31.7.08

Na semana passada a Associação dos Magistrados Brasileiros publicou a lista com os tais candidatos “ficha suja”. Na relação aparecem os candidatos a prefeito e vice-prefeito em 26 capitais do país que respondem a processo na Justiça.
Uma pena que este ótimo serviço de utilidade pública não caia nas mãos do principal interessado: o povão. É a massa que, em troca de uma dentadura, óculos ou um aparelho ortodôntico para o filho, leva estes picaretas aos cabides de empregos que são as prefeituras das pequenas cidades.
Nesta semana o UOL divulgou uma outra lista – não tão relevante, mas muito engraçada. A relação mostra os nomes exóticos dos candidatos a vereador em Belo Horizonte.
São eles: Valdo Sanduíche, Janu da Combi, Beleza, Álvaro Junior (o Beiço), Loirinho da Pizzaria, Lindomar Já Ouviu Falar, Pingo de Mel, Nego Osvaldo Bilisquete, Cabo Luiz Cadeado, Magal Saque Rápido, Zé Pereba, Vovô do Rock e Tomaz Rola Bosta.
Isso só em Belo Horizonte. Imaginem no resto do país.
Percebam que o objetivo passa longe de impor qualquer respeito. O essencial para esses aspirantes ao mundo político (ou da fama?) é fixar o nome na cabeça do eleitor. Mas fica a pergunta: que tipo de preparo pode ter um Zé Pereba? Ou um Tomaz Rola Bosta?
Pode até ser preconceito – de repente são supercultos e usam esses apelidos como chamariz –, mas um candidato realmente sério jamais colocaria sua credibilidade em risco.
Vejam AQUI os candidatos “ficha suja”. Ajudem a divulgá-la
30.7.08

Muito se discute sobre o que leva uma pessoa a se apaixonar por outra. A maioria diz ser atraída pela beleza, outras pela inteligência, pelo carisma ou pelos pontos em comum com o possível parceiro. Há ainda os que crêem que o importante é o conjunto da obra.
Para mim, senso de humor é mais do que meio caminho andado – obviamente se o cara não for um dragão.
Pois um estudo realizado pelo Departamento de Psicologia da Universidade do Novo México revelou que aquele que consegue zombar de si mesmo tem maiores chances de seduzir o sexo oposto. Aos olhos do potencial parceiro faz parecer que você tem um status elevado.
Apesar de simples, a pesquisa tem um título que assusta: “Desrespeitar a Si Mesmo Versus Desrespeitar aos Outros: Efeitos de Status, Personalidade e Sexo na Atração do Humor Autodepreciativo e do Humor Depreciador dos Outros”.
A complexidade do nome não atrapalha em nada nossa alegria com o resultado. O charme da palhaçada bem-feita ficou comprovado.
De acordo com um dos autores, “muitos estudos mostram que um senso de humor é sexualmente atraente, especialmente para as mulheres, mas nós descobrimos que o humor autodepreciativo é o mais atraente de todos”.
Concordo plenamente. Aquele que não se leva muito a sério, que sabe tirar o sarro de suas próprias trapalhadas e que consegue rir de si mesmo nas situações patéticas é sempre mais interessante do que o autosuficiente, seguro e sabichão.
Que me perdoe o Vinícius, mas nem sempre beleza é fundamental. Né não?
P.S.: Para os que não assistiram, vejam AQUI a matéria sobre a "Corrida da Galinha"
29.7.08

