30.5.08
SALVE-SE QUEM PUDER

Depois da queimada de pessoas vivas, o espancamento é a nova moda por aqui. Isabella Nardoni e o engenheiro da Eletrobrás hostilizado pelos caiapós têm agora um companheiro: um professor brasiliense, espancado até desmaiar.
A selvageria ocorreu em Ceilândia (DF). Os suspeitos são dois jovens, sendo um ex-aluno da vítima.
Após ser expulso da sala, o jovem teria apedrejado um carro. O professor foi atrás do rapaz, mas o encontrou acompanhado de um amigo. A dupla espancou o mestre com chutes e socos. Desacordado, o professor foi levado ao hospital de Base. Hoje ele recebeu alta e passa bem.
Sempre tive medo do ser humano. Meu temor não está ligado à força física, mas ao que o Homem é capaz de pensar e tramar para humilhar ou maldizer o outro.
Diante dos últimos acontecimentos, no entanto, começo a ter medo do ser humano como tenho de um tigre-de-bengala.
Apesar de achar que palavras bem-colocadas consigam aniquilar o inimigo, parece que o sentido de “poder” e “força” no Brasil estão um tanto quanto distorcidos. “Força” é força no braço.
Dia desses soube que o lema do nosso Exército é “Braço Forte, Mão Amiga”. Como não somos um país de leitores – 45% acabam de confessar que não gostam de ler –, é provável que alguns só estejam lendo a primeira parte do slogan.
tatinha13
16:28 — Arquivado em: 

Se até nosso hino diz que conseguimos conquistar o “penhor da liberdade” através do “braço forte”, não fico surpreso que as muitos brasileiros continuam a preferir esse método à “mão amiga”…
Por aqui endurecemos, e também perdemos a ternura.
Comentário por Ricardo Rezende — 30.5.08 @ 23:57
Palavras bem-colocadas ja não existe há muito tempo, o que existe são ” PALAVRÕES ” bem-colocados.
Comentário por Juventino — 31.5.08 @ 1:29
Ouvi hoje uma estatística que ocorrem quatro linchamentos por dia no Brasil, número esse inferior apenas ao de alguns países da África!! E, Tati, achei muitíssimo interessante a relação que você fez entre o (não) hábito de leitura e a violência. Concordo com você que a falta de (boa) cultura influencia nos índices de violência.
Comentário por Vaninha — 2.6.08 @ 8:25