31.10.08

DEPOIS QUE A CHAMA VIRA LAVA

 O amor move as pessoas. Umas movem apenas um dedo (o do gatilho). Outras levantam o braço (e o descem na cara do outro).
Ambos os casos o Brasil testemunhou junto. O primeiro, a morte de Eloá. O segundo, Dado Dolabela em crise de ciúmes socando Luana Piovani e transformando a camareira da atriz num mamulengo.
Histórias de amor são mesmo complicadas. Quem tem aliança reclama. Diz que se casamento fosse bom não precisaria de testemunhas. Os solteiros parecem não dar ouvidos. Querem achar “a tampa da panela”.
Todos os anos, em maio, vemos notícias de casamentos coletivos em ginásios das grandes cidades. Já os noivinhos que vão celebrar o enlace numa igreja precisam marcar a data com dois anos de antecedência. Desesperam-se com os convites, com o local do bufê, com a lua-de-mel. Enfim, é um deus-nos-acuda tanto para ritualizar a união como para desfazê-la.
Todo mundo tem um bom caso de amor e ódio para contar. Só para ficarmos no mais comentado, falemos do de Madonna.
A cantora se casou cheia de pompa e segredo num castelo na Escócia e tratou logo de encomendar mais um herdeiro. Agora, oito anos depois, resolve seu divórcio por meio de advogados. Ela e Guy Ritchie não se falam mais. O amor virou uma troca de acusações mútuas. Guy chegou a declarar que abraçar Madonna é como apertar um punhado de cartilagens.
Ah, a bipolaridade do amor… Quem está com a razão? Os que amam.
Por mais que se queira acreditar no “até que a morte os separe”, lá no fundo, bem no fundinho, todos repetem para si mesmos o “que seja eterno enquanto dure”.

tatinha13    7:43 — Arquivado em: Sem categoria


30.10.08

FINAL FELIZ

 

 Para virarmos de vez a página sobre Maceió tenho de escrever um último capítulo: o povo. Difícil a missão de enumerar os atributos de seres tão peculiares. Nunca encontrei nada parecido.
Eles não são mal-humorados. Nem preguiçosos. São tranqüilos e extremamente lentos. Não têm má vontade ou são malcriados e antipáticos. Apenas são desprovidos de simpatia.
Falam pouco – até mesmo entre eles. Devem se comunicar por olhares. Estão sempre com um olhar entre o perdido e o contemplativo. Não os vi sorrindo nunca.
Os vendedores ambulantes da praia, por exemplo, oferecem seu produto uma vez. Diante da negativa, não insistem, simplesmente se vão.
Inexpressivos. Talvez esse seja o adjetivo correto. Mas é bem verdade que prefiro assim. Melhor dez alagoanos calados que um cearense ou baiano falando (alto).
Mas dirigem mal. Em oito dias presenciei duas batidas. Numa a Pajero entrou na traseira de um caminhão parado. Na outra, dois Palios se desentenderam num cruzamento e pude até ouvir o barulho do choque. Ambos os incidentes ocorreram na mesma praia.
Os alagoanos precisam encontrar uma maneira de vender seu peixe. O primeiro passo é começar a demonstrar alguma sensação. O outro é eleger um símbolo para o Estado.
Senti falta de uma marca registrada; algo para ser o símbolo dos ímas de geladeira das feirinhas de artesanato. A Bahia pode escolher entre a capoeira ou o acarajé. O Rio, entre o Corcovado e o Pão de Açúcar. Até Natal sabe louvar suas dunas e a Paraíba, seu forró.
Alagoas não tem nada disso. No máximo, uns Lampiões – que nem alagoano é.
A verdade é que a tranquilidade do povo se reflete na cidade. Mesmo sendo a capital, Maceió se assemelha a uma cidade do interior. Nada de som alto, gritaria, axé ou outros elementos que fazem a alegria de quem vai a Porto Seguro.
Gostei da quietude alagoana. Até a música-hino – ou “lavagem cerebral”, como disse a leitora Selma – não agride o ouvido. Fica na cabeça: “Ai que saudades do céu, do sal, do sol de Maceió…”
Vejam algumas fotos AQUI

