20.6.08

Além dos diversos tipos de tortura a que somos submetidos diariamente, até o meio da semana que vem temos de conviver com mais uma: a São Paulo Fashion Week.
O evento continua movimentando a cidade, parando a região do Ibirapuera, lotando hotéis e restaurantes dos Jardins e atraindo gente de todos os cantos. Na medida do possível, me mantenho distante do circo. Assim que ouço ou vejo algo a respeito da “promissora indústria da moda brasileira” dou um perdido. Troco de canal ou viro a página.
Apesar dos esforços, não consigo evitar o assunto 100%. Vejo hoje que a candidata à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, foi anteontem ao desfile da Cia. Marítima. E saiu-se com essa: “Eu também uso biquíni”. Indagada se a moda ajuda a ganhar eleitores, ela respondeu: “Não sei, mas na periferia elogiam bastante a minha pele”.
Ah, a vaidade… Políticos – ironicamente petistas ou ligados ao governo – não deixam nada a dever às modelos da São Paulo Fashion Week. Gostariam mesmo é de estar em cima de uma passarela – olhar distante e cara de nada alguns já têm.
Além de Marta Suplicy – que deve contar com mais de mil taileurs em seu closet – o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, está se esforçando para lançar a moda do colete. O pessoal do morro da Providência já aderiu.
Em contraponto aos dois elegantes ministros, Heloísa Helena e seu uniforme: camisa branca e calça jeans.
E quem se recorda da extravagante deputada federal Esther Grossi, que abusava de roupas espalhafatosas e cabelos multicoloridos? O excesso de tinta na cabeça teria contribuído para a saída dela da política?
O que alguns precisam mesmo é de uma mãozinha de Gabriela Verri, a filha de nosso querido Dunga. Bom gosto não é a característica mais marcante da estilista, mas o brasileiro precisa vestir a camisa – pelo menos é o que diz o senso comum. Fica aí a sugestão.
19.6.08

Futebol não é dos assuntos que me desperta a maior das paixões. Sou corintiana, mas raramente tenho conhecimento de quando meu time joga – aliás, na fase atual, é bom nem saber.
Assisto às partidas da Seleção Brasileira em épocas excepcionais como Copa do Mundo ou, no caso de ontem, eliminatórias da Copa.
Mesmo não sendo telespectadora habitual, entendo o que se passa entre as quatro linhas – convenhamos, futebol não é Física Quântica. Entendo que o moço de preto é o juiz, sei o que é lateral, tiro de meta e até quando há impedimento.
O que acho muito curioso é como os homens fazem o assunto render. Algo que se passou em 90 minutos vira mote para discussões acaloradas por mais de uma semana. A avaliação do desempenho da Seleção Brasileira vai gerar polêmica por um mês.
Dunga culpou o clima de festa exagerado. Obviamente shows do Skank e Jota Quest não têm nada a ver com a derrota, mas entendo que ele precisava de um álibi. Se o técnico tivesse colocado a culpa em Gal Costa e sua interpretação do Hino Nacional até teria meu apoio. O que foi aquilo?
Assistindo à partida, não fossem os gritos de “fora, Dunga!” ou “Pato, Pato, Pato!” poderia pensar que se tratava de um Bangu x Bragantino – esses times ainda existem?
Alguém deveria ter avisado nossos representantes nos gramados de que o jogo não era contra a comitiva do imperador japonês. Era permitido atravessar na frente do adversário, ultrapassá-lo, recuar na frente dele, segui-lo, encará-lo ou olhá-lo no olho, tocá-lo e estender-lhe a mão – mesmo sendo argentino.
Se continuarmos pedalando desse jeito essa bicicleta não vai sair do lugar.
18.6.08

