20.9.08

Recentemente, por ocasião da comemoração dos 50 anos de Madonna, o Multishow exibiu uma programação especial sobre a cantora. A entrevista dada ao apresentador Michael Parkinson, do canal inglês ITV1, foi o destaque.
Em certo momento, quando o assunto era o interesse de Madonna pela cabala, Parkinson perguntou por que ela havia trocado o catolicismo pela cabala. Cabala também não é religião? Perguntou ele.
E Madonna: “Religião pra mim é sinônimo de não fazer perguntas”. Nunca ouvi uma explicação tão simples e definitiva sobre o significado de religião.
O tema me remeteu à minha falecida avó materna. Beatíssima, ela não gostava de ler matérias em que a existência de Jesus era questionada ou quaisquer outras possibilidades que abalassem sua “fé” no catolicismo.
O escritor Rubem Alves, que também já foi pastor, escreveu que quando era jovem seus sermões frequentemente provocavam reações negativas nos conservadores. Eles esperavam que Rubem falasse sobre a certeza da salvação de suas almas. Ele, que diz nada saber sobre a vida após a morte, falava sobre as coisas da vida.
Após um mal-entendido numa igreja presbiteriana, chegou à conclusão de que para um pregador ser bem-sucedido ele precisa dizer aos membros das igrejas o que eles desejam ouvir. Eles querem escutar a confirmação de suas velhas idéias. Perfeito como Madonna.
A observação de Rubem é interessante porque não é mero achismo, é empírica.
Padre Marcelo, pregador experiente, já sacou – e é por isso que é tão louvado pela Igreja e por seus fiéis.
Se Madonna já foi marginalizada por seu clipe “Like a Prayer”, em que beijava um padre, imaginem a reação da Igreja quando souber da afirmação da cantora sobre religião. É provável que queira proibir o show dela na Itália e no Brasil, as duas maiores nações católicas do mundo.
19.9.08

Depois da queda da bolsa, do novo cano de Fábio Assunção no programa de Ana Maria Braga e do casamento da Sandy, o que está dominando minha atenção são as notícias sobre o leite.
A tecnologia de temperar aquele que é considerado nosso primeiro alimento dá tão certo no Brasil que a estamos exportando para os chineses. Após vários bebês apresentarem problemas de saúde – pedras nos rins – o governo decidiu retirar de circulação todos os laticínios.
O órgão do governo chinês que supervisiona a qualidade disse que quase 10% das amostras de leite de três grandes fornecedores continham melamina, uma substância utilizada na fabricação de plástico.
Será que os chineses nunca ouviram falar de soda cáustica e água oxigenada? Fazem o leite render e não causam pedra nos rins. Graças a estes dois ingredientes podemos dizer que nosso leite é mais do que nutritivo. É degenerativo, ou seja, vai matando aos poucos.
A fim de evitar problemas do tipo, um chef de cozinha suíço está gerando polêmica ao anunciar que vai incluir pratos feitos com leite materno no cardápio de seu restaurante.
Atenção grávidas: Hans Locher já está inclusive à procura de voluntárias. Promete pagar cerca de R$ 25 o litro.
Rolf Etter – químico responsável pelo controle de qualidade de alimentos –
afirmou que o leite materno não está entre os produtos de laticínio que podem ser usados na produção de alimentos. Quanta ingenuidade. Esse Rolf precisa tirar umas férias na China – ou no Brasil.
Vamos torcer para que o plano de Hans dê certo. Afinal, como ele mesmo disse, se todos crescemos com o leite materno, por que não incluí-lo na nossa dieta alimentícia?
Entre os pratos que devem fazer parte do cardápio, nada de mingau. Hans quer usar o leite em sopas e pratos típicos suíços, como o “Zürcher Geschnetzeltes” – uma espécie de estrogonofe típico da região de Zurique.
18.9.08

