1.12.08

QUANDO O HUMOR É DOSE

 Alegria, bom humor e irreverência são características da comunidade gay. Um homossexual numa festa é garantia de diversão. Um deles faz mais fartura do que cem convidados encharcados. Essa regra vale para o Brasil e para o mundo – menos para Curitiba.
O senso de humor da militância gay do Paraná foi para a cucuia depois que descobriram a cachaça “Cura Veado”. No rótulo, um homem desmunhecado, de batom, unhas vermelhas, cílios postiços e cabelos rosa.
“Descobriram” é a palavra certa, porque a cachaça é vendida há mais de 40 anos pela “Magic Center”.
A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais subiu no salto e tomou providências. Enviou um email à empresa dizendo que a bebida transmite a idéia de que a homossexualidade é doença. Pede que a “Magic Center” retire “o referido rótulo do produto, considerando-se que ele contribui para o preconceito e a discriminação”.
Sem querer ignorar a piada e puxando para um certo preciosismo, a palavra usada para provocar homossexuais é “viado”. O veado da cachaça refere-se ao animal.
O erro de português pode ajudar a empresa a se defender na Justiça.
A “Magic Center” é uma loja que vende artigos para mágicas, brincadeiras, gozações, fantasias para Carnaval e Halloween e brincadeiras pornôs em geral. Além de brinquedinhos inocentes como a mosca no cubo de gelo, comercializa outras cachaças com nomes sugestivos, como a “Amansa Corno” e a “Nabunda”. Todas por R$ 9,90.
Numa consulta ao site da loja, a frustração: nenhuma menção às cachaças. Os responsáveis foram ágeis e já apagaram parte das evidências.
Antes da confusão, a “Magic Center” chegava a vender pelo menos duas dúzias por mês da “Cura Veado”.
Agora, além de curar veado, a bebida vai ter de dar um jeito de sarar a dor de cabeça que os proprietários arranjaram.
Talvez uma Judá Cola sirva como paliativo.

tatinha13    7:18 — Arquivado em: Sem categoria


30.11.08

O DEDO DA DISCÓRDIA

 Milhares de homens suspiraram aliviados há cerca de duas semanas com um comunicado do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A nota desaconselhava o toque retal no diagnóstico do câncer de próstata.
Mas a alegria desses medrosos durou pouco. Vejo a seguinte manchete, carregada de duplo sentido: “Inca muda posição sobre próstata”.
O diretor-geral do Inca apareceu para dizer o que até os calouros de Medicina da Universidade de Caucaia do Sul já sabiam: que a nota estava errada.
No comunicado, a justificativa era de que não existiam evidências científicas de que o rastreamento do câncer da próstata reduziria a mortalidade causada pela doença.
A explicação é tão estapafúrdia quanto uma possível decisão da Polícia Federal de convocar uma coletiva de imprensa para dizer que não vai mais prender ninguém. Afinal, o sistema prisional brasileiro não recupera e nem há registros da redução da criminalidade.
De acordo com o diretor-geral do Inca, tudo não passou de um grande mal entendido. Houve má interpretação de uma discussão técnica e científica a respeito da importância dos mutirões de saúde. O instituto não recomenda o reastreamento dos pacientes como forma de política de saúde pública.
A questão é que o estrago já foi causado. De nada adianta o jornal publicar uma informação incorreta e a desmentir na seção “Erramos” no dia seguinte. É provável que apenas 10% dos leitores consultem os erros cometidos pela publicação.
Os mitos e piadas em torno do exame de toque por si só já se encarregam de afastar medrosos e machistas dos consultórios de urologia. A trapalhada do Instituto Nacional de Câncer pode resultar naquilo que o Inca não gostaria: que o governo comece a convocar todos os homens a comparecerem aos postos de saúde para realizar o exame.
Mas seria bem divertido. Já consigo visualizar as filas gigantes, com homens suando frio e recebendo panfletos educativos do Zé Fura-Bolo, o mascote da campanha.

