30.4.08

DÁ UM CLOSE NELE

 Está comprovado: o homem é um animal, um selvagem. Deixemos de lado os Nardoni e os horrores do pai-estuprador austríaco. Vamos nos concentrar apenas no caso Ronaldo.
Realmente um fenômeno. Gostaria de entender o que move um jogador famoso, milionário, aparentemente feliz – noivo – a parar o carro numa avenida carioca, pegar travestis e levá-los a um motel fuleiro.
Poderia ter saído com garotas de programa, mas se a fantasia era se divertir com homossexuais, com a grana que ele tem poderia contratar travestis do nível de Roberta Close que, pelo menos, aparentam ser mulher.
Daniela Cicarelli estava certa. Vacilou uma vez, dançou. Sábias também foram Raica e Milene Domingues, que deram o cartão vermelho para o jogador.
Já imaginaram o constrangimento de estar casada com um fenômeno, acordar de manhã e dar de cara com uma manchete no jornal dizendo que seu marido estava no motel com mais três travecos?
Ronaldo corre o risco de terminar mal, muito mal. Lula, em mais uma de suas metáforas futebolísticas, descartou a possibilidade de um terceiro mandato ao dizer que o momento de pendurar as chuteiras é quando se está no auge, como Pelé.
Ronaldo precisa levar um lero com o Lula. Ele está passando do ponto: feio, cabeludo, gordo. Daqui para virar Maradona é um pulo. Que triste fim.
Não sei em que versão acreditar, só sei que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco – o dos travecos, no caso.
Lima Barreto, em seu “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, conta a história de um funcionário público extremamente nacionalista. Propõe, entre outras coisas, a substituição do português pelo tupi-guarani. Por causa de atitudes como essa, vai parar até num hospício.
Será que se o Major Quaresma vivesse hoje continuaria tão patriota após ler a notícia das peripécias de Ronaldo? Ia pirar ainda mais? Diria que o jogador terá um fim tão triste quanto o dele?

P.S.: Volto com os posts no sábado. Nos próximos dias estarei no Festival Nacional do Jerico, em Panelas (PE). Até!

tatinha13    14:10 — Arquivado em: Sem categoria


29.4.08

O FINO DO BREGA

 Dinheiro não é termômetro para avaliar se uma pessoa é muito ou pouco brega, afinal, bom gosto independe da conta bancária.
Tenho reparado, entretanto, que há um outro tipo de brega, os que são cafonas na essência: os bregas comportamentais.
O curioso é que esses estão longe de terem uma ninharia no banco. São geralmente tradicionalistas e revestem tudo – situações, objetos, sentimentos – de um significado muito mais chique do que o real.
O brega comportamental parou no passado. Usa expressões e ouve músicas antigas. Acha que as boas boates não existem mais. Também considera chique passear com um copo de café da Starbucks na mão, falar ao celular enquanto dirige, fazer compras no free shop, pedir dois tipos de vinho no restaurante, provar ambos e optar por uma cerveja, ir para Campos do Jordão no inverno, Maresias no verão e Punta del Este ou Miami nas férias.
Mas a característica mais irritante do brega comportamental é chegar atrasado. Deixar os outros esperando por ele dá um prazer imenso – maior até do que ouvir Roberto Carlos, usar dourado ou saia com bota.

tatinha13    13:52 — Arquivado em: Sem categoria


28.4.08

CUIDADO COM A CUCA

 A relação entre pais e filhos anda conturbada. O que deve ter de criança morrendo de medo de dormir e ser atacada durante a noite não está no gibi. Basta já saber ler ou ligar o jornal para entrar em estado de pânico juvenil. O bicho-papão moderno são os próprios pais.
Além da mãe que jogou uma recém-nascida na lagoa da Pampulha, do assassinato de Isabella Nardoni, um outro caso confirma a tendência.
Na Áustria, uma mulher de 42 anos foi mantida refém durante 24 anos pelo pai. A parte surreal é que foi violentada repetidamente e teve sete filhos com o agressor.
As torturas ocorriam dentro de um cubículo de 60 metros quadrados no porão da casa em que vivia a mãe da mulher / esposa do maluco, que não sabia de nada.
As mensalidades escolares estão pela hora da morte, bem como os planos de saúde. Além disso, atravessamos uma crise mundial de alimentos. Mas qualquer um destes três pontos não passam nem perto de ser justificativa para atitudes como essas. O que está acontecendo? O que querem os pais? Por que tanta crueldade?
Há ainda um caso não esclarecido, o da garota britânica Madeleine, que desapareceu em circunstâncias misteriosas em Portugal. Os pais, mais uma vez, são os principais suspeitos.
Um antiga música do Legião Urbana já avisava: “você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo. São crianças como você…”. Nem criança é capaz de tanta maldade.