Banana é uma fruta perigosa. Em vários sentidos. Uma casca sobre o asfalto oleoso pode causar estragos. Os outros danos vocês já imaginam – para bons entendedores, meia palavra basta.
Mas agora a banana está muito mais perigosa. Em São Paulo, pode transformar seu comerciante num fora-da-lei. Isso porque José Serra determinou que a fruta seja vendida por quilo e não mais por dúzia. Quem insistir em botar a mão na unidade vai pagar multa que varia entre R$ 297,60 e R$ 297.600.
O autor do projeto é o deputado Samuel Moreira, que diz que a mudança é uma reivindicação dos produtores do Vale do Ribeira, região que concentra a maior produção de banana no Estado. Eles alegam que perdem cerca de R$ 90 milhões, pois vendem a fruta em caixas com capacidade para até 33 quilos, mas recebem por 20 quilos.
De repente os fruticultores estão com a razão, mas acho que essa lei da banana tem mais a cara do site “Projetos de Lei”, já citado neste blog.
Após a lei regulamentada, ainda precisa ser definida como será a fiscalização da venda.
Com a nova idéia perde-se parte do charme de comprar banana. E aquele chorinho do feirante, que dava umas duas de lambuja na compra da dúzia?
Sem contar que as donas-de-casa vão optar por bananas menores. Banana-da-terra ou banana-d´água não enchem a fruteira de ninguém. Só os olhos!
Quem vai querer sair com uma única banana da feira, mesmo que pesada? Só vai dar banana-ouro ou banana-maçã nos lares paulistanos.
Vivemos a época das mulheres-fruta. É melancia, morango, melão, jaca… Não faltariam fiscais para inspecionar o comércio destas variedades frutíferas, mas haverá o mesmo ânimo para fiscalizar a banana? Afinal, brasileiros gostam de dizer que são espada. Nem que na intimidade não passem de reles mangas – e cheias de fiapos.
P.S.: Confiram hoje, no “Programa do Jô” a primeira parte da matéria sobre a Corrida da Galinha
28.7.08

Na noite passada não pude dormir com as galinhas. Por conta do meu retorno de São Bento do Una (PE) passei a noite em claro graças aos ótimos horários de vôo do Nordeste para o Sudeste do Brasil. Apesar do vôo sem escalas, cheguei a São Paulo às 4 da manhã.
Mas deixemos de lado nosso patético sistema aéreo para comentar algo muito mais surreal: a Corrida da Galinha.
Neste final de semana a pequena São Bento do Una (PE) – terra de Alceu Valença – sediou a 11ª edição da festa, cujo tema “Com um Pé em Pequim”.
O evento – menor e melhor organizado que o Festival dos Jericos de Panelas – integra o quadro que poderia ser chamado de “Ao Ibama com Carinho”.
Todas as atividades e competições realizadas no “Galinhódromo” faziam menção aos galináceos. As curiosidades começam no próprio circuito, que contava com o “Pinto Stop”, um desvio para os pilotos darem um breve descanso às suas máquinas voadoras.
Entre as competições, as corridas do galo e da galinha, o desfile “Penas, Plumas e Paetês” – com apenas quatro candidatos que não chegaram aos pés dos jericos fantasiados –, o “Canto do Galo” – que desafiava o participante a imitar um galo cantando – e o “Coma Seu Frango”, que premiou o competidor que engoliu dois galetos em menor tempo (15 minutos).
Os turistas que quisessem participar podiam alugar um galináceo no estande “Rent a Chicken”. Os preços variavam entre R$ 2 e R$ 5.
A imaginação dos organizadores também esteve presente na escolha dos prêmios. O galo e a galinha campeões ganharam, além de uma assinatura na “Calçada da Fama” e R$ 500, um milhão (bem grande).
Os últimos colocados em ambas as categorias, uma panela de barro com vários condimentos para o piloto preparar o prato que melhor lhe conviesse com a ave perdedora.
No “Coma seu Frango” os prêmios foram R$ 50 e um Sonrisal. Já na competição “O Canto do Galo”, R$ 50 e um Cepacol.
Sobrou criatividade também na ambientação do evento. O local onde estavam as autoridades locais era denominado de “Ninho Vip”. O camarote com a melhor visão da festa era o “Galorote”.
Toda comemoração nordestina tem de ter um quê de junino. Aos moldes dos festejos de São João, a “11ª Corrida da Galinha” tinha uma “Delegacia da Galinha”, onde era cumprida a “Lei Maria da Pena”. Ali eram abrigadas as galinhas “mal comportadas”. Entre as detentas, a Daniel Dantas e a Salvatore Cacciola.
A festa tinha previsão de término na madrugada desta segunda-feira com o desfile de blocos como o “Galo Jegue” e o “Arrocha o Pinto” e mais seis trios elétricos – praticamente um para cada dez habitantes.
As risadas geradas por tanta criatividade compensaram o cansaço da viagem – São Bento do Una fica a quase três horas de Recife.
O resultado da jornada vocês conferem a partir desta terça-feira, no “Programa do Jô”.
Vejam algumas fotos AQUI
26.7.08

