21.5.08

DISTANTE DE GARRINCHA

 Mané existe em tudo o que é lugar. Vira-e-mexe soltamos um “nossa, que mané”. As situações são as mais diversas: é gente que fura a fila, que tem opiniões absurdas ou que só fala abobrinha, os “sem-noção” em geral, os do trabalho e, principalmente, os do trânsito.
O mané pode ser homem ou mulher, velho ou novo, republicano ou democrata, carnívoro ou vegetariano, pobre ou rico. O mané é mané e pronto.
Em muitos casos, não é necessário nem abrir a boca para ser identificado ou, pior ainda, não precisa ter uma atitude marcante. Descobri uma forma de detectá-lo na aula de bike.
É impressionante. Basta acompanhá-lo durante alguns minutos para não restarem dúvidas: eu jamais dirigiria atrás dele e nem me alongaria após um “bom dia”.
Ele chega atrasado, pedala fora do ritmo, fica sentado quando é para estar em pé, pende freneticamente o quadril de um lado para o outro, as costas sobem e descem – quando devem permanecer imóveis, como o quadril.
Além disso, ele resolve encher a garrafinha d´água no meio da aula, não sua, em alguns momentos canta, dando sinais claros de que não está fazendo o menor esforço. Enfim, um mané.
Comecem a reparar. Eles se revelam mesmo sem querer.
Diante do constatado, por que não começarmos a submeter os candidatos a cargos públicos a testes de habilidades específicas, aos moldes do que acontecem com os vestibulandos das áreas artísticas nas universidades?
Uma simples aula de bike seria o suficiente para identificarmos os manés. E até do horário político nos livraríamos. Que tal? 

tatinha13    14:42 — Arquivado em: Sem categoria


20.5.08

PROCURA-SE UM PÉ DE COELHO

 Não moro na China e meu aniversário é só no ano que vem, mas estou atravessando meu inferno astral.
Além de ter perdido um monte de coisa, estou com vários objetos quebrados em casa.
Primeiro foi um pente de madeira que misteriosamente sumiu da minha bolsa – será que alguém precisava de algum objeto pessoal meu para fazer despacho?
Depois uma das gavetas do armário cismou de não abrir mais. Após alguns dias foi a de baixo que passou a não deslizar. Meu interfone pende da parede como um orelhão quebrado – culpa do terremoto que abalou São Paulo há cerca de um mês?
Mais recentemente meu RG simplesmente desapareceu. Já revirei a casa e o carro e nem pistas dele. O problema é que meu passaporte está para expirar e preciso da identidade em mãos para renová-lo.
Para completar, o pior de todos os males: meu computador pessoal me deixou na mão. Ainda tive a falta de sorte de levá-lo à loja onde o comprei – ele ainda está na garantia – e ela não existir mais.
Segundo o técnico, deve ser um problema de “BGA de vídeo” ou algo com a placa-mãe. Coisa grave mesmo. Tão grave que os outros pepinos ficam pequeninos perto dele.
O que será que o Ano do Rato ainda me reserva?

P.S.: para quem não pôde assistir às matérias do Jerico: vejam AQUI o desfile de fantasias e AQUI a tradicional corrida de jericos

tatinha13    16:15 — Arquivado em: Sem categoria


19.5.08

ROENDO MAIS QUE A ROUPA DO REI DE ROMA

 2008 é o ano do Rato para os chineses, mas diante de tanta desgraça chego à conclusão de que eles estão vivendo é o ano do cão.
O novo ciclo mal começou – até porque o ano astral chinês se inicia em fevereiro – e eles já estão precisando de um banho de sal grosso para espantar tanta uruca.
Resolvi dar uma conferida no horóscopo chinês para tentar entender o que esse ano do Rato ainda prevê. Segundo o oráculo, é um ano governado pelo frio do inverno e pela escuridão da noite. Sem dúvida.
Diz ainda que 2008 será um ano mais feliz do que a maioria: livre dos eventos e das guerras explosivas e com muito menos catástrofes do que por exemplo os anos do tigre ou do dragão. Portanto, espero que o tigre e o dragão continuem sendo apenas o nome de um filme do Ang Lee. Que ambos os animais só apareçam daqui uns cem anos.
O que prometia ser um ano festivo – com uma Olimpíada para coroar a alegria de uma época “com muito menos catástrofes” – está se revelando um caos.
Além dos protestos gerados pela passagem da tocha olímpica por alguns países, dos conflitos envolvendo os tibetanos, agora um terremoto que não deixou pedra sobre pedra. Por enquanto foram confirmados quase 35 mil mortos, mas é provável que esse número chegue a 71 mil.
Será que o espírito esportivo vai sobreviver a tanta tragédia? Não seria o caso de transferir as Olimpíadas para outro país? Excepcionalmente realizá-la no ano que vem? Além da ajuda humanitária, é o mínimo que podemos pensar em fazer – batendo na madeira sempre.

