29.3.08

PÁRA TUDO QUE EU QUERO DESCER

 Todos os telejornais em São Paulo só tratam de um assunto: trânsito. Nem é preciso assisti-los diariamente. As imagens e os comentários dos repórteres nos poupa de cumprir a tarefa, afinal, os boletins com a situação nas principais vias da cidade são sempre os mesmos: “x” quilômetros de congestionamento na Marginal Tietê, “x” na Pinheiros – melhor pela pista expressa –, 23 de Maio lenta nos dois sentidos e por aí vai.
É tanto engarrafamento que nem acho que seja notícia. O tema só mereceria destaque no dia em que a cidade não mais os registrasse.
Não chega a ser novidade ruas e avenidas com tráfego intenso tanto na parte da manhã como à noite. É preciso escolher horários alternativos para circular em São Paulo, já que cinco a cada dez paulistanos têm carro.
Segundo pesquisa publicada hoje pela Associação Nacional dos Transportes Públicos 58% dos paulistanos consideram o ônibus ruim ou péssimo.
Também não precisávamos de um estudo como esse para reforçar o que já sabíamos.
Recentemente, moradores revoltados com a má qualidade do transporte público fecharam por quatro horas a avenida Guarapiranga enquanto queimavam pneus, ateavam fogo e jogavam pedra nos ônibus.
Na semana passada o prefeito Gilberto Kassab disse que pensa em ampliar os horários do rodízio. Divulgou ainda uma lista com 175 “rotas alternativas” para quem quer se safar dos engarrafamentos. O problema é que mesmo o alternativo já está saturado.
Portanto, entramos num círculo vicioso. Os ônibus são péssimos, o metrô não consegue carregar tanta gente, todos compram um carro e ninguém anda. E nem voa.
Mesmo se eu fosse milionária teria de reavaliar a hipótese de ter um helicóptero. O chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos previu esta semana que neste ano teremos um congestionamento nos céus da cidade com a entrada em operação de novas aeronaves.
São Paulo já tem a segunda maior frota de helicópteros do mundo – perde só para Nova York – e tudo ainda pode piorar.
A piada fica por conta de uma idéia sem pé nem cabeça da Secretaria de Transportes. Decidiu-se que as estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos vão ser batizadas com nomes e cores de pedras preciosas. O trecho Luz - Francisco Morato-Jundiaí será a Linha Rubi. O percurso Júlio Prestes-Itapevi-Amador Bueno ganhará o nome de Linha Diamante. O ramal que vai até Osasco, será batizado de Esmeralda.
Do jeito que está, seria mais oportuno denominar linhas de ônibus, metrôs e trens com títulos mais escatológicos. Todos nós nos identificaríamos muito mais.

tatinha13    16:06 — Arquivado em: Sem categoria
2 Comentários
  1. A cidade de sampa a muito tempo parou no seu crescimento de rodovias e o aumento de carros está desproporcional a população, e essas pedras preciosas é mais um engodo ao povo paulista nesse ano político.

    Comentário por Juventino — 30.3.08 @ 0:24

  2. Tati, vc sabia que tivemos um Presidente com o nome de Prudente de Morais e depois só presidentes imprudentes e imorais? Então deixa o povo circular como pode nas ruas.
    Bjs.

    Comentário por Elizabeth Simão Galhardo — 30.3.08 @ 16:04

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