25.9.08
A ARTE DA VENDA

A agência de publicidade W/Brasil já entrou para a história. Virou título de uma música de Jorge Ben Jor (“W/Brasil – Chama o Síndico") e dois de seus trabalhos estão na lista mundial dos cem maiores comerciais de todos os tempos: “O Primeiro Sutiã” (Valisère) e “Hitler” (Folha de S. Paulo).
Pena a criatura ter mais destaque do que o criador, Washington Olivetto – para mim o melhor publicitário brasileiro. Ele é a prova de que inteligência e criatividade são como pulga e cachorro.
Olivetto tem concedido uma série de entrevistas para divulgar seu mais recente livro, “O Primeiro a Gente Nunca Esquece”, no qual reconta os bastidores da criação da campanha da Valisère e a repercussão do anúncio no Brasil e no mundo.
E como é gostoso ouvi-lo. Lúcido, tem pensamentos originais que não se restringem à publicidade. A cada observação revela-se muito maior do que a frase que acabou virando bordão nacional – “o primeiro a gente nunca esquece”.
A primeira observação importante é que ele não se leva a sério, mas exige que os outros o tomem como tal. Conta que como começou a fazer sucesso cedo, aos 18, 19 anos, deslumbrou-se também precariamente. Hoje, às vésperas de completar 56 anos, não corre mais o risco de se sentir o máximo e parecer ridículo.
Há quem pergunte como ele conseguiu passar 53 dias num cativeiro durante o seqüestro de 2002 e voltar à vida normal. Ele se sai com uma resposta simples: talvez porque já não fosse.
O segredo de seu sucesso como publicitário talvez seja a consciência de que a propaganda não pode abusar da inteligência do espectador. Segundo ele, o comercial é um intruso que surge num momento em que a pessoa está centrada em outra coisa. Precisa, portanto, ser um intruso de primeira: simpático e inteligente para conseguir despertar a atenção de sua audiência.
Olivetto nunca fez campanhas políticas. Diz que só trabalha com produtos que o consumidor possa devolver.
Nunca tinha pensado nisso, mas se pudéssemos colocar na Constituição esta possibilidade de devolução ganharíamos duplamente: nos livraríamos de vários produtos ruins do setor político e seríamos premiados com campanhas mais inteligentes e criativas.
Mais um pensamento de Olivetto: “No futuro todos serão vulgares por algumas horas”. O futuro é hoje.
tatinha13
16:16 — Arquivado em: 

Minha luminosa Tati, o Olivetto é bom mesmo, me parece um homem centrado e coerente. Por não fazer campanhas políticas ele já merece um lugar de destaque e deveria ser premiado. Já pensou se nos fosse permitido devolver o Dr. Paulo e o Lula? O problema é que certamente, ninguém vai aceitar a devolução.
Forte abraço
CAUROSA - caurosa.wordpress.com
Comentário por caurosa — 25.9.08 @ 19:09
Tá certo, o Olivetto é lúcido, ótimo profissional etc e tal. Porém, eu não agüento mais ver entrevistas dele… Poxa, ele está em todas! Quero conhecer pessoas diferentes, e não reafirmações de idéias que já conheço desde a época do Matéria Prima, nos primórdios das “platéias descoladas”. Se continuar assim, vão acabar vulgarizando o cara - o que de certa forma vai confirmar sua profecia.
Comentário por Ricardo Rezende — 25.9.08 @ 23:57
A propaganda é a alma do negócio…..não tenho nada com a vida particular do mesmo, político ou não,mas quem garante que aquele sequestro não foi lavagem de dinheiro??????????????
Comentário por Juventino — 26.9.08 @ 0:30
Com a notícia de que o Olivetto só faz comercial de “produtos que o consumidor possa devolver” e sabendo que ele é o responsável pela campanha do TSE deste ano (aquela que diz “quatro anos é muito tempo”) pergunto: será que poderíamos devolver alguns políticos anacrônicos que fatalmente serão eleitos este ano?
Comentário por Joubert — 26.9.08 @ 10:36
Já existe o regime em que é possível a “devolução” ou “troca” do “produto político”: chama-se “parlamentarismo”. Abçs.
Adh
Comentário por Adh2bs — 26.9.08 @ 15:15