva à dignidade das mulheres, mas outra com o mesmo tema – "Tapa na Cara" – é apenas o retrato de um encontro amoroso. E não meteu a colher. Ou melhor, a caneta.
A primeira é um funk de Mc Naldinho e Bella Furacão que martelou por um bom tempo em nossas cabeças. Era ouvir cinco segundos para cantarolá-la mentalmente o resto do dia. A outra é do Pagodart que, com esse nome, deve ser um grupo de pagode.
Reparem na sentença do juiz: "O "tapa" (…) evidentemente causa dor física na vítima, além do abalo psíquico decorrente da humilhação que o gesto em si constitui". Sobre “Tapa na Cara": "apenas relata um encontro amoroso entre um homem e uma mulher, que implora ao parceiro para que lhe dê tapas durante o ato sexual".
Não entendi nada. Só sei que o tapinha está na moda e o juiz vai ter muito trabalho para explicar a diferença entre tapa e tapa.
Além da polêmica envolvendo as duas canções, durante o “Big Brother” a miss Natália disse várias pérolas, inclusive uma relacionada a esse assunto: “Carinho a gente recebe de pai e mãe. Homem tem é que dar porrada”. Ainda bem que uns gostam do verde e outros do amarelo.
Se eu fosse a juíza responsável pelo processo, minha sentença seria inversa à do gaúcho. Condenaria os pagodeiros, que são mais perigosos quando o tema é pancadaria. Tem pagodeiro que atropela e mata motoqueiro, tem pagodeiro que bate na mulher e tem até pagodeiro envolvido com o tráfico de drogas no Rio.
Os funkeiros estão mais preocupados em aprender a dança da motinha, a coreografia do tapinha, passar cerol na mão ou comer uma melancia.
Já que o critério é a falta dele, aí está meu veredicto.

tatinha13    10:05 — Arquivado em: Sem categoria


29.3.08

PÁRA TUDO QUE EU QUERO DESCER

 Todos os telejornais em São Paulo só tratam de um assunto: trânsito. Nem é preciso assisti-los diariamente. As imagens e os comentários dos repórteres nos poupa de cumprir a tarefa, afinal, os boletins com a situação nas principais vias da cidade são sempre os mesmos: “x” quilômetros de congestionamento na Marginal Tietê, “x” na Pinheiros – melhor pela pista expressa –, 23 de Maio lenta nos dois sentidos e por aí vai.
É tanto engarrafamento que nem acho que seja notícia. O tema só mereceria destaque no dia em que a cidade não mais os registrasse.
Não chega a ser novidade ruas e avenidas com tráfego intenso tanto na parte da manhã como à noite. É preciso escolher horários alternativos para circular em São Paulo, já que cinco a cada dez paulistanos têm carro.
Segundo pesquisa publicada hoje pela Associação Nacional dos Transportes Públicos 58% dos paulistanos consideram o ônibus ruim ou péssimo.
Também não precisávamos de um estudo como esse para reforçar o que já sabíamos.
Recentemente, moradores revoltados com a má qualidade do transporte público fecharam por quatro horas a avenida Guarapiranga enquanto queimavam pneus, ateavam fogo e jogavam pedra nos ônibus.
Na semana passada o prefeito Gilberto Kassab disse que pensa em ampliar os horários do rodízio. Divulgou ainda uma lista com 175 “rotas alternativas” para quem quer se safar dos engarrafamentos. O problema é que mesmo o alternativo já está saturado.
Portanto, entramos num círculo vicioso. Os ônibus são péssimos, o metrô não consegue carregar tanta gente, todos compram um carro e ninguém anda. E nem voa.
Mesmo se eu fosse milionária teria de reavaliar a hipótese de ter um helicóptero. O chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos previu esta semana que neste ano teremos um congestionamento nos céus da cidade com a entrada em operação de novas aeronaves.
São Paulo já tem a segunda maior frota de helicópteros do mundo – perde só para Nova York – e tudo ainda pode piorar.
A piada fica por conta de uma idéia sem pé nem cabeça da Secretaria de Transportes. Decidiu-se que as estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos vão ser batizadas com nomes e cores de pedras preciosas. O trecho Luz - Francisco Morato-Jundiaí será a Linha Rubi. O percurso Júlio Prestes-Itapevi-Amador Bueno ganhará o nome de Linha Diamante. O ramal que vai até Osasco, será batizado de Esmeralda.
Do jeito que está, seria mais oportuno denominar linhas de ônibus, metrôs e trens com títulos mais escatológicos. Todos nós nos identificaríamos muito mais.