P.S.: Acima, dando um tchau para a Lagoa do Roteiro

tatinha13    16:19 — Arquivado em: Sem categoria


29.10.08

CAMINHO DA ROÇA

 No último dia de viagem é inevitável bater aquela sensação domingo à noite – mesmo que ainda estejamos no meio da semana.
É o momento de rever as fotos, fazer o “top five” dos lugares mais bonitos, lamentar os quilinhos extras, dar a última olhada no mar e começar a traçar o próximo roteiro turístico.
Oito dias foi uma boa medida para conhecer Maceió. Visitei os pontos mais notáveis e comi o que podia – e o que não podia. Tomei água de coco, degustei mugunzá (canjica com cravo e leite de coco), queijo coalho, ricota (que é como eles chamam o queijo branco), feijão verde e me esbodeguei na “Bodega do Sertão”.
Mas vir para Maceió e não comer tapioca é como ir à Bahia e não traçar um acarajé.
Há diversas barraquinhas. O difícil é escolher uma. A tapioqueira Renilda, que trabalha com a filha na praia de Ponta Verde, comanda a tenda “Renilda Boa Esperança”. Tentei um diálogo sobre a variedade de sabores que eles oferecem, mas o maceioense é meio arisco (comento sobre isso amanhã). Ela disse apenas que cada uma tem um recheio exclusivo.
Após percorrer todas concluí que não há diferenças – mas Renilda tem esperança de que sim.
São mais de 30 recheios: coco, queijo, presunto e bacon; coco, queijo e picanha; coco, queijo e frango com catupiry; coco, queijo e charque; coco, queijo e banana frita; pizza; coco, chocolate e morango e até a tradicional (somente coco).
Com certeza uma tapioca dessas vale mais do que um bifinho ou mesmo um Danoninho.
Além do balanço geral, estou com uma música que não me sai da cabeça. É quase um hino da cidade. Em TODOS os lugares pelos quais passei ela estava presente. Não sei quem canta, mas o refrão é assim:
“M de mar, A de amor, C de carinho, o sol e o mar de Maceió, E de eterno, I de ilusão, Óh Maceió, você roubou meu coração.
Ai que saudades do céu, do sal, do sol de Maceió…”
Será que em uma semana volto ao normal?
Achei interessante algumas lixeiras e orelhões localizados nos locais de maior circulação de turistas. Fiz uma galeria.
Confiram AQUI

P.S.: Acima, paisagem em Maragogi

tatinha13    16:06 — Arquivado em: Sem categoria


28.10.08

A IMAGEM OU A FALTA DELA

 Creio que Alagoas seja o único ponto do mundo que tem um lugar denominado Dunas de Marapé sem as dunas. A sorte é que a beleza do local deixa pra trás qualquer rabugice.
Dunas de Marapé fica no município de Jequiá da Praia, a uma hora de Maceió. Assim como a praia do Gunga, reúne ao mesmo tempo água doce e salgada. A lagoa aqui é formada pelo Rio Jequiá.
No povoado de Duas Barras há um barquinho que faz a travessia do rio em menos de cinco minutos. Na ida, ainda com a maré baixa, é bom aproveitar para fotografar o quadro formado pelo banco de areia, lagoa e praia, porque na volta ele fica totalmente encoberto.
A paisagem é belíssima, quase desértica. A areia parece um tapete – decorado pelas minúsculas pegadas dos siris ou pelos rabiscos dos pneus dos bugues que promovem passeios pela região.
Dunas de Marapé é na verdade um complexo de lazer que conta com pousada, restaurante, loja e banheiros. Por R$ 30 é possível almoçar à vontade (bebidas não incluídas). Não há outra opção nas redondezas. É um deserto só.
Mas mais interessante do que a paisagem foi perceber que mesmo com o entra-e-sai de turistas pela área, há pessoas vivendo quase que alienadas do mundo. Em Duas Barras, numa pequena choupana com mesas e cadeiras de plástico, há uma caixa de madeira trancada a sete chaves.
Inocentemente pensei que se tratasse de algum santo que, vítima de arruaceiros, precisou de uma proteção terrena. Que nada. A misteriosa caixa guarda uma televisão. Todas as noites os que não têm aparelho de TV se reúnem na praça.
Pena não ter podido ficar no lugar até à noite. Gostaria de saber como são essas pessoas, o que elas pensam da vida, se brigam pelo controle remoto e o que acham do Lula e da vida. Este papo-cabeça poderia levar horas.
Ou não. O mais provável é que me dessem um pito por atrapalhá-los durante a novela.