O dicionário Aurélio define “providência” como a suprema sabedoria com que Deus conduz todas as coisas. Pois foi justamente no local onde o Todo-Poderoso deveria agir é que o Exército, novamente, resolveu tomar providências.
Na falta do poder público – e até do divino – três rapazes do morro da Providência foram entregues por um grupo de militares do Exército a traficantes como punição por tê-los desacatado.
Depois que o circo pega fogo aí sim o poder público providencia serviço. Ontem o ministro Nelson Jobim subiu o morro para apresentar um pedido formal de desculpas em nome do governo. Tarde demais.
Além deste, um outro episódio envolvendo as Forças Armadas continua provocando desconforto: a morte de um cadete durante exercício na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende.
Segundo o boletim de ocorrência o cadete teria passado mal durante uma instrução militar em que são avaliadas liderança e resistência física, mas ninguém sabe explicar ao certo a causa da morte.
O Exército só pode estar em crise. Depois do sucesso de “Tropa de Elite” nossos militares ficaram com inveja e agora tentam agir como capitães Nascimento.
O “Aliste-se já” poderia ser substituído por algo como “Assine seu atestado de óbito já” – sem contar que sargentos gays são considerados desertores.
O que é melhor: ser um desertor vivo, um militar treinado morto ou um militar programado para matar?
17.6.08

“Sex and the City” saiu do ar há quatro anos e a modinha do seriado passou.
Em termos. O filme está aí para provar que não são apenas as saias balonê e as calças de cintura alta que vão e voltam. Fãs e imprensa estão enlouquecidos com o filme – vide a quantidade de capas de revistas dedicadas ao longa na semana passada.
Não sou especialista no assunto. Vejo as aventuras de Carrie & Cia. de vez em quando e gosto. Ainda não descobrimos como fazer seriados do tipo no Brasil: bem escritos, com princípio, meio e fim e interessantes em seus 30 minutos – a ponto de ficarmos com vontade de assistir a mais um episódio. Há duas opiniões bem claras sobre “Sex and the City – O Filme”. Uma corrente tem criticado a futilidade do quarteto. Não entendo. Foi justamente esta a característica que fez a fama do seriado.
Eu não esperava que as amigas novaiorquinas fossem pivôs de um filme cabeça. Afinal, os fãs de qualquer série vão ao cinema com a mesma expectativa: ver mais do mesmo. O único porém é que não precisava ser tão “mais” assim – “Sex and the City” tem duas horas e meia.
Os que não gostaram do filme também mencionam o abuso dos trocadilhos. Há quem considere o trocadilho a pior forma de humor. Devo ser meio retardada, mas acho que piadinhas infames – se não forem muito óbvias – têm o seu valor.
Os fãs da série terão motivos de sobra para gostar do longa. Estão lá os dramas femininos, os chavões, os bonitões, a história que não exige muito raciocínio e, claro, as roupas e bolsas maravilhosas.
Os figurinos são realmente lindos. Ninguém os usa na vida real, mas quem vai ao Fashion Rio para comprar roupa?
Carrie posando para fotos com diversos vestidos de noiva é de despertar a noivinha dentro de cada uma de nós.
Agora é só aguardar. Vamos ver em quanto tempo a modinha do filme vai passar. Ou se vai render filhotes.
16.6.08

Graças ao príncipe Naruhito descobri que devo ter algum gene japonês. Atrasos são vistos no Japão como “falha de caráter” e uma das “piores faltas de educação”. Não chego a pensar que é defeito de caráter, mas considero uma tremenda falta de respeito.
Minhas raízes “japas” param por aí – não sou tão radical quanto Naruhito. É proibido: atravessar na frente do príncipe, ultrapassá-lo, recuar na frente dele, segui-lo, filmá-lo ou fotografá-lo em movimento, gravar conversas dele aproximando o microfone, entrevistá-lo, encará-lo ou olhá-lo no olho, tocá-lo, cumprimentá-lo, estender-lhe a mão e apontá-lo.
O príncipe visita São Paulo nesta semana e já tem muita gente sem dormir – literalmente se contorcendo só de pensar na recepção.
Os assessores de Serra estão tendo aulas de alongamento. O protocolo japonês exige que se curve até mais de 90 graus para cumprimentar o herdeiro do trono. Para o resto da comitiva, a inclinação é de 30 graus.
Estou considerando a hipótese de fazer um bico na porta do Palácio dos Bandeirantes vendendo compasso, régua, transferidor e Gelol.
Em vez da cerimônia do chá está sendo preparado um jantar cheio de firulas. No cardápio, palmito fresco assado na casca com vinagrete de jabuticaba sobre verdes nobres, purê de mandioquinha com “perfume” de trufas pretas e ninhos de legumes sauté.
Durante o coquetel que antecede o jantar serão servidos bijus de tapioca com guacamole e minitortinhas de queijo coalho com melado.
Se a banca de compassos e Gelol não vingar, a de Engov vai ser batata. O protocolo é japonês, mas o cardápio é a própria ONU.
A nossa criatividade também vai dar as caras no presente que estão arranjando para Naruhito. Foi encomendada em Tatuí uma viola cor de mel feita com tampo de Pinho Araucária e fundo de Grumixaba.
Etiqueta japonesa, cardápio à la ONU e… presente de grego.
Meu conselho para os que recepcionarão Naruhito é que invoquem desde já o espírito zen do Oriente. Do contrário, não vai ter Pokémon que os salve de tanta gafe.
15.6.08