Fico realmente impressionada como a vida alheia desperta interesse. E se a vida em questão for a de uma celebridade, nem se fala.
Tudo é motivo para perseguição de paparazzi e especulações as mais variadas. Se Madonna sai um dia sem aliança é porque se separou de Guy Ritchie. Se Robert Downey Jr. aparece muito magro já publicam coisas como “esperamos mesmo que o esforço seja pelo próximo personagem”. Não é por acaso que Britney Spears está perdendo a paciência. Agora agride os fotógrafos.
O fato é que não dá mais nem para fugir com um garçom em paz. Que o diga Ron Wood, o guitarrista dos Stones que está vivendo com uma garçonete russa 40 anos mais jovem.
O tablóide sensacionalista britânico “The Sun” está deitando e rolando com a história, que reúne os ingredientes preferidos do público: fama, traição e drogas.
Wood estava casado havia 23 anos com uma ex-modelo, com quem tem quatro filhos. Durante a estréia de um filme do Scorsese conheceu a garçonete russa Ekaterina Ivanova, de 18 anos, se apaixonou e saiu de casa. Hoje os pombinhos moram juntos na Irlanda.
Para apimentar o caso, o “The Sun” publicou que flagrou Ekaterina concentrada na leitura de uma carta enviada por Wood. O conteúdo teria frases como “sabe que eu sempre penso em você com carinho” e o desenho de um rosto sorridente na forma de coração, também feito pelo guitarrista.
Em outra ocasião o jornal disse que após o escândalo Wood teria prometido se internar em uma clínica de reabilitação para viciados em álcool. Segundo amigos próximos, ele bebe duas garrafas de vodca por dia.
O mais legal é que Wood parece conseguir levar todo esse circo numa boa. Afirmou que ama as duas mulheres. Foi para a clínica porque pretende salvar seu casamento, mas gostaria de continuar a ver a jovem russa.
Muito mais honesto que Mick Jagger, que transou com meio mundo – inclusive com David Bowie – e só se separou definitivamente porque engravidou logo uma brasileira.
Por que ainda pegam Wood para Cristo? Uma coisa é fato: ele está com a pessoa certa. Que companhia melhor pode ter um alcoólatra fanático por vodca do que uma garçonete russa?
P.S.: Amanhã não tem post. Estarei em São Bento do Una (PE) prestigiando a “Corrida da Galinha”. Até segunda!
25.7.08

Sabará (MG) é uma cidade pequena, mas é puro agito. Pelo menos uma vez por mês há alguma notícia de catástrofe no município.
Nesta semana 21 pessoas foram presas durante a Operação Políteia, que atuava no combate ao tráfico de drogas. Convenhamos que para uma cidade com cerca de 120 mil habitantes é gente pra caramba.
No início do ano, durante o Carnaval, um trio elétrico sem freio atropelou 14 pessoas. Duas delas morreram.
Dois meses depois da tragédia os moradores já tinham de encarar outra: sete vagões de carga do trem da Estrada de Ferro Vitória a Minas descarrilaram e quatro tombaram causando mais transtorno aos sabarenses.
Passam-se mais 30 dias e um caminhão desgovernado atropela duas pessoas e invade uma casa. Um menino de 9 anos morre no local.
Foi também na pequena Sabará que aconteceu mais um fato inusitado – prato cheio para estudantes de Jornalismo. Na faculdade, praticamente todos os professores dizem que notícia não é o cachorro morder o homem, mas o homem abocanhar o cão.
Pois foi justamente o que ocorreu em Sabará esta semana. Um garoto de 11 anos mordeu o pescoço de um pit bull – com o sugestivo nome de “Titã” – para se defender de um ataque. A mordida foi tão forte que o menino quebrou um dente. Isto é o que eu chamo de raiva.
Tanta agitação me leva a pensar que São Paulo ou Rio talvez não sejam metrópoles tão violentas ou efervescentes como imaginamos. Só espero que o povo daqui não tenha a idéia de sair mordendo o pescoço uns dos outros num ataque de fúria.
24.7.08