tatinha13    19:39 — Arquivado em: Sem categoria


27.10.08

BATENDO PERNA

 Até o turista precisa de um dia de pernas pro ar. Acabou não sendo descanso, mas uma pausa para conhecer Maceió, circular com mais tempo pelas praias da orla – Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca –, pelas ruas, ir ao shopping e almoçar com calma.
As praias são lindas, com aquele verde intenso de todas por aqui. Apesar de liberadas para o banho, sofrem com o mesmo problema das demais espalhadas pelo Brasil: lamentavelmente há dois ou três canais que despejam esgoto na praia.
Espero que Cícero Almeida – o prefeito eleito no primeiro turno com mais de 81% dos votos – tome alguma providência.
O shopping da cidade é o Iguatemi, explorado rapidamente. São apenas dois andares com lojas caríssimas – sinal de que o maceioense está bem de vida ou o centro de compras é apenas para turistas?
Em compensação, o almoço é digno de nota. Estive num restaurante tradicional de Maceió, o nordestino “Bodega do Sertão”, na praia da Jatiúca.
Só a decoração já vale a visita. Os móveis são característicos do interior, bem como louças e toda a ambientação. Os atendentes circulam com trajes típicos e até os lustres têm um toque especial. São feitos de escumadeiras, colheres e conchas.
O bom gosto se estende à cozinha. Tem pratos básicos – baião-de-dois, carneiro assado e carne-de-sol acebolada –, passa por outros não tão convencionais – lasanha de macaxeira, sanduíche de carne-de-sol e carne-de-sol com nata – e chega a opções para quem tem estômago de girafa, como sarapatel e buchada.
As sobremesas são as tradicionais rapadura, arroz doce, mugunzá e outras não menos calóricas.
Na volta, numa caminhada de cerca de dois quilômetros, descobri alguns restaurantes e bares que mostram um pouco da criatividade do povo por aqui. Os estabelecimentos já estavam fechados, mas pude fazer um registro da fachada.
Vejam algumas fotos AQUI

tatinha13    16:41 — Arquivado em: Sem categoria


26.10.08

UM DIA É DA CARGA, OUTRO DO MOTORISTA

 Maragogi é linda e a Praia do Gunga também. Mas melhor mesmo é a do Carro Quebrado.
Quem vier para Maceió com o tempo curto e tiver de optar por apenas uma das praias, Carro Quebrado é a eleita.
Primeiro porque o caminho até o paraíso é superdivertido. A aventura tem início na praia de Paripuera, de onde saem as jardineiras que cumprem a primeira etapa. Elas gastam cerca de 20 minutos até Barra de Santo Antônio. É desse pequeno povoado que parte a balsa para a Ilha do Croa.
A embarcação cruza tranquilamente o rio Santo Antônio e lá na margem oposta começa a parte radical do passeio. Jipões estão à espera para cumprirem a terceira e última etapa. Parece uma expedição. Eles levam até 15 pessoas – metade sentada sob as condições normais e a outra, no sótão.
O que dá o tchan ao trajeto, além do percurso longo, é que o motorista tem a mentalidade dos bugueiros do Ceará. Parece imaginar que todos estão interessados num passeio com emoção. A diferença é que a estrada não é exatamente uma duna e todos estão sentados sobre um jipe alto e presos apenas a puídos cintos de segurança.
Acelera sem dó na estrada de terra ou quando passa por alguns povoados da região de Barra de Santo Antônio. O silêncio dos pacatos moradores – distraídos em suas churrasqueiras neste domingo – foi constantemente quebrado pelos gritos dos turistas.
Carro Quebrado vai se revelando aos poucos, entre os coqueiros. Até que surge, linda. A areia é mais branca e mais fofa, o mar é mais verde e o céu, mais azul.
Como hoje foi dia de eleições em várias cidades do país, uso uma frase conhecida: esqueçam o que escrevi. A Praia do Gunga não era o melhor cenário para a propaganda do Prestígio.
Mas não foi o acesso restrito que motivou o nome da praia. Carro Quebrado recebeu essa denominação porque no passado um carro de boi enguiçou enquanto fazia um frete com as mercadorias que chegavam em rústicas embarcações no litoral alagoano. O carro de boi passou a noite quebrado e o mar avançou sobre ele.
Carro Quebrado também serviu de locação para o filme “Muito Gelo e Dois Dedos D’Água”. Quem assistiu deve ter ficado tão intrigada quanto eu. Não pensei que pudéssemos ter um mar daquela cor. Coisa de filme mesmo.