De tempos em tempos surge uma novidade na TV brasileira. Na maioria das vezes não uma novidade no sentido do novo, mas algo comprado e adaptado à nossa realidade – como “Big Brother” e “O Aprendiz” – ou descaradamente “inspirado em”. Este é o caso da novela “Os Mutantes”, exibida pela Record e que tem dado ótimos índices de audiência.
No caso, “Os Mutantes” é claramente inspirada no seriado “Heroes” – já exibido pela própria Record. Ambas contam a história de pessoas comuns que descobrem ter habilidades especiais. O embate entre o bem e o mal fica evidente através da maneira como cada personagem usa seus superpoderes.
A novela, que anteriormente se chamava “Caminhos do Coração” e contava com alguns mutantes, parece ter sido apenas um teste para saber como os telespectadores reagiriam ao surrealismo mutante. O retorno foi mais do que positivo, já que a primeira fase chegou ao fim e a atração voltou com o nome atual.
Ainda não assisti à novela, mas tenho ouvido inúmeros comentários. As críticas não se referem ao enredo, mas sobre à má direção e à interpretação caricata dos atores – tão absurda que há quem veja “Os Mutantes” para dar boas risadas.
São 70 atores, metade deles mutantes. Não pode haver curinga melhor para um roteirista do que personagens com superpoderes. Tudo se resolve como num passe de mágica porque vale de tudo: voar, virar aranha, ficar invisível, lançar chamas, hipnotizar… Alguém já viu MacGyver e 007 ficarem numa fria?
Os telespectadores cativos da novela não têm essa noção. Mas é o que menos importa. Mais uma vez estão fazendo a engrenagem rodar – e isso é o que as TVs mais querem. Audiência = anunciantes.
O que é questionável é a afirmação de inúmeros intelectuais e “analistas” de que o povo gosta de lixo porque está exposto a produtos de má qualidade em todas as áreas. Tenho sérias dúvidas quanto a isso.
P.S.: Legenda da imagem acima: "O que MacGyver faria?"
14.6.08

