21.8.08

As competições olímpicas de hoje nos mostraram uma triste verdade: que somos o país do quase.
Após dar vexame contra a Argentina, Ronaldinho Gaúcho disse que o brasileiro não sabe perder. E não mesmo.
Quem gosta da derrota? O papo de que “o importante é competir” só vale quando estamos na escola. É um belo consolo para uma criança, mas não funciona em competições importantes como Jogos Olímpicos ou Copa do Mundo.
As manchetes de hoje nos sites traziam destaques como: “Jadel falha, não vai ao pódio, chora e diz: ´não sei o que aconteceu´”; “Sem pódio: Rodrigo Pessoa perde a medalha no desempate”. Mas a que melhor define o Brasil olímpico é: “Brasil falha na final e fica no quase de novo”.
É sempre assim. Nadamos, nadamos e morremos na praia. Diante de jogos como o de hoje – a partida de futebol feminino entre Estados Unidos e Brasil – nós nos empolgamos, torcemos, vibramos e chegamos à constatação de sempre: não foi dessa vez.
O resultado não poderia ser mais “quase”: cinco medalhas de bronze e a 33ª colocação no quadro geral.
De fato, temos muito espírito olímpico. Nunca somos tão brasileiros como em momentos assim. Preferiria, entretanto, que tivéssemos mesmo é físico olímpico.
Há quem diga que esta alma de esportista – tão presente nos brasileiros – não apareça nos campeões.
Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional, criticou o comportamento do jamaicano vencedor dos 100 m e dos 200 m rasos. Segundo Rogge, o fato de o atleta ter comemorado a medalha de ouro antes da linha de chegada mostra falta de respeito aos adversários, o que vai contra o “espírito olímpico”.
Pelaamordedeus, Rogge. O cara é o melhor do mundo em duas categorias e tem de agir como um picolé de chuchu para não magoar os outros? Pelaamordedeus…
Muito mais grave são os Estados Unidos divulgarem serem os primeiros colocados no quadro de medalhas. Falta de espírito olímpico é levar em consideração a quantidade de medalhas e não o número de ouros.
E então, Rogge?
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20.8.08

Por mais malucas que sejam as fãs brasileiras não há notícias de que Bruno Gagliasso ou Cauã Reymond tenham causado a separação de alguém. Também nunca se ouviu falar de um galã seqüestrado por uma fanática.
O máximo que as brasileiras se permitem são cartas de amor quilométricas, calcinhas no palco e coleções sobre a vida do ídolo. Ao contrário de muitos episódios no Brasil, tudo bem civilizado.
Não esperem o mesmo bom comportamento de fãs mundo afora. Na Arábia Saudita o bicho está pegando. Duas telenovelas turcas – “Nour” (“Luz”) e “ Sanawat Ad-Dayaa” (“Anos de Perdas”) – estão causando divórcios.
O responsável pela desunião familiar é Nour, vivido pelo galã turco Kivanç Tatlitu. Na ficção ele é um marido dedicado e romântico, tudo o que as mulheres sauditas não têm em casa. Prova disso é que estão pedindo o fim de seus casamentos.
Mais interessante do que a inevitável comparação feminina é a reação dos maridos. Eles também estão entrando com pedidos de divórcio após encontrarem fotos do ator nos celulares e nos pertences das esposas. Argumentam ainda que as mulheres não cumprem mais com as obrigações domésticas para assistir à novela.
Eu, como habitante do país das novelas – “Vale a Pena Ver de Novo”, “Malhação”, das seis, das sete, das oito, dos Mutantes, as mexicanas, as colombianas… –, já enxergo um bom folhetim nas reações das partes envolvidas. Ódio, ciúme, dinheiro e, claro, um bom mocinho.
Não sei o que o cantor Phil Collins acharia da minha idéia, até porque já está vivendo seus dias de novela da vida real. O cantor – que está se separando pela terceira vez – já gastou um terço de sua fortuna em divórcios.
A ex-mulher de Collins acaba de receber 46,7 milhões de dólares (R$ 76,8 milhões). Segundo a revista “People”, é o divórcio de celebridade mais caro da história do Reino Unido.
Gagliasso e Cauã não são pivôs da separação das fãs – só agem em malefício próprio. Gostam mesmo de causar dores de cabeça nos pares das atrizes com as quais contracenam. E é só. Ou vocês preferem que eu cite Guilherme de Pádua?
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19.8.08