Pesquisa de intenção de voto é um terreno pantanoso. Uns crêem que ela influencia os indecisos e outros que é manipulada. Daí que não deveria ser divulgada.
Difícil dizer se as pesquisas têm ou não este poder de fogo, mas uma coisa é certa: o início da campanha eleitoral gratuita no rádio e na TV muda tudo.
Alckmin que o diga. Após perder vários pontos, decidiu trocar de marqueteiro. Decisão inútil. Continua falando ao vento. Melhor ir se preparando para disputar o governo de São Paulo assistindo às campanhas bem-feitas de Marta e Kassab – porque essa eleição para ele já era.
Tanto a de Marta quanto a de Kassab falam para o povão. Creio que esteja aí o maior erro de Alckmin. Ele discursa para um eleitor classe média que já é o seu. Parece não entender que o objetivo do horário gratuito é conquistar novos simpatizantes.
E ele não está sozinho. A candidata Soninha usa o pouco tempo de que dispõe para falar obviedades sobre os problemas da cidade. É necessário investir no transporte público, melhorar a habitação, o sistema de saúde, blá, blá, blá.
Ontem ouvi a campanha no rádio. Enquanto Alckmin falava do rebaixamento da calha do Tietê e Soninha do meio ambiente, Marta e Kassab deitaram e rolaram com uma propaganda pra lá de criativa. Os marqueteiros transformaram a propaganda no rádio em… programa de rádio – com apresentador e ouvintes que ligam para tirarem dúvidas.
No de Marta há até o quadro “Karaokê da Cidade”, em que um “cantor” provocou Kassab interpretando “Os Céus do Kassab”.
Entre uma promessa e outra – todas elas expostas numa linguagem bem popular – muito xote e jingles-chiclete (“carrega na catraca, carrega na catraca, carrega na catraca!”).
Marta propõe a Internet de graça. E eu penso: “Como assim?”. Uma voz com sotaque nordestino faz a pergunta: “Mas, Marta, como isso vai ser possível?”. E a candidata: “Ora, gente, pelo ar, da mesma forma como agora estou falando com vocês pelo rádio. A tecnologia já permite isso”. Lá pelas tantas, a frase que faltava: “Basta ter um computador”.
Nem a língua presa de Kassab o impede de enumerar seus feitos: ampliou a duração do bilhete único para três horas, colocou mais uma professora na sala de aula e está distribuindo “leite de rico” nas escolas. Como dizem os apresentadores do programa, o Ari, o Joca e o Juvenal, “o cara é um poço sem fundo”. Um deles até resolve tirar a botina para contar com os dedos do pé as realizações de Kassab – porque os da mão não são suficientes.
Dá pra competir?
17.9.08

A semana começou animada para os que vêem o Sol nascer quadrado. Anteontem seis presos fugiram pela porta da frente da cadeia pública de Barra Velha (SC). Aproveitaram o horário do almoço, renderam o carcereiro e foram pegar o rango em outra freguesia.
As detentas de Porto Velho também estão em festa. Ao contrário dos colegas catarinenses, querem apodrecer atrás das grades – pelo menos até o fim de setembro. Isso porque a Penitenciária Feminina de Porto Velho está realizando o concurso “Miss Penitenciária Rondônia 2008”.
Fico em dúvida sobre o que é mais inaceitável: escapar pela porta da frente de um presídio ou eleger a mais bela marginal.
A idéia, entretanto, não é nova. Desde 2004 acontece em São Paulo concurso semelhante. Além de Rondônia, a moda já pegou no Distrito Federal. Em fevereiro foi eleita a mais linda detenta da capital federal, que levou, além do kit faixa e coroa, mil reais e um curso profissionalizante.
A vencedora do “Miss Penitenciária Rondônia 2008” será contemplada com uma televisão 14 polegadas. A vice ganhará um aparelho de som e a terceira, um secador de cabelo. Regalia melhor só a lagosta do Cacciola.
A justificativa dos organizadores é a mesma: o objetivo é aumentar a auto-estima das detentas e “promover a integração entre as mulheres”. Desculpa edificante, mas absurda.
Em vez de promoverem concursos de beleza poderiam lançar a gincana da cela mais organizada, do banheiro mais limpo ou ainda algo do tipo a detenta que lava mais roupa em menos tempo ou da que melhor costura uma bola de futebol.
Se posto em prática, o slogan da campanha de Lula – “deixa o homem trabalhar” – faria um bem danado a essas mulheres. Não queremos detenta com o cabelo escovado, mas com bolhas nas mãos. Esta sim mereceria o título de miss penitenciária. Além de uma boa noite de sono, ganharia band-aids e um tubo de hidratante para as mãos.
Ainda no Distrito Federal, lançaria o concurso “Mister Penitenciária”. Em vez de jurados, os candidatos seriam julgados por voto popular em dois quesitos: melhor lábia e maior salário. O menos feio ganha. Teríamos vários turnos – até porque candidatos não iriam faltar. O prêmio? Pizza para todo mundo.
16.9.08