tatinha13    16:24 — Arquivado em: Sem categoria


18.5.08

BRAZILIAN IDOL

 Ficamos sem Zélia Gattai nesta semana. Mas não foi apenas a escritora que o Brasil perdeu. A cada dia que passa deixamos para trás um pouquinho de alguma coisa.
Enquanto as instituições públicas perdem a vergonha e o ser humano se esquece do sentido de palavras como “ética”, “comprometimento” e “honestidade” nós vamos ficando sem esperança. Sobra a sensação de que nada restará às gerações futuras.
E o que dizer de nossos ídolos? Poucos. Cada vez em menor número. Longe de mim ser saudosista – nem tenho idade pra isso. Procurando bem até é possível selecionar um aqui outro acolá para o panteão de personalidades que valem o ingresso nos últimos 10, 20 anos. Mas, no geral, o que mais se vê é gente tentando se descolar de alguma maneira.
Estou em busca de uma explicação para a fabricação e o endeusamento de certas pessoas que têm pouco ou nada a dizer e que não contribuem para a formação da personalidade alheia.
Fico em dúvida se é a total falta de padrões ou a tentativa de se agarrar a algo – por pior que seja – só para se esquecerem da realidade. O mundo do faz-de-conta é bem mais divertido.
Divertido ou patético. Duas frases cabulosas desse mundo mágico me despertaram a atenção nesta semana. Ambas pela total falta de noção. Cada uma à sua maneira atingiu o objetivo: aparecer.
De Victoria Beckham, cantora e esposa de David Beckham: “O salto alto não só me aumenta de tamanho… Aumenta também minha capacidade cerebral”. O pior é que ela pode ter falado sério.
Outra: “Já fiz tanta cena de amor em novela, a única diferença é que nessa tem penetração”, da atriz e ex-professorinha Leila Lopes sobre o filme pornográfico "Pecados & Tentações". Constrangedor.
O problema não é perdermos nossos ídolos – todos temos um pezinho na cova. A questão é concluir que não há renovação. Não é só o mico-leão-dourado que está em extinção. Precisamos encontrar uma maneira – urgente – de reproduzir talento em cativeiro.

tatinha13    13:19 — Arquivado em: Sem categoria


16.5.08

CORRETAGEM MIRIM

 Um dos brinquedos de que me lembro com saudade é o “Banco Imobiliário”. Era simples e fácil. Bastava comprar as propriedades nas quais o pião estacionava usando a bolada que cada um ganhava no início da partida. Com sorte, podia-se ficar milionário. Ou na rua da amargura. Se acaso chegássemos à bancarrota, saíamos da disputa sem dívidas futuras, inimigos e com o mesmo sono tranqüilo.
O jogo durava horas e era o suficiente para o gene da jogatina ser despertado nas crianças com inclinação para esse vício.
Eu cresci, virei mocinha e o “Banco Imobiliário” também. Desde o final de abril, a Estrela realiza uma votação pela Internet para selecionar novas estrelas para o jogo. Entre os candidatos, pontos turísticos de diversas capitais brasileiras.
Interlagos, Morumbi, avenida Pacaembu, rua Augusta, avenida Europa, Leblon e Vieira Souto – todos personagens do jogo dos anos 80 – serão substituídos.
Entre os destinos em votação estão o Autódromo de Interlagos; a cidade de Campos do Jordão; o Edifício Copan, em São Paulo; o Elevador Lacerda, na Bahia; o mercado Ver-o-Peso, em Belém; a ponte Hercílio Luz, em Santa Catarina; as Vinícolas de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul; e até a rua 25 de Março.
Sugiro ainda mais alguns pontos: a Daslu, em São Paulo; a favela da Rocinha; o Palácio do Planalto, o motel Papillon, na Barra da Tijuca; e o prédio dos Nardoni, no Tucuruvi, em São Paulo.
Participem. A votação termina no dia 31 de maio. Votem aqui

