31.5.08

Acabo de inventar o Troféu “Didi Mocó”, concedido aos maiores patetas e “nós cegos” da semana. Os primeiros a colocarem a mão no prêmio fazem jus a tanto.
O primeiro é um assaltante que entalou numa churrasqueira de uma casa em Porto Alegre na madrugada de ontem.
Além de ficar algumas horas entalado e correr o risco de virar churrasquinho, ainda foi preso em flagrante. Deu a sorte de os moradores serem um casal de velhinhos. Se fosse comigo, acenderia a churrasqueira às 6 da manhã.
As meias furadas só corroboram que ele é merecedor do distinto prêmio.
O segundo troféu “Didi Mocó” é coletivo. Vai para funcionários e donos de um posto de gasolina em Diadema, na Grande São Paulo. Decorridos 150 dias deste ano, o posto já foi assaltado 130 vezes. E o pior: por dois garotos – um de 12 e outro de 15 anos – que usavam uma pistola de videogame e fugiam de bicicleta.
Uma, duas, três, cinco, dez vezes já seriam demais. Mas 130? Troféu para eles.
A insígnia para esses personagens deve estar à altura de tanta patetice. Portanto, como seria esse troféu? Quais seriam os dizeres da plaquinha na base do prêmio? Mandem suas sugestões até sábado, dia 7 de junho. A melhor resposta leva uma camiseta do filme “Zodíaco”.
30.5.08

Depois da queimada de pessoas vivas, o espancamento é a nova moda por aqui. Isabella Nardoni e o engenheiro da Eletrobrás hostilizado pelos caiapós têm agora um companheiro: um professor brasiliense, espancado até desmaiar.
A selvageria ocorreu em Ceilândia (DF). Os suspeitos são dois jovens, sendo um ex-aluno da vítima.
Após ser expulso da sala, o jovem teria apedrejado um carro. O professor foi atrás do rapaz, mas o encontrou acompanhado de um amigo. A dupla espancou o mestre com chutes e socos. Desacordado, o professor foi levado ao hospital de Base. Hoje ele recebeu alta e passa bem.
Sempre tive medo do ser humano. Meu temor não está ligado à força física, mas ao que o Homem é capaz de pensar e tramar para humilhar ou maldizer o outro.
Diante dos últimos acontecimentos, no entanto, começo a ter medo do ser humano como tenho de um tigre-de-bengala.
Apesar de achar que palavras bem-colocadas consigam aniquilar o inimigo, parece que o sentido de “poder” e “força” no Brasil estão um tanto quanto distorcidos. “Força” é força no braço.
Dia desses soube que o lema do nosso Exército é “Braço Forte, Mão Amiga”. Como não somos um país de leitores – 45% acabam de confessar que não gostam de ler –, é provável que alguns só estejam lendo a primeira parte do slogan.
29.5.08

O resultado de uma pesquisa sobre os hábitos dos leitores no Brasil não traz nenhum imprevisto.
Segundo o estudo, 45% dos entrevistados não gostam de ler. Ou seja, 77 milhões de brasileiros. Lemos, em média, 4,7 livros por ano.
Até que é bastante. Não podemos nos esquecer que o povão tem de optar entre o feijão e a leitura. Além disso, que incentivo para comprar um livro tem o sujeito que não entende o que tenta decifrar? Analfabetismo não é apenas não saber escrever o nome, mas ser incapaz de interpretar um texto.
Nem o ranking dos livros lidos é novidade. A Bíblia é citada por quase metade dos entrevistados.
Aí entramos num outro ponto: não acredito que a Bíblia seja tão esmiuçada assim. Esta é apenas a resposta-coringa – não somos nada católicos na prática.
A Bíblia é seguida por “Código da Vinci”, “O Segredo” e “Harry Potter”. Daí vêm clássicos como “Cinderela” ou “Chapeuzinho Vermelho”, um romance espírita – “Violetas na Janela” – e livros de vestibular, como “Dom Casmurro” e “A Moreninha”.
A maior surpresa foi não ter encontrado um título sequer de Paulo Coelho entre os 20 mais lembrados. Nosso bruxo-mestre foi desbancando por outro, o Harry Potter.
Finalmente as minhas mandingas contra o mago estão surtindo efeito.
28.5.08

