23.5.08

NEVERLAND É AQUI

 Não são apenas as mais de 700 autoridades dos Três Poderes – presidente e vice-presidente da República, ministros em geral, senadores e deputados federais – que têm direito a foro privilegiado no país.
Há um tribunal genérico e não-oficial que só funciona para algumas personalidades brasileiras e que independe da qualidade do advogado do réu.
Na madrugada de ontem, na saída de uma boate em São Paulo, o jogador Kleber, do Palmeiras, atropelou um torcedor são-paulino após uma discussão sobre futebol. O caso ainda não deu em nada. E provavelmente nem vai dar.
Em 2000 o pagodeiro Alexandre Pires atropelou e matou um motoqueiro em Uberlândia. O cantor fugiu quietinho e passou bem longe do xadrez. Foi botar pra quebrar em outros cantinhos – Miami, no caso.
E o mico envolvendo outro pagodeiro, Netinho de Paula, que agrediu a mulher no melhor estilo índios caiapós? Ficou esquecido em algum lugar do passado, assim como as “princesas” que ele apadrinhava na TV Record.
O episódio relacionando o estilista Ronaldo Ésper ao roubo de vasos do cemitério do Araçá também ficou para a história. Hoje ainda é motivo de piadas. E só.
É claro que nos Estados Unidos há os O.J. Simpson da vida, mas na maior parte das vezes o superstar paga o pato.
A vida de Michael Jackson nunca mais foi a mesma após ser acusado de pedofilia. Seu maior xodó, o rancho “Neverland” (Terra do Nunca), foi confiscado, mas Michael conseguiu evitar a venda após conseguir um financiamento de grande empresa de investimentos imobiliários.
Já o ator Wesley Snipes, de “Blade”, foi condenado no mês passado a três anos de prisão em três processos relacionados à sonegação de impostos. O governo diz que ele não presta contas ao Leão desde 1998.
Snipes teve de rebolar para permanecer em liberdade enquanto recorre na Justiça contra as três condenações. Senão estaria atrás das grades.
E nós aqui, penando para negarmos um habeas corpus ao laranja do dossiê, José Aparecido Nunes Pires, ou encontrarmos provas para detonarmos Paulo Maluf. Não vai acontecer nada. Nunca. “Neverland” é aqui.

tatinha13    16:58 — Arquivado em: Sem categoria
1 Comentário
  1. Tem razão, “neverland” é aqui!
    Veja só a frase mais famosa de nosso ilustre presidente traduzida (de maneira meio “lulística”, claro): “NEVER in the history of this LAND…” é a mesma coisa que “nunca na história desse país…” :-)

    Comentário por Ricardo Rezende — 24.5.08 @ 1:45

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