tatinha13    8:20 — Arquivado em: Sem categoria


29.11.08

MENU GELOL

 Cansados das pressões do dia-a-dia? De saco cheio do trabalho? Do chefe? Desiludidos com o casamento? Sem dinheiro no banco? Incomodados com a barriguinha que teima em aparecer? Pensando em mudar de cidade, de estado, de país? Seus problemas acabaram.
Basta tirarem férias e embarcarem para Nanjing, China, onde um estabelecimento promete pôr fim a toda e qualquer espécie de aflição. É o “Rising Sun Anger Release Bar”, algo como “Bar de Alívio da Raiva Sol Nascente”.
Lá qualquer um está autorizado a atirar pratos, quebrar copos e até bater, gritar e dar pontapés nos garçons.
O bar existe há cerca de dois anos e conta com 20 “modelos”: homens com corpos definidos com idades entre 20 e 30 anos e que estão disponíveis para serem socados. Todos eles usam roupas com as devidas proteções e têm o acompanhamento de quatro psicólogos.
Os preços para brincar de pugilista variam entre 8,30 e 49 dólares. Depende do gosto do freguês. Os clientes podem escolher com que tipo de traje querem que suas vítimas apareçam. Os trajes femininos lideram.
Agora, o dado mais chocante: a maior parte dos frequentadores é composta por mulheres.
E paira no ar é a dúvida sobre o real motivo da presença feminina no bar. Elas vão descarregar a TPM? Paquerar os garçons? Ou nós somos realmente mais nervosinhas?
Mas uma coisa é certa. O único que não é fraco da idéia é o proprietário.

tatinha13    13:57 — Arquivado em: Sem categoria


28.11.08

ERROS DE CÁLCULO

 Alguma coisa está fora da ordem. A influência das marés, da Lua ou de São Pedro seriam hipóteses aceitáveis, mas aparentemente nem essas suposições explicam o rumo das coisas no Brasil.
Em São Paulo, um caminhão-cegonha se choca contra uma passarela de pedestres, derruba parte dos carros que carregava, quase provoca a queda dos transeuntes e congestiona o já complicado trânsito da cidade. Sua punição? Cinco pontos na carteira de motorista e algumas Ufirs de multa.
Celso Pitta já se envolveu em inúmeras maracutaias. A mais recente foi descoberta pela Operação Satiagraha: o ex-prefeito recebia dinheiro de Naji Nahas.
As ligações perigosas, entretanto, não foram sinônimo de xilindró. Mas bastou Pitta não pagar uma dívida de R$ 100 mil à ex-mulher por conta de pensão alimentícia que está com a prisão decretada.
Há três anos o promotor Thales Ferri Schoedl matou com 12 tiros um jogador de basquete que supostamente teria mexido com sua namorada. Nesta semana foi absolvido pela Justiça, que aceitou a tese de que o promotor agiu em legítima defesa.
Doze tiros. Isso é que é defesa. Só não sei se legítima.

tatinha13    15:04 — Arquivado em: Sem categoria


27.11.08

RAINHA LOUCA E MÁ

 De nada adiantou Carla Bruni, a primeira-dama da França, revelar em seu livro que se apaixonou por Sarkozy por causa de seus “cinco ou seis cérebros, que são notavelmente irrigados”. O povo continua achando que nesse mato tem cachorro.
Carla Bruni é a personagem principal do novo best-seller francês, “Carla e Carlito Ou A Vida de Palácio”, do jornalista Philippe Cohen. Em apenas três semanas foram vendidos os 80 mil exemplares da primeira edição.
Na capa, ela aparece carregando Sarkozy num “baby-bag”. Nas páginas internas é Branca de Neve ou Maria Antonieta. Também é retratada aplicando uma sessão de hipnose no marido.
O texto diz que ela é fria, calculista, preocupada com o guarda-roupa, com a promoção de seus discos e que interfere em vários assuntos do governo.
Pobre Carla. É a Bruxa Má, não a Branca de Neve.
O livro e a reação do público indicam um claro temor entre os franceses de que Carla tenha planos de se transformar numa Evita.
A já agitada vida da primeira-dama viraria um inferno se grampeassem o telefone de Sarkozy e descobrissem uma frase como aquela que fez história entre os ingleses. Nela, Príncipe Charles queria ser o Tampax de Camilla Parker-Bowles. Como não estamos no Brasil, Carla não corre esse risco.
Quando o hipnotizado é um homem influente, qualquer mulher que se aproxima vira vilã. Carla ganhou muito dinheiro – e destaque – em sua época como modelo. Toca violão. Gravou discos. Já havia uma vida pré-Sarkozy.
Está difícil para os franceses compreenderem isso.
É hora de Sarkozy cortar os brioches de seus súditos. Eles estão merecendo mesmo é pão velho. Ou maçã envenenada.