A cada quatro anos a história se repete. Às vésperas do pleito os comerciais da Justiça Eleitoral reforçam a importância do nosso voto e da escolha consciente. A campanha martela na questão de que o voto é o maior sinônimo de democracia. Não há diferença entre pobres, ricos, brancos, negros, homens ou mulheres. O voto é para todos.
O cara-a-cara com a urna realmente é um evento democrático. Até os analfabetos dão um jeitinho de se manifestarem. Sabemos, entretanto, que o problema não está no fato de apertarmos o “confirma” ou o “branco”. A ferida aparece no “day after”. Em vários rincões do país ainda existem os votos de cabresto e a distribuição de benesses após o pleito. Enfim, o voto é democrático até a página dois.
Mas não é bem sobre política o tema de hoje. É sobre democracia. Dia desses, numa conversa sobre drogas com meu pai, percebi que não há nada mais democrático do que a tragédia. A grande tragédia.
A cocaína ou o crack não vêem cara, bolso, sexo, idade, nacionalidade ou o tipo físico do viciado. Muito menos os dentes, a pele, o nariz. Arrebanham seguidores sem distinção. Uma vez convertidos, todos precisam unir esforços para sustentar o vício. Os que têm dinheiro cheiram a casa, o carro, as propriedades, as jóias e até os bens que garantiriam o sustento da quinta geração da família.
Os que não têm são como os analfabetos na hora do voto: dão um jeitinho. Matam, roubam, seqüestram, assaltam o banco ou afanam a aposentadoria da velhinha na porta do banco.
Doenças trágicas como o câncer também são democráticas. Pode ser no intestino, na mama, na garganta ou nos testículos. Por mais dinheiro que o paciente tenha não há muito a ser feito. Pode-se protelar a partida por alguns dias, meses ou anos, mas ela será inevitável.
Tragédias como a do World Trade Center, o Tsunami, os terremotos e os furacões também nivelam os seres humanos. Vão-se executivos, faxineiros, turistas, bombeiros, católicos, advogados, peões de obra, muçulmanos, ascensoristas, terroristas, banhistas, pilotos de avião e passageiros.
Assim como na eleição, a ferida só aparece no “day after”. Os que se foram terão um funeral assim ou assado. Os que ficam terão de se virar. Como os analfabetos. Ou exatamente como os viciados.
15.9.08

“Linha de Passe”, de Walter Salles, foi aplaudido durante nove minutos no Festival de Cannes. Saí da sessão ontem, mas ainda estou batendo palminhas.
Forte candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro? Ainda é cedo para especulações. Mas é redondo – sem trocadilhos.
“Linha de Passe” está para São Paulo assim como “Cidade de Deus” está para o Rio. O filme é absurdamente paulistano. Estão lá o típico sotaque italianado – com todos os “meus” possíveis –, os ônibus lotados, os corinthianos, a paisagem espetada pelos prédios e a protagonista-mor da recente produção nacional: ela, a nova ponte Estaiada.
Falta de dinheiro, sonhos, tristezas e frustrações são sintomas de qualquer metrópole – não são dramas exclusivamente paulistanos. O que faz com que “Linha de Passe” leve o carimbo “Made in SP” é a presença da nossa maior praga: os motoboys. Um dos quatro filhos de Cleusa – Sandra Corveloni – é motoboy.
A carioquice de Waltinho não foi obstáculo para o olhar corretíssimo que ele lança sobre os motoqueiros. Ele conseguiu documentar a realidade de inquietude, malandragem e aflições da categoria – e, por tabela, a de quem tem de conviver com ela.
Já o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes conquistado por Sandra Corveloni não pode ser levado muito a sério. Mesmo sem conhecer as adversárias, me arrisco em dizer que atriz brasileira fazendo papel de pobre é quase um pleonasmo. A interpretação de Sandra não difere muito da de tantas outras atrizes que já se encarregaram da mesma personagem.
Mas “Linha de Passe” é de Reginaldo, o irmão caçula, interpretado pelo garoto Kaíque Jesus Santos. Carismático até o último fio de cabelo, é responsável pelos melhores olhares e diálogos do filme.
A julgar por esta e pela experiência que Walter Salles teve com o menino Vinícius de Oliveira em “Central do Brasil”, pode-se afirmar que Waltinho é uma espécie de cineasta-Bozo do cinema nacional, tamanha sua habilidade em dirigir crianças.
P.S.: Não sou Fernando Meirelles e nem Walter Salles, mas devo confessar que também me rendi à Ponte Estaiada. Ontem participei da “7ª Corrida pela Paz”, cujo percurso de 8 km incluía subir e descer duas vezes esta torre Eiffel paulistana. Não fiz feio. Venci os oito mil metros em 39 minutos. A São Silvestre que me aguarde.
14.9.08