Que o brasileiro é vaidoso ninguém discute. Que somos o segundo na lista dos que mais recorrem às cirurgias estéticas no mundo também não é novidade. O que merece atenção é que estamos importando clientes interessados num “extreme makeover” made in Brasil.
Felizmente o turismo sexual parece estar cedendo lugar a uma nova categoria de turismo, o estético. Estrangeiros de todos os cantos têm aproveitado as férias de julho para criarem o corpo que sempre pediram a Deus.
Em algumas clínicas do Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza as estrangeiras já são quase 20% da clientela. Só no mês passado a clínica de Ivo Pitanguy recebeu 50% de gringos.
O fato é que intervenções cirúrgicas deste naipe são cada vez mais coisa para inglês ver. Até o início deste ano estandes nos shoppings paulistanos ofereciam operações plásticas em até 36 vezes. Verdadeiras Casas Bahia do bisturi.
Mas esse esquema de cirurgia no crediário foi proibido no início do ano. O Conselho Federal de Medicina considerou que a intermediação de empresas para o financiamento de procedimentos médicos configura “mercantilização da medicina”. Sábia decisão.
Ao brasileiro resta se contentar com perfumaria. E uma famosa feira de cosméticos que acontece em São Paulo tem dado conta do recado há vários anos.
Entre as novidades desta edição, o shampoo “SOS Balada” – que dispensa água e pode ser usado em qualquer lugar –, um desodorante que funciona melhor quanto mais suor for produzido, e o “regu-stretch”, que promete prevenir e reparar estrias.
É provável que os produtos não cumpram com os resultados prometidos, mas o brasileiro pouca liga pra isso. Está tão acostumado a falsas promessas que estas novidades são mesmo perfumaria.
27.5.08

Se não fosse pelo ótimo “CQC” – programa da trupe de Marcelo Tas que já citei aqui no blog – o aniversário de 15 anos do Plano Real passaria batido para mim. Não que existam motivos para comemorarmos, mas curiosamente não vi nada sobre o assunto.
Em 15 anos pouca coisa mudou. Tivemos bastante auê, ganhamos o tal grau de investimento, algumas cicatrizes na questão ambiental e inúmeros programas assistencialistas, mas apesar dos títulos pomposos, a essência continua a mesma – por mais que alguns tentem tapar o Sol com a peneira.
Entre esses alguns cito o ex-ministro Delfim Netto. Em uma entrevista à revista “Poder” do mês passado ele faz declarações que seriam impensáveis há 30 anos.
Para Delfim o país está numa situação de bonança que é quase inacreditável. O PAC trouxe à tona o “problema do desenvolvimento”, algo que, segundo ele, fazia 20 anos que ninguém falava.
Sem citar o Plano Real em praticamente toda a entrevista, disse que o Brasil estava falido em 2002. Fernando Henrique entregou o país com a inflação rodando os 30% ao ano e com a dívida externa crescendo a 6,5%.
São feitas comparações em vários momentos – todas com saldo positivo para o petista. E não poupa elogios ao atual presidente: “O Lula é o Darwin andando. É um processo da seleção natural mesmo, e com uma vantagem: nunca leu Karl Marx”. Quem te viu, quem te vê…
Delfim também faz uma revelação: “Hoje, duas coisas são conquistas: a defesa do meio ambiente pode até ser exagerada, mas é um negócio definitivo. Eu, quando era moleque nas ruas do Cambuci, matava passarinho e comia o passarinho”.
A julgar pelas declarações à revista, pelo jeito ele continua traçando pássaros. Mas agora só tucanos.
26.5.08