tatinha13    19:54 — Arquivado em: Sem categoria


25.10.08

A LAGOA AZUL DAS ALAGOAS

 Sábado foi dia de molhar a gunga na Barra de São Miguel. Mais especificamente na Praia do Gunga, considerada uma das dez mais bonitas do Brasil – em 1996 e 2003 foi eleita a mais bela num ranking elaborado pela revista “Viagem e Turismo”.
A Barra de São Miguel é um balneário chique que tem o metro quadrado mais caro de Maceió.
Mas o acontecimento mais marcante do local não é o fato de servir de chamariz para famosos e endinheirados. Foi ali, no início do século 16 que os índios Caetés devoraram o bispo Sardinha, vindo de Portugal para catequizar a região. Pobre Sardinha. Chegou com um papo esfinge e os índios captaram a mensagem perfeitamente.
É possível chegar de carro à praia, mas o acesso mais bonito é através de uma travessia de escuna feita pela Lagoa do Roteiro. Linda.
A viagem dura apenas 20 minutos, mas é tempo suficiente para curtirmos o visual. Na ida, com a maré baixa, é possível admirar bancos de areia do meio da lagoa. Já na chegada à praia, um arrecife natural separa lagoa e mar.
Apesar do nome, Gunga é uma praia particular que pertence a um usineiro chamado Nivaldo Jatobá. O lugar abriga ainda uma fazenda de coqueiros com 83 mil pés.
O contrate entre água verde, areia branca e coqueiral é maravilhoso. Há ainda a doce dúvida entre um banho de mar ou de lagoa. Eu me senti no comercial do Prestígio.
A propósito, “gunga” signfica “testa”. Vista a partir do mar, a praia tem o formato que lembra o de um rosto. A faixa branca de areia serve de testa e os coqueiros, de cabelo.

P.S.: acima, meu teste do pezinho nas areias da Gunga

tatinha13    19:35 — Arquivado em: Sem categoria


24.10.08

MAR ADENTRO

 O destino de hoje foi Maragogi, vila de pescadores que dá acesso à praia que os alagoanos gostam de chamar de o “Caribe brasileiro”.
Não é exagero. Os filhos da terra têm o meu aval se quiserem registrar em cartório a credencial caribenha. O lugar realmente é bonito. O mar tem tantas nuances de verde e é tão cristalino que parece tratado com cloro.
Não ligo se a areia é fofa ou batida, se o mar é caudaloso ou calmo, se a água é quente ou fria. Praia tem de ser limpa.
Mas dois outros critérios contam várias estrelinhas no meu guia de praias: a quantidade de ambulantes por metro quadrado ou de cadeirinhas e guarda-sóis que empesteiam a areia. Em Maragogi ambos os números são zero. Nada de tropeçar em copinhos de plástico ou correr o risco de cortar o pé numa latinha de alumínio. “Sujeira” só a orgânica, trazida pelo mar: algas, pedaços de conchas e águas-vivas.
Maragogi fica a cerca de duas horas e meia de Maceió, mas a bela paisagem vale o sacrifício da viagem. A praia ainda é selvagem – pelo menos nesta época do ano, não sei se poderia dizer o mesmo entre dezembro e fevereiro – e tranquila.
A rodovia que liga Maceió a Maragogi é conhecida como “Via Verde” e margeia o litoral durante todo o percurso. Além de plantações de cana-de-açúcar e coqueiros a perder de vista, a estrada é pontuada aqui e ali por vendedores de lagostas recém-pescadas (entre R$ 10 e R$ 15 o prato).
Na chegada da vila, na comunidade de São Bento, começam a surgir os meninos que oferecem sequilhos – essa sim uma compra que vale a pena.
O recomendado passeio de barco até as piscinas naturais – a cerca de 8 km da praia – é o álibi para meu retorno a Maragogi. Como a maré estava alta foi impossível enxergar a barreira de corais.
Tive de me contentar com a visão do mar verde e mergulhos ao redor de alguns bancos de areia em alto-mar. O mais conhecido deles é o “Broa da Bruna”, praticamente em frente à casa da atriz Bruna Lombardi.

P.S.: não tirei esta foto na piscina do Sesc. É alto-mar mesmo.