tatinha13    17:41 — Arquivado em: Sem categoria


Ó VIDA, Ó AZAR

 Fazer-se de vítima é a última tentativa do covarde para se dar bem. Após buscar atacar quem, sob o seu ponto de vista, o aniquila, apela para o papel de passivo e sacrificado.
As pessoas de uma maneira geral têm tendência a se aliarem aos fracos e oprimidos. Raramente o dominador, o líder, é benquisto. Afinal, ele é forte o suficiente para saber sair das situações que o oprimem.
Exemplos de vítimas não faltam. O personagem Gato de Botas, do “Shrek 2”, ilustra bem este tipo de personalidade. Ao menor sinal de perigo, ensaia um semblante de coitado mas, no fundo, é tão ou mais nocivo que o vilão.
Fazer cara de quem está deprimida, simular choro, maximizar picuinhas a seu favor e principalmente passar a impressão de que o mundo conspira contra ela são algumas das técnicas utilizadas pela vítima.
Às vezes funciona. O coitado que há dentro de cada um de nós cede em nome de alguém à sua imagem e semelhança – os psicólogos devem saber explicar melhor esse negócio de se projetar no outro.
A vítima só se esquece de que não pode passar a vida inteira fazendo cara de coitada. Algumas viram reféns dessa aparente fragilidade. Outras – a maioria – acabam sendo traídas pelo seu próprio comportamento. Mais dia, menos dia perdem a lembrança da fraqueza e a máscara cai. Abrem um sorrisão, se tornam comunicativas e aí se empenham em mudar a imagem novamente.
Parodiando um comercial de refrigerante, imagem não é nada. Oportunismo é tudo.

tatinha13    16:15 — Arquivado em: Sem categoria


15.5.08

O BOI VAI ATRÁS

 Carlos Minc, o novo ministro do Meio Ambiente já chegou mostrando que é um homem de palavra. De Paris, jurou de pés juntos para o governador Sérgio Cabral que não aceitaria o convite de Lula para assumir a vaga de Marina Silva.
No dia seguinte, as manchetes dos jornais mostravam uma outra história, a de que Minc havia sido oficializado como o novo ministro do Meio Ambiente.
Personalidade definitivamente não é o forte de Minc, mas vamos torcer para que ele se saia bem na direção da pasta.
Segundo alguns jornalistas cariocas, Minc tem boa relação com a imprensa. Leia-se: gosta de aparecer. Quando Secretário do Ambiente no Rio tinha o costume de sugerir pautas, divulgar ações que estavam sendo desenvolvidas e mostrava-se prestativo para conceder entrevistas sobre qualquer assunto.
Pesa a seu favor a fama de dinâmico e de conhecedor do tema para o qual foi designado.
Ex-guerrilheiro, participou de um assalto em 1969 a uma casa em Santa Teresa, no Rio. Ajudou a levar um cofre com mais de US$ 2 milhões, ação considerada uma das mais bem-sucedidas da guerrilha contra o regime militar.
Vamos torcer também para que Minc tenha deixado para trás seu passado de assaltante. Já temos vários no governo dando conta disso.

tatinha13    16:51 — Arquivado em: Sem categoria


14.5.08

UM PITO EM QUEM PITA

 É louvável a atitude da prefeitura do Rio de proibir o fumo em qualquer ambiente coletivo fechado. A medida, que entra em vigor neste dia 31, merece aplauso porque impede o uso de cigarros até nas áreas específicas para fumantes. Cigarro no Rio só na praia e olhe lá.
Não há nada mais chato do que estar num restaurante, fila de cinema ou bar e ter de aturar fumaça alheia. Nenhuma crítica quanto aos viciados estarem dispostos a acabarem com seus dentes, pulmões e pele, mas que não nos obriguem a compartilhar de tão sábia decisão.
A maioria se esquece de que fumaça de cigarro é como cheirinho de torta de maçã dos desenhos do Pica-Pau: nos persegue até quando portas e janelas estão vedadas.
Enquanto o Brasil tenta uma solução a passos de cágado, os japoneses mais uma vez saem na frente e lançam tecnologia até para esse problema.
Em julho as máquinas que vendem cigarros vão começar a contar as rugas, o tamanho dos pés e detalhes da pele para verificar se o comprador tem idade suficiente para fumar.
Aqui nós somos iniciados à prática desde pequenos, “fumando” cigarrinhos “Pan”, mas no Japão a idade permitida para começar a destruir os pulmões é de 20 anos.
A idéia tem o mesmo princípio da identificação da íris. Para comprar o cigarro o dependente vai ter de olhar para uma câmera digital instalada na máquina, que vai comparar as características faciais com um banco de dados de cerca de 100 mil pessoas.
Só vai faltar mesmo o equipamento agradecer a preferência, dizer um “servimos bem para servir sempre” e finalizar com um “Obrigado por fumar” – aliás, título de um filme de humor corrosivo sobre a indústria tabagista, a de armas e de bebidas alcóolicas.

