21.10.08

BENDITO SERÁ O FRUTO

 Temo perder alguns leitores. A pequena Midori-san acaba de criar um blog.
Não, não se trata de uma atriz japonesa, de uma genérica da apresentadora Maísa ou de uma personagem de mangá. Midori-san é uma planta.
A invenção é dos pesquisadores da Universidade de Keio, no Japão. Eles colocaram sensores na criatura para que ela “escreva” seu próprio blog.
No post da quinta-feira passada Midori-san falou sobre o tempo: “o dia está cheio de nuvens e frio”. Em outro, contou que se divertiu porque estava um dia ensolarado e ela havia tomado muito sol – Midori-san mora numa cafeteria em Kamakura, perto de Tóquio.
A aventura torna-se possível porque os sinais elétricos emitidos pela planta são enviados a um computador. Aí então um algoritmo os transforma em frases.
Um dos pesquisadores envolvidos no projeto diz que eles estavam interessados em saber quais os sentimentos das plantas e ao que elas reagem.
Entrei no blog da pequena Midori-san. Pena eu não compreender absolutamente nada de japonês. Fiquei frustrada com os rabiscos incompreensíveis e não pude satisfazer minha curiosidade de saber “ ao que reage” Midori-san.
Mas se Carla Perez tem blog, por que uma planta não poderia?
O fato é que se o “ghost writer” for esperto e quiser fazer render essa história de planta letrada, é só correr para o abraço. Pode parar de falar do tempo para começar a narrar fatos mais intrigantes, como a visita dos cães ou ainda o que os jardineiros contam a Midori-san. Isso daria um livro bem interessante.
Curiosos? Dêem uma olhada no blog de Midori-san AQUI

tatinha13    15:07 — Arquivado em: Sem categoria


20.10.08

CORPORAÇÃO DE SACRIFÍCIOS

 Em situações normais de temperatura e pressão passamos mais da metade de nossas vidas no trabalho. Há quem fique mais tempo com os colegas de profissão do que com a família.
É preciso esforço para lidar com seres de personalidades tão diferentes que, em tese, têm o mesmo objetivo: fazer a máquina funcionar – e bem.
Além do jogo de cintura é preciso transformar o local de trabalho num ambiente agradável. Qualquer tipo de incentivo é válido para fazer com que a equipe se agüente: mural de fotos, aulas de relaxamento, amigo secreto e até concursos.
Duas iniciativas chamaram a atenção nos últimos dois dias: no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, está rolando o programa “De Olho na Balança”. Metade dos servidores do STJ está acima do peso. Então, quem perder mais quilos leva R$ 700. O segundo colocado recebe R$ 300.
Estão todos envolvidos no projeto – que vai durar dois meses. O restaurante não serve mais fritura e o uso de gordura é mínimo. Dos 540 litros de óleo que eram usados por mês, o consumo caiu para 60.
Já no Rio, uma fábrica de biquínis premia algumas de suas 40 funcionárias. A cada 15 dias há um sorteio só para as que não tiveram cólica. O objetivo é administrar a queda de produtividade no período pré-menstrual.
Cólica é algo involuntário. Pode ser, no máximo, aliviada com a ajuda de algum medicamento. Mas dependendo do prêmio, em vez de dar o cano no chefe, talvez a funcionária prefira se contorcer um pouquinho.
Poderíamos implantar idéia semelhante no Congresso Nacional. Quem sabe o povo não se anima a trabalhar um pouco? Os menos faltosos ganham um quadrinho de “Funcionário do Mês”, bem como os que votarem projetos parados.
Mas, obviamente, nada de prêmio em dinheiro.

tatinha13    15:12 — Arquivado em: Sem categoria


19.10.08

PASSANDO A RÉGUA

 Além de abstêmia, descobri que sou mal-informada em relação ao drama dos bebuns ou dos apreciadores de bebidas alcóolicas.
O assunto da semana foi a história de amor que virou caso de polícia, mas perdida lá no meio do noticiário estava a decisão de uma juíza de Blumenau que considerou que o colarinho é parte do chope.
Tudo porque há oito anos um restaurante chamado “Gruta Azul” foi multado pelo Inmetro por causa da espuma em excesso. O fiscal alegou que a bebida tinha apenas 249,9 ml dos 350 ml prometidos no cardápio. Na avaliação do instituto, a quantidade da espuma deveria ser desconsiderada.
O restaurante recorreu e a juíza deu ganho de causa ao pessoal da Gruta.
Mesmo não sendo especialista no assunto, me parece elementar que chope e colarinho não são como água e óleo.
Durante o meu trabalho já tive a oportunidade de entrevistar provadores de cerveja e chope e eles foram bem claros quanto à importância da espuma. Ela transpõe o estético ou a simples vontade do dono do boteco de passar a perna no cliente. Além de uma série de funções, a espuma impede que a bebida perca o gás e ainda faz com que ela se mantenha gelada.
O tema só é tranquilo para os especialistas e abstêmios, porque entre os dois lados do balcão sobra controvérsia. Em bares de São Paulo a questão rende longas discussões. Uns incluem a parte líquida e cremosa, em outros há questão do número de dedos no colarinho e há os que contam apenas a parte líquida (e espuma é sólida?).
O que a princípio parecia ser uma bobagem se revelou uma resolução importante.
E outra: de colarinho – principalmente branco – a gente entende.