Telefonia hoje é sinônimo de dor de cabeça. Quando não é o mané falando ao celular enquanto dirige, são as ligações de telemarketing ativo – geralmente no exato momento em que fechamos a porta de casa e o elevador já está parado – ou a infrutífera tentativa de cancelar o que quer que seja.
Mas há uma luz bem lá no fim do túnel. O Ministério da Justiça estuda adotar algumas medidas para regular o serviço – que ainda criou uma outra praga: o gerundismo.
Segundo o ministério, quando ligarmos para um serviço de atendimento ao consumidor devemos ser atendidos em, no máximo, 1 minuto. No caso dos menus com opções de 1 a 50, a primeira opção deverá ser a do atendente. O cardápio auditivo também deverá ter a opção “cancelamento do serviço”, que terá de ser efetuado imediatamente.
Por mais politicamente correta que seja a sugestão de Tarso Genro e seus amigos, já estamos cansados de boas intenções. Delas, o inferno e o governo estão cheios.
Em 2005 entrou em vigor em São Paulo uma lei que previa multas para bancos que não cumprissem o limite de 15 minutos para espera nas filas das agências. Não me perguntem que fim levou essa lei. Jamais a vi sendo colocada em prática. Os tormentos nas agências bancárias continuam os de sempre: filas e a eterna luta com a porta giratória – um dente de ouro basta para que tenhamos de tirar a roupa.
Mesmo que as regras do Ministério da Justiça não sejam implementadas, os políticos já se garantiram. A Câmara Legislativa de Brasília aprovou a lei “Não incomode”, com restrições às centrais de telemarketing.
O Procon de Brasília vai fazer inclusive um cadastro de pessoas que não querem “estar recebendo” as chamadas. Se as empresas insistirem em ligar para quem está na lista, “vão estar pagando multa”.
Só falta a assinatura do governador para a lei entrar em vigor.
Agora precisamos estipular valores de multas mais pesados para quem fala ao celular enquanto dirige. Ou para quem deixa o telefone ligado no cinema.
A dor de cabeça só está começando.
13.6.08

O sargento Fernando Figueiredo não é um dos participantes do programa “Aprendiz 5 – O Sócio”, mas foi demitido. Da mesma forma, o também sargento Laci Marinho de Araújo não é um dos trainees do Capitão Nascimento. Não pediu pra sair. Saíram com ele. Tudo porque ambos revelaram que são homossexuais e namoram há mais de dez anos.
Estou adorando assistir, de camarote, ao desespero do Exército. Eles não sabem o que fazer para esconder essa “sujeira” debaixo do tapete.
O Exército acusa um de transgressão disciplinar e outro de deserção - ausência do militar por mais de oito dias, sem licença, da unidade em que serve. Sem contar que a instituição deve ter se esforçado ao máximo para ocultar o brigadeiro desse bolo: que Laci e seu namorado já serviram até no batalhão da Guarda Presidencial.
Mais uma vez o slogan “Braço Forte, Mão Amiga” dá provas de que está ultrapassado. Cadê a mão amiga?
Se a punição se faz mesmo necessária, por que não os rebaixam, a exemplo do que foi feito com Plutão há dois anos? Compará-los a Plutão já seria um puxão de orelha.
Menciono Plutão porque, no ano passado, os astrônomos descobriram que ele nem é o maior dentre os planetas-anões. O vizinho Éris é maior do que ele. E adivinhem o nome antigo de Éris? Xena!
Acredito que não há punição mais cruel para dois sargentos gays – um deles até se apresentava com o show “Eu queria ser Cássia Eller” – do que deixá-los perto do planeta Xena.
É muita ingenuidade do Exército pensar que só há “macho man” na instituição. Há mais coisas camufladas, além do uniforme. Que papelão…
12.6.08