tatinha13    16:06 — Arquivado em: Sem categoria


27.3.08

DE GOTA EM GOTA…

 A tapioca cresceu e se transformou num mandiocão para o governo. Na tentativa de desviar o foco do escândalo dos cartões corporativos, o PT arranjou um dossiê contra a oposição. Agora precisa contar uma história bem bonita para explicar como os dados foram obtidos.
Segundo a revista “Veja” desta semana, existem documentos com informações relativas aos gastos feitos no período tucano. Ninguém ainda botou o olho no dossiê – pode ser até que nem exista –, mas o estrago já foi causado.
Uma nota publicada hoje pela “Folha de S. Paulo” informa que no dia 20 de fevereiro Dilma respondeu da seguinte forma a empresários que perguntaram sobre o caso dos cartões corporativos: “não vamos apanhar quietos”. E ela concluiu dizendo que o governo estava levantando informações relativas aos gastos do período FHC.
Dilma – até então uma das poucas com alguma credibilidade no governo Lula – segue o exemplo do chefe-mor e faz cara de paisagem. Para mostrar serviço, a Casa Civil abriu sindicância interna para apurar o vazamento.
De fato, vazamento é algo perigoso e que precisa ser corrigido. Além de aumentarem o valor da conta d´água, goteiras podem virar pequenos rios e depois inundações. Já imaginaram a Dilma cantando “nesta casa tem goteira…” e o Lula completando o refrão “… pinga ni mim”? O retrato do Brasil.
Recomendo que Silvio Pereira seja convocado urgentemente. Ele não é o encarregado de fazer auditoria de serviços públicos pelos próximos três anos? Além de fiscalizar tarefas como varrição, tapa-buracos e desobstrução de bocas-de-lobo, por que não descobrir de onde vêm os vazamentos?

 

P.S.: a coluna volta no sábado. Amanhã estarei no Rio. Até!

tatinha13    16:07 — Arquivado em: Sem categoria


26.3.08

ELEFANTINHO COLORIDO

 Adoro animações. Fico ansiosa a cada estréia de uma nova continuação de “Shrek” ou mais um lançamento dos estúdios Disney.
Com “Horton e o Mundo dos Quem” não foi diferente. Estreou, estava lá.
Baseado num conto infantil do mesmo autor de “Grinch”, Ted Geisel, Horton é na medida. Tranqüilo, sem delongas ou grandes imbróglios. Redondo.
A história é sobre um elefante que jura existir uma comunidade – Quemlândia – dentro de uma flor de dente-de-leão. Obviamente ninguém bota fé no que diz este Antonio Conselheiro das selvas – principalmente a canguru-chefe, que quer exterminá-lo porque ele incita a imaginação das crianças.
Horton tem de enfrentar vários obstáculos para deixar Quemlândia e seus habitantes num lugar seguro e livre de predadores. Seu contato em Quemlândia se dá através do prefeito – bem dublado por Tom Cavalcante –, um maluco gente boa pai de 96 meninas e um único garoto – emo, por sinal.
A canguru-chefe tem razão. Horton realmente incita a criatividade. As manobras que ele faz com as orelhas são boas sacadas. Bem dobradas, têm mil e uma utilidades, como touca de banho ou nadadeiras.
Despretensioso e sereno. Mas sempre tem gente procurando pêlo em ovo. O mote do filme – “uma pessoa é uma pessoa. Não importa o tamanho” – já está sendo usado por grupos anti-aborto nos Estados Unidos para promoverem manifestações “pela vida”.
O que esses engajados talvez não saibam é que o livro foi escrito em 1954, prova mais do que suficiente de que a idéia do autor passou bem longe dessa questão. Usar lema de animação infantil em vão já é sacanagem.
Dois pequenos detalhes me incomodaram em “Horton e o Mundo dos Quem”. Um é a tendência cada vez maior de não se distribuírem filmes infantis em cópias legendadas. Uma pena – o consolo é que a dublagem brasileira é bem-feita.
Meu outro porém é que é meio machista. Apesar das 96 meninas, quem salva a pátria é o filho. Duro páreo para “Bob pai, Bob filho”…

