23.3.08

O PESO DA TRADIÇÃO

 Uma canção, um filme, um livro, um lugar, uma frase e até um instante se tornam inesquecíveis por algum motivo. Marcantes ao seu tempo, emocionam platéias, ficam para a história e mais tarde se tornam alvo de plágio ou de paródia.
Em certos casos ninguém sabe explicar muito bem por que um clássico virou um clássico. Revestido por uma aura quase que transcendental, não raro criamos expectativas que são frustadas logo que tomamos conhecimento do todo.
Já me decepcionei com alguns deles – principalmente filmes. Alguns exemplares, apesar de terem representado uma época, não fazem muito sentido hoje – ai de quem se arrisca a dizer que não achou graça em "Cidadão Kane", tido como a obra-prima de Orson Welles.
Como existem clássicos em todas as áreas, vários deles estão na minha listinha esperando para serem apreciados, afinal requerem uma dose extra de tempo. A maioria é longa e só reforça a dúvida sobre se as pessoas antigamente tinham mais tempo ou nós é que somos estressados demais.
O deste feriado de Páscoa foi “Luzes da Ribalta”, de Charles Chaplin. Sim, um clássico. Mas para que faça mais sentido é necessário lembrar que é uma obra de 1952, período romântico, de entre-guerras, cheio de esperança. No Brasil é o momento em que são feitas as primeiras transmissões de TV – imaginem a dificuldade para rodar uma cena.
Escrito e dirigido por Chaplin, é mais do que a história de amor entre um palhaço e uma bailarina. É um Romeu e Julieta às avessas – o caso deles tem início por causa de uma tentativa de suicídio – com um final imprevisível.
O mais interessante é encontrar Chaplin de cara limpa, irreconhecível sem cartola, bengala e bigodinho. Um senhor de cabelos claros, sério e com a mesma tristeza no olhar.
Apesar de não ser um musical – os números são longos –, ganhou o Oscar de melhor trilha sonora 20 anos após a estréia.
Aproveitem este feriado clássico para assisti-lo. Boa Páscoa!

tatinha13    8:51 — Arquivado em: Sem categoria
3 Comentários
  1. Tati, obrigada por expor tão bem sobre esse filme que ainda quero ver. Nesse feriado, vi um Charles Chaplin (”Um rei em Nova York”) recheado de críticas ao governo americano da época. Também vale a pena!
    Beijos.

    Comentário por Vaninha — 24.3.08 @ 10:35

  2. Tá bom, eu confesso: não achei a menor graça em “Cidadão Kane”.
    E também confesso que, mais do que “Luzes da Ribalta”, o meu favorito é “Luzes da Cidade”. Dramalhão açucarado, mas que sempre me faz chorar…
    Beijos.

    Comentário por lucy in the sky — 24.3.08 @ 13:53

  3. Chaplin dispensa comentários, mas não deixem de ver ” O dono do mundo”
    beijos

    Comentário por Taussa — 24.3.08 @ 17:35

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