tatinha13    13:41 — Arquivado em: Sem categoria


27.4.08

SUANDO FRIO

 A campanha de vacinação contra a gripe para idosos teve início ontem e contou até com uma encenação envolvendo José Serra e Lula, com Serra fingindo aplicar uma injeção no presidente.
O fato é que o bordão “o Brasil é um país de jovens” já não condiz mais com a realidade. A população brasileira está envelhecendo e a campanha é apenas a primeira de uma série de medidas que o governo terá de implementar para garantir um mínimo de dignidade para quem já agüentou os militares, Sarney, Collor e agora Lula.
Personalidades como Ziraldo e Jaguar vão receber mais de R$ 1 milhão em indenizações pelos alegados prejuízos que sofreram com a perseguição política durante o regime militar. Os dois ganharão ainda pensão mensal de cerca de R$ 4 mil.
Mas Ziraldo e Jaguar são duas formiguinhas perto do que está por vir. Mais de 12 mil pessoas já foram beneficiadas por indenizações ou pensões e ainda há 30 mil solicitações para análise. Calcula-se que o país gaste em pensões como o “bolsa-ditadura” cerca de R$ 28 milhões por mês.
Gripe e resfriado podem ser confundidos como uma doença só, mas têm origem e sintomas diferentes. É hora de o governo pensar da mesma forma quanto às pensões e/ou benefícios dados aos brasileiros. Para os idosos, uma campanha de vacinação por ano e olhe lá. Aumento da aposentadoria… nada.
Posso estar enganada, mas bolsa-família, “bolsa-ditadura” e “bolsa-invasão” são doenças bem díspares.

tatinha13    15:30 — Arquivado em: Sem categoria


26.4.08

SALADA MISTA

 “Um Beijo Roubado” é um filme para os cinco sentidos. Narra a história de dois desiludidos pelo amor que se encontram numa esquina de Nova York.
Ele, Jude Law-Jeremy, dono de um café. Ela, Norah Jones-Lizzie, uma perdida que se desorienta ainda mais após levar um fora do namorado.
Após a frustração amorosa, Lizzie inicia uma cruzada pelos Estados Unidos para tentar esquecer o seu ex. Nesse período, se corresponde com Jeremy, com quem havia tido dois breves – mas marcantes – encontros.
Apesar dos altos e baixos, é um filme delicioso. As cenas em que Lizzie saboreia uma “blueberry pie” (torta de mirtilo) com sorvete é uma tortura para quem vive ou não de dieta.
Se a sobremesa vira um tormento para o espectador, o mesmo não se pode dizer da trilha sonora. Os ouvidos agradecem cada canção, bem como nossa visão, premiada com uma fotografia belíssima.
Os momentos de baixa não comprometem o prazer causado por “Um Beijo Roubado” – nem a interpretação tão criticada da cantora Norah Jones.
Há sim duas cenas chatíssimas de carteado envolvendo Natalie Portman – num papel injustificável – e uma história de casal paralela um pouco fora do tom.
A cereja do bolo é mesmo o beijo final, um dos mais bonitos e sutis que já vi no cinema.