tatinha13    16:38 — Arquivado em: Sem categoria


26.11.08

AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA

 Tomar um chope ou uma cervejinha gelada acompanhados por uma porção de testículos de boi ou de galo à milanesa não é uma cena incomum para os paulistanos. É tradição num bar em São Paulo há mais de 30 anos.
Chocante é um livro de receitas recém-lançado cujos principais ingredientes são os órgãos reprodutivos de bois, cavalos, búfalos, touros, porcos, perus e até ostras.
A proposta é do “The Testicle Cookbook: Cooking with Balls” (“O Livro de Receita dos Testículos: Cozinhando com Bolas”), do chef sérvio Ljubomir Erovic.
No livro as receitas procuram atender a todos os paladares. Erovic deita e rola com pratos que levam testículos assados, cozidos, batidos, à milanesa, grelhados, em espetinhos e até em tortas e pizzas.
O livro é para cozinheiros de sangue frio. Erovic ensina a retirar a película que envolve as glândulas – com uma faca bem afiada –, lavá-las, fritá-las em óleo bem quente, moê-las e fatiá-las. Ele só não dá dicas de um bom analgésico ou um remédio antináuseas.
Ricos em testosterona, os testículos são tidos como afrodisíacos em países como Sérvia e China. Erovic gosta particularmente dos de touro, de cavalo e de ostra. E completa, para alívio dos interessados: “Dá pra comer qualquer testículo. Menos os de humanos, é claro”.
O sadismo de Erovic vem de longe. São mais de 20 anos fazendo testes com bolas alheias. Desde 2004 ele organiza na Sérvia a “Copa do Mundo de Cozinha com Testículos”, festa em que é consumida uma tonelada de testículos.
Os homens brasileiros podem ficar tranqüilos porque o livro de Erovic só está disponível na Internet e ainda não tem edição em português.
Por enquanto.

tatinha13    12:42 — Arquivado em: Sem categoria


25.11.08

TUTTI BUONA GENTE

 Os italianos têm muito mais em comum conosco do que podemos imaginar. Ambos comemos pizza no café-da-manhã, no almoço e no jantar; temos fama de alegres e animados – apesar de sermos broncos e mal-educados –; nosso sangue é quente e as máfias organizadas. Mas o principal é que as desculpas deles são tão esfarrapadas quanto as nossas.
A nova entre os italianos é batizar os filhos com o nome do líder fascista Benito Mussolini ou de sua mulher, Rachele.
Os autores da idéia – o partido de extrema-direita “Movimento Sociale-Fiamma Tricolore” – dizem que a escolha foi casual. Os nomes Benito e Rachele são apenas “bonitos”.
Para incentivar os progenitores, o partido está oferecendo 1.500 euros para que eles denominem seus pimpolhos com os tais nomes “bonitos”. O dinheiro é para a compra de berços, roupas e comida para os pequenos Benitos e Racheles.
Para participar da incrível promoção, basta morar em uma das cinco áreas da província de Potenza, no sul da Itália, que têm baixos índices de natalidade.
O presidente regional do “Tricolore” afirmou ainda que a região da Basilicata poderia fazer ainda mais. Dar 1.500 euros anuais para as crianças até que completem 18 anos de idade. Depois disso, receberiam um bônus de 50 mil euros.
A proposta está tão indecente que estou seriamente avaliando a possibilidade de arranjar um marido italiano.
Já que somos tão parecidos, os “tricolores” deveriam estender esse benefício para os brasileiros. Se por aqui já batizam filhos de Hermenegildo, Um Dois Três de Oliveira Quatro e outros impublicáveis, Benito é um bálsamo para os ouvidos e passa longe de qualquer mensagem subliminar.
Angélica e Luciano Huck já aderiram. O filho mais velho do casal – Joaquim – recebeu há pouco tempo a companhia do irmãozinho Benício.
Olhar para um bebê novinho em folha e achar que ele tem cara de Joaquim só pode ser piada.

tatinha13    15:37 — Arquivado em: Sem categoria


24.11.08

RECÉM-DIVORCIADOS

 Acaba de chegar por aqui uma idéia que inicialmente parece absurda, mas submetida a uma segunda análise até faz sentido. São as festas para comemorar divórcios.
Ora, se o objetivo de uma cerimônia de casamento é comunicar à sociedade uma união, por que não ter procedimento semelhante quando a vaca vai para o brejo?
De acordo com a norte-americana Christine Gallagher, autora de “O Livro do Divórcio para Mulheres” e especialista em festas de divórcio, esse tipo de comemoração tem feito sucesso porque é uma maneira de marcar o fim do sofrimento que vem com o término do casamento.
Mais do que anunciar seu novo status de vida, é hora de arejar a mente, rir, chorar, gritar ou o que mais o novo solteiro desejar fazer ao lado de amigos queridos e da família.
Segundo Gallagher, rituais são importantes porque confortam. E é verdade.
A novidade que vai deixar beatas e conservadores brasileiros de cabelo em pé é uma tendência nos Estados Unidos há quase três anos. Há quem gaste tanto dinheiro quanto na festança do enlace. Alguns levam o negócio tão a sério que para representar a morte do casamento alugam carros fúnebres para chegarem à festa.
Alguns sites que organizam eventos de divórcio fornecem lembrancinhas, aluguel de carros fúnebres, convites e dão sugestões de presentes e dicas politicamente incorretíssimas. Entre elas, para a festa ser animada, nada de canções deprê. É o momento de fazer uma sessão para queimar a certidão de casamento, fotografias e cartas de amor. Tudo regado a muito álcool.
Eu diria mais: quem sabe até descolar um novo amor.
Que maravilha! Quando se tem dinheiro até divórcio é motivo de festa.