Adaptar um livro para as telas é sempre perigoso. A comparação de quem teve acesso à obra escrita é inevitável e, na maioria das vezes, o comentário é que o filme deixa a desejar. Talvez ciente disto o escritor português José Saramago tenha relutado em vender os direitos de “Ensaio Sobre a Cegueira” para o diretor Fernando Meirelles. Mas tudo tem seu preço.
Sinceramente não sei o que achei do filme. Saí incomodada e com a certeza de que talvez seja meio cabeça para bater algum recorde de bilheteria.
Na história – que se passa em lugar e tempo incertos – as pessoas ficam cegas do nada, uma a uma. Colocadas em quarentena num complexo imundo, são tratadas como leprosas pelo Estado. Dentro deste Carandiru da cegueira passam por todos os tipos de horrores. A única a se livrar da praga é a personagem de Julianne Moore.
Fico em dúvida se a tentativa de mostrar a crueldade para ter como contrapô-la à doçura de Moore deu certo. Saímos mais impressionados com o caos, o medo e a violência das cenas do que com um sentimento de solidariedade. Há ainda outro questionamento. O filme é tão barulhento que pensamos se em vez de ser um filme de cegos é para cegos.
A decisão de filmar algumas cenas em São Paulo, no entanto, foi brilhante. Os paulistanos reconhecemos certos pontos – viaduto do Chá, ponte Eusébio Matoso e a nova Ponte Estaiada – mas as placas de sinalização em inglês, os táxis amarelos e o vazio da cidade causam estranheza. Fica a sensação de lugar nenhum que, creio, seja exatamente a idéia do país imaginário pensada pelo autor.
Além da escolha das locações e do elenco estelar – Julianne Moore, Danny Glover, Alice Braga (nossa Rodrigo Santoro de saias) e Gael García Bernal – Meirelles e seu diretor de fotografia acertam na maneira de mostrar a cegueira como personagem. Algumas cenas são de um branco total, estouradas, da mesma forma como os doentes descrevem a tal “cegueira branca” que os acomete.
Sobra até uma homenagem ao escritor português. Num dos poucos momentos de paz Danny Glover aparece com um radinho de pilha sintonizado numa rádio AM portuguesa. O resto é pauleira.
“Ensaio Sobre a Cegueira” está aí para nos mostrar que nem sempre quem tem olho em terra de cego é rei.
13.9.08

Nunca antes na história deste país uma palavra teve seu signficado tão distorcido como “celebridade”. Usada cada vez mais de maneira vulgar, passou a ser sinônimo de gente que aparece na TV.
Na teoria, “celebridade” quer dizer notoriedade, qualidade do que é célebre, notável. Aguardo contribuições que me dêem argumentos para classificar Reinaldo Giannechini como célebre. Ter sido casado com Marília Gabriela não vale – isso até depõe contra o sujeito.
O ator faz parte de uma outra categoria de notáveis. Lindo, não há como não notá-lo. Portanto, se existe alguém célebre na vida dele são os pais, que produziram algo notório a olhos vistos.
Na semana passada Giane passou a frequentar a mesma academia que eu. Foi necessário apenas um dia para que o comportamento das alunas se tornasse notável. Mulheres que antes faziam aula de dança misteriosamente viraram ímãs – foram atraídas para os ferros dos aparelhos de musculação.
Além de exercitar os músculos, Giane dá suas braçadas uma ou duas vezes na semana. É o suficiente para elas se livrarem dos ferros. Rapidamente se esforçam para se transformarem em sereias. O ouriçamento é geral.
Gostaria de saber ainda o que Fábio Assunção fez de notável. O ator – que se enquadra na mesma categoria de Giane – foi o assunto da semana. Convidado para o programa de Ana Maria Braga, deu o cano. Pronto. Não se falou em outra coisa nos sites. Em vários deles o assunto mais lido era a não-ida de Assunção ao programa.
E o que dizer do casamento de Sandy e Lucas Lima? Paralelamente ao fato de a cerimônia ter sido ultrasecreta, outro acontecimento causou dor de cabeça em parte da mídia: por que Sandy não convidou Wanessa Camargo?
Concordo que nem todo mundo precisa estar a par do que está acontecendo na Bolívia ou ouvir os palavrões do presidente venezuelano Hugo Chávez num discurso ontem. Mas o alienar-se também é grave.
As pessoas deveriam se esforçar para serem menos notadas e mais notáveis.
12.9.08

