19.4.08

QUANTO VALE O SHOW?

 Muito triste os rumos do caso Isabella. Com a participação dos pais praticamente confirmada, o show agora fica por conta do público. As imagens do bando de pessoas em frente à delegacia onde o casal prestou depoimento me fizeram pensar.
Inicialmente achei uma palhaçada. Será que essas pessoas não têm o que fazer?
O pior é que não. A maioria deve ser de desempregados ou de gente que se equilibra para sobreviver. Segundo o jornal Folha de S. Paulo eram faxineiras, manicures, depiladoras, acompanhantes de idosos, esteticistas, vendedores, pedreiros e aposentados.
O que leva uma pessoa a sair de casa vestida de Bin Laden, homem-caveira, anjo da guarda e homem-pomba? Por que ficar de plantão em frente a uma delegacia em plena sexta-feira à tarde? Desejo de aparecer, fazer justiça com as próprias mãos ou falta do que fazer?
Para completar o cenário festivo, banheiros químicos, carrinhos de sorvete, refrigerante, pipoca e algodão-doce.
Além da ambientação de um Fla x Flu e dos candidatos a show de calouros, um que havia saído de Cuiabá – exausto após dirigir por 12 horas sozinho rumo a São Paulo – e um outro que levou até bolo para cantar “Parabéns” para Isabella.
Nem é necessário dizer que o comportamento dos presentes diante da guloseima foi o mesmo dos que vão ao bairro do Bixiga todos os anos levar um pedaço do bolo em homenagem a São Paulo.
Só comecei a encarar o espetáculo de outra forma quando pensei na situação do brasileiro. Quem não tem direito à diversão vê em eventos do tipo a única chance de fazer uma farofa sem pagar nada por isso. Muitos dos que estavam lá iam pegar o ônibus cheio e aguentarem o trânsito pré-feriado para voltarem para casa.
É comum cobrarmos participação popular sempre que os escândalos políticos estouram. Se o povo está em todas, é normal questionar a ausência dele em uma situação de vergonha nacional.
Mas não os culpo. Eles só podem ser solidários quando sabem o que se passa. Infelizmente não é o caso quando se trata de política.

tatinha13    9:30 — Arquivado em: Sem categoria


18.4.08

NENHUMA DAS ANTERIORES

 Não estou preocupada com a alta dos juros ou com o Corinthians, mas a cada vez que leio o jornal fico com torcicolo. É muita notícia absurda exigindo movimentos bruscos do meu pescoço.
A eleita de hoje é sobre uma seleção para escriturário da Prefeitura de Taubaté (SP). As questões da prova não deixam nada a dever aos testes do tipo “você é insegura?” de revistas como “Amiga” ou “Capricho”: “Alexandre, Bianca e Fernando participaram de que edição do programa Big Brother Brasil?”; “Que famoso casal global anunciou, recentemente, o fim do casamento?”.
Há também perguntas que exigem raciocínio mais lógico: “Qual é a doença transmitida através do mosquito Aedes aegypti?”.
Uma das questões foi até anulada. Perguntava o nome do presidente da Câmara Municipal de Taubaté, mas a opção correta não constava entre as alternativas.
Até concordo que para ser escriturário e ganhar R$ 450 por mês o candidato não tenha de resolver questões de trigonometria ou calcular a tangente do cateto da hipotenusa, mas a prova poderia ser menos constrangedora. Poderiam ter perguntado, pelo menos, onde nasceu Monteiro Lobato. Ou ainda qual a relação da Narizinho com o famoso pó de pirlimpimpim. Se é para escrachar, que seja por completo.