Com 15, 16 anos temos praticamente uma missão impossível: a de decidir o que vamos fazer pelo resto de nossas vidas. Com bastante freqüência muita gente faz a opção errada. Aí, das duas uma: ou passa décadas abandonando um curso e entrando em outro ou conclui a faculdade e se transforma num profissional frustrado e, conseqüentemente, incompetente.
De fato, um adolescente ainda não tem background para bater o martelo mais importante de sua vida. De missão impossível ele só conhece o filme – e olhe lá.
Seria uma maravilha se pudéssemos fazer como o Guga, que trilhou o caminho inverso.
Guga tem pouco mais de 30 anos e a partir de hoje já curte a vida de aposentado. Milionário, dormiu quase 12 horas seguidas, acordou com dores no corpo às 11 da manhã, foi para Roland Garros, fez exercícios e foi parado para autógrafos por onde passou.
Planeja fazer uma viagem de mochilão pela Europa “vendo se consegue quarto em hotel de última hora” e também cogita a hipótese de voltar a estudar. Quem sabe um grupo de estudos ou até mesmo uma faculdade.
Sem dúvida, com quase US$ 15 milhões na conta tudo fica bem mais tranqüilo – eu até me arriscaria num curso de Física Quântica ou Química.
Mas como a realidade é cruel, vamos nos virando como podemos.
A nós, mortais, nos resta o sonho de nascer com algum talento especial na próxima reencarnação.
25.5.08

Tenho uma ótima dica para Renan Calheiros comemorar hoje o aniversário de um ano do escândalo que culminou em sua renúncia da presidência do Senado.
Renan tem ótimos motivos para festejar, afinal, se livrou de cinco processos no Conselho de Ética e o inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal tramita em segredo de Justiça.
Além disso, Mônica Veloso recebeu uma boa graninha posando para a “Playboy”, escreveu um livro e até descolou um programa sobre carros para apresentar, fatos que devem ter contribuído para que ela reavaliasse o valor da pensão que pedia ao ex-senador.
Talvez a minha sugestão de hoje nem seja novidade – é provável que o pessoal da república de Ribeirão já tivesse conhecimento –, mas achei interessante.
Trata-se de um botão que, quando pressionado, organiza um ambiente de festa em questão de segundos. A idéia é do americano Brian Gaut.
Basta um toque para que todas as luzes se apaguem, as cortinas se fechem, a máquina de gelo seco comece a funcionar, o MP3 player toque e, finalmente, que a luz estrobo se acenda na entrada do refrão.
Dinheiro não é problema para Renan, mas se houver interesse de algum leitor, o sistema todo sai em torno de mil reais.
Portanto, é só selecionar a trilha sonora, sacudir a poeira do sofá azul, encomendar o bufê de tapioca e chamar os amigos.
Se pintar polícia, sem problemas. O botão pode ser pressionado a qualquer momento para reverter todo o processo. Mas atenção, Renan, o sistema ainda toca uma saideira – o que talvez seja útil na fuga dos convidados.
Assistam AQUI a festa de Gaut
24.5.08

Aos 25, bodas de Prata. Aos 50, de Ouro. Aos 60, de Diamante. Ficar viúvo: não tem preço.
Bobagens à parte, esse parece não ter sido o pensamento de Lula e Marisa, que há 34 anos estavam, ambos, viúvos, e ontem comemoraram 34 anos de enlace.
Marisa se casou pela primeira vez aos 19 anos e perdeu o marido, motorista de táxi, numa tentativa de assalto. Grávida de quatro meses, estava na rua da amargura.
Em uma entrevista à revista “Playboy” de 1979 Lula revela que era completamente apaixonado pela sua primeira esposa, Maria de Lurdes, com quem foi casado de 1969 a 1971.
A mulher morreu durante o parto do primeiro filho do casal, deixando Lula traumatizado: “pensava que nunca mais iria casar, foram seis meses que fiquei sem perspectiva de vida”, falou Lula.
Marisa disse que o presidente insistia muito, ligava todos os dias para marcarem de saírem. Até que deu certo. Surgiu o Lulinha Paz e Amor e eles viveram felizes para sempre.
Sei lá de onde saiu essa nomenclatura de contagem matrimonial, mas ela ilustra de forma perfeita o tal do ócio criativo. O inventor até tentou seguir uma lógica, mas foi levado por caminhos tão imaginativos que fariam inveja ao ganhador do “IG Nobel”.
A maioria das bodas levam nomes de pedras ou metais preciosos, mas em alguns casos não têm a menor lógica. Vejamos:
Com um ano o casal celebra bodas de Papel. Com oito, de Barro ou Papoula (qual a relação do barro com a papoula?). Com 10, de Estanho ou Zinco. Com 23, o criador se deixa levar pelo ócio e denomina a comemoração de bodas de Palha.
Aos 52 recebem o nome de bodas de Argila – até dá para entender. Com 52 anos o casamento já está se moldando a tudo que é situação.
São necessários cem anos de matrimônio para o casal alcançar as bodas de Jequitibá. Não seria mais adequada trocá-la pela denominação do 11º aniversário, bodas de Aço?
Lula e Marisa ainda estão nas bodas de Oliveira. Nós, cada vez mais necessitando do aço para outros fins: (re) compor nossos nervos.
23.5.08