tatinha13    20:44 — Arquivado em: Sem categoria


23.10.08

VIVA O ÓCIO

 Um dia é muito pouco para se ter uma visão certeira sobre um lugar. Em se tratando de turismo então, muitas vezes a primeira impressão nem sempre é a que fica.
De qualquer modo, já deu pra notar que Maceió é praia e ponto final. Esqueçam os “atrativos” de outras cidades nordestinas, como centro histórico, feirinhas de artesanato e, à noite, o forró do fulano de tal. Nada de chatices do tipo – por enquanto.
O centro não tem um ponto sequer a oferecer, mas valeu por uma informação curiosa. Na praça Marechal Deodoro da Fonseca há a clássica estátua do ex-presidente alagoano montado em seu alazão. O que eu não sabia – e nunca tinha reparado – é que a posição da pata do cavalo tem um simbolismo.
Se uma das patas estiver levantada significa que o seu “jóquei” foi ferido em combate. Se as duas estiverem para cima, o "piloto" foi morto durante alguma batalha. Mas se as duas estiverem no solo é sinal de que o herói morreu de causas "não-bélicas". Esse parece ter sido o caso do marechal. 
Ao redor da praça estão o Teatro Deodoro – que tem uma acústica tão boa que é perfeito até para um show do João Gilberto –, a Academia Alagoana de Letras e o Tribunal de Justiça.
No mais, há o mirante de São Gonçalo, de onde se tem uma boa vista da cidade. No local também é possível comprar colares ou pulseirinhas de piriquiti.
Consegui me livrar do assédio dos garotos e obtive mais um dado curioso. O piriquiti é uma semente vermelha que cai das árvores depois de seca. Dizem que dá sorte. Nos primórdios, as índias já a usavam para confeccionar suas bijus. Elas se “empiriquitavam”. Esse verbo é familiar? Pois é.
Passei rapidamente pela “Feira do Tira e Bota”. Não me recomendaram a descer ou tirar fotos porque o lugar é meio barra pesada. Antigamente era conhecido como “Feira do Rato” – tudo o que roubam durante à noite vendem lá à luz do dia.
A “Feira do Tira e Bota” – que já serviu de tema para reportagens na Globo e na Record – ocorre em cima da linha do trem. A uns 50 metros ele buzina e os camelôs saem correndo. O trem passa dez vezes ao dia. Querem manter a forma? Botem banca na feira.
Descobri ainda que o maceioense tem um quê de baiano. Para vocês terem uma idéia da paz de espírito deles, me disseram para pedir o almoço assim que chegasse à praia. Foi o que fiz. Pedido feito, fui curtir o sol da Praia do Francês. Três horas depois, no horário combinado, o estômago resmungou e me encaminhei ao restaurante. Nada do prato. Tive de aguardar mais 20 minutos – recitando um mantra.
Neste momento tive duas certezas: a de que não estava sonhando com um lugar paradisíaco e a de que não estava em São Paulo.

P. S.: Acima, o pôr-do-sol de hoje na praia de Pajuçara

tatinha13    19:09 — Arquivado em: Sem categoria


22.10.08

A REINVENÇÃO DOS TRAPALHÕES

 O caso do seqüestro em Santo André foi uma sucessão de trapalhadas tão grande que só podia dar no que deu. Merece o troféu “Didi Mocó” do ano.
Tudo deu defeito.
A trapalhada-mor – e aqui não pairam dúvidas – foi a do assassino Lindemberg. Ele fez tudo errado: seqüestrou, ameaçou, torturou, falou no anjinho malvado, matou e ainda tentou resistir à prisão. Sem comentários.
Os policiais do Gate também não ficaram atrás. Além de deixarem uma refém menor de idade retornar ao cativeiro, demonstraram extrema incompetência no momento de invadirem o apartamento.
Explodiram a porta, mas demoraram tanto para adentrarem a cena do crime que o fator surpresa foi pro saco. Até agora ninguém sabe ao certo se houve tiro antes dessa intervenção policial.
A medalha de bronze da trapalhada vai para a assessoria de imprensa do governo do Estado, que chegou a divulgar a morte de Eloá antes da hora. Depois, em nota, afirmou que a menina foi reanimada na sala de cirurgia e pediu desculpas à família.
Como tragédia pouca é bobagem, ainda descobrem que o pai de Eloá é procurado pela Justiça há 15 anos. Everaldo Pereira dos Santos ou Aldo José da Silva. O nome também é algo controverso, mas tanto faz. Ele é suspeito de participar da morte do irmão do ex-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa.
Querem mais? Pois já tem gente se aproveitando do episódio para espalhar e-mails com vírus. A mensagem que utiliza o nome da “Agência Estado” traz um link para um suposto vídeo. Ele mostraria que o disparo que matou a refém partiu da arma da polícia.
Se existe algo positivo nesta lista de infortúnios é a notícia de que a família de Eloá decidiu pela doação dos órgãos. Seis pessoas foram salvas.

P.S.: nos próximos sete dias estarei em Maceió. Se conseguir acesso, mando notícias. Até!

tatinha13    10:18 — Arquivado em: Sem categoria
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