 

tatinha13    9:45 — Arquivado em: Sem categoria


25.3.08

UM OLHO NO PEIXE, OUTRO NO CETRO

 O Dia Internacional da Mulher já passou, mas as leitoras deste blog não vão reclamar de receber o presente atrasado. No caso, esta foto acima e informações sobre o homem mais bonito do país. Este é oficial, eleito no início do mês o nosso mister Brasil: Vinícius Ribeiro.
O bonitão merece nosso aplauso – não é qualquer um que tem disposição para pagar esse mico. O concurso, nos mesmos moldes dos de miss, é antes de tudo um teste de coragem. Além de se exibirem em roupas sociais, têm de desfilar de sunga para mostrarem o tanquinho.
Apesar de se livrarem da cômica apresentação de trajes típicos, os candidatos precisam demonstrar as habilidades esportivas. Engana-se quem pensa que eles estragaram seus penteados numa partida de futebol. Foram avaliados em cinco modalidades: atletismo, arremesso – lance livre –, peteca, bocha e natação.
Gostaria de entender a relação entre homem bonito e bocha. Ou entre a peteca e o tanquinho.
Talvez o padre Sílvio Roberto dos Santos pudesse explicar. Ele é o organizador e consultor dos concursos de miss e mister em Votuporanga (SP), cidade do nosso mister. Vinícius conta ter topado o desafio por insistência do padre, que sempre dizia que ele tinha “vários predicados”.
Pois padre Sílvio estava certo. Após a vitória de Vinícius ficou comprovado que o padre é o representante de Deus na Terra. Vinícius vai representar o Brasil em novembro no concurso de Mister Mundo, provavelmente na Itália.
O homem mais bonito do país é formado em Administração de Empresas e tem uma loja de roupas em Votuporanga. Começou a trabalhar como modelo free-lancer sem querer. Todas as vezes que ia a São Paulo fazer compras era convidado a desfilar.
Mesmo fazendo “pequenas correções” nas sobrancelhas, Vinícius não é apenas um rostinho bonito. Ele tem mais um predicado: gosta de decorar passagens da Bíblia para usá-las nas palestras que promove em um centro espírita.
Na adolescência não se achava bonito. Tinha as pernas finas. E hoje? “Deixo para o público avaliar”.
Além do corpo e do rosto, o discurso reforça: estamos diante de um verdadeiro mister.

tatinha13    8:21 — Arquivado em: Sem categoria


24.3.08

ALISTE-SE JÁ!