tatinha13    14:06 — Arquivado em: Sem categoria


17.4.08

EU ACREDITO EM DUENDES

 Os prefeitos-marchadores que estão em Brasília arranjaram um souvenir de grego para levar aos respectivos gabinetes: uma foto com Lula. O detalhe é que não é uma foto posada, com o presidente em carne e osso, mas uma fotomontagem.
É só abrir o sorriso, fazer uma pose tendo ao fundo um cartaz com o logotipo da marcha e Lula ao microfone e contribuir com R$ 20. Está vendendo como água. O fotógrafo responsável disse já ter feito mais de 200.
Ê Brasil… É a velha estratégia do me-engana-que-eu-gosto. E, já que cola, por que não passar a utilizá-lo com mais freqüência? Resolveríamos vários de nossos problemas.
A transposição do rio São Francisco seria evitada com a ajuda de um cartaz gigantesco que traria a foto de um parque aquático paradisíaco posicionado em algum ponto-chave da paisagem nordestina.
O mesmo para o trânsito paulistano. Com o carro parado no congestionamento, bastaria encaixar na frente do veículo um painel mostrando a avenida vazia. O “plus” ficaria por conta dos fones de ouvido tocando música clássica que desceriam junto com a paisagem fictícia.
Provavelmente o jeitinho brasileiro utilizaria a técnica para cometer infrações e outras maldades. Para acabar com a carreira de um adversário político bastaria produzir uma foto do desafeto recebendo dinheiro em um hotel ou colocando grana debaixo do colchão.
Enfim, fotomontagem tem mil e uma utilidades. Depende da imaginação, da sede de poder e da boa vontade de cada um.

tatinha13    18:00 — Arquivado em: Sem categoria


16.4.08

AVESTRUZ TAMBÉM FAZ PALHAÇADA

 Esta semana está sendo marcada por uma série de situações em que os protagonistas deveriam se comportar como avestruzes e enfiarem a cabeça na terra.
A gafe ficou por conta do diretor-geral da ANP, Haroldo Lima. Precipitadamente, divulgou a descoberta do que seria o terceiro maior campo de petróleo do mundo na bacia de Santos. A Petrobras não confirmou e, aos poucos, Haroldo foi dando pra trás. Vergonhoso.
Mas constrangedora mesmo é a notícia envolvendo o governador do Ceará, Cid Gomes, que durante o feriado de Carnaval alugou um jatinho e levou mulher, assessores especiais – com suas respectivas esposas – e até a sogra para a Europa “a trabalho”.
A brincadeira saiu cara. Apenas com o aluguel do aviãzinho gastou-se R$ 388.596. Foi mais de uma semana de labuta entre Madri, Londres, Edimburgo, Dublin e Berlim. El Cid e mais dois passageiros receberam diárias pela viagem – isso sem contar o próprio cartão corporativo do governador.
O mais engraçado é que, procurado pela reportagem, a assessoria informou que El Cid Gomes não poderia falar por estar em viagem à Ásia – desta vez em vôo comercial.
Cid vem a ser irmão do deputado federal Ciro Gomes. Não é a primeira vez que um irmão compromete o outro com planos de se candidatar à presidência – ou já ocupante do cargo. Aliás, por onde anda o Vavá?
Por essas e outras é que o mosquito da dengue entra em ação.

tatinha13    14:37 — Arquivado em: Sem categoria


15.4.08

MAMONAS ASSASSINAS

 Não sei se a alta do preço dos alimentos pode ser justificada à maneira Lula – “os pobres do mundo começaram a comer” –, mas com certeza não tem nada a ver com a fabricação de biocombustíveis.
Além das acusações do presidente francês Nicolas Sarkozy, a revista Time diz numa reportagem de capa que o Brasil é um exemplo “vívido da dinâmica destrutiva dos biocombustíveis”. Afirma também que o fato de políticos e grandes empresas estimularem os biocombustíveis como alternativa ao petróleo está provocando uma alta do preço de alimentos e aumentando o aquecimento global.
Só falta culparem a semente de mamona pela morte da garota Isabella. Ou associarem o aumento do preço da cueca à grande procura pelas roupas íntimas do Abadía.
É difícil concordar com Lula, mas desta vez temos de reconhecer que ele se saiu muito bem na Holanda rejeitando críticas de que a produção de etanol está causando desmatamento. Argumentou que dos 400 milhões de hectares de terras aráveis no Brasil, 60 milhões poderiam ser usados para expansão do etanol.
Uma coisa é a plantação de trigo, feijão, arroz e batata. Outra, bem diferente, é a de plantas oleaginosas. O Brasil é grande, há espaço para tudo.
A verdade é que desde o ano passado os preços dos alimentos aumentaram em média 40%. Se para nós, classe média, já é um absurdo, imaginem para o povo que vive com um salário mínimo e tem de pegar quatro conduções por dia.
Só tenho receio de que alguém pegue carona nesse caos e pose de herói depois. A conferir.