Não são apenas as mais de 700 autoridades dos Três Poderes – presidente e vice-presidente da República, ministros em geral, senadores e deputados federais – que têm direito a foro privilegiado no país.
Há um tribunal genérico e não-oficial que só funciona para algumas personalidades brasileiras e que independe da qualidade do advogado do réu.
Na madrugada de ontem, na saída de uma boate em São Paulo, o jogador Kleber, do Palmeiras, atropelou um torcedor são-paulino após uma discussão sobre futebol. O caso ainda não deu em nada. E provavelmente nem vai dar.
Em 2000 o pagodeiro Alexandre Pires atropelou e matou um motoqueiro em Uberlândia. O cantor fugiu quietinho e passou bem longe do xadrez. Foi botar pra quebrar em outros cantinhos – Miami, no caso.
E o mico envolvendo outro pagodeiro, Netinho de Paula, que agrediu a mulher no melhor estilo índios caiapós? Ficou esquecido em algum lugar do passado, assim como as “princesas” que ele apadrinhava na TV Record.
O episódio relacionando o estilista Ronaldo Ésper ao roubo de vasos do cemitério do Araçá também ficou para a história. Hoje ainda é motivo de piadas. E só.
É claro que nos Estados Unidos há os O.J. Simpson da vida, mas na maior parte das vezes o superstar paga o pato.
A vida de Michael Jackson nunca mais foi a mesma após ser acusado de pedofilia. Seu maior xodó, o rancho “Neverland” (Terra do Nunca), foi confiscado, mas Michael conseguiu evitar a venda após conseguir um financiamento de grande empresa de investimentos imobiliários.
Já o ator Wesley Snipes, de “Blade”, foi condenado no mês passado a três anos de prisão em três processos relacionados à sonegação de impostos. O governo diz que ele não presta contas ao Leão desde 1998.
Snipes teve de rebolar para permanecer em liberdade enquanto recorre na Justiça contra as três condenações. Senão estaria atrás das grades.
E nós aqui, penando para negarmos um habeas corpus ao laranja do dossiê, José Aparecido Nunes Pires, ou encontrarmos provas para detonarmos Paulo Maluf. Não vai acontecer nada. Nunca. “Neverland” é aqui.
22.5.08

Há muito tempo não via imagens tão cruéis quanto às que assisti nos telejornais de anteontem. Coisa da Idade da Pedra mesmo.
Refiro-me às facadas desferidas por índios caiapós em Paulo Fernando Rezende, engenheiro da Eletrobrás. O ataque ocorreu durante um encontro em Altamira (PA), enquanto ele falava sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte.
Num episódio que beirou a rinha de galo, os índios resolveram libertar os instintos de seus antepassados a fim de se mostrarem contrários à construção da usina. Ninguém foi preso.
Se não estão civilizados, é melhor que se recolham à floresta e vivam em suas próprias comunidades. Que exerçam essa selvageria entre seus iguais, porque domesticados eles definitivamente não são.
Se havia policiais no local eles se recolheram às suas ocas. Se existiam aparelhos para detectar metais, eles não estavam funcionando. Se os índios têm ou não razão nem interessa mais.
O que serve de consolo é o presidente da Funai ter declarado que os índios devem ser julgados como qualquer outro cidadão brasileiro.
Depois das imagens de Altamira a motosserra de Hildebrando Pascoal é fichinha.