 A campanha para as eleições municipais no Rio já começou. E bem antes do planejado. O catalisador? O mosquito da dengue. Segundo as estatísticas, a doença atinge 85 pessoas por hora no Rio e já ultrapassa os 30 mil casos.
Enquanto governo e prefeitura trocam acusações, o mosquito deita e rola providenciando a internação de várias vítimas – a maioria crianças.
É impressionante como medidas tão simples não conseguem ser tomadas tanto pelas autoridades como pela população. Até uma criança de 7 anos é capaz de entender que água parada é uma piscina aquecida para o transmissor da doença.
Também não é o caso de se convocar as Forças Armadas – como já anunciou de Washington Nelson Jobim – ou de pôr a culpa nas chuvas, como fez o prefeito César Maia.
O uso das armas seria muito mais eficaz para combater a criminalidade e o tráfico no Rio do que para matar pernilongo. Mais rápido, prático e barato seria ligar para o “DDDrin”.
Quando José Serra era Ministro da Saúde realizou um trabalho de alto nível em diversas áreas, como no combate à dengue, na prevenção da Aids e até na quebra da patente de remédios.
A estrutura estava montada e funcionando. Por que não manter o que já estava sendo feito? Se o problema for a dificuldade em dar o braço a torcer, o mais recomendável é agir como Lula e apenas trocar o nome de programas que existem e são comprovadamente bem-sucedidos. Ótima tática.
Até lá vamos batendo cabeça e brincando do jogo da batata quente.

tatinha13    14:47 — Arquivado em: Sem categoria


23.3.08

O PESO DA TRADIÇÃO

 Uma canção, um filme, um livro, um lugar, uma frase e até um instante se tornam inesquecíveis por algum motivo. Marcantes ao seu tempo, emocionam platéias, ficam para a história e mais tarde se tornam alvo de plágio ou de paródia.
Em certos casos ninguém sabe explicar muito bem por que um clássico virou um clássico. Revestido por uma aura quase que transcendental, não raro criamos expectativas que são frustadas logo que tomamos conhecimento do todo.
Já me decepcionei com alguns deles – principalmente filmes. Alguns exemplares, apesar de terem representado uma época, não fazem muito sentido hoje – ai de quem se arrisca a dizer que não achou graça em "Cidadão Kane", tido como a obra-prima de Orson Welles.
Como existem clássicos em todas as áreas, vários deles estão na minha listinha esperando para serem apreciados, afinal requerem uma dose extra de tempo. A maioria é longa e só reforça a dúvida sobre se as pessoas antigamente tinham mais tempo ou nós é que somos estressados demais.
O deste feriado de Páscoa foi “Luzes da Ribalta”, de Charles Chaplin. Sim, um clássico. Mas para que faça mais sentido é necessário lembrar que é uma obra de 1952, período romântico, de entre-guerras, cheio de esperança. No Brasil é o momento em que são feitas as primeiras transmissões de TV – imaginem a dificuldade para rodar uma cena.
Escrito e dirigido por Chaplin, é mais do que a história de amor entre um palhaço e uma bailarina. É um Romeu e Julieta às avessas – o caso deles tem início por causa de uma tentativa de suicídio – com um final imprevisível.
O mais interessante é encontrar Chaplin de cara limpa, irreconhecível sem cartola, bengala e bigodinho. Um senhor de cabelos claros, sério e com a mesma tristeza no olhar.
Apesar de não ser um musical – os números são longos –, ganhou o Oscar de melhor trilha sonora 20 anos após a estréia.
Aproveitem este feriado clássico para assisti-lo. Boa Páscoa!