tatinha13    14:44 — Arquivado em: Sem categoria


14.4.08

CONDUZINDO MISTER BUS

 Quando a gente acha que já viu de tudo, aparece uma novidade. A de hoje foi Ricardo Teixeira, um maluco tão apaixonado por ônibus que se autodenomina “Mister Bus”.
Ricardo mora em Belo Horizonte e é fanático por ônibus desde criança, quando usava maços de cigarro para fazer carrocerias. Aprendeu a identificar o motor apenas pelo ronco, sabe diferenciar todas as carrocerias e, de tanto observá-las, reparou em alguns detalhes nas empresas rodoviárias.
Vocês sabiam que a Itapemirim só identifica seus veículos com números ímpares? Que a Gontijo o faz de cinco em cinco? Que na Cometa o número do ônibus é o mesmo do da placa? Nem eu, mas Ricardo considera esses detalhes tão importantes quanto o mistério da morte de Isabella ou quem preparou o dossiê com os gastos do governo FHC.
Ricardo parou de brincar com maços de cigarro, cresceu e ficou desempregado. Então teve a idéia de usar seu background rodoviário para fazer um guia de ônibus do bairro onde mora com uma extensa relação de itinerários e horários.
O negócio deu tão certo que ele foi contratado para trabalhar na BHTrans, onde atualmente dá informações sobre coletivos, educação no trânsito e também fornece ajuda a pessoas nos pontos de ônibus e por celular.
Ricardo também é atleta. Já participou de várias maratonas e de Voltas da Pampulha – sempre com um pequeno ônibus de papelão na cabeça. Até quando corre não esquece sua paixão: vai imitando o ronco de motores e as freadas dos ônibus.
Fôlego ele parece ter de sobra, mas coragem não é o forte de Ricardo. Ele não dirige. Nem ônibus, nem carro. Fica nervoso todas as vezes em que vai para a auto-escola. Nem Miss Daisy ele poderia conduzir…

tatinha13    15:26 — Arquivado em: Sem categoria


13.4.08

COMPRE BATOM

 Muitas vezes durante o intervalo de um programa não coloco a mão no controle remoto. Gosto de assistir aos comerciais – mesmo os ruins. Devo ser uma publicitária frustrada.
Além de prestigiar as propagandas brasileiras, sou fã de um programa que só trata disso, o “Na Hora do Intervalo”, exibido pelo Multishow. Cada vez que o vejo me sinto o ser mais sem criatividade do mundo. Fico com inveja de tanta sacada boa.
Por esse motivo achei interessante uma exposição que está em cartaz num museu em Dusseldorf, na Alemanha, chamada “Publicidade Radical”.
A exibição reúne trabalhos de vários lugares do mundo e, como sugere o título, mostra propagandas – fotos e vídeos – que não são nada convencionais.
Segundo os organizadores, a transição do século 20 para o 21 marcou uma mudança na propaganda. Televisão, Internet e celulares forçaram os publicitários a inventarem novos meios de atrair seus consumidores. Chocar foi o caminho escolhido por grande parte deles – Oliviero Toscani, da Benetton, é um bom exemplo.
Em “Publicidade Radical” há campanhas de diversas marcas, como a já citada Benetton, Sisley, Diesel, Helmut Lang, Calvin Klein, Marlboro e outras.
Há anúncios engraçados e outros nem tanto, como o da vodca Absolut, que usa a forma da garrafa para fazer laço de enforcamento e alertar para os perigos do alcoolismo. Em outro, da Anistia Internacional, duas mãos tentam sair de um bueiro para lembrar de pessoas aprisionadas por motivos religiosos.
Já o da Virgin Airlines promete espaço para passageiros com pernas longas e mostra um urinol a dois metros de altura.
Vejam algumas imagens AQUI

tatinha13    11:10 — Arquivado em: Sem categoria


12.4.08

OLHA O AVIÃOZINHO!

 