tatinha13    11:21 — Arquivado em: Sem categoria


18.10.08

O MUNDO É DOS ESPERTOS

 A essa altura do campeonato vocês já devem ter ouvido falar de Mallu Magalhães. Para quem ainda não a conhece, Mallu tem 16 anos e está sendo considerada por muitos o novo fenômeno da música brasileira.
No perfil que mantém no “MySpace” suas canções “folk” já foram executadas mais de 2 milhões de vezes. O hit é um tal de “Tchubaruba”, algo no estilo “Anyone Else But You”, que faz parte da trilha sonora do filme “Juno”.
Para mim Mallu Magalhães é uma fraude. Não vejo problema algum no fato de alguém gostar de compor e cantar em inglês ou de usar boina e pintar o rosto com guache para dar um show.
O que incomoda em Mallu é a mistura. Há mais do que a tentativa de vender a imagem fashion – vira e mexe aparece usando tênis de modelos e cores diferentes para compor o mesmo visual. Ela também pretende ser meiga e infantil, mas dá declarações que oscilam entre a “cabecice” e a forçada (ou real?) burrice.
Com sua voz infantil fala em Hélio Oiticica e seus parangolés, se declara fã da Tropicália, de João Gilberto e diz que nasceu na época errada – queria ter tocado com os Mutantes.
A garota ainda afirma freqüentar a biblioteca da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), onde gosta de ler sobre arte, principalmente sobre Andy Warhol.
Graças a um trabalho comunitário numa tribo tupi-guarani, está escrevendo uma letra na língua dos seus amigos índios.
Tanta versatilidade é colocada em cheque quando uma nota na revista “Veja SP” revela que durante o papo com a reportagem ela diz não entender o significado da palavra “precoce”. Ah, que gracinha. Tão bobinha…
Como alguém que é capaz de não saber o que é “precoce” aluga um estúdio, grava as músicas que estão no “MySpace” e ainda registra tudo na Biblioteca Nacional?
Esse é o verdadeiro mundo do faz-de-conta. Mallu faz de conta que é ingênua e o público faz de conta que acredita.
Eu não.

tatinha13    16:01 — Arquivado em: Sem categoria


17.10.08

CANDIDATA-CORRERIA

 Rap parece ser um ritmo musical “cármico” para Marta Suplicy. Mesmo tendo se livrado do marido político / poeta / cantor, o rap continua fazendo parte da trilha sonora da candidata à prefeitura de São Paulo.
Ontem, durante um comício, Marta chorou ao ouvir um rap composto por Jonattan, um correligionário de 11 anos. “Marta é quem vai ganhar, não dá pra esconder o que ela vai fazer. Junto, com a Marta, vamos ganhar. A Zona Norte vai crescer”.
Campanha eleitoral é algo realmente milagroso. Não são apenas os desdentados que passam a exibir um sorriso bonito ou os paralíticos que ganham muletas zero quilômetro. Até uma candidata com um conhecido coração de pedra vai às lágrimas.
Quem acompanha a história de Marta sabe que emoção não é seu forte. Tenho de relembrar um episódio meio trash, mas muito útil para elucidar o perfil da ex-prefeita.
Alguém se recorda do capítulo final do programa “Casa dos Artistas”? Enquanto Suplicy-pai se esbugalhava em lágrimas comemorando a segunda colocação de Supla, Marta parecia estar longe de borrar a maquiagem. Não mexeu um milímetro do botox.
E durante a crise aérea? Passageiros amontoados como roupa suja nos aeroportos de todo o Brasil e qual o conselho de Marta? Relaxa e goza.
Os dois episódios só tocariam o gélido coração da ex-prefeita se viessem acompanhados de uma trilha sonora em ritmo de rap. Qualquer um. Até “O Homem na Estrada”, canção do grupo paulistano Racionais Mc’s que Eduardo Suplicy adora entoar.
A verdade é que, independentemente do ritmo, Marta já dançou.