P.S.: acima, sugestões de pratos e guardanapos para a festa com os dizeres “Solteiro Novamente”

tatinha13    10:21 — Arquivado em: Sem categoria


23.11.08

SALVE-SE QUEM PUDER

 Depois que Kassab proibiu a instalação de outdoors e de outros tipos de publicidade pela cidade ficamos um pouco órfãos. No meio da bagunça costumávamos correr os olhos pelos cartazes e algumas vezes até esboçávamos alguma reação positiva.
De uns tempos para cá essa missão lúdica tem ficado por conta do artista plástico Eduardo Srur, que faz intervenções curiosas pela cidade.
Até 14 de dezembro, 16 monumentos estarão trajados com coletes salva-vidas.
Intitulada “Sobrevivência”, a exposição começou no fim de outubro e tem como objetivo fazer com que olhemos para as estátuas com mais atenção. Borba Gato, em Santo Amaro; e os monumentos à Independência, Duque de Caxias, Carlos Gomes e Ramos de Azevedo estão mais estilosos do que nunca. Curiosamente os coletes deram um ar chique às estátuas. E, seguramente, podem ser jogadas nas águas do Tietê ou do Pinheiros.
Não é a primeira vez que Srur faz intervenções que dão o que falar. No início do ano ele já havia espalhado 20 garrafas pet gigantes coloridas pela sujeira do rio Tietê. À noite, iluminadas, até se esquecia que o rio é poluído. Srur pretendia abrir os olhos da população para a questão da degradação ambiental.
Em um ano anterior colocou 100 caiaques ocupados por 150 manequins de plástico no rio Pinheiros. A idéia era relembrar uma cena comum na capital até a década de 40, época em que o rio ainda era desfrutável.
O dinheiro para as megalomanias de Srur vem de patrocinadores como Banco Itaú, Centro Cultural Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Já no Rio de Janeiro, pela sexta vez a estátua de Carlos Drummond de Andrade em Copacabana é vítima de vândalos. Amanheceu hoje sem uma haste de seus óculos.
Pelo visto é o poeta quem precisa de um colete salva-vidas.

P.S.: acima, o famoso Borba Gato
 

tatinha13    9:40 — Arquivado em: Sem categoria


22.11.08

O JUSTO

 Foi com fala mansa e aquela cara de quem acredita em Papai Noel que Garibaldi Alves realizou um sonho antigo – dele e de outros que já passaram pela cadeira da presidência do Senado.
Cansado do excesso de medidas provisórias enviadas por Lula, tirou a risadinha do rosto e gritou “não”! Ele acaba de barrar a medida provisória que pretendia privilegiar ilegalmente entidades filantrópicas endividadas.
Ainda é cedo para dizer se Garibaldi vai tornar isso um hábito, mas com a atitude muita gente deve ter ficado arisca. Hum, hum, pondo as manguinhas de fora, Garibaldi?
Mas, surpreendentemente, foi por um ótimo motivo – pena o projeto de Delcídio Amaral sobre a repatriação de dinheiro ilegal não ser uma medida provisória.
O principal questionamento em relação à MP 446 – que Garibaldi chegou a chamar de “MP bichada” – é a renovação automática dos certificados de todas as entidades filantrópicas – até das que respondem a processos.
É inacreditável, mas segundo o jornalista Heródoto Barbeiro existem no Brasil mais de 2.600 entidades suspeitas, as “pilantrópicas”. Até uma CPI já foi inicidada, mas não chegou a lugar nenhum.
Um novo texto está sendo escrito e aí sim é provável que conte com a aprovação de Garibaldi, o justo.
A decisão do presidente do Senado é mais do que louvável. Mas deixando de lado o feito heróico e sendo bem sincera, o episódio serviu para reforçar uma opinião que tenho há algum tempo. Morro de medo de gente da fala mansa e da cara angelical. Quando menos se espera, dão o bote. Pé de pato mangalô três vezes…

tatinha13    7:53 — Arquivado em: Sem categoria
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