Nos anos 80 quem não tivesse um Atari ou um Odissei era considerado um ET no colégio. O tempo passou, o Lula virou presidente, a Dercy morreu e os videogames continuam aí. Cada vez mais caros, com jogos mais reais e por isso mesmo, viciantes.
Há quem vire noites grudado à tela da TV.
Outro dia, no programa “Lavanderia”, da MTV, a discussão era sobre a desunião causada pelo eletrônico. O réu era um garoto de 19 anos – já casado e com um filho pequeno – que não larga o videogame para nada. A esposa, também jovem, afirmava que não sabia mais o que fazer para não ser trocada pelo joystick.
Agora, uma novíssima discussão. A Sony ainda nem lançou o jogo “Fat Princess” (“Princesa Gorda”) – para o Playstation 3 – e o caldo já está entornando. O motivo é o objetivo do game: cada exército captura a princesa do inimigo e a mantém em um regime de engorda para dificultar o resgate. Ambos os grupos precisam salvá-la antes que ela engorde e fique pesada demais para ser carregada. Hilário.
Após a notícia ter sido divulgada, milhares de blogs feministas protestaram contra o game. Acham que o jogo é ofensivo e incentiva o preconceito contra mulheres obesas.
Mas que falta de senso de humor… Até videogame precisa ser politicamente correto? Ou será que a revolta das mulheres é porque elas, de fato, jogam tanto que viraram “couch potatoes”?
Eu não jogo – e nem tenho – videogame, mas já fiquei curiosa para ver o “Fat Princess”. E a Sony? Deve estar amando o marketing indireto gerado pela discussão.
23.7.08

Hoje conversei com um ator que só poderia mesmo interpretar uma figura na ficção. Até porque na “vida real” ele também tem inúmeras peculiaridades – talvez até mais do que nas estórias. Trata-se de Marcos Oliveira, o Beiçola, de “A Grande Família”.
A ator saiu há pouco do hospital. Recentemente teve uma infecção urinária que o deixou três dias na UTI. “Mas nem foi tudo isso que disseram. Não tava morrendo. Fiquei lá deitadinho, numa boa, relaxado. Adoro hospital, anestesia. Meu sonho é morrer de choque anafilático”, garantiu.
Logo que saiu retornou aos ensaios da peça que estava para estrear – e que teve de ser adiada por causa de seu problema de saúde.
Para escapar do trânsito carioca achou uma solução bem prática. Contratou um motoboy para levá-lo de sua casa até o bairro da Lagoa, onde está localizado o teatro. Não pediu nenhuma referência sobre o piloto, apenas ligou para a agência e contratou o serviço.
Outra excentricidade diz respeito ao gosto por tupperwares. Comprou o primeiro porque achou bonitinho. Virou um vício. Mais tarde, uma coleção – que só não foi adiante por falta de espaço para guardá-los.
Marcos usa os potes plásticos para tudo: põe perucas, sabonetes, fotos e até livros. Só não armazena sapatos porque acha que fica esteticamente feio.
O visual de seu personagem mais famoso, o Beiçola, foi inspirado em Ronnie Von – tenho minhas dúvidas se o cantor ficará feliz se vier a saber disso algum dia.
Marcos relembra que aos 7, 8 anos, achava Ronnie e sua cabeleira o máximo. Hoje deixou a Jovem Guarda de lado. Prefere os bailes funk. Diz que gosta de ir ao “Castelo das Pedras”, em São Gonçalo, só para observar a movimentação de cachorras e cachorros.
Acho que já temos elementos suficientes para caracterizá-lo como personagem de sua própria vida real.
A propósito, o ator está em cartaz no Rio com um espetáculo “Mistério na Mansão – O Caso da Cantora Cantonesa”. A peça, interativa, é encenada na Fundação Eva Klabin. A novidade fica por conta do elenco. Cerca de 35 espectadores são admitidos por sessão. Cada um deles recebe um kit que inclui o perfil da personagem que irão desempenhar durante a peça e também um adereço para entrarem no clima. No final ainda há um coquetel com comes e bebes.
22.7.08

