3.5.08

SÓ FALTA FALAR

 Nas primeiras edições muita gente deve ter pensando que o Festival Nacional de Jericos de Panelas (PE) era a genuína idéia de jerico.
Mas 36 anos depois o festejo vem se firmando como a principal atração turística de toda a região, atraindo gente de Caruaru e até das não tão próximas Recife e Olinda.
Panelas, que tem por volta de 25 mil habitantes, costuma receber 120 mil pessoas nos dias de festa.
Com a cidade lotada, camelôs aproveitam para faturar alto. Vende-se de tudo nas ruazinhas que dão acesso à praça principal. Brindes relacionados ao evento – camisetas e cadeirinhas infantis –, guarda-chuvas, bolsas, relógios a R$ 1, bebidas e muita comida. Frutas da região como pitomba e imbu, queijo coalho e milho assados na brasa, batata-frita, bolos de todos os tipos e tanajura.
Panelas está longe da China, mas nesta época do ano seus habitantes saboreiam tanajura frita. Como a formiga é difícil de ser encontrada, um copinho com cerca de 100 gramas da iguaria sai entre R$ 3 e R$ 4.
Além da apresentação de grupos folclóricos, como banda de pífanos, bumba-meu-boi, bacamarteiros e maracatus, há shows de bandas populares como Gatinha Manhosa, Boeing do Maluco, Swing do Forró, Calcinha Preta e Forró Moral.
O ponto alto é a tradicional corrida de jericos, mas o mais divertido é o concurso de jericos fantasiados. Deu de tudo: mosquito da dengue (com asas e tudo), Visconde de Sabugosa, trabalhador rural, Dercy Gonçalves (maquiada) e até um jerico em homenagem aos 100 anos da imigração japonesa – que mais lembrava um carro alegórico. Havia também um “jericoteca”, cujo objetivo era incentivar a leitura.
Os jurados avaliavam, além da criatividade e da beleza da fantasia, o tema e a apresentação diante do corpo de avaliadores, formado por psicólogas, advogadas, professoras e até um radialista. Não havia nenhum trabalhador rural ou fazendeiro, os mais indicados para opinarem sobre o assunto.
Mesmo com os jericos saindo pelo ladrão, nem todo panelense é dono de um.
Dos cerca de 15 candidatos, nenhum deles era, de fato, proprietário do animal. Para participar, alugam um. Preço: R$ 20 o desfile.
Numa decisão questionável, Visconde de Sabugosa foi o grande campeão da tarde. Deu às suas inquilinas uma TV de 29 polegadas.
Infelizmente o mosquito da dengue – visivelmente mais preparado – teve de picar em outra freguesia.
No mesmo cenário do concurso de fantasias – o jericódromo – acontece a tradicional corrida de jericos, dividida nas categorias feminino e masculino. Este ano não houve inscrições de mulheres, portanto, a disputa ocorreu entre 67 jóqueis.
O traçado do jericódromo é uma linha reta de 200 metros. Em vez de terra batida ou asfalto, a pista é de paralelepípedo, responsável pela graça da competição. Com chuva, ocorreram alguns acidentes – um dos jóqueis foi até para o hospital.
Alguns tombos e diversas baterias depois, o campeão: o garoto Alex, de 14 anos, e o jerico Motoqueira. Ambos levaram para casa uma moto avaliada em R$ 7 mil. Questionado sobre o que faria com o prêmio, o menino disse que a daria para o dono do animal. Ganharia apenas uma comissão simbólica pela bela pilotagem. Às vezes o combinado sai caro.

Vejam algumas fotos AQUI

tatinha13    16:23 — Arquivado em: Sem categoria


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