tatinha13    8:51 — Arquivado em: Sem categoria


22.3.08

CABEÇA DE PUDIM

 Há algum tempo venho reparando nas semelhanças entre o nosso corpo e as crianças.
Crianças precisam de rotina. Os especialistas dizem que é necessário que elas tenham noção de horários e responsabilidades. Hora de almoçar é o momento de comer à mesa – posta, com toalha, garfo, colher, tudo nos conformes. Não há choro que a livre desta tarefa.
O mesmo com o nosso corpo. Ele precisa se acostumar a certos horários para que possamos ter uma vida mais tranquila. Recomenda-se, entre outras coisas, tentar dormir à mesma hora e que só rumemos para a cama quando o sono bater.
Crianças também gostam da repetição, especialmente as bem pequenas, para quem basta fazer uma careta, deixar cair algo ou se machucar sem querer que conquistamos a simpatia delas. Daí passamos os cinco minutos seguintes repetindo a graça – que pode virar um pesadelo se ela entoar um “de novo!”.
O corpo também sofre deste tipo de capricho infantil. Como escrevi num post anterior, não existe segredo quando o assunto é malhação. A repetição diária das séries de exercícios fará com que o resultado desejado apareça. Ele demora, é verdade. Com perseverança, em pouco mais de um ano tudo começará a se definir.
As crianças são seres muito espertos e inteligentes. Com pouco tempo de vida já são observadoras o suficiente para controlarem seus amos. Aprendem rápido a fazer charminho e chantagem. E conseguem o que querem. Quem bobear, dança.
O corpo, mais uma vez, também tem seus truques. Há muitos que cometem um erro comum quando estão de dieta. Ficam horas sem comer achando que estão queimando tudo o que podem nessas horas de jejum. Mas o corpo, que não é bobo nem nada, simplesmente pára de gastar calorias para economizar energia.
Criança dá um trabalho danado. Precisa de ajuda até para as atividades mais simples, dá uma canseira nos pais, tios, avós, professores e babás, gosta do que faz mal e quer tudo o que não pode. Exige dedicação total e uma polpuda conta no banco.
E o nosso corpo? Psicologicamente, intelectualmente e aparentemente também só quer saber do que não presta – chocolate, batata frita, frituras, massas e características que sabemos muito bem –, exige cuidados 24 horas – depilação, manicure, visitas periódicas a dentistas e ginecologistas – e consome boa parte de nossos rendimentos. Seja para mantê-lo funcionando ou para ajudá-lo a trabalhar melhor, nosso bolso parece estar sempre furado.
Ambos, crianças e corpos, vão envelhecendo. A diferença é que nosso corpo, se bem educado, pode se transformar num adulto com um futuro promissor. Já as crianças podem virar apenas… corpos.

tatinha13    15:01 — Arquivado em: Sem categoria


21.3.08

COELHINHO, O QUE TRAZES PRA MIM?

 Nós somos um povo de idéias férteis – talvez a maior prova de que o ócio criativo existe. A tese que mais nos credencia ao sucesso é a de que em qualquer competição internacional de mídia nossos publicitários estão sempre entre os primeiros.
De fato, idéias absurdas são o nosso forte. Deveríamos usá-las mais a nosso favor e revertê-las em algo útil. Pelo menos ganharíamos algum dinheiro.
É o que fazem os americanos, que conseguem dar um toque de Midas nas maiores tolices. Dois casos me chamaram a atenção esta semana.
Duas adolescentes da Virginia tentaram leiloar um cereal que, segundo elas, era da forma do Estado de Illinois. Conseguiram ofertas de até 200 mil dólares no eBay, mas o leilão foi cancelado porque houve suspeita de violações das regras do site.
Hoje, uma nova descoberta: um concurso de chulé. Oito garotos com idades entre 7 e 15 anos participaram em Montpelier do “Concurso Anual de Chulé”.
O evento, que acontece desde 1975, é tratado com profissionalismo. O corpo de jurados conta com um “Cheirador Master” – um químico que participa até de missões espaciais da Nasa – e uma Ph.D, professora da Brown University e autora do livro “O Cheiro do Desejo”.
Os critérios de avaliação não são menos sérios. Além do cheiro, são analisados a sola, a lingueta, o salto, os cadarços e até os ilhoses metálicos. Não basta ter cheiro, tem de impressionar.
O regulamento diz que são aceitas apenas crianças com idades entre 5 e 15 anos. Sapatos, sandálias, botas ou outro tipo de pisante não participam.
O vencedor foi o adolescente Benjamin Russell, de 15 anos, representante do Alasca. Além dos 2.500 dólares, levou para casa uma viagem para Nova York com todas as despesas pagas para ver o show “O Rei Leão”, na Broadway, e um kit para manter seus tênis cheirosos. Claro que tudo foi patrocinado por uma marca de talcos antissépticos.
Notícias assim me fazem pensar menos no ócio e mais no criativo. Oxalá o Coelhinho da Páscoa me traga alguma idéia.

tatinha13    12:02 — Arquivado em: Sem categoria
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