Andando ou não na linha estamos sempre sujeitos à sabotagem. Basta não irem com a nossa cara para corrermos o risco de nos servirem um cafezinho especial – com vidro moído –, como aconteceu com o Secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame.
O exemplo mais recente é o do grampo telefônico – que é uma sabotagem mais profissional, digamos.
A crise na Bolívia vem causando transtornos ao fornecimento de gás no Brasil. Fico me perguntando se por acaso der a louca no Evo Morales e ele sabotar nosso gás. Misturar sei lá o quê só de sacanagem. A dona-de-casa, coitada, acende o fogãozinho para "passar um café" e tudo vai pelos ares.
E os paraguaios? Se quiserem se vingar da Guerra do Paraguai? Podem cismar de prejudicar clandestinamente o fornecimento de energia em Itaipu.
Lula, além de já nos sabotar diariamente, quer fazer o mesmo com o nosso pãozinho. Vai conceder incentivos fiscais para os moinhos que aceitarem misturar mandioca à farinha de trigo.
Ora, não precisamos de incentivo. O brasileiro é especialista em acrescentar certos ingredientes às fórmulas de alimentos e outros produtos. Além do vidro ao café, temperamos o leite com soda cáustica e água oxigenada e o requeijão com uma pitada de maisena. Até a cocaína é batizada com gesso. Sem contar as alquimias de que ainda não temos conhecimento.
A verdade é uma só: tomamos mandioca de tudo que é lado. Agora oficialmente.
11.9.08

O LHC, o superacelerador que é o mais recente avanço da Física, me é tão vago quanto as disciplinas escolares que eu era obrigada a estudar no colegial, como trigonometria, números derivados, química ou eletromagnetismo.
Felizmente consegui me livrar destas torturas – que não só não aprendi como também não foram úteis para aumentar meus conhecimentos gerais.
Apesar de continuar não compreendendo nada do tema, parece que esta nova experiência dos físicos é muito, muito importante.
Para os envolvidos e amantes da Física tudo é muito simples: através de um túnel anelar de 27 quilômetros os pesquisadores fizeram com que feixes de prótons com a espessura de um fio de cabelo viajassem em direções opostas. Daqui a um tempo eles vão fazer com que exista uma colisão entre esses feixes. As energias resultantes desta batida vão reproduzir as mesmas condições que ocorreram após o Big Bang – aquela explosão que deu origem ao Universo.
Continuo achando tudo bem complicado. De espaço só entendo mesmo de “ET”, “Pequeno Príncipe” e de brincar de esconde-esconde na nebulosa. Também penso que não faltam pessoas precisando de um superacelerador, como Rubinho Barrichello ou Eduardo Suplicy.
Não chego a ter medo de que criem um buraco negro – ao contrário de uma adolescente indiana que se matou com pesticida porque ficou traumatizada com a hipótese de o mundo acabar. Enxergo tudo com muita curiosidade, quase como que uma coruja.
Se você, como eu, ainda não está entendendo, precisa dar uma olhada num vídeo. Ele explica, em ritmo de rap, tudo o que está se passando com o LHC.
As rimas são em inglês e dizem mais ou menos o seguinte:
“Bom, alguém aí pode achar que a gravidade é forte
Já que quando você cai da sua bike não demora muito
Pra você bater no chão e dizer “Putz, isso doeu!”,
Mas se você acha que essa força é poderosa, está errado.
Veja só, a gravidade é mais fraca que um fracote
E a razão muitos cientistas estão tentando achar
Eles pensam em dimensões, nós só vivemos em três
Mas talvez existam outras pequenas demais pra ver
É nessas dimensões que a gravidade se estende
E isso a faz parecer mais fraca aqui do nosso lado
E essas dimensões estão ‘enroladas’ - tão amassadinhas
Que elas não te afetam no seu dia-a-dia"
Vejam o vídeo AQUI. Impossível não sair dançando.