tatinha13    12:17 — Arquivado em: Sem categoria


13.5.08

BANANA PRA ELES

 Leio sobre dois assuntos que à primeira vista não têm semelhanças, mas entre uma virada de folha e outra concluo que a genética é a mesma.
O primeiro é sobre uma das personalidades mais simpáticas da TV brasileira, Hebe Camargo. Basta assistir ao programa da apresentadora ou dar uma olhada na “Caras” para saber que Hebe ama jóias. Tem uma coleção delas: colares, brincos, pulseiras, broches e pingentes. Tudo extravagante. Bem Hebe.
Pois bem. Na semana passada a apresentadora deu uma festa em sua casa no Morumbi para inaugurar um “puxadinho” – o prédio de dois andares que comprou de vizinhos e incorporou à sua propriedade para afastar de vez os bisbilhoteiros.
Após a festa, a constatação de que havia sido roubada. Alguém sorrateiramente abriu o cobre e mandou ver.
A assessoria de Hebe faz questão de esclarecer que o furto não aconteceu no dia da inauguração, mas acho que ela já pode deixar de chamar de “gracinha” alguns dos “mui amigos” que passaram pela casa naquela noite. Ninguém leva um colar de pérolas ou um brinco de diamantes achando que é um bem-casado.
A outra notícia é sobre um ataque de sagüis a alunos de uma escola suíça num bairro nobre de São Paulo. Consta que um aluno foi mordido e outros tiveram o lanche roubado. Para tentar conter a invasão, o colégio monta diariamente um banquete de frutas no telhado.
Agora me digam: será que os sagüis suíços da festa de Hebe não gostaram do banquete?

tatinha13    14:19 — Arquivado em: Sem categoria


12.5.08

MULHER MELANCIA

 É perigoso quando as pessoas resolvem assumir como verdade o que está escrito ou compram sem ressalvas uma idéia nova. A lenda sai do mundo da ficção e é aí que surgem as tais unanimidades burras.
Hoje, na capa de um portal de Internet, estava lá: “Dieta do Abacate ajuda a perder 4 kg em duas semanas”.
E tem gente que acredita. Posso apostar que o link aparece entre os mais acessados do dia. Eu fui uma das que foi conferir tamanho absurdo.
A dieta, elaborada por um consultor em nutrição de São Paulo, recomenda aos desesperados que não se preocupem com calorias. O principal é comer abacate três vezes ao dia combinando proteína, carboidrato e “gordura boa” do café-da-manhã ao jantar.
Diz ainda que é importante fazer seis refeições – com um lanche no meio da manhã e dois à tarde – e consumir abacate antes de dormir. O regime louva tanto a gordura da fruta que transforma o abacate em solução até para os problemas do país.
Não sou nutricionista nem endocrinologista, mas desconfio que se eu seguir a dieta vou engordar 4 kg em duas semanas.
Obviamente a fruta tem “gordura boa”, é muito mais saudável que uma barra de chocolate mas, consumida nesta quantidade, pode proporcionar um efeito melancia no nosso bumbum. Prefiro não me arriscar.
Com o azeite é a mesma coisa. Há pessoas que o consomem exageradamente acreditando que “faz bem”.
Infelizmente não há milagre – e a pílula do emagrecimento ainda não foi inventada. O truque continua sendo um só: fechar a boca. Exceto água e alface, tudo gera o efeito melancia.

tatinha13    17:28 — Arquivado em: Sem categoria
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