A seleção olímpica de futebol masculino não merece nem uma linha. Não há mais o que esperar ou lamentar simplesmente porque a derrota nos gramados há muito não é novidade. O “futebol-arte” – odeio essa expressão – anda a passos de tartaruga.
Viremos a página. Entre ontem e hoje os brasileiros se mobilizaram em torno de outro assunto: o sumiço da vara da atleta Fabiana Murer.
Curiosamente observei que não houve pesar pela eliminação de Fabiana ou pela perda de uma possível medalha de ouro. O que queimou os neurônios brasileiros foram as piadas.
É impressionante a nossa capacidade de fazer graça com um ocorrido em menos de 24 horas.
Ouvi de tudo. A primeira foi que Diego Hypólito era o principal suspeito. Depois vieram as perguntas do tipo “como se faz para esconder uma vara de quase quatro metros?”; “é coincidência Diego Hypólito cair sentado e a vara da Fabiana sumir?”. E, por fim, de José Simão, a afirmação de “que não existe vara perdida, mas sim mal amada”.
Por que nosso senso de humor surge apenas nas situações-limite? Na ocasião da morte de Ayrton Senna diversas piadas começaram a circular poucas horas após o acidente. O mesmo ocorre em tragédias como a do avião da TAM.
Faria um bem danado para a nossa auto-estima se fôssemos criativos no dia-a-dia. Ou, quem sabe, se o brasileiro usasse parte de sua perspicácia para ganhar dinheiro. Atenção: não confundir agudeza de espírito com malandragem.
Que nada. Esse espírito olímpico vai desaparecer junto com os Jogos de Pequim, quando voltaremos aos passos de tartaruga de costume.
Sabem o que estamos parecendo? Umas tartarugas recém-nascidas que perderam o rumo do mar e foram parar dentro de um restaurante na região da Calábria, na Itália, hoje. Elas se confundiram com as luzes do estabelecimento e tomaram caminho inverso.
Aliás, nem a elas nos assemelhamos. As pobrezinhas ainda foram atrás da luz. Nós enxergamos a luz e preferimos colocar a cabeça para dentro do casco. Vez ou outra fazemos umas piadinhas.
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18.8.08

O que têm em comum Fernando Lugo – recém-eleito presidente do Paraguai –, Carlos Minc e Fidel Castro? Esqueçam-se de que eles são de esquerda. Concentrem-se em algo menos importante que a política e terão a resposta: o visual exótico.
Um descuido seria perfeitamente compreensível. A aparência descurada desempenha até uma função histórica. Faz parte do folclore esquerdista o visual rústico, meio sujo, cabelo comprido, barba idem. E em alguns casos, de quebra, uma lingüinha presa (Lula, Vicentinho, Palocci…).
No caso de Lugo, Minc e Fidel, entretanto, não é exatamente desleixo. O que se vê é uma quase provocação.
Minc, nosso ministro do Meio Ambiente, tenta marcar posição com sua coleção de coletes, itens de vestuário do tempo da vovó. Ainda me esforço para tentar captar alguma mensagem subliminar.
Fidel, por sua vez, nas poucas vezes em que aparecia sem seu uniforme militar, posava de garoto-propaganda da Adidas.
A justificativa poderia ser o fato de ele estar moribundo, mas bem antes de adoecer o ditador cubano já desfilava com seu abrigo Adidas. Ok, a Adidas é uma empresa alemã, mas se transformou no símbolo de tudo o que Fidel mais odeia: o “american way of life”. Ao lado do segredo de Tostines, este é um mistério que tento decifrar.
Na semana passada, Fernando Lugo usou em sua posse camisa branca, calças cinzas e sandálias. A novidade é que cortou a barba que cultivou por anos. Se seguirmos a tendência apontada por Fidel, o próximo passo será trocar as sandálias franciscanas por um belo par de Manolo Blahnik.
Não sei bem ao certo o que esses comportamentos querem nos dizer. Talvez um “usem o que eu visto mas não levem muito a sério o que eu prego?”.
Se for, os sacoleiros de Ciudad del Este vão encher os bolsos. Atravessarão a ponte inúmeras vezes para dar conta dos pedidos dos fregueses latino-americanos. Para melhorar ainda mais, Lugo bem que poderia dar uma mãozinha e reduzir os impostos. Liberou geral.
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17.8.08