Dentre os países latino-americanos o Chile é provavelmente o mais sossegado deles. Sofremos com o Lula, os colombianos com as Farc, os venezuelanos com Chávez, os argentinos com o casal Kirchner, os bolivianos com Evo Morales, enfim, a única ilha de tranqüilidade parece ser mesmo o Chile.
Difícil encontrarmos notícias sobre a vida dos chilenos, mas na semana passada eles caíram na boca do povo. Tudo porque uma maluca que ficou conhecida como “A Deusa do Metrô” foi presa.
Monserrat Morales, de 26 anos, vinha fazendo seus shows nos vagões do metrô de Santiago havia uma semana. Escolhia um sem crianças e mandava ver na performance.
No meio dos passageiros, usava os balaústres para compor suas coreografias – lembram-se da “pole dance?” – e chegava a ficar somente de biquíni. Dançarina e trapezista, não aceitava gorjetas. Fazia o número “pela arte”. Até março ela estudava para ser perita criminalística.
Os homens chilenos tinham uma reação, no mínimo, curiosa. Segundo Monserrat, eles fingiam não vê-la. Trauma dos 17 anos de Pinochet no poder? Provavelmente.
Por mais cheio que o metrô estivesse, impossível não reparar numa louca seminua se dependurando em canos só de calcinha e sutiã.
À parte a cara de paisagem dos chilenos, há que se parabenizar a coragem de Monserrat – que se queria chamar a atenção, conseguiu.
Mas ela não seria ousada o suficiente para fazer algo parecido no Brasil. Aqui os homens não têm nem um terço da discrição dos chilenos. Mulheres precisam andar em vagões exclusivos para evitarem de serem bolinadas pelos passageiros do sexo masculino.
Em São Paulo a idéia não vingou, mas no Rio de Janeiro as moças têm vagão personalizado. Se não me engano, em Brasília, há planos de se fazer algo semelhante – o projeto inclui até um local para pendurar as bolsas e apoios mais baixos para as que fizerem o trajeto em pé.
No Brasil apenas uma Monserrat se locomoveria de trem ou metrô sem ser assediada sexualmente: a Caballé.
21.7.08

Autoridades que acompanharam a operação que prendeu Daniel Dantas e grande elenco reclamam dos excessos cometidos pela Polícia Federal e da “espetacularização” promovida pela imprensa.
A Operação Satiagraha passou longe de excessos. Não só não vejo nenhum problema no uso de algemas nos figurões como aprovo a atitude policial.
O único excesso cometido neste caso foi o disse-não-disse protagonizado pelo governo. Alegou que o afastamento de Protógenes Queiroz e de outros delegados era devido a uma coisa e no dia seguinte não era mais.
A imprensa desempenhou muito bem sua função – para desespero de alguns do governo. Aliás, de uma maneira geral, a imprensa brasileira sabe lidar com os grandes escândalos. Posso pagar a língua, mas em assuntos relevantes é difícil haver “barriga” – “informação furada, irreal”, no jargão jornalístico.
O mesmo não se pode dizer da imprensa especializada em fofocas. É comum dizer que fulana está com fulano, que sicrana está grávida e que beltrano segue internado numa clínica de desintoxicação para drogados.
Este não é um privilégio brasileiro apenas. Lá fora jornalistas desta área são bem mais ousados.
Um bom exemplo é o jornal britânico “Daily Mail”, que publicou que a princesa Anne, filha mais velha da rainha Elizabeth 2ª, usou em um casamento no último sábado o mesmo vestido e o mesmo chapéu com que compareceu ao casamento do príncipe Charles e Diana em 1981.
Na mesma matéria o jornal escreve outros eventos em que a princesa repetiu roupa. Numa visita à capital do Sudão, em 1985, usou o mesmo chapéu amarelo do batizado de sua filha, em 1981. Um vestido de gala também foi visto duas vezes, primeiro em uma cerimônia em Berlim, em 1976, e depois em Londres, em 1999.
Ora, que falta do que fazer… Será que está faltando assunto em Londres?
Isso sim é o que chamo de “excesso” ou “espetacularização”. Tô certa ou tô errada?