2.12.08
BAZAR SOLIDÁRIO

Se estivéssemos em curso com alguma CPI em Brasília ou se algum escândalo político dominasse a pauta do dia, os colegas do Congresso poderiam ficar despreocupados. Este seria um ótimo momento para os fatos caírem no limbo.
É a campanha nacional para ajudar os desabrigados em Santa Catarina quem toma conta de cada centímetro do jornal ou dos preciosos minutos nos canais de TV.
Não é para menos. A tragédia que se abateu sobre o sul do país não pára de fazer novas vítimas. A cada dia sobe o número de mortos.
A Defesa Civil de Santa Catarina abriu oito contas bancárias para angariar fundos, além disso, em todo o Brasil, milhares de outras campanhas estão sendo feitas.
Mas, como sempre, tem gente esperta pegando carona no episódio.
Minha ficha só caiu ontem, no Rio, ao passar por alguns recônditos de Jacarepaguá. No meio de uma confusão de pedestres, carros, vans de lotação e lama, noto uma barraquinha xumbrega feita com sacos de lixo e a seguinte faixa: “Faça aqui sua doação aos desabrigados de Santa Catarina”. Pensei: “Santa Catarina é logo ali, numa rua em Curicica”. A tenda e a cara do dono não inspiravam a menor credibilidade.
Hoje leio a notícia de que a Record divulga uma conta bancária do Instituto Ressoar (ONG da TV) para o telespectador fazer depósito. Diz que os gastos são auditados pelo Ministério Público. Esse, no entanto, desmente que esteja fazendo qualquer tipo de fiscalização. A assessoria de imprensa diz que não cabe ao Ministério Público vigiar campanhas do tipo.
Além dos ratos de praia, há um outro problema. Na ânsia em ajudar, esquece-se de que é necessário um mínimo de organização. Doa-se de tudo – se bobear, até itens que ocupam espaço em casa, como bibelôs, varas de pescar, patins, aparelhos de ginástica passiva como o “AB Toner” e trabalhos escolares de Dia das Mães.
Nada do que foi citado é tão importante quanto a atitude de arregaçar as mangas. Quer ajudar? Embarque para Santa Catarina disposto a botar a mão na massa: tirar lama de dentro das casas, varrer as ruas, cuidar de quem está doente, carregar velhinhas que não conseguem se locomover ou trocar fralda de crianças ou idosos. Isso sim são atitudes de heróis.
tatinha13
7:45 — Arquivado em: 

São fatos que entristecem…
Comentário por Hellinho Ferreira — 2.12.08 @ 12:49
Minha solidária Tati, é pura verdade, nos momentos de crise e flagelos, aparecem os oportunistas e desalmados para se aproveitarem das desgraças. Lamentável !
Forte abraço
caurosa.wordpress.com
Comentário por caurosa — 2.12.08 @ 19:09
Eu tenho vontade de ajudar em situações assim, mas não confio que as ajudas chegarão ao seu destino.
Fico torcendo para que as coisas melhorem,e sempre ajudo quem está por perto, porque gente em situações difícieis, infelizmente, tem em todo lugar, toda hora, e eu ajudo mesmo.
Sabe o que faz tempo que estou para dizer? Lendo seus ultimos posts, fico encantada dom a maneira que voce escreve.
A dose certa de humor, a dose certa de crítica, a ironia fina, tudo do tamanho e conteúdo exatos.
Minha vida toda li muitos livros, revistas e jornais leio diáriamente, aos montes, e por isso me sinto abalizada para dizer que voce escreve como poucos .
Os melhores jornais e revistas deveriam conhecer seu talento.
Comentário por picida ribeiro — 2.12.08 @ 20:40
Pra isso o brasileiro é muito bom e tira de letra toda a facilidade de ajudar ( a si mesmo ) e a enganar o prejudicado.
Comentário por Juventino — 2.12.08 @ 23:55