Hoje vou mexer num vespeiro. No post passado comentei sobre a rabujice de João Gilberto. Foi apenas uma pincelada. Comportamento tão peculiar merece um texto inteiro.
João Gilberto não me sai da garganta. É o próprio pato da MPB.
Após cinco anos sem se apresentar em São Paulo apareceu esta semana para um show no auditório Ibirapuera.
“Apareceu” é a palavra correta, porque seu João chegou quase duas horas atrasado. Às 21h15, quando a apresentação já deveria ter começado, ele ainda estava num hotel na região central da cidade comendo uma “saladinha”.
Isso porque desde uma da tarde um jatinho estava à disposição do cantor. Quando um funcionário da empresa de táxi aéreo lhe pediu o RG, ele respondeu que não andava com documentos e foi andando para a saída do aeroporto. Se a pontualidade não é o forte de seu João, o que dizer da educação?
Enquanto ele destilava seu veneno, milhares o aguardavam na platéia do Ibirapuera. Na chegada, pediu uma desculpa-padrão e foi todo sorrisos. Tascou um “São Paulo, I love you” e começou com seus sussurros.
Além do comportamento megalomaníaco do cantor, outro fato me chamou a atenção: a omissão da platéia. Por que não relembrar da última apresentação de seu João, na inauguração do Credicard Hall?
Após reclamar da acústica do lugar, ele recebeu uma vaia gostosa de mais de quatro mil pessoas – é provável que este povo não estivesse no Ibirapuera na sexta-feira.
Para meu espanto, Danuza Leão, sempre tão sóbria e correta em seus textos, disse que quando o cantor chegou “foi um alívio, pois com ele há sempre um suspense: será que vem?”.
Já o jornalista Carlos Calado escreveu que seu João “manteve empatia total com a platéia, convidando-a até a acompanhá-lo em algumas canções, além de provocar risadas com seus comentários inusitados… Estava com um bom humor radiante”. Não tenho dúvidas disso. Havia feito uma viagem bem confortável, tinha acabado de jantar e não estava nem aí para os patos que o aguardavam.
Vi e ouvi uma série de comentários sobre o bom humor de seu João. Desta vez ele não reclamara de nada – nem do barulho bem alto de computador sendo desligado logo na primeira música.
Ainda bem que eu não estava lá – senão esse pato ia sair manco.
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16.8.08

Dorival Caymmi era o nordestino típico. Tranqüilo, se tornou conhecido pelo seu lento processo criativo – às vezes uma canção levava anos para ficar pronta. Reza a lenda que ele demorou nove anos para concluir uma das estrofes de “João Valentão”.
Aos 94, nunca se deixou levar pela pressão alheia ou teve arroubos megalomaníacos – como o seu colega João Gilberto, que faz inúmeras exigências antes, durante e depois dos shows. Reclama de tudo, até de uma mosca voando.
Não só os baianos, mas todos os nordestinos precisam aprender a lidar com as piadinhas sobre sua aclamada simplicidade e preguiça.
Talvez para se livrarem destas alcunhas eles criem situações espetaculares que paradoxalmente mostram que eles também têm mania de grandeza.
Hoje, na cidade de Belmonte (BA), foi preparada a maior moqueca do mundo. A iguaria tinha cerca de 130 quilos de peixe e foi feita numa panela de barro que precisou da força de cinco homens para ser carregada.
Durante os festejos juninos deste ano Caruaru (PE) mostrou seu pé-de-moleque gigante. Na receita, 600 quilos de mandioca, 180 quilos de margarina, 300 quilos de açúcar, 45 quilos de castanha, 50 quilos de coco ralado, um quilo de fermento, 50 quilos de doce de goiaba, 1,8 mil ovos, 20 quilos de cravo, 20 quilos de canela e 20 quilos de erva-doce.
Ainda durante as comemorações a São João, Caruaru serviu um cuscuz gigante – que alimentou 10 mil pessoas – e um curau com 35 metros de comprimento que levou nada menos do que 4,5 mil espigas de milho. Foram necessários seis fogões e 32 formas para assar o doce.
Há duas semanas Fortaleza (CE) apresentou a maior rede do mundo, com capacidade para 300 pessoas. A idéia, entretanto, não foi de nenhum cearense ou baiano, mas de dois irmãos alemães radicados no Brasil há 30 anos.
A estas horas a rede deve estar na Alemanha participando de uma feira mundial de móveis, onde será avaliada por peritos do “Guiness Book”.
Caymmi ficaria satisfeitíssimo com um presente como este, tipicamente nordestino. A rede abrigaria confortavelmente toda sua família. Lugar ideal para descansar, pensar na vida e, claro, compor. Nem Caymmi era de ferro.
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15.8.08