Elizabeth Galhardo, uma das leitoras deste blog, escreveu recentemente que vários já postaram sobre o Dia dos Namorados – e que ela estava no aguardo de que eu falasse algo a respeito.
Pois cara Elizabeth, hoje é o dia em que os solteiros mais levamos flechadas. De todos os lados. Menos de quem deveríamos: do cupido. Explico.
A parte mais delicada deste tema é lidar com a ansiedade da sociedade. É flecha que não acaba mais. Estar solteiro – numa data como essa ou não – nos transforma num ET. Às vezes a vontade é seguir o exemplo do alienígena: sentar na bicicleta e dar um pulo na Lua acomodada na cestinha. Ou ainda fazer como o garoto do filme “Martian Child” – que por aqui virou “Ensinando a Viver”. O menino jura que é de outro planeta. E vive dentro de uma caixa de papelão.
Ainda não penso seriamente nem no veículo voador nem no caixote-escudo por um motivo muito importante e claro: estou bem assim.
Mas tem gente que não acredita. Ou que não se conforma com uma situação diferente da do clássico “nasce, cresce, reproduz e morre”.
Concordo que ninguém vive sozinho para sempre, mas apesar de atravessar um “momento ilha”, há muita água à minha volta. A questão é que ainda não passou a onda certa, aquela que dá um bom jacaré. Quando vier, pego, e corro o risco de levar um caldo.
O salva-vidas aparecerá na hora certa. Enquanto isso, tomo um sol, leio um livro, ouço música, corro (muito) e não me esqueço do conselho do Bial para usar filtro solar – em alguns casos, até repelente.
Aliás, o discurso de formatura que ficou famoso em todo o mundo e que no Brasil ganhou uma versão “Bialesca”, tem uma parte ótima que diz o seguinte: “Talvez você case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos 40, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante”.
O que encaro com paciência, simplicidade e bom humor deve ser motivo de especulações para os mais, digamos, tradicionalistas. Imaginam que você tem sérios problemas de relacionamento, que é lésbica, fez voto de castidade, vive um caso de amor secreto, é garota de programa, fez promessa e vai se casar virgem, teve uma grande desilusão e decidiu ficar solteira pelo resto da vida ou o que mais a mente humana seja capaz de criar para tentar explicar o que lhe convém.
Não vou cair no óbvio de falar que o dia de hoje é uma data comercial. E é mesmo. Mas faz parte, as pessoas gostam. A maioria tem necessidade de datar tudo. É o tal do ritual de passagem. Precisam ter um dia para comemorar o aniversário, para presentear o pai, para fazer algo diferente com o namorado e por aí vai.
Só acho engraçado que um dia tão “raiz” quanto o de Santo Antônio tenha servido de inspiração para os publicitários. Coisas da modernidade.
Moderno ou não, o cupido nunca ficará ultrapassado. Feliz Dia dos Namorados!
11.6.08

A Amazônia está mais pop do que nunca. Após ser abandonada por Sting ficou anos à própria sorte até ser redescoberta. Além das confusões envolvendo o milionário sueco e os terrenos que ele adquiriu em solo amazônico, nossa floresta serve de cenário para o novo filme de Indiana Jones – o ápice da história ocorre lá.
Estamos com a auto-estima tão em alta que nem a volta da inflação é capaz de nos tirar deste mundo dos sonhos.
Já perdi a conta de quantas vezes já ouvi a frase “A Amazônia é nossa” nas últimas semanas.
O que acho significativo é que milhares não sabem sequer cantar o Hino Nacional, mas acham um absurdo um sueco comprar terras na Amazônia.
A empresa de Eliasch já foi multada em R$ 450 milhões por irregularidades envolvendo extração, comércio e transporte ilegal de madeira nobre. Além disso, o Ibama declarou que vai cancelar a autorização para explorar madeira e os títulos de terra dele.
Mas, sinceramente, acho que ainda é cedo para conhecer as reais intenções de Johan Eliasch, proprietário de uma área maior do que a cidade de São Paulo: 1.523 quilômetros quadrados.
Recentemente disse “Eu também gosto de árvores, floresta. Estou apenas tentando ajudar a proteger a Floresta Amazônica”.
Johan pode de fato ter o objetivo de proteger o pouco que nós ainda não desmatamos – só em abril foi para o saco uma área equivalente ao município do Rio de Janeiro.
Johan talvez seja um homem de visão. Ciente de que pouco ou nada restará do território amazônico, tratou de garantir um chãozinho para lucrar com o turismo daqui uns 10 anos. Em sua propriedade receberá excursões de todas as partes do globo interessadas em conhecer parte do que foi o “pulmão do mundo”.
Por fim, Johan pode ser realmente um lenhador malvado.
Neste jogo de batata quente em que se transformou a Amazônia está difícil separar mocinho de bandido. O que não entendo é se é proibido um estrangeiro – ou quem quer que seja – comprar terras que estão à venda. É ilegal? E se eu tivesse dinheiro e quisesse adquirir lotes no Texas? Ser vizinha do Bush? Engasgar comendo pretzels?
O slogan “A Amazônia é nossa” é lindo, mas precisa ser mais do que um grito de torcida. Lembram-se daquele comercial do “Não basta ser pai, tem de participar”? É mais ou menos por aí.