 O governo Lula vai morrer pela boca. Não por aquilo que seus integrantes falam, mas pelo que comem – ou bebem.
Tudo começou bem lá atrás, em outubro de 2002, com uma garrafa de vinho. Durante a campanha, após saírem do último debate com José Serra, Lula e seus assessores foram jantar num restaurante em Ipanema. Durante a comemoração, Duda Mendonça deu de presente a Lula uma garrafa de Romanée-Conti, que na época custava mais de R$ 6.000.
Ainda durante aquela campanha o cineasta João Moreira Salles filmou os 30 dias que antecederam a eleição de Lula para presidente. O resultado foi o documentário “Entreatos”. Nele, nossa primeira-dama Marisa Letícia aparece na cozinha, com um prato na mão, devorando uma montanha de arroz, feijão e ovo.
Nada contra o típico e delicioso prato brasileiro nem tampouco contra dona Marisa, mas ela poderia tê-lo saboreado reservadamente e/ou educadamente à mesa, afinal, já se sabia que eram grandes as chances de ela ser primeira-dama.
Daí damos um salto no tempo e chegamos ao segundo mandato de Lula. Estoura a denúncia do mau uso do cartão corporativo por uma série de ministros. Um deles, faminto, resolve gastar R$ 8,30 numa tapiocaria.
Novamente, nenhum problema em uma autoridade comer tapioca, mas seria recomendável ter usado seu próprio dinheiro de bolso. Ou um ministro não tem R$ 10 na carteira?
O Ministro dos Esportes não ficou sozinho nessa. Solidária, Matilde Ribeiro comprou alguns litros de uísque no free-shop com o mesmo cartão oferecido pelo governo.
Agora o jornal “O Estado de S. Paulo” publica uma matéria sobre as guloseimas consumidas no Aerolula numa viagem a Nova York no ano passado. Vejam os números: US$ 80 em chiclete; US$ 103,50 em barras de chocolate; US$ 410,80 em quatro tipos de canapés frios; US$ 104,28 em sorvetes, e US$ 17,40 em gelatinas.
Diante do exposto, depois não adianta colocar a culpa na azeitona…

tatinha13    16:21 — Arquivado em: Sem categoria


11.4.08

FAZ-DE-CONTA

 Acho muito legal quando alguém consegue transformar o que todo mundo vê – mas não enxerga – em arte. No caso, pecinhas de Lego em fotografias poéticas.
A idéia é do inglês Mike Stimpson, que recria cenas de filmes e fotos clássicas usando as peças do brinquedo. E nem fotógrafo ele é. Trabalha com programação de computadores em Birmingham, Inglaterra. Louco por Lego desde os 6 anos de idade, no ano passado começou a fazer fotos usando as pecinhas.
Foram horas e horas de trabalho modelando cenários para criar representações de fotos clássicas, como “Lunch Atop a Skyscraper”, de Charles Ebbets, e “Behind the Gare Saint-Lazare”, de Cartier Bresson.
Há quem ache um pouco macabro representar cenas chocantes usando homenzinhos sorridentes, mas achei genial. Maravilhoso. Mesmo a execução de um jovem durante a Guerra do Vietnã, em 1968, vira arte.
Os próximos projetos de Mike são recriar o gol que Maradona marcou contra a Inglaterra usando a mão, em 1986, e o episódio dos soldados erguendo a bandeira americana em Iwojima durante a Segunda Guerra – tema do filme “Cartas de Iwo Jima”, de Clint Eastwood.
Vejam alguns trabalhos AQUI

tatinha13    8:25 — Arquivado em: Sem categoria


10.4.08

COM A MÃO NO FOGO

 Vivemos numa época cheia de significados. Cada palavra, gesto ou expressão facial, por mais insignificante que sejam, podem ser mal-interpretados e virem a comprometer seus autores. Parece que todos vivem num permanente clima de conspiração em que tudo precisa ter um sentido além do que se consegue captar.
Tudo isso para falar da tocha olímpica. Ela não é mais apenas o símbolo dos Jogos Olímpicos. Virou um ícone de tudo de ruim que a China pode oferecer.
Uma tocha não é uma tocha. Um atleta pode ser um homem-bomba. Até um monge corre o risco de ser um malvado e mentiroso que não liga a mínima para os direitos humanos.
É respeitável os protestos de manifestantes pró-Tibete, mas misturar esporte e política passa longe do conceito de espírito esportivo.
Em Londres, a tocha foi vaiada e uma série de pessoas foram detidas. Em Paris, ela teve de ser colocada dentro de um ônibus após ser apagada durante o trajeto pelas ruas da capital. Em São Francisco, mais represálias. Até o ator Richard Gere participou das manifestações.
O Dalai Lama terá muito trabalho pela frente, já que o percurso da tocha é longo, o maior da história dos Jogos Olímpicos.
Talvez seja roubada antes de atingir seu destino, no Vietnã, de onde segue pela China até chegar a Pequim, em agosto.
Nós brasileiros ficamos na torcida – como sempre. Na América Latina a chama da discórdia só passará pela “capital do Brasil”, Buenos Aires, nesta sexta-feira.

tatinha13    10:51 — Arquivado em: Sem categoria
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