As Olimpíadas nem começaram direito, mas já elegi o muso da competição: Michael Phelps. Toda prova nas piscinas tem Michael Phelps. E, invariavelmente, também tem pódio.
Quando as câmeras o mostram em ação tenho certeza de que ele é um golfinho disfarçado de homem. Para os adversários, um tubarão.
Já repararam em como ele se locomove debaixo d´água? Parece uma centopéia submarina. Não que estejamos diante de um balé aquático – é claro o esforço do atleta. Mas ele transmite a mesma sensação ambígua de força e leveza dos bailarinos.
Aos 23 anos, ele tem uma envergadura de 2 metros. Sozinho, já é responsável pela metade das medalhas de ouro que os Estados Unidos conquistaram até agora. Já é o maior recordista mundial da história dos jogos.
Também pudera. Tudo tem seu preço. O dele é abdicar da vida pelo esporte. Além disso, Phelps tem uma dieta bem especial. De baleia. Nesta quarta-feira, em entrevista à rede americana NBC, revelou que consome 12 mil calorias por dia. Anotem aí:
- Café-da-manhã: dois copos de café e três sanduíches de ovo frito recheados com queijo, tomates, cebolas fritas, alface e maionese. Omelete com cinco ovos, cereais, três pedaços de torradas com açúcar e três panquecas de chocolate.
- Almoço: macarrão enriquecido e dois sanduíches de presunto e queijo com maionese em pão branco. Tudo acompanhado de bebidas energéticas.
- Jantar: uma pizza (inteira) e meio quilo de macarrão.
Se nos arriscarmos a seguir apenas um terço da dieta de Phelps é líquida e certa a chance de nos tornarmos a Orca assassina.
Se não há páreo para o campeão, imaginem nos compararmos a ele. Não podemos comer e muito menos nadar como Phelps. No máximo, engolir um pedaço de pizza assistindo a mais um pódio das competições de natação em Pequim – o mais próximo que podemos chegar desta perfeição.
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14.8.08

Se eu não fosse jornalista já sei o que gostaria de fazer: pesquisas inúteis. Praticamente todos os dias um novo estudo de cientistas de alguma parte do mundo – geralmente de uma universidade de renome – é publicado.
Escrevi ontem que bom senso e conhecimento acadêmico raramente andam de mãos dadas. Pois a preocupação demonstrada por alguns cientistas da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, não me deixa mentir. A pesquisa do Departamento de Psicologia Experimental é a prova de que mesmo seres intelectualmente privilegiados gostam de uma besteirinha.
Após muito estudar, a equipe chegou à conclusão de que depois de uns copos de cerveja as pessoas realmente começam a achar as outras mais bonitas.
Foram embebedados 84 alunos. Quinze minutos depois, os pesquisadores mostraram a eles fotografias de pessoas da mesma idade, de ambos os sexos.
Tanto os homens como as mulheres que haviam consumido álcool avaliaram as pessoas retratadas como mais atraentes do que os participantes de um grupo que não havia bebido.
Portanto, o ditado de que não existe pessoa feia, é você quem bebeu pouco está corroborado pela Ciência. Taí um bom álibi para quem for pego no teste do bafômetro: bebi porque estava tentando achar um noivo!
Os que se divertem com esta miopia alheia são pessoas como eu, abstêmias, que não só assistem como têm a visão além do alcance. Acho que a bebida não é a saída para o meu caso, talvez uns óculos resolvam.
E você, que pesquisa inútil gostaria de fazer? Está lançada a promoção “Pequeno Cientista”. A melhor idéia de estudo inútil leva uma camiseta do filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Participem. Mandem suas respostas para tatianarezende@hotmail.com até o dia 21/08. E boa sorte!
13.8.08