tatinha13    14:20 — Arquivado em: Sem categoria


24.4.08

ALIMENTANDO A ALMA

 Podemos até sair ilesos das chacinas e dos terremotos – que agora não poupam nem o Brasil –, mas a gente sabe que mais dia, menos dia, a nossa hora chegará. E se depender dos alimentos que consumimos, nossa passagem para o outro mundo será lenta, gradual e segura.
Análise feita pela Anvisa revelou que o tomate, o morango e a alface estão com agrotóxicos além do permitido. O tomate é o campeão. Das 123 amostras estudadas, 55 apresentaram resultados insatisfatórios.
Quem vai ao mercado e olha atentamente frutas e legumes já desconfiou há tempos de que algo está errado. Os tomates, além de gigantes e vermelhos, estão sempre durinhos, brilhantes. Parecem maçã envenenada de tão provocantes. Idem para os morangos.
Carambolas não são lá uma delícia, mas no supermercado adquirem uma aura especial. Além do cheiro, o vívido amarelo-ouro chama a atenção até de quem deu uma passada no mercado só para comprar uma caixa de bombons.
E as berinjelas, então? Quase podemos usá-las como espelho. A casca, lisa, escura e brilhante, lembra uma imbuia. Não é à toa que abundam escultores de frutas em ruas populares.
Para adoçarmos um alimento temos duas opções: açúcar ou adoçante. Se escolhemos um, corremos o risco da diabetes. Se outro, câncer. Costumo brincar que estou optando pelo câncer. Até morro, desde que seja magra.
O problema da fome no mundo mata muita gente, mas existe uma possibilidade mais cruel. Os que têm uma alimentação saudável, com frutas, legumes e verduras podem partir para uma melhor bem antes. E vestidos com a clássica camiseta do “não bebo, não fumo, morri”.

P.S.: a coluna volta no sábado. Amanhã estarei no Rio. Até!

tatinha13    17:57 — Arquivado em: Sem categoria


23.4.08

LÁ EM CIMA SOU EU

 Hoje me lembrei daquela fábula da festa no céu. Alguém se recorda?
Espalhou-se entre os bichos da floresta a notícia de que haveria uma festa no céu, mas só teriam sido convidados animais que voam. Porém, um sapo que vivia no brejo deu um jeito de participar da festança pegando carona na viola de um urubu.
Alguns acontecimentos desta semana têm, de uma forma ou de outra, elementos da fábula. Não pude me furtar à comparação.
Primeiro, o caso do padre e seus balões não-dirigíveis. Foi à festinha de alguma criança no sábado, pegou umas bexigas coloridas e pensou que mil delas dariam conta do recado. Só se esqueceu de que eram balões de festa e que ele não sabia operar o GPS – aliás, o último contato dele foi nesse sentido.
Ele é padre, mas não é Deus. Teria sido muito mais seguro pegar carona com um urubu.
De Pequim vem a notícia de um inventor chinês que criou um caixão de madeira especial para cães. O curioso é que a urna funerária (foto acima) mais se assemelha a um violão. Perfeito para uma festa no céu.
Já um artista plástico alemão está à procura de um paciente terminal para participar de uma instalação. O doente passaria suas últimas horas de vida em uma galeria, no centro de uma instalação aberta ao público.
É provável que o padre tenha lido essa notícia. Providenciou uma instalação bem colorida e se exibiu para o público, mas levou muito a sério uma das exigências do alemão - a de ser um paciente terminal - e pegou uma carona para o céu. Só de ida.

 

tatinha13    14:08 — Arquivado em: Sem categoria


22.4.08

O TARZAN NÃO MORREU

 Hoje mais uma da série “isso existe?”: Bruno Rezende, o “Homem-Folha”.
Bruno é botânico com especialização em bromélias e atualmente trabalha no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Ganhou a alcunha porque anda circulando por aí com um jardim na parte traseira de seu carro.
Mas o jardim de Bruno não é um gramadinho qualquer. Foi montado graças a uma técnica desenvolvida por um australiano chamada “greenwall” – “parede verde”.
O “greenwall” pode ser feito em vários lugares. Basta ter dinheiro – sai de R$ 500 a R$ 2.000 o metro quadrado – para comprar os materiais que permitem montar um sistema de irrigação e nutrição para as plantas. Além do carro, pode ser feito dentro de casa, em esculturas e até em capacetes, como este que ele usa quando vai à praia de bicicleta pegar onda.
Bruno diz ter notado uma mudança no comportamento dos motoristas. Sempre que está com seu “Folha-móvel” ouve menos buzinas e leva menos faróis altos em seu retrovisor. Há curiosos que perguntam se as plantas são de plástico e também quem queira ter uma área verde dentro de seu veículo.
O interesse de Bruno por plantas começou aos 5 anos, no sítio de sua avó. Ficava encantando com um cipó lotado de bromélias vermelhas e rosas que atraía diversos beija-flores.
Passou a colecionar vários tipos de plantas – hoje tem mais de mil espécies em sua chácara em Niterói. Entrava em sua estufa de manhã e só saía de lá à noite. Teve de fazer análise para aprender a viver em sociedade.
O tratamento psicológico funcionou. Bruno diminuiu as conversas com as plantas, os enroscos com os cipós, se casou e acabou de ter uma filhinha. Pelo visto ele encontrou uma espécie de trepadeira até então desconhecida…