tatinha13    16:56 — Arquivado em: Sem categoria


16.10.08

NÓIS CAPOTA MAIS NUM BRECA

 Uma ocorrência em Brasília nesta terça-feira é o exemplo perfeito de como é a aplicação das leis no país.
O jovem Sebástian González Aria, filho do embaixador paraguaio no Brasil, se envolveu em um acidente de trânsito. Até aí, nenhuma novidade. Seria um imprevisto como outro qualquer não fosse a sucessão de trapalhadas e o desfecho do caso.
Além de não portar a carteira de habilitação, Sebástian estava completamente bêbado. Na gravação que ouvi ele se mostra mais chapado do um motorista mineiro preso de pijama após ser submetido ao teste do bafômetro. A frase dita por Sebástian em sua defesa é incompreeensível.
Ao que tudo indica, Sebástian não foi submetido ao teste do bafômetro. Disse ao pai que tomou apenas uma lata de cerveja. A assessoria da embaixada do Paraguai divulgou que o jovem saiu da faculdade e passou no curso de ioga, onde teria tomado um calmante.
O grave é que por ser filho do embaixador paraguaio, Sebástian tem direito à imunidade diplomática e civil. Como não houve vítimas, todo mundo foi liberado.
Algumas perguntas e dúvidas ficam no ar. Teria Sebástian tomado uma lata de cerveja ou uma dose de uísque? Se foi uísque, seria “made in Paraguai”?
Em caso positivo, já tenho a reconstitução do crime: após sair da balada regada a uísque paraguaio, Sebástian teve uma tremenda dor de cabeça e achou que uma boa aula de ioga resolveria. Após os exercícios, no entanto, a ressaca persistia. Resolveu tomar um calmante e deu no que deu.
Moral da história: se beber, só dirija se o seu carro tiver placa azul ou preta.

tatinha13    16:35 — Arquivado em: Sem categoria


15.10.08

BEM LONGE DO PF

 Recentemente assisti a uma reportagem sobre os “freegans” de Nova York, um grupo de pessoas que está longe de ser formado por mendigos, mas reviram o lixo à procura de alimentos que apesar de terem sido descartados continuam em condições de consumo.
Peguei a matéria pelo meio. Minha reação foi estranha. Entre chocada, enojada e interessada.
Hoje vejo a notícia de que 15% da população de rua de Porto Alegre é obesa.
A pesquisa concluiu que 78% estão dentro dos padrões normais de nutrição, 15% estão obesos e apenas 4% desnutridos.
Daí me lembrei dos “freegans” e resolvi buscar mais informações sobre eles. Descobri que são mais do que catar comida do lixo. Vivem sob uma filosofia muito mais extrema do que a dos vegetarianos mais radicais.
Defendem a comunidade, a generosidade, o interesse social, a ajuda mútua, blá blá blá. Além de não consumirem produtos de origem animal, acham que em uma economia industrial a exploração acontece em todos os níveis e está em praticamente tudo o que compramos. Eles evitam de comprar qualquer coisa. Passam, portanto, a adotar estratégias alternativas para viver – como pegar comida no lixo.
Além de usarem o que é desperdiçado, outros princípios dos “freegans” são o retorno ao natural, o transporte ecológico, a moradia livre de aluguel e a picaretagem-mor: desemprego voluntário. Para muitos trabalhar significa sacrificar a liberdade para obedecer ordens de outros.
Que filosofia mais barata. Agora tudo está explicado. Eles pegam comida do lixo porque não têm grana para comprar! Usam a bandeira “freegan” para justificar o corpo mole.
Depois dessa os mendigos de Porto Alegre estão perdoados.

tatinha13    16:06 — Arquivado em: Sem categoria


14.10.08

HOMENS DE VISÃO

 Ser perseguido político foi um bom investimento. A longo prazo, é verdade, mas muito mais rentável do que a bolsa – principalmente num momento turbulento como o atual.
Pena eu ter nascido mais de dez anos após o Golpe de 64. Se tivesse trabalhado na época da ditadura, hoje minha vida seria de sombra e água fresca. Estaria tão tranqüila quanto meus colegas de profissão Carlos Heitor Cony, Jaguar e Ziraldo.
Além dos três que já foram considerados anistiados políticos, mais um passa a figurar nesta lista que não pára de crescer: Brizola, o rei dos Cieps.
O curioso no caso de Brizola é que ele é um anistiado político post-mortem. O investimento foge até às denominações normais. E outra: por motivos óbvios, não é o próprio quem vai usufruir da barbada.
Quem reclamou o direito foi a suposta viúva do ex-governador do Rio, Marília Guilhermina – apesar de a família alegar que ela nunca foi companheira dele, e sim apenas mais uma das namoradas que ele teve após a morte da esposa, Neuza Goulart.
Picuinhas familiares à parte, a pensão da ex vai ser corrigida de R$ 2 mil para R$ 6 mil. A Comissão de Anistia afirmou que Brizola foi perseguido por 15 anos e que o processo tem de cumprir sua tarefa histórica com os principais personagens da vida pública do país.
O reconhecimento é importante, só não pode virar essa festa do caqui. Recebe viúva, cachorro, papagaio, morto, vivo, fantasma… Já que liberou geral, vamos preparar pedidos de indenização pelas bobagens que ouvimos nos debates e propagandas eleitorais. Isso também pode nos causar sérios problemas psicológicos.