Sempre me pergunto por que Lula fala tanta abobrinha. Há quem culpe a falta de estudo, mas conhecimento acadêmico tem pouca ligação com bom senso.
Acho que encontrei uma resposta mais plausível para a pouca noção do nosso presidente. Creio que é o constante embate entre suas raízes e o que ele se tornou hoje o causador desta que chamo de “Síndrome da Abobrinha”, cujo principal sintoma é a língua solta.
Lula retornou da China e caiu no mundo real. Voltou de fato às suas raízes. Ontem ele recebeu o prêmio “Pá de Ouro – Operário Número 1 da Construção no Brasil”, oferecido pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção.
Pode existir premiação mais tosca do que esta?
Toda a cerimônia remexeu bem lá no fundo da alma metalúrgica presidencial. Além do troféu, ouviu o Hino Nacional na voz de Agnaldo Rayol e falou as besteiras de costume.
“Há três coisas que o brasileiro adora: gostaria de casar com uma mulher bonita, ter casa própria e um carro novo. São as três paixões do brasileiro. Agora, começou a mudar, porque nossos filhos já não querem mais o carro e, sim, computador novo. É a paixão dele para passar as noite namorando sem ver a mulher, coisa que a nossa geração não fazia”.
No final, disse que o prêmio é como uma medalha olímpica: “É a minha medalha de ouro. Saio daqui orgulhoso não apenas pela minha colher, que espero não usar para não estragar”.
Mesmo fazendo uso da mais barata filosofia de botequim, Lula realmente acredita no que diz. Este é o primeiro passo para convencer seus iguais – não podemos nos esquecer de que é esta abobrinha que alimenta os brasileiros.
Recomendo, entretanto, que Lula guarde a colher com cuidado. Sabem como é, o mundo gira, a Lusitana roda… Se ele pensa em contar com os amigos (cadê o Zé Dirceu?) pode vir a precisar é de um lugarzinho no ramo da construção civil.
Será que ele sabe encher laje?
12.8.08

Se Paris Hilton vier, algum dia, a ser presidenta dos Estados Unidos a culpa é do McCain. Por que não? Arnold Schwarzenegger já é governador da Califórnia.
Tudo começou por causa de uma provocação. A campanha de McCain usou imagens de Paris Hilton e Britney Spears para ironizar a vocação de celebridade de Barack Obama. No vídeo “Celeb” imagens de um discurso de Obama em Berlim são intercaladas com fotos de Paris e Britney. E, em off, a frase: “É a maior celebridade do mundo. Mas será que está pronto para liderar?”.
Era a deixa de que Paris precisava. Imediatamente a socialite pôs seu biquininho, arrastou uma cadeira para a beira da piscina e gravou sua resposta: “Hey América, sou Paris Hilton e também sou uma celebridade, mas não venho do passado e não prometo a mudança, como o outro. Sou apenas explosiva, mas este cara enrugado e de cabelos brancos me utilizou em seu anúncio de campanha, o que me leva a crer que também sou candidata à presidência.
Então, obrigada pelo apoio, cara do cabelo branco, e quero que os Estados Unidos saibam quem sou, completamente pronta para assumir desafios”.
No final, diz que vai pintar a Casa Branca de rosa e revela quem seria sua vice, a cantora Rihanna.
Nós adoramos. E os americanos também. Se a Barbie der algum problema, a Mattel faz o recall.
Três pessoas, entretanto, não devem ter gostado nada desta história. Cristina Kirchner – a oficial moradora da Casa Rosada – a mãe de Paris – que é uma das doadoras de campanha de McCain – e Obama – que já tratou de dizer que as filhas dele gostam mesmo é de Hannah Montana e Beyoncé.
Não duvidem se Paris seguir o exemplo de nossas celebridades – Rafael Ilha, Sérgio Mallandro, Gretchen – e sair candidata nas próximas eleições americanas. Cara-de-pau, dinheiro e poder ela já tem. Com muito menos Maluf já se elegeu. Aguardem.