30.10.08
FINAL FELIZ
Para virarmos de vez a página sobre Maceió tenho de escrever um último capítulo: o povo. Difícil a missão de enumerar os atributos de seres tão peculiares. Nunca encontrei nada parecido.
Eles não são mal-humorados. Nem preguiçosos. São tranqüilos e extremamente lentos. Não têm má vontade ou são malcriados e antipáticos. Apenas são desprovidos de simpatia.
Falam pouco – até mesmo entre eles. Devem se comunicar por olhares. Estão sempre com um olhar entre o perdido e o contemplativo. Não os vi sorrindo nunca.
Os vendedores ambulantes da praia, por exemplo, oferecem seu produto uma vez. Diante da negativa, não insistem, simplesmente se vão.
Inexpressivos. Talvez esse seja o adjetivo correto. Mas é bem verdade que prefiro assim. Melhor dez alagoanos calados que um cearense ou baiano falando (alto).
Mas dirigem mal. Em oito dias presenciei duas batidas. Numa a Pajero entrou na traseira de um caminhão parado. Na outra, dois Palios se desentenderam num cruzamento e pude até ouvir o barulho do choque. Ambos os incidentes ocorreram na mesma praia.
Os alagoanos precisam encontrar uma maneira de vender seu peixe. O primeiro passo é começar a demonstrar alguma sensação. O outro é eleger um símbolo para o Estado.
Senti falta de uma marca registrada; algo para ser o símbolo dos ímas de geladeira das feirinhas de artesanato. A Bahia pode escolher entre a capoeira ou o acarajé. O Rio, entre o Corcovado e o Pão de Açúcar. Até Natal sabe louvar suas dunas e a Paraíba, seu forró.
Alagoas não tem nada disso. No máximo, uns Lampiões – que nem alagoano é.
A verdade é que a tranquilidade do povo se reflete na cidade. Mesmo sendo a capital, Maceió se assemelha a uma cidade do interior. Nada de som alto, gritaria, axé ou outros elementos que fazem a alegria de quem vai a Porto Seguro.
Gostei da quietude alagoana. Até a música-hino – ou “lavagem cerebral”, como disse a leitora Selma – não agride o ouvido. Fica na cabeça: “Ai que saudades do céu, do sal, do sol de Maceió…”
Vejam algumas fotos AQUI
P.S.: Acima, dando um tchau para a Lagoa do Roteiro
tatinha13
16:19 — Arquivado em: 

tati, que vida mansa, hein??
entrei hoje e, de uma só vez, li todos os posts da semana. que delícia de viagem! e pelo que vi, sol todos os dias! vamos nos ver uma hora dessas??
beijo grande e bom retorno!
Comentário por renata — 30.10.08 @ 17:37
Minha viajada Tati, a marca registrada deste lugar maravilho é a beleza. Que caranguezim gracinha lá nas fotos!
Forte abraço.
CAUROSA - caurosa.wordpress.com
Comentário por caurosa — 30.10.08 @ 18:18
É um situação muito dificil pq cada estado com sua caracteristica, acontece que nós paulistanos saimos desta cidade que é so trabalho,assalto 24horas,só correria e vamos buscar calor em outros estados e quando voltamos estamos com saudades da maravilhosa pizza,da fila do banco e do aconchegante engarrafamento e ja estamos pensando nas próximas férias pra ir novamente pro NORDESTE
Comentário por Juventino — 30.10.08 @ 23:38
Realmente a marca registrada de Alagoas é a beleza natural. Ver Maceío margeada por cadeias de corais, jangadas, palmeiras é uma benção da natureza. Essa foi a marca que ficou na minha cabeça, muito mais que o lampeaozinho de geladeira.
Comentário por Angelica — 2.11.08 @ 15:45