tatinha13    15:05 — Arquivado em: Sem categoria


21.4.08

LÁ VEM A NOIVA

 Na semana que passou Porto Alegre teve sua noite de baile da Ilha Fiscal, quando nossa corte esteve reunida para o casamento de Paula, filha da ministra Dilma Rousseff.
O clima dentro do salão – todo decorado com rosas colombianas vermelhas – fez até com que os convidados se esquecessem de que estavam sendo guardados por um séquito que lembrava as Farc: 300 homens da Brigada Militar da capital gaúcha, viaturas do corpo de bombeiros e ambulâncias.
No jantar, nada de pizza. Engorda. A entrada foi camarão com purê de mandioquinha. Como prato principal, medalhões com risoto de alho-poró.
De sobremesa, nada de tapioca. Pouco chique. Os paladares requintados se refestelaram com petit gateau de doce-de-leite acompanhado de sorvete de creme.
Para regar, nada de Romanée-Conti. Muito caro. O que se viu foi uma ode à América Latina: vinho tinto chileno e espumante argentino. Os mais globalizados tomaram uísque – providenciado por Matilde Ribeiro em algum free shop.
Entre as doçuras, nada de chiclete ou gelatina. Coisa de Aerolula. Em vez disso, cinco mil docinhos e bem-casados embrulhados em papel crepom vermelho.
Mas o melhor da festa foi a pista de dança. A trilha sonora passou por Frank Sinatra e Roupa Nova e culminou com o que poderia ser o hino deste governo: “I Will Survive”.
Deve ter sido uma festa muito bonita. Só pintaram duas dúvidas: quem teria pego o buquê? Houve contribuições para a gravata do noivo?
Só espero que os ilustres convidados não tenham levado bem-casados na cueca.

tatinha13    12:07 — Arquivado em: Sem categoria


20.4.08

O MAPA DA MINA

 Ter um cofre de banco em casa para mergulhar no meio de moedas de ouro, jóias e diamantes não é uma excentricidade só do Tio Patinhas. É um sonho mais do que recorrente.
O assalto milionário ao Banco Central de Fortaleza há dois anos é o exemplo da vida real. Foi o maior no Brasil até hoje. A quadrilha levou quase R$ 165 milhões a partir de um túnel escavado do quintal de uma empresa.
No cinema também é um tema comum. Acredito até que um dos filmes de Woody Allen tenha servido de inspiração para os cearenses.
Em “Trapaceiros” um lavador de pratos sonha em fazer o maior roubo de sua vida. E a existência de um banco localizado atrás de uma pizzaria vazia – e disponível para alugar – é a possibilidade de realizá-lo. O plano é cavar um túnel até o piso da sala de cofres do banco.
Só nesta semana vi dois filmes com a mesma temática: “Um Plano Brilhante”, com Michael Caine e Demi Moore; e “Loucas Por Amor, Viciadas em Dinheiro”, com Queen Latifah, Diane Keaton e Katie Holmes. Em ambos, os faxineiros são os mentores do assalto.
No primeiro, Michael Caine – apesar de velhinho e manco – faz a limpa no cofre de uma empresa de diamantes. Em “Mad Money” – o título original do segundo – o grupo de mulheres deita e rola com o dinheiro que está para ser destruído pelo Federal Reserve.
A história chocha e o final sem graça de “Um Plano Brilhante” me fazem recomendar apenas “Loucas Por Amor, Viciadas em Dinheiro”, que vale pelo ótimo elenco e por uma risada aqui outra ali.
Com tanta variedade de manuais de assalto a cofres em cartaz pelo Brasil ou nas locadoras, a frase que costuma ser vista no final das obras de ficção – “qualquer semelhança terá sido mera coincidência” – passa a ser exigida no mundo real. Com a inclusão de um “não”, claro.
Escolha o seu e boa sorte. Mas tenha em mente que o crime perfeito não existe. O casal Nardoni que o diga.

tatinha13    11:31 — Arquivado em: Sem categoria
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