tatinha13    12:08 — Arquivado em: Sem categoria


13.10.08

QUANDO A ÂNCORA É O ÂNCORA

 Ontem a apresentadora americana Emily Leonard – que trabalha para uma TV texana – foi pedida em casamento ao vivo. A jornalista aceitou se casar com Matt Laubhan, que é o moço do tempo no canal americano KLBK.
A cena teve direito a noivo ajoelhado, olhar de espanto da futura esposa seguido de gritinho de “todos vocês sabiam!” e, claro, aliança na caixinha.
Por mais romântica que seja a situação e por mais apaixonado que o noivo esteja, não há como não classificar o episódio como mico. Frases como “ela não é apenas a garota mais doce do mundo, como é minha namorada há dois anos” só dizem respeito ao casal e à família. Não que a situação seja inaceitável. É apenas desnecessária.
Se algo semelhante acontecesse no Brasil teríamos assunto para umas duas semanas. Por muito menos incidentes envolvendo apresentadores de TV viraram comoção nacional – o povo aqui não tem o mesmo romantismo americano.
Recentemente as apresentadoras Cristiane Pelajo (“Jornal da Globo”) e Renata Vasconcelos (“Jornal Nacional”) foram alvos de críticas porque retocaram a maquiagem durante os comerciais.
Ao contrário do que ocorreu com William Waack e sua “Zelda Merda” – episódio que literalmente e merecidamente caiu nas graças de todo mundo – as duas jornalistas foram censuradas porque portavam espelhinho, pó e batom. O que há de mal nisso?
Outro capítulo bem diferente envolveu Fernando Vanucci. Há dois anos, durante a última Copa do Mundo, Vanucci apresentou o jornal “Bola na Rede” completamente bêbado – apesar de alegarem que os causadores da língua enrolada foram medicamentos.
Em 1999, ainda na TV Globo, o mesmo jornalista resolveu comer uma bolacha água e sal durante a exibição de uma matéria do “Esporte Espetacular”. Ao fim da matéria ele foi flagrado mastigando o último pedacinho. Foi, obviamente, demitido.
Qual seria o julgamento dos americanos frente ao episódio? Lembrar da reação deles na época em que Bush se engasgou com um pretzel assistindo TV não vale.

tatinha13    16:26 — Arquivado em: Sem categoria


12.10.08

DEIXA O HOMEM NAVEGAR

 

 Nem só de pão com mortadela e declarações desastrosas sobre a crise americana vive Lula. O presidente deixou momentaneamente de lado os maus hábitos – alimentares ou não – para se transformar num “incluído digital”.
A influência pode ter vindo tanto do ex-ministro Gilberto Gil – que a uma hora dessas deve estar bem longe, construindo sua jangada de gigabytes – ou de Lula-filho – que trabalha na área de games e rolos em geral. Lula-pai está encantado com a Internet.
Nesta sexta-feira, em entrevista a portais, declarou que já baixou três músicas e ainda disse que quando deixar a presidência vai acessar tudo que não tem direito agora.
Além de “Viola Enluarada”, de Marcos e Paulo Sergio Valle, Lula baixou “Pau de Arara” – para dar de presente ao governador do Ceará Cid Gomes – e o baião “Baiano burro nasce morto” para presentear o governador da Bahia Jacques Wagner.
Apesar da louvável iniciativa, Lula se confundiu e baixou coisa errada. Cid Gomes há muito deixou o pau-de-arara. Ficaria muito mais feliz se ganhasse a canção “Volta ao Mundo”, de um compositor chamado Élio Camalle. Trilha sonora perfeita para curtir numa viagem com a sogra.
Apesar do desbunde tecnológico, Lula admitiu que não sabe como “os donos das produtoras de CDs e de DVDs vão sobreviver nesse mundo libertário que a Internet possibilita às pessoas. Em algum momento alguém vai começar a chiar para isso". Nada como um presidente conectado ao mundo em que vive.
Se não tentar a reeleição novamente, podemos aguardar Lula como blogueiro ou quiçá como dono de gravadora independente.
Em homenagem ao agora cibernético Lula e ao Dia das Crianças, tenho uma dica de site (inútil): o Monoface. São 759.375 possibilidades de diversão.
Confiram AQUI

tatinha13    12:02 — Arquivado em: Sem categoria
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